quinta-feira, 19 de abril de 2018

Órbita 9

Ciência e romance se misturam num Sci-Fi que não subestima a inteligência do público

Pegue uma pitada da visão de futuro idealizada pelo icônico Blade Runner (1982), tempere com uma generosa dose do imersivo debate ético proposto pelo ‘cult’ Ex-Machina (2014) e misture com o palatável molho “pipoca” do divertido A Ilha (2005). Desta “sopa Sci-Fi” nasce o intrigante Órbita 9, um projeto pequeno e valoroso que, apesar da sua premissa requentada, consegue equilibrar razão e emoção sem subestimar a inteligência do espectador. Sem sacrificar as regras básicas do gênero, o longa espanhol dirigido por Hatem Khraiche transita entre a ficção científica e o romance com satisfatória propriedade, se distanciando das soluções fáceis ao explorar os conflitos morais e afetivos por trás de uma relação proibida. Embora não tenha a profundidade do mais recente sucesso do gênero, o inquietante Aniquilação (2018), a mais nova produção original Netflix é sucinta ao jogar uma nova luz sobre temas recorrentes dentro do segmento, indo além dos seus espertos ‘plot twists’ e do competente argumento ao questionar – dentre outras coisas – a nossa pretensa superioridade diante dos experimentos científicos. 

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Dez Ótimos Filmes sobre o Drama dos Imigrantes ao Redor do Mundo


Sírios, venezuelanos, africanos, latinos, o drama dos imigrantes ao redor do mundo tem tomado conta dos principais telejornais nos últimos anos e causado uma justa comoção social. Para fugir da guerra, de governos totalitários, da desigualdade social e\ou da miséria, muitos decidiram se arriscar em uma degradante jornada, buscando melhores condições em países que nem sempre estão aberto a presença estrangeira. O resultado são imagens chocantes, notícias desoladoras, uma enxurrada de fatos que, logicamente, não passou despercebido pelo faro de alguns grandes realizadores. Lá em 1917, por exemplo, o genial Charles Chaplin resolveu expor as mazelas enfrentadas pelos resilientes viajantes com o seu afiado senso de humor no extraordinário O Imigrante. Anos mais tarde, os expoentes da Nova Hollywood Frances Ford Coppola e Brian de Palma usaram os clássicos O Poderoso Chefão – Parte II (1974) e Scarface (1983) para refletir sobre a falta de oportunidades dos imigrantes em solo norte-americano em duas verdadeiras pérolas sobre a consolidação do crime organizado. Já o veterano Martin Scorsese voltou no tempo para defender a importância estrangeira na construção da identidade norte-americana no agressivo Gangues de Nova Iorque (2002). Nos últimos anos, porém, alguns filmes decidiram abordar a crise da imigração sob um prisma mais contemporâneo. Recentemente, em especial, o extraordinário O Outro Lado da Esperança (2017) conseguiu colocar o dedo na ferida ao tratar o desdém governamental para com a figura do refugiado, nos brindando com uma obra densa, irônica e genuinamente humanitária. Diante deste tema tão urgente, neste artigo confira uma lista com dez ótimos filmes sobre a dramática situação dos imigrantes em território estrangeiro. 

sábado, 14 de abril de 2018

Diretor de Um Estranho no Ninho e Amadeus, Milos Forman morre aos 86 anos


O mundo do cinema perdeu uma das suas mais imponentes vozes. Faleceu na noite da última sexta-feira (13), aos 86 anos, o talentoso (quiçá genial) diretor Milos Forman. De acordo com a esposa do realizador, Martina Zborilova, "sua partida foi calma, e ele estava rodeado por toda sua família e seus amigos mais próximos". Nascido na República Checa, Forman construiu uma filmografia marcante. Embora valorizasse a grandiosidade cênica nos seus projetos, o cineasta era um mestre na arte de realçar o elemento humano, a força motora dos seus singulares personagens. Órfão da Segunda Guerra Mundial, a sua mãe morreu em Auschwitz em 1943, o seu pai em Bunchenwald em 1944, o cineasta desenvolveu um olhar inquieto e realístico, uma visão geralmente irônica sobre a loucura que nos cerca. Roteirista formado na Prague Film Academy, Formam ganhou os holofotes ainda na antiga Tchecoslováquia com as comédias Os Amores de uma Loira (1965) e O Baile dos Bombeiros (1967). Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com os dois projetos, Formam ganhou status em Hollywood, o que lhe rendeu o convite para dirigir Os Amores de uma Adolescente (1971). Recebido de maneira morna nos EUA, o longa teve sorte melhor no Reino Unido, conquistando seis indicações ao Bafta, o Oscar do cinema inglês.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

O Outro Lado da Esperança

Um irônico soco no estômago

A crise dos refugiados nunca esteve tão em “alta” nos noticiários e nas redes sociais brasileiras. Enquanto os desesperados venezuelanos lutam por condições melhores na região Norte do nosso país, no Big Brother Brasil (pasmem vocês) um simpático sírio tem mostrado a importância de um “ombro amigo” em tempos de crise. Sejam os motivos certos ou não, é importante ver um tema tão delicado sendo realmente discutido por aqui, já que, ao redor do mundo, este assunto se tornou uma pauta urgente e recorrente. No cinema, aliás, ainda que timidamente, a desoladora situação dos imigrantes tem sido ora e vez explorada, culminando em filmes à sua maneira críticos e reveladores. De Hollywood, por exemplo, veio o empoderador Brooklyn, um relato verossímil sobre a dura situação de uma jovem irlandesa dividida entre o amor à sua Terra e a perspectiva de futuro. Já da Hungria veio a poderosa fábula Deus Branco, um relato questionador sobre o descaso social local diante da fragilidade dos refugiados em solo estrangeiro. Numa proposta bem diferente, da Argentina veio a excelente comédia Um Conto Chinês, um retrato íntimo sobre a problemática interação entre um estrangeiro e um local. O mais novo representante desta lista, porém, veio da Finlândia. E se trata de um grande filme. Denso, envolvente e humanitário, O Outro Lado da Esperança vai do fascínio ao desconforto ao mostrar as desventuras de um introspectivo refugiado sírio num frio solo finlandês. Escrito e roteirizado pelo elogiado diretor Aki Kaurismäki (do aclamado O Porto), o longa testa as nossas expectativas ao narrar a jornada de dois homens separados por uma nacionalidade, misturando comédia e drama com rara sagacidade numa obra singular. Um filme improvável que, por trás do seu particular senso de humor, esconde uma incisiva crítica a inércia dos governantes diante de um cenário tão devastador. 

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Feliz Aniversário de Casamento

Quando a despretensão é a alma do negócio 

Alguns filmes não precisam reinventar a roda para funcionarem. Esse é o caso do agradável Feliz Aniversário de Casamento, uma das boas adições ao catálogo das produções originais Netflix. Dirigido e roteirizado por Jared Stern que, entre altos e baixos, já tirou do papel o subestimado Vizinhos Imediatos de Terceiro Grau e o ótimo Lego Batman, o despretensioso longa cumpre todos os pré-requisitos necessários para o desenvolvimento de uma competente comédia romântica. Temos um entrosado casal de protagonistas? Check! Uma premissa envolvente marcada pela verossimilhança? Check! Um roteiro satisfatoriamente engraçado? Check! Coadjuvantes divertidos? Check! Uma honesta vibe ‘feel good’? Check! Diálogos inteligentes? Check! O resultado, portanto, é um ‘indie movie’ sincero e dinâmico que, embora não seja inovador (nem tão pouco memorável), mostra astúcia ao questionar a idealização do casamento feliz. 

domingo, 8 de abril de 2018

Minha Primeira Luta

As batalhas da vida real

Algumas pessoas não precisam subir num tatame ou num ringue para entender o real sentido da palavra lutar. Impecável ao mostrar o quão tênue pode de ser a linha entre a vitória e a derrota, entre o sucesso e o fracasso, Minha Primeira Luta é incisivo ao mostrar as desventuras de uma promissora lutadora num ambiente abusivo e desigual. Recebido com elogios no descolado festival Sound by South West, o longa dirigido e estreado pela novata Olivia Newman se distancia dos clichês dos filmes esportivos ao se concentrar nos verdadeiros obstáculos desta lutadora, ao tratar a realidade como o principal oponente de uma jovem pobre e negra num contexto essencialmente urbano. Embora siga uma linha reconhecível aos olhos dos fãs de títulos do porte de Rocky: O Lutador, O Vencedor e o recente Creed, a promissora realizadora o faz com enorme sinceridade, realçando as falhas, os excessos e as virtudes da sua protagonista enquanto revela o impacto do desamparo na rotina de alguém que precisou aprender a lutar desde cedo para conquistar as suas oportunidades. Uma abordagem humana potencializada pela poderosa performance da expressiva Elvire Emanuelle, que, num trabalho recheado de nuances sentimentais, reforça a importância da diversidade em Hollywood. 

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Harry Dean Stanton, Lucky e os saudosos realizadores que se “despediram” em grande estilo do Cinema


Reconhecido por seus marcantes coadjuvantes e pelos seus humanos personagens, o veterano Harry Dean Stanton se “despediu” em grande estilo da sua arte. Meses antes de falecer, aos 91 anos, de causas naturais, o ator de Alien: O Oitavo Passageiro e Paris, Texas nos deixou um “testamento” em formato fílmico, o excelente Lucky (leia a nossa opinião aqui). Lançado em Março de 2017 no festival South by Southwest, o longa dirigido por John Carrol Lynch presenteou Stanton com uma espécie de epílogo, um filme sobre o envelhecimento e o desafio de lidar com a iminência da morte. Destemido, o veterano ganha um protagonista à altura da sua obra, um personagem complexo capaz de refletir sobre o fim com profundidade e uma dose de ironia. Assim como Stanton, aliás, outros saudosos realizadores se “despediram” do público com grandes personagens em ótimos filmes. Neste artigo, portanto, uma lista com alguns saudosos realizadores que, nos seus últimos trabalhos em vida, entregaram extraordinárias performances. 

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Lucky

Despedida em grande estilo

Um relato poderoso sobre a velhice e as suas idiossincrasias, Lucky oferece ao saudoso Harry Dean Stanton a despedida que um ator do seu quilate merecia. Lançado poucos meses antes da sua morte, aos 91 anos, em setembro de 2017, o envolvente longa dirigido por John Carrol Lynch estende o seu tapete vermelho para o veterano, exaltando a sua reconhecida humanidade ao nos presentear com uma espécie de testamente em formato fílmico. Uma obra que diz muito não só sobre o envelhecimento em si, mas principalmente sobre o talentoso realizador por trás de uma prestigiosa carreira na TV e no Cinema. Carregando nas suas feições o peso da idade, Stanton comove ao encarar a jornada de um homem comum diante da iminência da morte, refletindo sobre os seus próprios medos e frustrações num estudo de personagem honesto, profundo e inesperadamente engraçado. Recheado de reflexivos diálogos sobre a vida e as nossas relações, Lucky, em sua essência mais pura, se revela uma película iluminada, um drama capaz de transitar entre a melancolia e o otimismo com sobriedade e uma rara dose de ternura. Duas características que, diga-se de passagem, poderiam definir a arte de Harry Dean Stanton, um ator avesso aos holofotes que, ao longo de nove décadas, trabalhou com os melhores, precisando de pouco (bem pouco mesmo) para brilhar em clássicos modernos como Alien: O Oitavo Passageiro (1979), Fuga de Nova Iorque (1981), Repo Men: A Onda Punk (1984), Paris, Texas (1984), A Garota de Rosa Shoking (1986) e muitos outros títulos de sucesso. 

sábado, 31 de março de 2018

Top 10 (Easter egg 2)

Uma das postagens mais populares no blog Cinemaniac, o Top 10 Easter eggs foi um daqueles artigos\listas legais de se fazer. Óbvio que, em alguns casos, os segredos pensados por alguns realizadores estão ali na nossa cara. A Marvel, por exemplo, é mestre em esconder as suas pistas, na maioria das vezes bem claras aos olhos dos leitores\fãs mais vorazes. No processo de pesquisa, entretanto, descobrimos algumas coisas bem mais secretas, daquelas capazes de “explodir as nossas mentes”. Neste segundo Top 10 Easter egg reuniremos uma nova leva destas surpresinhas que ficaram de fora da seleção anterior. Dito isso, começamos com…

quinta-feira, 29 de março de 2018

Frantz

A guerra, a dor, o perdão e a mentira 

Alemanha, pós-primeira guerra mundial. Anna (Paula Beer) enfrentava o luto após perder o amor de sua vida, o querido Frantz (Anton von Lucke), no front. Numa das suas sistemáticas idas ao túmulo do seu amado, ela se depara com um visitante misterioso, o francês Adrien (Pierre Niney), um tipo de passado nebuloso que nutria certo carinho pelo saudoso soldado alemão. Quem seria esse homem? Um amigo do passado? Um interesse amoroso? Um possível algoz? Uma outra vítima do conflito? Guiado por este instigante ‘plot’, o respeitado François Ozon convida o espectador para uma experiência insinuante ao desvendar os íntimos conflitos dos seus traumatizados protagonistas. Sem um pingo de condescendência, o realizador francês envolve ao mostrar o quão dolorosas podem ser as feridas impostas por um conflito deste porte, realçando o fator humano e o elo entre os opostos ao não se apegar excessivamente ao enigma sugerido acima. Embora o clima de tensão em torno das motivações deste visitante inesperado seja habilmente explorado ao longo da trama, Ozon esbanja maturidade ao não sustentar a sua obra em meros segredos, se aprofundando na psique dos seus personagens ao traduzir a reação de cada um deles a dor, ao luto, a esperança e a mentira. O resultado é uma obra densa e esteticamente virtuosa que, ao valorizar as consequências em detrimento das respostas, expõe os fantasmas da guerra sob um prisma intenso, original e absolutamente realístico. 

terça-feira, 27 de março de 2018

Roxanne Roxanne

O Cinema e as suas realidades

O que Moonlight: Sob a Luz do Luar e Roxanne Roxanne têm em comum? Não, eu não estou falando sobre a presença do talentoso ator Mahershala Ali. Na verdade, os dois filmes, além de retratarem a desigual rotina de dois jovens negros “engolidos” pela realidade que os cercavam, foram lançados no versátil Festival de Sundance, uma respeitada janela para os realizadores mais autorais. E qual a grande diferença entre os dois? Enquanto o primeiro, impulsionado pelo ‘hype’ conseguido no evento, entrou no radar das grandes premiações, ganhou fôlego no circuito comercial e chegou ao topo ao levar o Oscar de Melhor Filme, o segundo, mesmo bem recebido pela crítica, caiu num “limbo” imposto por um mercado cada vez mais ávido por blockbusters e só não foi “esquecido” graças a perspicácia da Netflix em enxergar o potencial geralmente despercebido destas produções. Inspirado na vida de Roxanne Shanté, uma promissora rapper que, em apenas 25 anos, experimentou a dura realidade feminina num contexto machista, o longa dirigido e roteirizado por Michael Larnell encontra um bem-vindo meio termo ao tratar com a mesma relevância tanto a meteórica jornada da impetuosa cantora, quanto as desventuras de uma jovem mulher presa num círculo vicioso, um retrato íntimo e atual que definitivamente não merecia cair no esquecimento. Embora esteja uns degraus abaixo do seu “irmão” de Sundance, principalmente quando o assunto é o desnivelado roteiro, Roxanne Roxanne contorna as suas falhas ao dar voz a esta interessante personagem, encontrando nela o ‘background’ necessário para expor os dilemas de uma mulher independente sob um prisma universal e humano. 

domingo, 25 de março de 2018

Cinco Filmes (Domhnall Gleeson)


Trazendo no seu DNA o talento para atuação, Domhnall Gleeson já é um dos atores mais interessantes de Hollywood na atualidade. Filho do veterano Brendan Gleeson (Coração Valente, Extermínio, Gangues de Nova Iorque), o astro irlandês chegou em Hollywood colecionando grandes papéis, transitando entre os gêneros para se afirmar como um dos atores mais versáteis da sua geração. Numa ascensão meteórica, Gleeson conquistou o seu espaço com intensidade e um inegável carisma, se tornando um invejável “ladrão de cenas” em títulos como Não Me Abandone Jamais (2010), Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 e 2 (2010 e 2011) e Dredd (2012). Um daqueles atores que não precisa de muito para deixar a sua marca, ele, nos últimos cinco anos, ganhou um repentino – e justificado – status dentro da indústria, trilhando um caminho original ao não se ver obrigado a ficar no centro das atenções. Seja num adorável romance inglês, seja num genial Sci-Fi existencialista, seja numa das franquias mais populares da história, Domhnall Gleeson chegou disposto a conquistar o seu espaço, construindo uma filmografia digna dos melhores elogios. O que pode ser percebido no seu último grande filme, o subestimado Adeus, Christopher Robin (leia a nossa opinião aqui). Num daqueles trabalhos pensados para as grandes premiações, o denso longa dirigido por Simon Curtis coloca Gleeson como o escritor A. A Milne, o homem por trás do clássico Ursinho Pooh. Com um belo material em mãos, o ator enche a tela de sentimento ao interiorizar os conflitos de um homem pacífico traumatizado pela guerra, se distanciando do viés reverencial ao realçar o fator humano presente na película. E aproveitando que o tema é Domhnall Gleeson, neste Cinco Filmes listaremos as obras que o colocaram entre os grandes de Hollywood.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Adeus Christopher Robin

Denso e corajoso, longa revela os bastidores da criação de um dos maiores clássicos da literatura infantil

Inspirado na rotina de brincadeiras de seu filho, o escritor A.A Milne extraiu a ideia para a criação de um dos clássicos mais adorados da literatura infantil, o popular Ursinho Pooh. Lançado em 1926, no período do pós-guerra, a otimista obra logo se tornou um estrondoso sucesso ao redor do mundo, se tornando uma espécie de símbolo de esperança em tempos difíceis. Com base nesta premissa, Adeus Christopher Robin tinha tudo para ser um daqueles adocicados melodramas sobre o impacto deste clássico na vida de milhões. Ledo engano. Embora a fotografia ensolarada sugira uma visão otimista sobre os fatos, o longa dirigido por Simon Curtis (do subestimado A Dama Dourada) se encanta pela verdade por trás da criação desta obra, investindo numa abordagem intimista ao mostrar o efeito negativo do sucesso na rotina de um pai traumatizado e o seu inteligente filho. Impulsionado pelas extraordinárias atuações de Domhnall Gleeson e do promissor Will Tilston, o realizador londrino se esquiva das soluções fáceis ao expor a influência da guerra nesta singela relação, respeitando a essência dos personagens e a fria dinâmica familiar da época ao revelar como uma simples brincadeira se tornou um trauma na vida de uma criança. Um viés denso e corajoso que, embora valorize o elemento lúdico presente na criação de Milne, surpreende ao se encantar pela humanidade dos personagens, ao tratá-los como tipos falhos envolvidos numa situação que fugiu do seu controle. 

terça-feira, 20 de março de 2018

Dez Excelentes Filmes sobre Músicos Sonhadores


Fazer sucesso no mundo da música, definitivamente, não é um negócio fácil. Ao contrário do que muitos pensam, guardado alguns casos especiais, a grande maioria das estrelas de hoje tiveram que ralar muito para chegar ao topo. Como podemos perceber no recente Patti Cake$ (leia a nossa opinião aqui), um adorável drama musical ‘indie’ sobre uma jovem “fora dos padrões de beleza” em busca do sucesso no concorrido (e segmentado) mercado do rap. Com Danielle Macdonald na pela da jovem Patricia, o longa dirigido por Geremy Jasper encanta ao narrar a jornada de amadurecimento de uma sonhadora cantora, refletindo sobre os obstáculos financeiros, o preconceito e as dificuldades no caminho para o sucesso. E aproveitando que Patti Cake$ é assunto aqui no Cinemaniac, nesta lista reuniremos outros dez excelentes filmes sobre músicos sonhadores. Para tornar esta seleção mais original, porém, decidi excluir as cinebiografias e os longas inspirados em fatos, portando deixarei de fora sucessos do nível de Amadeus (1984), Bird (1987), A Fera do Rock (1989), The Doors (1991), Ray (2004) e o recente Love e Mercy (2014). Dito isso, começamos com… 

domingo, 18 de março de 2018

Patti Cake$

Música, alma e verdade

Boyhood (2014), Whiplash (2014), Ex_Machina (2015), Dope (2015), Moonlight (2016), Corra! (2017), Colossal (2017), Bom Comportamento (2017), Lady Bird (2017), A Ghost Story (2017), Projeto Flórida (2017)… Nenhum outro segmento tem produzidos tantos ‘hits’ quanto o cinema ‘indie’ norte-americano. Com poucos recursos e grandes ideias, realizadores como Richard Linklater, Alex Garland, Barry Jenkins, Greta Gerwig, David Lowery e Jordan Peele encontraram neste gênero uma espécie de refúgio, um espaço em que as ideais originais ganham forma sem a tão preocupante necessidade de fazer dinheiro. Embora alguns filmes citados acima também tenham lucrado muito nas bilheterias, o fato é que o mercado ‘indie’ tem dado a liberdade necessária para que grandes histórias possam sair do papel. Produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, da já respeitada RT Features (Me chame pelo seu Nome), o adorável Patti Cake$ merece figurar nesta seleta lista. Sob a enérgica batuta Geremy Jesper, reconhecido por dirigir clipes de estrelas como Selena Gomez e Florence + The Machine, o longa estrelado pela carismática Danielle MacDonald encanta ao dar voz aos “vira latas” da música. Na sua estreia em longas-metragens, o realizador mostra pulso narrativo ao acompanhar os sonhadores passos de uma aspirante a rapper “fora dos padrões de beleza” obrigada a encarar a dura realidade que a cercava. No embalo da extraordinária trilha sonora, recheada de letras atuais e uma original sonoridade, Jesper entrega uma película com alma, um longa por vezes clichê, mas em sua maioria crítico, enérgico e realístico. 

sexta-feira, 16 de março de 2018

O Fim está próximo! Saiu o empolgante novo trailer de Vingadores: Guerra Infinita


Foi divulgado agora a pouco o empolgante novo trailer de Vingadores: Guerra Infinita. Na prévia mais completa até então, os irmãos Anthony e Joe Russo não só introduzem os novos personagens, como também estabelece a nova dinâmica entre os super-heróis. Indo além da presença de Thanos (Josh Brolin), cada vez mais imponente e ameaçador, o trailer consegue contextualizar a trama sem necessariamente revelar muito, colocando os heróis em perigo diante da Ordem Negra, o temido exército do Titã louco. Vingadores: Guerra Infinita tem estreia confirmada para o dia 26 de Abril.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Dez Grandes Filmes de Ficção científica para refletir sobre a nossa existência


Alguns filmes não estão interessados somente em entreter. Um dos mais tradicionais gêneros cinematográficos, a ficção científica se tornou o terreno perfeito para os realizadores que gostam de propor uma reflexão mais profunda a partir das suas obras. Mirando no futuro, nomes como os de Fritz Lang, Stanley Kubrick, George Lucas, Ridley Scott entre muitos outros encontram no Sci-Fi e no universo futurista os ingredientes para discorrer sobre temas genuinamente humanos, questionando a nossa própria existência em trabalhos ora instigantes, ora provocantes. Um dos novos representantes desta seleta lista, Alex Garland mostrou em Aniquilação (leia a nossa opinião aqui) a perspicácia necessária para questionar o nosso próprio poder de autodestruição. Num trabalho com múltiplas camadas, o promissor realizador pincela um comentário crítico acerca da nossa relação com o meio ambiente, encontrando na intensidade de Natalie Portman a bagagem dramática para propor um denso e humano estudo de personagem. Com a estreia da mais nova produção original Netflix, no Cinemaniac preparamos uma lista com outros dez grandes filmes de ficção científica que fazem pensar sobre a nossa existência\comportamento numa estrutura social. Este post já estava planejado previamente, mas nada mais justo que servir como uma singela homenagem ao gênio Stephen Hawking, um homem inspirador e um grande “nerd” apaixonado pela cultura pop. 

terça-feira, 13 de março de 2018

Aniquilação

Sci-fi, Horror e Drama se misturam numa experiência reflexiva, audaciosa e original 

No que diz respeito as suas produções originais, a Netflix tem errado bem mais do que acertado quando o assunto é o cinema. Nos últimos anos, para cada Okja (2017) lançado existem três\quatro Zerando a Vida (2016), Vende-se Esta Casa (2017), Death Note (2017)… Embora siga se esforçando para tirar do papel produções com temáticas diferenciadas, vide os recentes Bright (2017), Onde Está Segunda? (2017) e The Discovery (2016), a poderosa empresa de streaming segue pecando no desenvolvimento das suas histórias, investindo majoritariamente em premissas instigantes que não se sustentam ao longo das suas obras. Quando acerta, porém, a Netflix tem conseguido entregar\adquirir produções originais de ótimo nível. Esse é o caso de Aniquilação, uma experiência cinematográfica reflexiva, audaciosa e indiscutivelmente original. No seu segundo trabalho na função de diretor, Alex Garland se comprova como uma das mais instigantes novas vozes de Hollywood ao questionar o nosso comportamento autodestrutivo numa poderosa alegoria ambiental. Numa obra com múltiplas camadas, o homem por trás do extraordinário Ex_Machina (2015) esbanja domínio narrativo ao construir um denso estudo de personagem, transitando habilmente entre o Sci-Fi, o Horror e o Drama enquanto reflete sobre a nossa existência numa obra inquietante, tensa e cinematograficamente estilosa. 

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