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domingo, 6 de setembro de 2020

Lista | Quinze belos filmes originais que completam 30 anos em 2020

O ano de 1990 foi espetacular para o cinema. Ainda influenciado pelo fervor pop da década de oitenta, o que vimos foi uma “safra” extremamente eclética. Tivemos o mestre Akira Kurosawa ensaiando o fim da sua carreira no poético Sonhos. Tivemos David Lynch dividindo o público e a crítica com o violento Coração Selvagem. Tivemos Kevin Costner colecionando estatuetas do Oscar com o (datado) épico Dança com Lobos. Tivemos Francis Ford Coppola fechando a saga Michael Corleone no intenso O Poderoso Chefão 3. Tivemos John McClane salvando o dia mais uma vez em Duro de Matar 2. Tivemos Cher como uma exótica matriarca em Minha Mãe É uma Sereia. Tivemos continuações como De Volta Para o Futuro 3, Robocop 2, Predador 2 e Jovens Demais para Morrer 2. E muito mais. Tivemos um tal garoto sendo esquecido pelos pais. Tivemos uma garota de programa vivendo o “sonho de princesa”. Tivemos uma fã transloucada disposta a tudo para conseguir o que queria. Tivemos uma história de amor que cruzou a barreira da vida. Tivemos mafiosos com sérios problemas com drogas. Tivemos muito entretenimento. Neste post, portanto, decidi celebrar esta grande temporada cinematográfica com uma lista com quinze belos filmes que completam 30 anos em 2020. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Avesso aos holofotes, mas jamais esquecido, Macaulay Culkin completa 40 anos em paz com o seu turbulento passado


Poucos atores experimentaram o frisson do mundo do showbiz tão precocemente quanto Macaulay Culkin. Com o seu rosto angelical e uma espirituosa personalidade, ele se tornou um dos mais rentáveis astros infantis de todos os tempos. O maior desde a icônica Shirley Temple. Aos 13 anos, Culkin já era tratado pela revista Premiere como uma das 50 pessoas mais poderosas de Hollywood. Aos 14, estima-se, já havia faturado mais de US$ 50 milhões em salários. Nos bastidores, porém, a sua rotina estava longe da dos seus principais personagens. O sonho do sucesso escondia o pesadelo da realidade.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Artigo | Os 104 anos de Olivia de Havilland, a atriz que desafiou a indústria do cinema (e ganhou!)


Muitos não sabem a importância de Olivia de Havilland para o mundo do cinema. A ícone da Era de Ouro que completou 104 anos hoje, foi pioneira na luta pela independência dos atores em Hollywood. Até os anos 1940, as estrelas da Sétima Arte praticamente "pertenciam" aos grandes estúdios. Eles ditavam as regras do jogo, o rumo das suas carreiras e por consequência o destino artístico dos seus contratados. Com o contrato assinado, atores e atrizes perdiam qualquer controle sobre os seus futuros projetos. Na sua juventude, Olivia de Hallivand construiu o seu nome dentro da indústria em filmes como As Aventuras de Robin Hood (1938), ...E o Vento Levou (1939) e A Porta de Ouro (1941). Consagrada como o par do astro do gênero capa e espada Errol Flynn, Olivia de Havilland queria mais. Queria novos desafios. 

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Luto | Diretor de Os Garotos Perdidos e Batman Eternamente, Joel Schumacher morre aos 80 anos


Diretor de Os Garotos Perdidos (1987) e Batman Eternamente (1995), Joel Schumacher faleceu hoje aos 80 anos. A informação foi dada pela Variety. O realizador vinha lutando contra o câncer nos últimos anos. Eclético e autoral, Schumacher triunfou com títulos como O Primeiro Ano do Resto das Nossas Vidas (1985), Linha Mortal (1990), Um Dia de Fúria (1993), O Cliente (1994), Tempo de Matar (1996), Ninguém é Perfeito (1999), Por um Fio (2002) e O Custo da Coragem (2003). Basta olhar para esta lista para termos a noção da singularidade do cineasta. Ele se acostumou a transitar da comédia ao drama. Do terror ao universo dos super-heróis. Até no gênero musical ele se adaptou, com a popular adaptação de O Fantasma da Ópera (2004). 

domingo, 21 de junho de 2020

Artigo | Os 40 anos de A Lagoa Azul, o filme evento das sessões da tarde nos anos 1990


Como pode um filme com cenas de nudez, morte, violência, sexo e insinuação de incesto ter feito tanto sucesso nas sessões da tarde dos anos 1990? Parando para pensar, talvez tenha sido justamente por conter estes ingredientes... Só quem era vivo na época do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde sabe qual era o verdadeiro ‘status’ de A Lagoa Azul. Era o filme evento da TV aberta. O Vingadores: Ultimato do papo na escola. Na época em que o streaming nem sonhava em existir, nós dependíamos da TV aberta para ver filmes no dia a dia. Perdeu, já era. O que no caso de A Lagoa Azul nem era um problema tão grande assim. Não era difícil conhecer algum tio, amigo ou parente com uma cópia VHS do filme em casa. Na pior das hipóteses, dentro de alguns meses o título era exibido novamente. Só na Globo, segundo dados da própria emissora, A Lagoa Azul foi ao ar 20 vezes na faixa de horário vespertina desde a sua primeira exibição em 1987. Talvez por isso o filme tenha permanecido tão vivo no imaginário do público brasileiro.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Por Onde Anda? | Christopher Atkins


Há quarenta anos, mais precisamente no dia 19 de junho de 1980, A Lagoa Azul estreava nos cinemas norte-americanos. Um projeto ambicioso, com natureza polêmica, que para a surpresa de muitos se tornou um estrondoso sucesso de público. Dirigido por Randal Kleiser, o longa fechou o ano com a décima maior bilheteria nos EUA. Além disso, anos mais tarde, o romance dramático se tornou um fenômeno pop no mercado ‘home-vídeo’. Aqui no Brasil, qualquer um com mais de 25 anos sabe como eram aguardadas (e comentadas) as reexibições de A Lagoa Azul na TV aberta. O sucesso do longa, no entanto, ecoou de maneira diferente nas carreiras dos jovens protagonistas. Enquanto a bela Brooke Shields construiu uma carreira sólida no Cinema e na TV, o seu parceiro de set Christopher Atkins não demorou muito para sumir dos holofotes. 

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Doze cativantes romances dos anos 1980 para embalar este Dia dos Namorados


Estamos precisando nos divertir. Revigorar o clima. Nos últimos meses nos deparamos com uma sucessão de fatos tristes. A quarentena mudou a nossa rotina. Este, sem sombra de dúvida, será um Dia dos Namorados diferentes para muitos. Mais caseiro. Mais intimista. O que torna o cinema (em casa) uma ótima alternativa de entretenimento. E se é para melhorar o astral, nada melhor do que voltar para os anos 1980. Neste singelo artigo preparei uma lista com doze dos mais cativantes romances\comédia-romântica da década de oitenta. Nós precisamos nos embebedar do fator nostalgia.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Lista | Quinze Grandes Filmes sobre o Horror do Fascismo

Não basta não ser racista, precisamos ser antirracistas. Não basta não ser fascista, precisamos ser antifascistas. É dever de qualquer um que preze pela liberdade e pela democracia reagir a ascensão de alguns perigosos discursos. Sou da tese que precisamos instruir, coibir a repressão na base do diálogo. Alguns, infelizmente, simplesmente estão seguindo os seus distorcidos princípios. Vejo muita gente, porém, endossando "falsas verdades" na base da ignorância, sem sequer desconfiar da raiz de tudo isso. A história, como sabido, se dá em ciclos e nós temos que nos posicionar contra qualquer resquício de totalitarismo. Não podemos nos cegar. O cinema, por sinal, está ai para nos mostrar a verdade. Neste dia de tamanha mobilização preparei uma lista com quinze filmes indispensáveis para enxergarmos o horror do fascismo. É o mínimo num momento tão confuso e indignante. Sentiu falta de algum título? Conhece outro filme que poderia acrescentar ao post? Deixe nos comentários.


domingo, 31 de maio de 2020

Artigo | Os 90 anos de Clint Eastwood, o Estranho Sem Nome que o Mundo do Cinema Aprendeu a Amar

“Eu Amo o que eu faço”. Com base nesta afirmação, em entrevista recente ao USA Today, fica fácil entender a origem do vigor de Clint Eastwood. Por mais que o peso da idade seja um obstáculo, o legendário realizador completa 90 anos no auge da sua forma. Seus filmes são vistos. Seu público segue fiel. A sua assinatura crítica segue implacável. Basta olhar os seus últimos trabalhos, o subestimado A Mula (2017) e o ótimo Richard Jewell (2019), para percebermos que estamos diante de um cineasta destemido, com um olhar aguçado para a realidade. Alguém capaz de se apropriar de símbolos americanos tão caros para questionar. Tudo com muita personalidade. Ao contrário dos seus mais icônicos personagens, homens embrutecidos e moralmente ambíguos dispostos a resolver tudo na base da bala, Eastwood se revelou com o passar dos anos um diretor sensível e extremamente humano. Um autor encantado pela bravura do indivíduo comum, seja um caubói traumatizado, uma pugilista obstinada, um idoso racista ou uma mãe desesperada. Eastwood, talvez pela sua própria experiência de vida, se acostumou a valorizar as pequenas histórias. Antes de se tornar um ícone, ele conviveu rotineiramente com o não, com o descrédito e com a rejeição. Durante muito tempo ele foi literalmente um estranho sem nome dentro da sua indústria. 


segunda-feira, 18 de maio de 2020

Artigo | Referência na comédia americana, Tina Fey completa 50 anos com disposição para seguir quebrando paradigmas

A comédia sempre foi um ambiente desafiador para as mulheres. A falta de oportunidades, a estereotipização e a desigualdade foi durante algum tempo um problema sentido. O protagonismo feminino dentro do segmento sempre foi conseguido por elas na base da marra. Lucille Ball, por exemplo, para se livrar das amarras dos produtores\estúdios, criou a sua própria companhia e revolucionou a forma de se pensar a comédia na televisão. No Brasil, Dercy Gonçalves conviveu com o preconceito e a desvalorização. E foi assim como Betty White, com Whoopi Goldberg, com Carol Burnett, com Gilda Radner. Com todas aquelas que ousaram brigar por protagonismo. Uma comediante, porém, tem ajudado a mudar este cenário. Uma comediante resolveu escrever a sua própria história. Literalmente. O nome dela é Tina Fey. Mais do que uma referência absoluta no gênero, a atriz e roteirista quebrou paradigmas ao longo da sua trajetória. No Cinema e na TV, ela se posicionou na vanguarda simplesmente por disputar o seu espaço, por criar, por liderar, por inspirar. No dia em que Tina Fey completa 50 anos, nada mais justo do que reverenciar esta realizadora. Uma peça fundamental no processo de empoderamento feminino dentro da comédia americana. 

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Dez belos filmes que passaram despercebido pelo público brasileiro em 2019


A ausência de grandes lançamentos neste período de quarentena faz qualquer fã de cinema sair à caça de filmes. Qualquer novidade é bem-vinda. É o tempo ideal para pagar velhas dívidas, ver aquele clássico que sempre ficou para depois. Ou então aquela pérola cult escondida nos catálogos do streaming. É um período legal também para assistir aquele tipo de produção que não ganhou a devida atenção. Quantos grandes filmes lançados em 2019 passaram despercebidos aos olhos do público? Muitos! Dos premiados aos mais despretensiosos, dos subestimados aos incompreendidos. Neste artigo, portanto, resolvi preparar uma lista algumas destas ótimas produções já disponíveis no streaming.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Ranking | Star Wars: Do Pior ao Melhor


A Amazon Prime Video Brasil disponibiliza a partir de hoje no seu catálogo os nove filmes da saga Star Wars, incluindo o recém-lançado Star Wars: A Ascensão Skywalker. Além deles, chega também o magnífico 'spin-off' Star Wars: Rogue One, facilmente um dos melhores filmes lançados no universo criado por George Lucas.A única ausência fica por Solo: Uma História Star Wars, mas ela nem será tão sentida assim. Na expectativa para o Star Wars Day, celebrado no próximo dia 4 de Maio, decidi atualizar o meu ranking (pela última vez em algum tempo) com o melhor e o pior desta poderosa franquia. Que a Força esteja como vocês! Bela dica para o feriadão.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Artigo | Só enquanto os cinemas estiverem fechados! Filmes lançados exclusivamente via streaming ficarão elegíveis ao Oscar 2021


A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou hoje um pacote de novidades envolvendo o Oscar 2021. E a principal delas diz respeito aos serviços de streaming. Em meio ao quente debate envolvendo o futuro da indústria do cinema, o conselho gestor da premiação confirmou que os filmes lançados exclusivamente sob demanda em 2020 ficarão elegíveis no próximo ano sem a necessidade de serem exibidos comercialmente em Los Angeles. A decisão, porém, é pontual. Segundo o comunicado, o "relaxamento" só acontecerá enquanto o 'lockdown' for mantido. Ou seja, no momento em que os principais exibidores voltarem a abrir as portas, esta concessão tende a cair por terra. O que só comprova a resistência da Academia ao crescente poderio de empresas como a Netflix e a Amazon Studios. Nem mesmo esta devastadora crise fez o conselho dar o braço a torcer. Aos olhos daqueles que mandam no Oscar, o streaming segue uma "janela" menor. Um quebra galho diante da iminência de não termos grandes filmes lançados nos cinemas em 2020. Sim, essa possibilidade existe enquanto a vacina contra o coronavírus não for criada. Algo que debatemos mais profundamente aqui. Hoje, seguindo as regras tradicionais de elegibilidade, teríamos poucas obras disponíveis ao crivo do corpo votante. Já imaginou uma cerimônia do Oscar com Bad Boys: Para Sempre, Sonic: O Filme e Aves de Rapina entre os poucos selecionáveis? É isso que aconteceria até o presente momento. 

sexta-feira, 27 de março de 2020

Artigo | ¿Que água eles andam bebendo? Com O Poço e A Casa, cinema espanhol reafirma a força dos seus thrillers e se torna referência dentro do gênero na atualidade


Basta abrir o catálogo Netflix para perceber quem verdadeiramente “domina” os filmes de suspense na atualidade. Blumhouse e James Wan que me perdoem, mas alguns dos melhores títulos recentes do gênero tem minado como água da Espanha. Impulsionado por uma talentosa safra de diretores, o segmento tem mostrado a força do cinema deste país em obras instigantes, inteligentes e muito populares. O recente sucesso do original Netflix O Poço (leia a crítica aqui), por exemplo, não me deixa mentir. Embora alavancado pelo status da gigante do streaming, o visceral thriller social dirigido pelo promissor Galder Gaztelu-Urrutia causou um rebuliço nas redes sociais como há muito não se via no gênero. Foi visto, comentado por muitos, questionado por alguns, exaltado por tantos outros. Algo natural para uma obra crítica e de natureza divisiva. A Netflix, por sua vez, já enxergou o potencial (e o retorno) destas produções espanholas. Tem investido pesado na compra dos direitos de filme já finalizados, na realização de produções originais e na exibição de muitos destas obras. A mais nova aposta da companhia é o intrigante A Casa (escrevo sobre ele abaixo), thriller social estrelado por Javier Gutierrez e pelo astro Mario Casas que promete fisgar o fã do segmento com um ‘plot’ enervante sobre um publicitário desempregado obcecado em recuperar o que foi seu. Neste artigo, portanto, decidi preparar uma pequena lista com alguns destes filmaços que ajudaram a transformar o cinema Espanhol em referência do suspense na atualidade. 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Artigo | De volta aos holofotes, Renée Zellweger triunfou no Oscar 2020, mas a sua grande vitória foi contra a depressão


Poucos profissionais sofrem tanto em Hollywood quanto as mulheres de meia idade. De uma hora para outra o seu talento deixa de “servir”. Como costumo dizer, estamos diante de uma indústria sedenta pela juventude de suas atrizes. Com raríssimas exceções, entenda Meryl Streep, o que vemos é uma repentina mudança de paradigma. Algo que Renée Zellweger sentiu na pele como poucas. Nos anos 1990, a versátil atriz norte-americana se tornou um símbolo de sucesso. Seu nome, em especial nas comédias românticas, se tornou uma referência. Renée estrelou filmes lucrativos, Renée foi reconhecida pela crítica, Renée recebeu o Oscar de Melhor Atriz por Cold Mountain (2003). Da noite para o dia, porém, tudo se foi. A estrela de Jerry Maguire (1994) e O Diário De Bridget Jones (2001) experimentou o ostracismo. Com a chegada dos quarenta anos as portas começaram a se fechar. As oportunidades se tornaram mais raras. A qualidade dos seus projetos sucumbiu a isso. Veio então a depressão. A tristeza. O julgamento da mídia. Envelhecer é difícil em Hollywood. A sua volta por cima, no entanto, não poderia ser mais emblemática. Após quase seis anos longe dos holofotes, Renée Zellweger se reafirma com uma performance maiúscula em Judy. E vivendo uma artista de meia idade que, tal qual ela, se sacrificou em prol de sua arte. Uma das muitas estrelas consumidas pela indústria do entretenimento. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Artigo | Parasita? Coringa? A mais impactante crítica social do cinema em 2019 não foi sequer indicada ao Oscar


Em 2020, o Oscar reescreveu a sua história. O triunfo do sul-coreano Parasita (leia a minha crítica aqui) no prêmio de Melhor Filme foi de arrepiar. A reação da atriz Jane Fonda ao anunciar o vencedor (veja aqui) não me deixa mentir. Pela primeira vez em 92 edições, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas consagrou um longa falado em língua não inglesa. Mais do que isso, a estatueta dourada foi para uma obra divisiva, moderna e crítica. Algo que poucas vezes aconteceu dentro da história da premiação. Nem se os meus “favoritos” na disputa vencessem eu ficaria tão feliz. Sim, quem me acompanha por aqui sabe que Parasita não era o meu título predileto nesta excelente safra. O Irlandês e Era Uma Vez em Hollywood me impactaram (ainda) mais. História de um Casamento trouxe uma dramaticidade natural que me comoveu como poucos. Numa lista com tantos grandes filmes, aliás, o conceito de melhor e pior se torna absurdamente subjetivo. Sinceramente, acho impossível comparar obras de natureza tão distintas quanto, por exemplo, o melancólico O Irlandês e o corrosivo Parasita. São dois filmaços. Duas obras primas dentro dos seus respectivos gêneros. Não sou nem louco de querer enxergar um paralelo entre esses filmes. Na minha visão, porém, quando o assunto é crítica social, o Oscar 2020 vacilou feio. Num ano em que Parasita foi aclamado, em que Coringa deu a Joaquin Phoenix o seu primeiro Oscar, Nós (leia a minha crítica aqui) foi “vítima” de um verdadeiro crime cinematográfico. A ausência desta pérola na lista de indicados não pode ser esquecida.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Artigo | Histórico! Parasita se torna o primeiro filme falado em língua não inglesa a levar o Oscar de Melhor Filme

Thriller sul-coreano fechou a noite com quatro estatuetas do Oscar



Venceu a coragem. Venceu a ousadia narrativa. Venceu a luta por diversidade. Venceu o cinema que divide, que questiona, que nos obriga a reagir. Contrariando as expectativas, Parasita fez história ao se tornar o primeiro longa falado em língua não inglesa a levar o Oscar de Melhor Filme. Ao longo de 92 anos de premiação, apenas dez filmes "estrangeiros" haviam sido indicados ao prêmio máximo do evento. O ácido thriller social comandado por Bong Joon-Ho roubou a cena ao fechar a noite com quatro estatuetas, entre elas as de Melhor Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Internacional. Um triunfo que já vinha sendo ensaiado há algum tempo. Na edição passada, por exemplo, o mexicano Roma, de Alfonso Cuarón, chegou como um dos favoritos, mas foi destronado na reta final pelo questionável Green Book. Até por isso e pela ascensão repentina do drama de guerra 1917, Parasita era tratado como um azarão. Um filme polêmico demais para o tradicionalista paladar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Um grupo que recentemente preferiu Spotlight em detrimento de Mad Max: Estrada da Fúria e O Regresso. As mudanças no corpo votante, porém, aos poucos começam a fazer efeito. O Oscar segue branco e masculino demais. Mas desta vez o clima de novidade não ficou na promessa. Mais do que um reconhecimento a um grande filme, a vitória de Parasita surge como um concreto sopro de esperança. Após anos de expectativas frustradas, de filmes medianos\burocráticos consagrados, o Oscar finalmente reconhece o moderno. Finalmente encara a mudança como uma realidade. Nada de "prêmios de consolação". Nada de "infladas no ego". Um filme sul-coreano, dirigido por um sul-coreano, produzido por sul-coreanos e estrelado por sul-coreanos é o vencedor do Oscar de Melhor Filme. Algo que até bem pouco tempo atrás era praticamente impensável. 

sábado, 25 de janeiro de 2020

Entre o caos e o triunfo, Joaquin Phoenix é um artigo de luxo em Hollywood


Com Coringa, Joaquin Phoenix se aproxima a galope do seu primeiro Oscar. E tardiamente. Qualquer coisa diferente disso seria uma surpresa bombástica. Vou além, seria um crime. Num ano com atuações masculinas tão robustas, em que faltaram vagas para performances do quilate de Robert De Niro em O Irlandês, Taron Egerton em Rocketman, Brad Pitt em Ad Astra, Adam Sandler em Joias Brutas e Kang-ho Song em Parasita, Phoenix se colocou numa posição poucas vezes vista na temporada de premiações. Não existe muita discussão sobre o seu trabalho. Até os que desgostam do filme reconhecem a unicidade do que ele entrega. Um nível de aclamação que, a meu ver, diz muito sobre a verve do ator. Joaquin Phoenix é daqueles “astros atormentados”. Seu processo de criação beira o caos. Seus personagens refletem em sua maioria essa instabilidade. Ao subir no palco para receber o Globo de Ouro de Melhor Ator Dramático, o próprio fez questão de agradecer a paciência do diretor Todd Phillips e admitiu ter sido um “pé no saco” durante as filmagens. Não é questão de mídia. Ele não sai distribuindo ratos vivos e pregando peças no “método”, como fez recentemente Jared Leto, o último a viver o icônico palhaço do crime no infame Esquadrão Suicida (2015). Phoenix é o tipo de realizador que busca sempre o limite. E por isso ele merece tanto esta aclamação popular.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Com surpresas (algumas anticlimáticas) Globo de Ouro 2020 consagra Era Uma Vez em Hollywood e 1917


Seguindo a sua cartilha, o Globo de Ouro 2020 fugiu mais uma vez do lugar comum. Se por um lado Era Uma Vez em Hollywood fez jus ao (merecido) favoritismo ao fechar a noite com três estatuetas, entre elas as de Melhor Filme Comédia ou Musical e Melhor Roteiro, o drama de guerra 1917 surpreendeu a todos ao levar o prêmio de Melhor Filme Dramático e Melhor Diretor. Uma decisão no mínimo anticlimática. Além de não ter sido lançado comercialmente em parte do mundo, o ambicioso longa comandado por Sam Mendes triunfou numa disputa que parecia polarizada entre os comentados Coringa e O Irlandês. A imponente produção original Netflix, aliás, deixou o Globo de Ouro de mãos abanando, algo até então impensável num filme comandado por Martin Scorsese e estrelado por legendas como Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci. Após as pesadas críticas envolvendo as escolhas da última edição do evento, a impressão que ficou é que a Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood se viu obrigada a arriscar, mas acabou ousando onde não precisava e sendo previsível onde havia brechas para romper com as suas tradicionais predileções. Pior para a Netflix que, nas categorias relacionadas ao cinema, viu O Irlandês, Histórias de Um Casamento, Dois Papas e Meu Nome é Dolemite fecharem a noite com apenas uma conquista.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Lista | Os Melhores (e mais marcantes) Frames da Década no Cinema


No meu Twitter (siga aqui) preparei uma lista com alguns dos melhores frames cinematográficos da década. Uma seleção com quadros dignos de moldura que tem muito a dizer sobre o cinema (claro!) e também sobre o rumo das coisas nos últimos anos. Como o material ficou tão legal e nem todo mundo possui essa rede social decidi adaptar a thread nesta postagem. Tomando como base os filmes lançados entre 2010 e 2019 no Brasil, começamos com...