quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Descompensada

Apatow em versão unissex


Reconhecido por seus masculinos 'bromances', entre eles O Virgem de 40 Anos, Ligeiramente Grávidos e Tá Rindo do Que?, o diretor Judd Apatow se rende às fórmulas mais universais do gênero no irreverente Descompensada. Não, não espere uma película adocicada no estilo Uma Linda Mulher ou O Diário de Bridget Jones. Liderado pela nova sensação do humor norte-americano, a escrachada Amy Schumer, o longa arranca generosas risadas ao acompanhar as desventuras sentimentais de uma instável e poligâmica jornalista diante de um inesperado romance. Apesar da estrutura narrativa tradicional, Apatow foge do lugar comum ao construir uma comédia romântica unissex, uma obra atual impulsionada pelo entrosado elenco, pelo afiado texto, pelas impagáveis gags e pelas inúmeras aparições especiais. Quando resolve se levar a sério demais, no entanto, Descompensada perde parte da sua essência atrevida, o que não reduz o potencial de entretenimento desta desbocada história de amor. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Cinemaniac Indica (O Amante da Rainha)

Inspirado nos trágicos relatos da monarca dinamarquesa Caroline Mathilde, O Amante da Rainha instiga ao acompanhar os bastidores do agitado reinado do instável Cristiano VII. Conduzido com elegância pelo diretor Nikolaj Arcel, do aguardado A Torre Negra (2017), o longa não se contenta em desvendar os detalhes mais íntimos por trás de um perigoso triângulo amoroso, indo além das expectativas ao nos oferecer um precioso relato histórico envolvendo a ascensão do Iluminismo e o conturbado momento político da Dinamarca durante a segunda metade do século XVI. Na verdade, ao absorver tantos temas de maneira tão precisa, Arcel adiciona substância a este poderoso drama, dando ao talentoso elenco a possibilidade brilhar numa película marcada pela rigidez narrativa e pelo comedimento emocional.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Sete Homens e um Destino

Um remake à altura do original

Adaptação do clássico Os Sete Samurais, do cultuado diretor Akira Kurosawa, a primeira versão de Sete Homens e um Destino (1960) trazia em sua essência os ingredientes que popularizaram os clássicos faroestes hollywoodianos. Com personagens altruístas, um forte senso de bravura, um antagonista tirânico e uma atmosfera otimista, o longa estrelado por Steve McQueen, Yul Bryner e Charles Bronson se tornou o último grande representante desta fase mais tradicional, uma era áurea que perdeu espaço com a saturação do mercado e com a ascensão do crítico movimento revisionista (O Homem que Matou Facínora, Meu Ódio Será a sua Herança) e do sagaz subgênero 'Western Spagheti' (Três Homens em Conflito, Por uns Dólares a Mais). Inseridos num contexto mais atual, as produções passaram a defender uma proposta mais irônica, violenta e amoral. Os anti-heróis se tornaram mais cínicos e\ou desgastados. Os cenários mais sujos e degradantes. Em suma, uma metamorfose que ecoa até os dias de hoje, vide as novas versões de Bravura Indômita (2010) e Django Livre (2012).

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

99 Casas

A verdade por trás do "sonho americano"

Devastadora, a crise no mercado imobiliário arruinou a vida de muitos norte-americanos entre os anos de 2008-2009. Alguns poucos, no entanto, lucraram fortunas com isso. É o que percebemos no intenso 99 Casas, um poderoso thriller dramático estrelado pelos talentosos Michael Shannon (O Abrigo) e Andrew Garfield (A Rede Social). Conduzido com forte teor crítico pelo diretor Ramin Bahrani (Adeus), o longa escancara a "farra" das instituições hipotecárias ao acompanhar a inesperada relação entre um desesperado pai de família e um imoral agente imobiliário. Sob um ponto de vista quase documental, o realizador não se contenta em capturar a dor e a revolta sentida pelas famílias despejadas, permitindo que a trama passeie por temas mais complexos, entre eles a ação inescrupulosa dos grandes bancos,  o jogo de poder entre as imobiliárias e a derrocada do ilusório "sonho americano". 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Jennifer Lawrence e Chris Pratt vivem um romance espacial no trailer de Passageiros


Foi divulgado nesta terça-feira o instigante primeiro trailer de Passageiros, Sci-Fi estrelado por Jennifer Lawrence e Chris Pratt. Dirigido por Morten Tyldum, do ótimo O Jogo da Imitação, o longa acompanhará as desventuras de um casal de astronautas durante uma longínqua viagem espacial. Trazendo no elenco nomes como os de Michael Sheen (Frost\Nixon) e Laurence Fishburne (Matrix), Passageiros tem previsão de estreia para o dia 5 de janeiro no Brasil. Confira abaixo a prévia já legendada.

domingo, 18 de setembro de 2016

Do Fundo do Baú Especial (Trilogia dos Dólares)


Lançado em 1964, o clássico Por um Punhado de Dólares merece ser considerado um marco no cinema moderno. Mais do que um simples exemplar do tradicional faroeste, o longa apresentou para o mundo o aclamado Sergio Leone, um diretor italiano que revolucionou este concorrido gênero ao popularizar o celebrado 'western spagheti'. No primeiro capítulo da cultuada Trilogia dos Doláres, o realizador já deu mostras do virtuosismo estético que viria a marcar a sua enxuta e memorável filmografia, realçando elementos como os engenhosos enquadramentos, a edição recheada de tensão e o poder das icônicas trilhas sonoras do mestre Ennio Morricone. Sem se preocupar com predicados como a bravura e o moralismo, ele alterou também o 'status quo' narrativo deste clássico segmento, indo além dos clichês indígenas ao construir histórias mais sagazes e contextualizadas. Em suma, ao aliar pioneirismo técnico e narrativo, Sergio Leone nos brindou com uma trilogia extraordinária, um projeto ousado e grandioso que se tornaria referência não só dentro deste consolidado gênero, como também na história da sétima arte. Dito isso, neste Do Fundo do Baú especial, iremos analisar os clássicos Por um Punhado de Dólares (1964), Por uns Dólares a mais (1965) e Três Homens em Conflito (1966), uma trinca de longas que, dentre os seus inúmeros méritos, nos apresentou ainda ao inesgotável Clint Eastwood e o seu icônico anti-herói sem nome. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Victoria

Quando a simplicidade narrativa se encontra com o virtuosismo técnico

Mais do que um arriscado exercício estético, Victória impressiona ao se revelar um projeto capaz de colocar o seu virtuosismo artístico em prol do entretenimento. Rodado sem um corte sequer, o vigoroso suspense dirigido por Sebastian Schipper adota uma proposta ininterrupta ao acompanhar a improvável relação de amizade entre uma deslocada imigrante espanhola e um grupo de desajustados delinquentes juvenis. Indo de encontro à estrutura naturalista dos projetos em plano sequência, o realizador alemão constrói um refinado 'mise en scene', uma película marcada pela fluidez narrativa, pelos sufocantes enquadramentos, pelo soberbo uso da iluminação e pelo absoluto entrosamento do elenco. Além disso, por mais que a premissa possa soar implausível num primeiro momento, Schipper investe num cuidadoso estudo de personagem, dando à surpreendente Laia Costa os ingredientes necessários para uma performance apaixonante e transformadora. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Luto - Morre Domingos Montagner


Que notícia dolorosa. O ator Domingos Montagner, o Santo da novela Velho Chico, faleceu tragicamente nesta quinta-feira (15), aos 54 anos. Domingos desapareceu por volta das 14 h e 30 min, após um mergulho no rio São Francisco com a sua parceira de cena Camila Pitanga. A produção e as autoridades foram acionados pela atriz, que conseguiu escapar da correnteza. Segundo informações da TV Globo, o corpo do ator foi encontrado no início da noite, preso a pedras, perto da Usina de Xingó. Nascido em São Paulo, Domingos Montagner vivia uma ótima fase em sua carreira. Além de protagonizar a novela Velho Chico, o ator vinha se destacando também no cinema. Recentemente, inclusive, Montagner havia estrelado o elogiado romance De Onde eu Te Vejo, o drama Vidas Partidas e a popular comédia Um Namorado para Minha Mulher. Oriundo dos palcos e do circo, Domingos estrelou também a série Mothern (2008), a minissérie O Brado Retumbante (2012) e as novelas Cordel Encantado (2011), Salve Jorge (2012). Joia Rara (2013) e Sete Vidas (2015).


Devastados com a notícia, amigos e colegas de cena compartilharam a dor com esta trágica perda. Em entrevista à Globo News, a atriz Vera Holtz declarou que a classe está em luto. "Foi uma tragédia. O corpo artístico sofre junto. Realmente ninguém consegue trabalhar. Entramos em estado de luto", afirmou a veterana. Apresentadora do programa Encontro, Fátima Bernardes revelou a sua incredulidade com a morte do ator. "Só tristeza! Duro de acreditar que Domingos Montagner não está mais entre nós. Toda minha solidariedade à família desse cara simples, bacana, que conquistou esse país com seu talento.", frisou a jornalista via Instagram. Um dos apresentadores do programa Vídeo Show, Otaviano Costa também usou a rede social para lembrar das qualidade de Domingos Montagner. "Muita tristeza. Um cara sensacional. Acima da média. Fora da curva. Trabalhamos juntos em Salve Jorge e sempre foi um ser incomum pela absoluta simplicidade e acima de tudo, pela essência. Todo meu carinho e amor a sua esposa e filhotes. Descanse em paz Domingos.", desejou Otaviano. 


Já Deborah Secco usou o Instagram para lembrar da sua admiração por Montagner. "Sem palavras pra traduzir a dor... Tanta admiração por vc! Vou guarda-la comigo pra sempre... Q Deus te receba cheio de amor!!!", escreveu a atriz. Quem também lamentou a morte do ator foi o autor Benedito Ruy Barbosa, o autor da novela Velho Chico. "Eu estou sentindo uma tristeza profunda como há muito tempo não sentia. Nós perdemos, além de uma belíssima pessoa, um belíssimo homem com um coração de ouro e também um ator que só dava alegria pra gente. O trabalho que ele vinha desenvolvendo em Velho Chico foi muito bom. Ele sempre foi um grande talento. Eu lamento profundamente, não tenho palavras para dizer o que estou sentindo com essa tragédia toda que acompanhei desde o desaparecimento dele. Fiquei rezando para que acontecesse um milagre. Nós perdemos um dos melhores atores que tínhamos e uma pessoa que deixará muita saudade para todos.", admitiu o realizador ao site Ego.


Estrela da primeira fase da novela Velho Chico, Carol Castro também falou em saudades ao lembrar de Domingos Montagner. "Um artista e ser humano que emanava energia boa por onde passava. E deixa aqui um rastro indelével de tudo que pode existir de melhor e uma grande saudade. Obrigada Domingos! Bravíssimo! Que sorte a nossa tê-lo conosco. Força, paz e sabedoria para a família. Que descanse em paz", desejou a atriz que interpretou a versão mais nova da personagem Iolanda. Assim como Carol, o jovem Renato Góes, o Santo na fase inicial do folhetim, usou as redes sociais (foto acima) para homenagear o seu parceiro de produção. "Agora eu sou eu e eu sou tu. Eu vou com você para sempre! Te Amo!" disse Góes em publicação emocionada no Instagram. Por fim, em entrevista à TV Globo, Matheus Nachtergaele lembrou do amigo e parceiro de cena na novela Cordel Encantado. "Era muito gostoso estar perto do Domingos. Era um cara que olhava nos olhos. Eu imagino que ele vai fazer uma falta tremenda para as pessoas. E a grande alegria é que ele está cravado não só na nossa memória, mas também na nossa história através das novelas que ele fez, dos filmes e obviamente no coração de todo mundo que viu o palhaço Domingos Montagner fazendo palhaçada triste.", garantiu Nachtergaele lembrando do passado circense do saudoso ator. Os meus sentimentos à família e aos amigos de Domingos Montagner. 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Do Fundo do Baú (Glória Feita de Sangue)

Com o seu reconhecido cinismo, o cultuado Stanley Kubrick levanta uma poderosa bandeira contra a guerra no primoroso Glória Feita de Sangue. Antes de brilhar com os clássicos Spartacus, 2001: Uma Odisseia no Espaço e Nascido para Matar, o realizador norte-americano realça as incoerências por trás de um conflito bélico ao escancarar os contrastes entre os soldados e os seus superiores. Com Kirk Douglas numa das atuações mais marcantes de sua laureada carreira, Kubrick subverte os longas do gênero ao reduzir a escala do confronto em prol de uma premissa revoltante, contextualizada e absolutamente crítica. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Cinemaniac Indica (Desencontro Perfeito)

Antes de qualquer coisa, eu preciso confessar que sou fã do carismático Simon Pegg. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo afiado senso de humor, este britânico alcançou o estrelato se mostrando capaz de brilhar em diversificados projetos, seja numa ácida sátira de horror (Todo Mundo Quase Morto), seja numa poderosa franquia de ação (Missão: Impossível – Nação Secreta), seja numa cultuada aventura Sci-Fi (Star Trek: Sem Fronteiras) ou até mesmo numa despretensiosa comédia romântica. Como podemos perceber no revigorante (Des)Encontro Perfeito (2015), uma daquelas raras e gratificantes surpresas que vez ou outra passam despercebidas pelo radar do grande público. Dirigido por Ben Palmer (The Inbetweeners: O Filme), o longa brinca com alguns dos mais adocicados clichês do gênero ao acompanhar o desastrado primeiro encontro entre duas figuras completamente opostas. Com um texto ágil e perspicaz em mãos, o realizador surpreende ao tecer alguns irônicos comentários sobre a dinâmica dos relacionamentos atuais, criando um contexto no mínimo curioso para o entrosado casal interpretado pela dupla Simon Pegg e Lake Bell. 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Memórias Secretas

Remissão e culpa

Impulsionado por sua instigante premissa, Memórias Secretas transforma o Mal de Alzheimer num elemento decisivo para a construção de uma elegante e reveladora história de vingança. Mesmo escorado em uma série de soluções frágeis, daquelas que soam exageradamente convenientes à medida que a trama avança, o longa dirigido por Atom Egoyan cumpre a sua missão no que diz respeito à construção do suspense, nos instigando a descobrir a verdade por trás da obstinada busca do senil Zev (Christopher Plummer). Em suma, uma obra capaz de surpreender, um fato cada vez mais raro dentro deste concorrido gênero. 

Na trama, após perder a sua querida esposa Ruth, o desmemoriado idoso resolve dar início a um misterioso plano, uma caçada a um nazista que teria aniquilado a sua família e a de muitos amigos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Seguindo o plano arquitetado pelo seu amigo Max (Martin Landau), Zev decide fugir com apenas alguns dólares e uma carta, um apanhado de informações que iria guia-lo sempre que a sua memória falhasse. Ao longo desta desgastante jornada, no entanto, Zev terá que lutar não só contra a sua limitação física, mas  também com as consequências em torno deste reencontro com um passado trágico e devastador. 

sábado, 3 de setembro de 2016

Star Trek: Sem Fronteiras

Orgulho Trek

Revitalizada com excelência por J.J Abrams, a franquia Star Trek atinge o seu ápice nesta nova fase no empolgante Sem Fronteiras. Sob a batuta de dois fãs confessos da série, o diretor Justin Lin (Velozes e Furiosos) e o roteirista Simon Pegg (Todo Mundo Quase Morto), o terceiro capítulo é o que melhor consegue absorver o espírito da obra original, equilibrando aventura, Sci-Fi e comédia ao resgatar elementos tradicionais do universo Trek, entre eles a pluralidade de espécies, a aura exploratória e a conexão emocional entre os membros da USS Enterprise. Ainda que os conflitos mais densos sigam em torno do trio Kirk, Spock e Uhura, o novo longa se arrisca ao desconstruir esta solidificada equipe, ressaltando a diversidade que os une ao permitir que cada um dos principais tripulantes tenha o seu "lugar ao sol" nesta continuação. Na verdade, mais do que os espetaculares efeitos visuais e as memoráveis sequências de ação, Star Trek: Sem Fronteiras se orgulha em valorizar o poder e a particularidade dos seus icônicos personagens, nos fazendo enxergar os motivos que mantiveram a chama desta franquia acesa nos últimos cinquenta anos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Top 10 (Remakes ou Reboots)


Neste final de semana chegou aos cinemas o aguardado Star Trek: Sem Fronteiras (confira a nossa opinião aqui), o terceiro filme da nova versão desta cultuada franquia Sci-Fi. Um daqueles raros reboots que deram certo, a trilogia produzida por J.J Abrams revitalizou este verdadeiro ícone da cultura pop mundial, dando uma roupagem mais atualizada as intrépidas missões da nave USS Enterprise. Bem recebida pela crítica e pelos (exigentes) fãs da série, o novo Star Trek comprova que as refilmagens, quando bem arquitetadas, podem ser válidas dentro da cada vez mais efêmera indústria do entretenimento. Aproveitando a estreia do novo Star Trek, neste Top 10 Cinemaniac eu decidi fazer uma listagem com alguns dos remakes ou reboots cinematográficos que deram certo em Hollywood. E olha, que seleção de filmes.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Um Espião e Meio

Dwayne Johnson e Kevin Hart mostram excelente química nesta divertida comédia de espionagem

Recentemente eleito pela Forbes o ator mais bem pago do mundo em 2016, Dwayne Johnson mostra em Um Espião e Meio os motivos que o transformaram numa das maiores (literalmente) e mais carismáticas estrelas de Hollywood da atualidade. Dividindo a tela com o verborrágico Kevin Hart (Policial em Apuros), o simpático grandalhão mostra categoria ao rir de si mesmo e "joga para escanteio" o rótulo de astro do cinema de ação ao viver um agente secreto cafona e afetuoso. Numa daquelas improváveis histórias de amizade, Hart e Johnson esbanjam química ao exibir um excepcional 'timing' cômico em cena, se tornando facilmente a alma desta divertida comédia de espionagem. Até porque, nos momentos em que o longa poderia arriscar mais, o competente diretor Rawson Marshall Thurber (Com a Bola Toda) opta por esvaziar algumas maduras questões em prol de soluções mais familiares e\ou escapistas, reduzindo o peso deste descompromissado blockbuster.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Como Sobreviver a um Ataque Zumbi

Estúpido e divertido, longa se revela um 'terrir' de respeito


Como sobreviver a um Ataque Zumbi é estúpido? Sim. É infame? Inegavelmente. É trash? Sem dúvidas. Mas não era isso que deveríamos esperar de um filme do gênero? Com Certeza! Indo do besteirol descerebrado de American Pie à irreverência 'gore' de Tá todo Mundo Quase Morto, o longa dirigido por Christopher Landon (Atividade Paranormal: Marcados pelo Mal) arranca uma consistente dose de risadas ao colocar um grupo de adolescentes diante de uma ameaça totalmente inusitada. Com um roteiro que funciona dentro da sua proposta descompromissada e um elenco totalmente entrosado, o realizador cumpre a sua missão ao resgatar a tradição do popular gênero 'terrir', criando um blockbuster capaz de transitar entre a comédia e o horror sem se levar a sério por um segundo sequer.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Águas Rasas

Blake Lively encarna a personagem mais 'bad-ass' do ano num suspense vibrante e surpreendente

Dono de uma consistente filmografia, o versátil Jaume Collet-Serra já merece ser considerado uma referência no que diz respeito a construção do suspense nos seus projetos. Mesmo nos seus trabalhos menos inspirados, como o curioso A Casa de Cera (2005) e o esquecível Desconhecido (2011), o realizador espanhol esbanja destreza ao manter o clima de tensão sempre em alta, instigando o espectador independente do gênero no qual o seu filme esteja inserido. Recentemente, por exemplo, ele causou arrepios com o terror A Órfã (2009), explorou a paranoia terrorista no thriller Sem Escalas (2014) e resgatou a adrenalina do cinema de ação no vigoroso Noite Sem Fim (2015). Em nenhuma destas produções, porém, Collet-Serra chegou perto de provocar o nível de aflição apresentado no surpreendente Águas Rasas. No trabalho mais virtuoso de sua carreira, o diretor supera o desafio que é filmar em baixo d'água com louvor e nos brinda com um suspense de sobrevivência vibrante, reluzente e absolutamente memorável. Uma obra que, apesar dos seus inegáveis predicados técnicos, se preocupa também com o fator humano, encontrando na radiante Blake Lively a energia necessária para compor a personagem feminina mais 'bad-ass' deste ano de 2016.

Cinemaniac na Rede