segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Top 10 (Filmes Pós-Apocalípticos)



Após emplacar o popular Bird Box (leia a nossa crítica aqui) no final do ano passado, a Netflix voltou ao terreno dos filmes pós-apocalípticos com IO (leia a nossa crítica aqui), uma produção pequena que promete inquietar ao narrar as desventuras dos dois últimos humanos num devastado planeta Terra. Com Margaret Qualey e Anthony Mackie como protagonistas, o longa dirigido pelo francês Jonathan Hepert é apenas mais um a usar o cinema para questionar a maneira com que tratamos o nosso habitat. Na verdade, a partir dos anos 1950, com a crescente ameaça atômica e a Guerra Fria, o fim do nosso estilo de vida em sociedade se tornou um tema recorrente dentro do universo das ficções-científicas e do cinema de horror. Sejam em produções mais alegóricas, como os clássicos Mortos que Matam (1964) e A Noite dos Mortos Vivos (1968), sejam em obras mais realísticas, como A Hora Final (1959) e Mad Max (1979), este reflexivo subgênero passou a gradativamente apontar a sua mira para o público, projetando através da ficção as trágicas consequências do nosso desdém para com a natureza e o ambiente em que vivemos. O que mais me atrai no cinema pós-apocalíptico, entretanto, é a sagacidade de alguns longas em especular sobre o futuro da raça humana após uma tragédia natural\química\nuclear. Sobreviveremos em trens? Numa terra sem água? Imersos na tecnologia? No espaço? Ou quem sabe num lugar sem esperança? Indagações pertinentes que, a partir de obras que tem muito a dizer sobre o nosso estilo de vida em sociedade, surgem como uma verdadeira provocação ao espectador. Com a estreia de IO, portanto, resolvi fazer (finalmente) o meu Top 10 com alguns dos melhores (e mais impactantes) filmes pós-apocalípticos. A ideia, aqui, é destacar as obras com um cunho mais realístico, por isso exclui da seleção os ‘zombie movies’. Dito isso, seguindo o gosto pessoal desse que vos escreve, começamos com...

domingo, 20 de janeiro de 2019

Sindicato dos Produtores consagra Green Book e a corrida pelo Oscar de Melhor Filme já tem o seu favorito


Na madrugada deste domingo (20) o Sindicato dos Produtores da América (o PGA) consagrou o drama racial Green Book com o prêmio de Melhor Produção Cinematográfica de 2019. Um dos termômetros mais eficazes do Oscar, o influente corpo votante optou pelo caminho mais conservador, realçando o 'status' do longa estrelado por Viggo Mortensen e Marershala Ali dentro da indústria. Uma escolha, a meu ver, "confortável" do Sindicato dos Produtores da América, principalmente porque os dois outros expoentes da lista (o drama estrangeiro Roma e o curioso romance de época A Favorita) estão longe dos padrões de filmes que Hollywood costuma premiar. Recebido sem grande entusiasmo pela crítica norte-americana, o filme dirigido por Peter Farrelly parece ter recuperado também o prestígio perdido nos últimos dias, já que a produção vinha sofrendo uma pesada campanha negativa nas redes sociais devido a um antigo tweet do roteirista Nick Vallelonga. E se der a lógica natural da última década, de fato, Green Book se torna com o triunfo no PGA Awards 2019 o grande favorito ao Oscar de Melhor Filme. 


Nos últimos dez anos, em oito ocasiões o Sindicato dos Produtores "antecipou" o vencedor na categoria máxima da principal premiação do mundo da Sétima Arte. Numa análise mais reduzida, entretanto, é possível perceber uma ligeira divergência entre o corpo votante destas duas importantes instituições. Isso porque, nos últimos quatro anos, o sindicato dos produtores e a Academia emplacaram os mesmos vencedores em apenas duas ocasiões (A Forma da Água e Birdman). Ou seja, não podemos descartar títulos fortes como Roma, Se a Rua Beale Falasse, A Favorita e Infiltrado na Klan, principalmente diante da renovação do perfil dos votantes dentro do Oscar. Outra questão que chama a atenção e tem causado certa expectativa é saber se a Academia estará disposta a consagrar uma produção original Netflix. Apesar do grande investimento na campanha de marketing de Roma, que, hoje, surge como o grande concorrente no páreo pelo prêmio de Melhor Filme, é fato que o modelo proposto pela gigante do streaming ainda não é tão bem recebido assim dentro da indústria. Enquanto nomes de peso como Alfonso Cuarón (leia aqui), Martin Scorsese, Sandra Bullock e os irmãos Coen se posicionaram publicamente a favor desta nova "janela", a impressão que fica é que produtores e distribuidores ainda se sentem claramente incomodados com o triunfo do modelo sob demanda. E isso pode pesar muito contra o extraordinário drama familiar mexicano. Uma situação complexa que promete ter um peso decisivo na escolha do grande vencedor na categoria máxima do Oscar 2019. Vale lembrar que nesta terça-feira (22) serão divulgados os indicados ao Oscar. Curta as nossas redes sociais e fique por dentro de mais novidades sobre a temporada de prêmios. 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Crítica | IO

Entre a razão e a emoção

Sustentar um filme em um ou poucos atores é sempre um trabalho muito desafiador. Para o público e principalmente para o responsável por tirar a história do papel. Pode ser apenas uma impressão minha, mas diante desta abordagem naturalmente intimista a nossa percepção sobre a obra se torna mais aguçada. Os diálogos se revelam mais “audíveis”. O visual mais relevante. Os passos em falsos mais evidentes. O que só atesta a ambição por trás de títulos como IO. Uma mistura de Perdido em Marte (2015) com Os Últimos na Terra (2015), o longa dirigido por Jonathan Helpert escancara as suas virtudes e também os seus pecados ao discutir os mistérios da evolução humana sob uma perspectiva indiscutivelmente singular. E de fato estamos diante de uma obra intrigante. Embora o ritmo lento salte aos olhos em alguns momentos, a produção original Netflix compensa ao propor uma realística visão de futuro pós-apocalíptico, prezando pelo aspecto científico enquanto explora a dicotômica relação entre a razão e a emoção num ambiente praticamente sem vida. O resultado é uma película com ideias inspiradas, outras superficiais, alguns conceitos realmente inventivos, mas que, no final das contas, exige bastante do espectador. Em especial atenção, paciência e uma inegável dose de boa vontade quanto ao rumo anticlimático que o argumento decide tomar. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Keanu Reeves entra em guerra no agressivo trailer de John Wick: Parabellum


Saiu o implacável primeiro trailer de John Wick: Parabellum. E a agressividade chama a atenção. Dando sequência aos episódios do longa anterior, Keanu Reeves surge encurralado tendo que fazer novas parcerias para sobreviver com um alvo às suas costas. Novamente sob a batuta de Chad Stahelski, a continuação promete novamente aliar elegância à violência, o que já fica bem claro dentro desta primeira prévia. Trazendo no elenco nomes como os de Halle Berry, Ian McShane, Laurence Fishburne, Anjelica Huston e Mark Dacascos, John Wick - Capítulo Terceiro (esse até o momento é o titulo brasileiro) tem previsão de estreia para o dia 16 de Maio por aqui. Confira abaixo o feroz trailer.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Crítica | A Esposa (The Wife)

À sombra do talento

“Por trás de todo homem existe uma grande mulher”. Eis um dito popular que não envelheceu nada bem. Um provérbio patriarcal que, até pouco tempo atrás, era utilizado com orgulho por homens de sucesso para reverenciar os feitos de suas esposas, filhas, mães. Mulheres que dedicaram muito do seu tempo e sonhos em prol do triunfo dos seus reconhecidos maridos, pais, filhos. Uma sentença que, verdade seja dita, ainda hoje reflete a visão social de muitos, dos entusiastas do slogan “bela, recatada e do lar”. Por trás deste perigoso “elogio”, entretanto, reside escondida uma mentalidade arcaica. Uma rotina de submissão, abnegação e (claro!) desigualdade extremamente reconhecível. Um problema social que só realça a importância de títulos como A Esposa, um drama denso e intimista sobre uma destas muitas mulheres que sacrificou a sua voz em prol do bem-estar da sua família. Embora narrativamente irregular e por vezes apressado, o longa dirigido por Bjorn Runge encontra na soberba performance de Glenn Close a maturidade necessária para lidar com um tema tão espinhoso, se esquivando do viés unidimensional ao não parecer contente em propor um tardio duelo de gêneros. O foco, aqui, não está no grito de liberdade feminino, nem tão pouco na busca por reconhecimento, mas no latente sentimento de culpa que cerca uma relação marcada por um distorcido senso de cumplicidade. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Crítica | A Última Gargalhada

Rir para não chorar

O veterano Richard Dreyfuss faz o possível, imprime verdade, emoção e humor sempre que está em cena, mas A Última Gargalhada é um daqueles 'comeback movies' bem insossos. Previsível, brega e que (pior) se leva a sério demais. Um problema de tom grave que se reflete diretamente na deslocada performance Chavy Chase. Embora o roteiro e a direção de Greg Pritikin sejam por si só fracas, o maior pecado do longa fica pelo protagonismo dado a Chase e pela incapacidade do longa em torna-lo minimamente engraçado. 

Peter Parker encara as suas "férias do barulho" no empolgante trailer de Homem-Aranha: Longe de Casa


Peter Parker está de volta e em grande estilo. A Sony divulgou agora a pouco o teaser trailer de Homem-Aranha: Longe de Casa, a prévia mostrada em primeira mão na CCXP 2018 no Brasil. Sem situar o público quanto aos fatos mostrados em Vingadores: Guerra Infinita, a prévia leva o amigão da vizinhança para uma atribulada Eurotrip, com direito a Nick Fury (Samuel L. Jackson), monstros gigantes e a presença do vilão (ou seria herói) Mysterio (Jake Gyllenhaal). Por sinal o grande ladrão de cenas do trailer. Dirigido mais uma vez por Jon Watts, Homem-Aranha: Longe de Casa de tem estreia prevista para 4 de Julho no Brasil.


E o trailer norte-americano, sem legendas, mas com uma séries de cenas novas em relação a prévia acima. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Demolidor de muros, Roma é eleito o Melhor Filme no Critics Choice Awards 2019

Lady Gaga leva também o prêmio de Melhor Atriz e Melhor Canção Original

Cuarón discursa com o elenco de Roma ao fundo (Foto: Reuters)
Um filme mexicano, de língua estrangeira, em preto e branco e lançado na Netflix levou o prêmio de Melhor Filme no Critics Choice Awards 2019. Numa época em que políticos norte-americanos discutem a construção de um muro para separar a fronteira do país do seu vizinho de continente, a Associação dos Críticos dos EUA deu uma integradora resposta ao consagrar o primoroso Roma (leia a minha crítica aqui) como o grande vencedor da noite. Dirigido, produzido, editado, roteirizado e fotografado por Alfonso Cuarón, a epopeia humana de duas mulheres unidas pelo abandono masculino levou quatro estatuetas, são elas Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Direção e Melhor Fotografia. Um número expressivo numa cerimônia que pulverizou os seus prêmios entre os principais favoritos. Além de ser facilmente uma das melhores produções na temporada de premiações, o triunfo de Roma corrige (a meu ver) uma injustiça acontecida no Globo de Ouro. Isso porque, por mais paradoxal que possa parecer, a premiação regida pela Imprensa Estrangeira de Hollywood, por regulamento, não poderia premiar uma obra de língua não inglesa na categoria Melhor Filme. Diante desta inexplicável “barreira”, Roma ficou de fora das principais categorias do Globo de Ouro, uma falha que só ganhou mais eco quando o problemático Bohemian Rhapsody levou o prêmio de Melhor Filme Dramático. Felizmente, aqui, a crítica americana não titubeou em dar voz a este precioso filme estrangeiro, atestando a inquestionável qualidade da obra de Cuarón. 

domingo, 13 de janeiro de 2019

Aquaman se torna o décimo filme de super-herói a cruzar a barreira do bilhão nas bilheterias

Confira a lista completa


Batman Vs Superman? Não! Liga Justiça? Nem em sonho! Mulher-Maravilha? Não e que pena! Para a surpresa de muitos, Aquaman se tornou neste domingo (13) o primeiro filme do universo expandido DC a cruzar a barreira do bilhão nas bilheterias ao redor do mundo. Com os US$ 17 milhões faturados neste fim de semana nos EUA, o longa estrelado por Jason Momoa alcançou a marca dos US$ 1,02 bi mundialmente, se tornando o quinto filme lançado em 2018 a entrar neste seleto grupo. Os outros foram Vingadores: Guerra Infinita (US$ 2,04 bi), Pantera Negra (US$ 1,3 bi), Jurassic World 2 (US$ 1,3 bi) e Os Incríveis 2 (US$ 1,2 bi). Os números são do site Box Office Mojo. Com o toque de midas do diretor James Wan, que, após o estrondoso sucesso de Velozes e Furiosos 7, coloca o seu segundo título na lista dos bilionários, Aquaman marca também a volta das produções DC neste lucrativo “time”. Desde 2012, com Batman: O Cavaleiros das Trevas Ressurge, este clássico selo não emplacava um sucesso deste porte. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Crítica | Mary Shelley


Um “monstro” com pecados e virtudes

Frankenstein de Mary Shelly é indiscutivelmente uma das obras mais influentes da literatura moderna. Dentro de um universo majoritariamente masculino, a então jovem escritora publicou em 1818 um clássico que viria a moldar o universo do horror gótico, servindo de inspiração nos séculos seguintes para uma geração romancistas, dramaturgos, diretores e para o desenvolvimento do cinema de gênero como um todo. Em outras palavras, estamos diante de uma personagem riquíssima, que graças a sua coragem e resiliência se tornou um exemplo de independência feminina. Uma daquelas realizadoras que merecia uma obra cinematográfica à sua altura. Como a criatura concebida pela autora, porém, Mary Shelly (a cinebiografia) é uma obra instável, com partes virtuosas e outras tantas "contaminadas".

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Crítica | Inspire, Expire


As duas faces de uma mesma moeda

A realidade é dura e em alguns casos no escolhe lados. Seja no Brasil, nos EUA ou até mesmo na Islândia, um cenário frio que se revela o palco ideal para a construção do contido drama Expire, Inspire. Produção original Netflix, o delicado longa dirigido por Isold Uggadottir é cuidadoso ao refletir sobre o drama dos imigrantes ilegais na Europa dentro de um contexto denso, feminino e genuinamente humano. Numa sacada inteligente, a realizadora é cuidadosa ao unir as jornadas de duas mulheres “teoricamente” em lados opostos da moeda, indo além da desoladora situação dos expatriados ao preencher a trama com questões ainda mais reconhecíveis. O resultado é uma obra contida e avessa ao melodrama que, apesar das constantes facilitações narrativas, comove ao priorizar a construção dos laços em detrimento das lágrimas fáceis.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Diretor de Roma e Gravidade, Alfonso Cuarón sai em defesa da Netflix e das novas plataformas de streaming

E ele tem total razão!


“Quantos cinemas exibiriam um filme mexicano e em preto e branco?”. Com essa simples, mas enfática declaração, Alfonso Cuarón levantou a sua bandeira em prol de empresas como a Netflix. Sob a chancela da gigante do streaming, o diretor mexicano tirou do papel do extraordinário Roma (leia a nossa crítica aqui), uma obra íntima e ao mesmo tempo gigantesca que dificilmente encontraria um grande estúdio para “abraça-la”. Embora entusiasta do dispositivo cinema, o que fica bem claro quando percebemos o escopo das suas obras, Cuarón não titubeou ao ser questionado por um jornalista na coletiva de imprensa pós-Globo de Ouro. Ao ser questionado sobre o futuro do modelo de distribuição tradicional diante da (para muitos perigosas) ascensão de companhias como a Netflix, o diretor foi enfático ao pregar a união entre as velhas e as novas “janelas” de exibição. “Qual seria o tamanho deste lançamento nas redes de cinema tradicionais? Estou tendo um lançamento muito maior, e o filme ainda está em circulação. Não foi um lançamento cosmético. O filme foi lançado há mais de um mês e ainda está em exibição. Isso é raro para um filme estrangeiro. Por que você não pega a lista de filmes estrangeiros deste ano e compara por quanto tempo eles estão sendo exibidos. Veja quantos deles estão sendo exibidos em 70mm. Veja se eles estão fazendo turnês de lançamentos. Acho que o debate entre Netflix, outras plataformas e o cinema tradicional deve acabar, deveriam se unir e chegar à conclusão de que estas discussões estão ferindo o cinema.” Veja o vídeo completo, legendado, no perfil do 365 Filmes.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Crítica | Sementes Podres

Os franceses e as suas agradáveis dramédias

Desde que o 'feel good movie' Intocáveis (2011) se tornou um estrondoso sucesso ao redor do mundo, o cinema pipoca francês se viu “tentado” a investir pesado neste agridoce subgênero. Nos últimos anos, como esperado, a produção de títulos do segmento cresceu exponencialmente por lá, mas poucos, bem poucos, conseguiram alcançar um status semelhante ao redor do mundo. Por aqui, de fato, os mais comentados recentemente foram A Família Belier (2014) e Bem-Vindo à Marly-Gomont (2016), dois cativantes dramas familiares de fácil identificação com o grande público. Com potencial para repetir o impacto das produções citadas acima, Sementes Podres esbanja bom-humor ao escancarar os problemas sociais enfrentados por muitos jovens em território francês. Dirigido, roteirizado e estrelado pelo carismático Kheiron, a mais nova produção original Netflix causa um misto de sensações ao invadir uma realidade reconhecível aos olhos de muitos ao redor do mundo, transitando com sensibilidade entre a comédia e o drama ao mostrar como a resiliência pode ser facilmente transformada em aprendizado. 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Nasce uma surpresa: Bohemian Rhapsody é o grande vencedor do Globo de Ouro 2019

Green Book e Roma também se destacaram


Na busca por audiência, a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood não escondeu de ninguém que queria encontrar um diálogo mais sincero com o grande público no Globo de Ouro 2019. Se Pantera Negra e Nasce uma Estrela pareciam postulantes de nível comprovado, títulos como Bohemian Rhapsody, Podres de Rico e O Retorno de Mary Poppins surgiram como uma concessão inesperada para muitos. Logo de cara, porém, o que vimos foi uma das aberturas mais insossas da história recente da premiação. Sandra Oh e Andy Samberg se esforçaram, mas o texto fraquíssimo e carente de humor pouco ajudou. Coube a um verdadeiro representante do cinema pipoca, o extraordinário Jim Carrey, a missão de salvar o monólogo inicial, protagonizando uma gag digna dos seus tempos áureos. Um deslize prontamente compensado, é verdade, com o triunfo de Homem-Aranha no Aranhaverso na categoria Melhor Animação. Uma vitória capaz de premiar não só a originalidade estética\narrativa da produção, mas principalmente surgir como uma bela homenagem ao legado do saudoso Stan Lee. Um belo começo para os fãs do universo dos super-heróis. 

sábado, 5 de janeiro de 2019

Crítica | As Boas Maneiras

Muito mais que um filme de lobisomem

2018 não foi um grande ano para o cinema nacional. Enquanto a maior parte dos considerados blockbusters naufragaram nas bilheterias, os títulos mais autorais (como de costume) não conseguiram sequer chegar ao grande público. Aos poucos, porém, algumas destas produções começam a ganhar uma sobrevida no ‘streaming’. Taxado erroneamente como o filme de lobisomem nacional, As Boas Maneiras tem muito a dizer e também a mostrar. Numa fábula urbana recheada de camadas, o longa dirigido pela Marco Dutra e Juliana Rojas sai em defesa do potencial inexplorado do cinema de gênero brasileiro numa obra corajosa, poética e ao mesmo tempo implacável. Uma película instigante que, embora abra generosas brechas para a construção de uma preciosa crônica social\familiar, não titubeia ao trazer o horror para o centro para trama, fazendo jus ao status de “filme de monstro” ao oferecer aquilo que os fãs do segmento esperavam ver. E algumas outras coisinhas a mais. 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Crítica | Uma Noite de 12 Anos

O inestimável valor da liberdade

Um verdadeiro manifesto em prol da liberdade e dos direitos humanos, Uma Noite de 12 Anos vai do choque a inspiração ao revelar as agruras de três "reféns" da ditadura militar uruguaia ao longo de uma excruciante década de prisão. Inteligente ao não levantar bandeiras partidárias, o desconcertante longa dirigido e roteirizado por Álvaro Brechner é enfático ao se insurgir contra a repressão imposta pelo regime militar na época, colocando os pingos nos is ao expor para o grande público as sequelas mais cruéis de um governo autocrata.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Dez Grandes Surpresas no Cinema em 2018


Mais um fim de ano chegando e, como esperado, chegou a hora de listar alguns dos pontos altos no cinema em 2018. Como ainda não conseguir assistir alguns filmes para preparar a minha lista de Melhores do Ano, neste primeiro momento decidi preparar uma seleção com algumas das grandes surpresas do ano. Aquele tipo de película que ninguém esperava, que passou longe de surfar a onda do ‘hype’, mas que se revelou uma pequena grande obra. Num ano em que os ‘blockbusters’ (com raras exceções) custaram a emplacar, é legal ver como o cinema ‘indie’ e as novas janelas de distribuição (entenda Netflix, Amazon Prime) nos deram a oportunidade de assistir obras frequentemente “esnobadas” pela indústria, títulos originais que não mereciam passar em branco pelo grande público. Neste artigo, portanto, confira a nossa seleção com algumas das grandes surpresas cinematográficas lançadas comercialmente (cinema, streaming, VOD) em solo brasileiro neste ano de 2018. Dito isso, começamos com... 

sábado, 29 de dezembro de 2018

Não Deixe Rastros - Leave No Trace

Uma dolorosa fuga da realidade

O que fazer quando um dos nossos bens mais preciosos é sumariamente tomado? Quando a dor chega ao ponto de perdemos a confiança em nós mesmos e\ou no outro? Essa crise traumática surge como o agente catalisador do fascinante Não Deixe Ratros, um ‘road-movie’ poderoso sobre um homem e a sua querida filha em uma errática fuga pelo coração da América. Sob a áspera batuta de Debra Granik, do igualmente desconcertante Inverno da Alma (2010), o longa propõe um retrato singular sobre o impacto de um trauma na rotina de uma disfuncional família, refletindo sobre a triste realidade de muitos ao redor do mundo sob uma perspectiva íntima, agridoce e silenciosa. Entre o drama social e o ‘coming of age movie’, a realizadora é enfática ao dividir o protagonismo, ao dar uma comovente voz aos dois, indo além do simples estudo de personagem ao discutir o peso da perda da senilidade na rotina de uma família que só queria permanecer unida. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Ponto Cego

Quando viver com medo é simplesmente viver

Herdeiro natural de títulos do porte de Faça a Coisa Certa (1989), Os Donos da Rua (1991), Fruitvale Station (2013) e o recente Corra! (2017), Ponto Cego (Blindspotting, no original) é o tipo de soco no estômago cinematográfico que ora e vez nós merecemos levar. Embora o longa parta de uma premissa recorrente na atualidade, a violência policial contra os negros norte-americanos, a comédia dramática dirigida pelo novato Carlos Lopez Estrada surpreende ao não ficar presa no ato em si. Um ataque covarde e naturalmente trágico que, ao ser tratado como algo rotineiro na rotina dos personagens, surge apenas como um agente catalisador da história. Como mais um pesadelo no dia a dia daqueles que se acostumaram a lidar com isso. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Dez grandes anti-heróis do cinema de ação



Eles são impiedosos. Agressivos. Por vezes violentos. Mas fazem tudo por um motivo justo. Pelo menos é o que eles acreditam. Um dos arquétipos mais populares no cinema atual, o anti-herói do cinema se tornou uma espécie de símbolo das transformações sociais nas últimas quatro\cinco décadas ao redor do mundo. Da década de 1960 para cá, acompanhando a caótica metamorfose urbana nas principais metrópoles, Hollywood percebeu que os paladinos da justiça estavam próximos de cair em desuso. O herói unidimensional, sem falhas e com um rígido código de honra envelheceu, se distanciando da realidade do público. O triunfo de personagens dramáticos como o mafioso Michael Corleone em O Poderoso Chefão (1972), o ladrão de bancos Sonny Wortzik em Um Dia de Cão (1975) e o vigilante Travis Bickle em Taxi Driver (1976) não me deixa mentir. Apesar do ‘boom’ dos filmes de super-heróis, é interessante ver como os personagens mais retilíneos perderam espaço para os mais mundanos. O sombrio Batman é hoje, nos cinemas, um personagem mais popular que o icônico Superman. O tão engenhoso Universo Cinematográfico da Marvel, por exemplo, “nasceu” com o cínico Homem de Ferro (2008). O que ajuda a explicar o sucesso recente do desbocado e violento Deadpool. Após sofrer nas mãos dos produtores em X-Men: Origens – Wolverine, o mercenário falastrão ganhou uma nova chance nas mãos de Ryan Reynolds, que, com liberdade criativa, entregou um anti-herói moderno e empolgante. Um tipo sacana, que não se leva a sério por um segundo sequer e naturalmente caiu nas graças do público atual. Aproveitando a estreia de Era uma Vez Deadpool, neste artigo decidi preparar uma lista com dez dos mais populares e descolados anti-heróis do cinema de ação. E, antes que perguntem, eu não enxergo o icônico Alex Delarge, de Laranja Mecânica (1971), como um anti-herói, mas como um vilão incorrigível. Por isso, obviamente, ele não estará nesta lista. Dito isso, começamos com...

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