quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Os vilões que fizeram feio nos filmes de super-heróis


Um dos pontos mais questionáveis do divertido Liga da Justiça, o vilão Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) não ficou à altura do tão aguardado encontro deste icônico supergrupo. Embora funcione como um agente catalisador da trama, principalmente quando o assunto é a junção da super equipe do Universo DC, o genérico antagonista surge em cena com motivações rasas e indiscutivelmente mal desenvolvidas. Uma figura unidimensional que, no final das contas, só quer dominar o mundo. O grande problema aqui, entretanto, não está somente no aspecto narrativo. Longe disso. Confesso que, com um visual mais bem trabalhado, o personagem nem me incomodaria tanto assim. O problema é que, apesar do orçamento estimado em US$ 300 milhões, Zack Snyder nos oferece um  vilão "digitalizado" completamente inexpressivo. Com um CGI de péssimo gosto, um 'lip sync' estranhíssimo e um aspecto artificial, o Lobo da Estepe parece ter nascido com o prazo de validade vencido, uma combinação de equívocos que não é nova dentro do gênero. Se comparado com os demais integrantes deste artigo, entretanto, o vilão de Liga da Justiça nem está entre os piores. Confira a nossa lista com alguns dos antagonistas mais fracos\toscos dos filmes de super-heróis. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Um Limite Entre Nós

As cercas sociais

Mesmo com o 'status' possibilitado pelas quatro indicações ao Oscar, entre elas a de Melhor Filme, Um Limite Entre Nós não ganhou a atenção merecida no mercado nacional. Lançado em poucas salas na temporada das grandes premiações, o longa dirigido e estrelado por Denzel Washington ficou "preso" ao reduzido circuito de arte, faturando modestos US$ 472 mil em solo brasileiro. Longe de ser uma produção fácil, Fences (no original), verdade seja dita, realmente soa cansativo num primeiro momento. Os personagens são verborrágicos, os diálogos são ocasionalmente expositivos e a atmosfera de época não soa tão convidativa assim. Por trás destes "obstáculos", porém, existe uma pequena pérola familiar, um drama denso e recheado de sentimento que transita por temas espinhosos dentro de um contexto extremamente humano. 

domingo, 19 de novembro de 2017

Liga da Justiça decepciona e tem a pior abertura do novo Universo DC nos EUA


Recebido de maneira morna pela crítica norte-americana, Liga da Justiça (leia a nossa crítica aqui) teve números de estreia aquém do esperado nos EUA. Lançado em mais de quatro mil salas, o empolgante longa dirigido por Zack Snyder (e retocado por Joss Whedon) abriu faturando "modestos" US$ 93,8 milhões no final de semana, o pior resultado dentro do remodelado Universo DC. Números que seriam satisfatórios para a maioria dos blockbusters, mas não para o filme que reuniu Batman (Ben Affleck), Mulher-Maravilha (Gal Gadot), Flash (Ezra Miller), Superman (Henry Cavill), Aquaman (Jason Momoa) e Ciborgue (Ray Fisher). A critério de comparação, o filme solo do Homem de Aço (2013) estreou conseguindo US$ 128 milhões, Batman Vs Superman (2016) abriu com US$ 166 milhões, o detonado Esquadrão Suicida (2016) fez US$ 133 milhões e o elogiado Mulher-Maravilha (2017) fez US$ 103 milhões neste período. Os dados são do Site Box Office Mojo. 


Embora longe de ser um fiasco, o retorno inicial da Liga decepciona, principalmente, quando comparado com a "concorrência". Considerado por muitos o "elo fraco" da Marvel Studios, o ousado Thor: Ragnarok (leia a nossa crítica), por exemplo, somou neste mesmo período US$ 122 milhões nos EUA. Já o grandioso Guardiões da Galáxia Vol. 2 abriu arrecadando estrondosos US$ 146 milhões. Entre os filmes de super-herói lançados em 2017, na verdade, Liga da Justiça só teve uma abertura superior ao violento Logan, filme que, mesmo com a classificação etária elevada, faturou US$ 88 milhões no seu fim de semana de estreia. Em contrapartida, fora dos EUA, a super-equipe das super-equipes tem se saído bem melhor. Em solo brasileiro, aliás, o longa quebrou todos os recordes ao somar fantásticos R$ 13 milhões no seu primeiro dia em cartaz e ao vender mais de um milhão de ingressos em apenas dois dias. No momento, com custo de produção estimado em US$ 300 milhões, Liga da Justiça soma US$ 185 milhões nos principais mercados internacionais e US$ 278 milhões ao redor do mundo. 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Cinco Filmes (Martin Scorsese)


Um mestre na arte da direção, Martin Scorsese se tornou uma marca dentro da Sétima Arte. Dono de uma assinatura vigorosa, o veterano completou 75 anos em grande forma, reafirmando frequentemente a sua genialidade em projetos autorais e diversificados. Ao longo das últimas seis décadas, Scorsese ajudou a modificar a forma de se fazer\enxergar o cinema em Hollywood, se distanciando da imponência estética dos anos 1950\1960 ao valorizar a força narrativa. Seus personagens são humanos e imperfeitos. Suas produções intensas e realísticas. Sem floreios, Scorsese - assim como grande parte dos seus companheiros de geração - fez questão de realçar a violência no voraz estilo de vida urbano norte-americano, nos presenteando com pérolas do quilate de Taxi Driver (1976), Touro Indomável (1980), Os Bons Companheiros (1990), O Aviador (2004) e mais recentemente Os Infiltrados (2006) e O Lobo de Wall Street (2013). Ao longo da sua prolifera carreira, entretanto, Scorsese nunca se viu preso ao "cinema de gênero". Mesmo nos seus filmes mais agressivos, o realizador desfilava a sua versatilidade ao transitar habilmente entre os segmentos cinematográficos, uma característica cada vez mais rara dentro da indústria. Neste Cinco Filmes, portanto, o tema hoje é Martin Scorsese e a sua incrível capacidade de explorar o Cinema em sua máxima potência. Neste artigo, porém, irei tentar fugir do lugar comum e analisar um pouco do "Lado B" deste grande diretor. 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Liga da Justiça

Leve e empolgante, Liga "ilumina" o Universo DC num filme que se orgulha dos seus super-heróis

Nada como um ano após o outro. Após fechar 2016 com uma baita dor de cabeça, principalmente após o insucesso do esquizofrênico Esquadrão Suicida, a dobradinha Warner\DC decidiu "recalcular" a sua rota. Percebendo que o tom soturno\realístico proposto por Christopher Nolan na elogiada Trilogia Cavaleiros das Trevas já dava sinais de cansaço, o que ficou bem claro com o modesto retorno comercial do irregular Batman V Superman: A Origem da Justiça, os executivos do estúdio resolveram descer do pedestal e olhar (tardiamente) para os seus próprios erros. Num diagnóstico bem óbvio, eles chegaram a conclusão que faltava luz ao errático Universo DC, que no contexto atual os super-heróis precisavam ser mais altruístas\humanos e menos raivosos\embrutecidos. A diversão escapista se tornou a alma do negócio. O sucesso da consolidada fórmula Marvel não me deixa mentir. Disposta a dar uma resposta ao seu tão devotado público, e ao fãs de cultura pop em geral, a Warner abriu 2017 em grande estilo com o empoderador Mulher-Maravilha. Mais do que simplesmente recolocar o Universo DC nos trilhos, o longa dirigido por Patty Jenkins colocou a franquia na vanguarda das super-heroínas numa aventura densa, empolgante e consciente das suas responsabilidades. 

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Silêncio

A fé em tempos de crise

E só mesmo um mestre como Martin Scorsese para tirar um filme como Silêncio do papel. Maniqueísmos à parte, o longa estrelado (com intensidade) por Andrew Garfield e Adam Driver é sutil ao levantar uma série de preciosas questões sobre a fé dentro de um contexto desesperançoso. Embora o foco esteja no Cristianismo, mais precisamente na perseguição aos missionários jesuítas em solo japonês durante o século XVII, o roteiro inspirado na obra de Shûsaku Endô propõe uma reflexão original envolvendo a nossa relação com o sagrado. Por mais que narrativamente o filme não seja tão acessível assim, o ritmo lento e o confessional teor contemplativo soam cansativos em alguns momentos, o diretor exibe a sua particular visão religiosa ao revelar o quão tênue é a linha entre a fé e o fanatismo, entre o ato de crer e o ato de querer. 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Do Fundo do Baú (Sou ou Não Sou?)

Só mesmo um mestre da comédia como Mel Brooks para tirar do papel uma produção como Sou ou Não Sou (1983), To Be or Not to Be no original, uma refilmagem impagável do clássico homônimo de 1942. Numa clara mostra que, quando bem idealizados, alguns remakes são totalmente justificáveis, o longa dirigido por Alan Johnson esbanja maturidade ao extrair o humor de uma premissa naturalmente dramática. Com um excepcional 'timing cômico', o realizador tira o máximo do seu talentoso elenco ao narrar as desventuras de uma trupe teatral polonesa durante a invasão alemã na Segunda Guerra Mundial, equilibrando realidade e escapismo numa película envolvente, tensa e naturalmente engraçada. Um filme que, embora não seja tão denso quanto o original, consegue resgatar o espírito do original ao valorizar a arte em meio ao horror. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Steven Spielberg reúne Meryl Streep e Tom Hanks no denso primeiro trailer de The Post


Inspirado numa corajosa história real, The Post chega sustentado pelo prestígio de alguns dos maiores nomes de Hollywood. Sob a batuta do aclamado Steven Spielberg, a primeira prévia esbanja tensão ao desvendar os dilemas de dois editores do jornal The Washington Post diante de uma importante descoberta sobre a ação do exército americano durante a Guerra do Vietnã. De volta ao drama após o excelente Ponte de Espiões (2015), o realizador reúne os laureados Tom Hanks e Meryl Streep numa produção de respeito, um filme que já no primeiro trailer revela os seus predicados. Trazendo no elenco nomes como os de Sarah Paulson, Bob Odenkirk, Alison Brie, Bruce Greenwood e Jesse Plemons, The Post tem previsão de estreia para o dia 2 de Fevereiro no Brasil.


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terça-feira, 7 de novembro de 2017

A Noite é Delas

Um completo desperdício de talento 

Imagine uma mistura, sem graça, de Um Morto Muito Louco (1989), com Se Beber, Não Case (2009) e Missão Madrinha de Casamento (2011). Capitaneado por uma deslocada Scarlett Johansson, A Noite é Delas é uma comédia sem um pingo de originalidade que se escora, basicamente, no talento do seu renomado elenco. Conduzido no piloto automático pela novata em grandes produções Lucia Aniello (Broad City), o longa se esvai diante do fraquíssimo roteiro, requentando piadas e soluções batidas num projeto que, acima de tudo, carece de humor. Um problema que só fica evidente quando nem mesmo a ótima Kate McKinnon (Saturday Night Live), com um impagável sotaque australiano, consegue "render" boas gags. 

domingo, 5 de novembro de 2017

Melhor abertura da trilogia, Thor: Ragnarok estreia faturando alto nos EUA (Atualizado)


Recebido com entusiasmo pelo público norte-americano, Thor: Ragnarok chegou para resgatar a popularidade do deus nórdico da Marvel. No seu primeiro final de semana em cartaz, o audacioso longa dirigido por Taika Waititi estreou faturando expressivos US$ 122 milhões em solo norte-americano, uma abertura (bem) superior aos US$ 85 milhões conseguidos por Thor: Mundo Sombrio (2013) e aos US$ 65 milhões de Thor (2011). Os números são do site Box Office Mojo. Quando o assunto são as demais produções do MCU, aliás, o resultado inicial de Thor: Ragnarok também surpreende. Com Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Mark Ruffalo, Cate Blanchett e Tessa Thompson no elenco, a comédia aventuresca superou os US$ 117 milhões conseguidos neste mesmo período pelo aguardado Homem-Aranha: De Volta ao Lar, comprovando que a Marvel Studios acertou ao abraçar o humor e o desapego ao tirar do papel o terceiro filme solo do príncipe de Asgard. Lançado com uma semana de antecedência em alguns dos principais mercados internacionais, o longa já soma expressivos US$ 438 milhões fora dos EUA, alcançando, no momento, a marca dos US$ 650 milhões* nas bilheterias ao redor do mundo. Confira abaixo a lista com as melhores aberturas dentro do Universo Marvel e leia a nossa crítica (sem spoilers) de Thor: Ragnarok.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Ao Cair da Noite

O apocalipse moral

Uma misteriosa doença. Uma família reclusa num cenário pós-apocalíptico. Um provocador terror psicológico. Marcado pelo seu forte subtexto crítico. Ao Cair da Noite é incisivo ao refletir sobre o impacto do individualismo e da falta de diálogo no cada vez mais agressivo ambiente urbano. Numa proposta singular, o diretor Trey Edward Shults eleva o nível de tensão ao investir numa obra genuinamente sensorial, um suspense que assombra muito mais pela sua mensagem, do que propriamente pelos fatos mostrados em tela. Embora faça um uso ocasional dos populares 'jump scares', o promissor realizador norte-americano esbanja maturidade ao investir numa densa e inteligente, um filme que preza pela relação entre os personagens, pela construção da atmosfera de desconfiança e pelos simbolismos escondidos num argumento marcado pelo seu teor social. 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Entre o blockbuster e o cinema autoral, Cate Blanchett reafirma a sua versatilidade em Thor: Ragnarok e Manifesto


Ela brilhou como vilã, brilhou como heroína, brilhou como elfa e também como bailarina. Uma verdadeira "monstra" na arte de atuar, a australiana Cate Blanchett mostrou em 2017 os motivos que a transformaram numa das realizadoras mais versáteis de Hollywood na atualidade. Como de costume na sua filmografia, a multifacetada atriz sempre soube explorar o melhor dos "dois mundos", transitando entre a popularidade do universo blockbuster e o refinamento do cinema autoral com extrema naturalidade. Um predicado que fica bem claro quando, na mesma semana, Blanchett "invade" o circuito brasileiro com duas obras indiscutivelmente distintas: a irreverente comédia aventureira Thor: Ragnarok e o artístico\inclassificável Manifesto (foto abaixo). No primeiro, a mais nova (e audaciosa) peça da poderosa engrenagem Marvel, a estrela de Elizabeth e O Senhor dos Anéis entregou uma das vilãs mais marcantes do MCU, a destruidora Hela. Numa performance sedutora e recheada de maneirismos, a atriz absorveu com absoluta desenvoltura a proposta extravagante do diretor Taika Waititi, tornando a deusa da morte um dos principais trunfos da película. Já no segundo, uma película experimental idealizada pelo artista plástico Julian Rosefeldt, Blanchett desfila o seu vasto repertório ao encarar treze personagens diferentes, dando voz as opiniões e críticas do diretor num trabalho singular. Uma produção que só uma fera com o talento e o prestígio dela poderia tirar do papel. Antes de brilhar em trabalhos deste nível, entretanto, Cate Blanchett teve que trilhar um longo caminho da Oceania para Hollywood. Uma jornada recheada de papéis marcantes, títulos variados e incontáveis sucessos.

domingo, 29 de outubro de 2017

O Melhor e o Pior do Universo Cinematográfico da Marvel


A mais nova peça da engrenagem Marvel, Thor: Ragnarok (leia a nossa crítica aqui) atesta a ousadia do MCU ao tratar o "fim" com desapego e irreverência. Sob a excêntrica batuta de Taita Waititi, o longa finalmente conseguiu extrair o potencial "zueiro" do remodelado herói nórdico, realçando a face mais humana e vulnerável do personagem numa comédia aventuresca e genuinamente corajosa. Entre erros e acertos, mais um acerto dentro desta poderosa franquia. E com a chegada de Thor: Ragnarok, nesta matéria especial atualizamos os nosso ranking com as piores e as melhores produções do Universo Cinematográfico da Marvel.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Thor: Ragnarok

A perfeita sinergia entre a Marvel Studios e a Marvel Comics


Um dos heróis mais poderosos do selo Marvel, o popular Thor foi, de longe, um dos personagens mais modificados na transição das páginas dos quadrinhos para as telas dos cinemas. Embora os competentes dois filmes solos do lendário deus nórdico tenham resgatado algumas das características mais marcantes das hq's, entre elas a imponência visual, o elemento fantástico e o constante jogo de poder palaciano, o protagonista ganhou uma perspicaz roupagem mundana, uma faceta convencida\imatura que o transformou num natural alívio cômico dentro do MCU. Ele, no entanto, merecia mais. E a Marvel tratou de reconduzi-lo ao time A dos Vingadores. Após se tornar uma espécie de coadjuvante de luxo em A Era de Ultron (2014), o príncipe de Asgard volta das "férias" após Guerra Civil (2016) no irreverente Thor: Ragnarok, uma comédia aventureira que finalmente soube explorar o potencial "zueiro" do remodelado protagonista em sua máxima potência. Um dos projetos mais autorais da franquia, o longa dirigido pelo extravagante Taika Waititi (O que Fazemos nas Sombras) empolga ao ampliar a mitologia do herói com extrema espontaneidade, se afastando mais do que o costume da geralmente "confortável" fórmula Marvel ao tratar o fim de forma irônica e indiscutivelmente audaciosa. Numa proposta irreverente, escapista, mas nada despretensiosa, o realizador neozelandês justifica o frisson em torno da sua improvável escalação ao pregar o desapego, ao subverter o teor épico\super-heroico presente no arco original, fazendo jus ao drástico subtítulo da película sem nunca abrir mão do seu afiado senso do humor. Além disso, Waititi esbanja virtuosismo técnico ao reverenciar o legado de cores e formas do cultuado quadrinista Jack Kirby, contornando os pontuais problemas de tom ao valorizar o 'fan service' na composição dos exuberantes cenários e das imagéticas sequências de ação.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Wheelman

Instigante e acelerado, Wheelman é um filme de ação de respeito

Cada vez mais qualificadas, as produções originais da Netflix vem ganhando uma justificada relevância junto aos fãs da Sétima Arte. Entre erros e acertos, a popular empresa americana tem investido pesado nos seus filmes, se insurgindo contra o tradicional modo de se pensar o Cinema ao tirar do papel obras ecléticas e geralmente idealizadas para instigar o espectador. Após ser o pivô de uma grande polêmica comercial no Festival de Cannes 2017 (entenda aqui), a Netflix tem feito jus ao burburinho criado, presenteando o público com títulos do porte de Okja e Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe. Ao meu ver, entretanto, o grande mérito da empresa está nas produções menores, no espaço dado a novos realizadores e atores que nem sempre estão sob os holofotes de Hollywood. Esse, por exemplo, é o caso de Wheelman, um filme de ação frenético e surpreendente que está entre os melhores representantes no gênero em 2017. A partir de uma premissa enxuta e naturalmente intrigante, o thriller dirigido pelo estreante em longas Jeremy Rush pisa no acelerador ao narrar as desventuras de um piloto de fuga envolvido num roubou mal resolvido, colocando o espectador no banco do carona numa película tensa, claustrofóbica e tecnicamente impactante. 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Com Fragmentado, Corra! e A Morte te Dá Parabéns, Blumhouse Productions consagra a sua lucrativa fórmula em Hollywood


Como bem disse o mestre Martin Scorsese, num corajoso artigo ao The Hollywood Reporter, o sucesso de um filme não deve, de maneira alguma, estar atrelado somente ao seu faturamento. Isso é um fato. Numa indústria cada vez mais dominada pelos grandes estúdios, entretanto, uma "pequena" produtora tem conseguido resultados expressivos e roubado a cena entre os caríssimos blockbusters. Uma das principais responsáveis pelo "reaquecimento" do gênero Terror nos últimos anos, a Blumhouse Productions se ergueu entre os gigantes com uma fórmula realmente lucrativa. Com boas ideias, produções de baixo orçamento e trabalhos cada vez mais engenhosos, a empresa criada pelo produtor Jason Blum se distanciou dos "medalhões" ao dar voz para novos realizadores, equilibrando entretenimento e qualidade em títulos frequentemente acima da média. Embora erre como qualquer outro estúdio, vide as bombas Ouija (2014), Jessabelle (2014), O Garoto da Casa ao Lado (2015), A Forca (2015), Martírio (2015), Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma (2015) e o "vício" nas grandes franquias, a empresa tem colecionado sucessos comerciais (e ocasionalmente de crítica) com surpreendente naturalidade. O que fica bem claro com a mais nova empreitada da produtora, o divertidíssimo A Morte te Dá Parabéns (leia a nossa opinião aqui). Dirigido por Christopher London, o irônico 'slaher movie' já soma US$ 53 milhões ao redor do mundo, um valor quase doze vezes maior do que o seu modesto orçamento, cerca de US$ 4,5 milhões. Além disso, a película estrelada pela talentosa Jessica Rothe foi recebida de maneira amistosa pela crítica, se tornando apenas mais um dos triunfos da Blumhouse nesta temporada de 2017.

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