terça-feira, 22 de agosto de 2017

Onde Está Segunda?

Sci-Fi distópico da Netflix desperdiça o seu próprio potencial num roteiro que se contenta com pouco

Uma espécie de "primo distante" da série Orphan Black, Onde Está Segunda? mostra o quão tênue é a linha entre o sucesso e o fracasso. Embora não se situe em nenhum destes dois polos, o mais novo filme original da Netflix é a prova de como uma ótima ideia pode se perder numa obra recheada de falhas de execução. Com uma premissa instigante e naturalmente questionadora em mãos, o diretor Tommy Wirkola (Zumbis na Neve) se esforça ao extrair o máximo de tensão do texto, ao criar um cenário totalitário em que o direito de viver foi "tomado" pelo Estado, mas vê o seu mais novo trabalho ficar limitado por um roteiro que em nenhum momento consegue explorar o tema proposto em sua máxima potência. Indo de encontro ao último grande lançamento da companhia, o fantástico Okja, uma fábula política capaz de equilibrar entretenimento e crítica social com enorme brilhantismo, o longa estrelado por uma multifacetada Noomi Rapace (Prometheus) prefere seguir o caminho mais fácil, esvaziando uma série de intrigantes discussões políticas em prol da construção de um suspense de ação bem mais simples do que o esperado. Por mais que as suas virtudes sejam maiores que os seus pecados, Onde está Segunda? se revela o tipo de produção que se contenta com pouco, um filme com ingredientes sólidos, um arco familiar envolvente, uma promissora visão de futuro, mas que sequer tenta propor algum tipo de reflexão acerca da nossa existência num ambiente desigual e nitidamente saturado. E esse talvez seja um contratempo mais incômodo do que qualquer conveniência narrativa. O resultado, no final da contas, é "apenas" um passatempo eficaz, uma obra recheada de predicados técnicos que, ao menos, se insurge contra as correntes políticas mais extremistas.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Mulher-Maravilha cruza a barreira dos US$ 800 milhões nas bilheterias


Ela está entre os gigantes. Depois de se tornar a maior bilheteria de um longa dirigido por uma mulher e a segunda maior arrecadação entre os filmes de origem no universo dos super-heróis, o majestoso Mulher-Maravilha quebrou mais uma relevante marca neste final de semana. Em cartaz há dois meses e meio, a película dirigida por Patty Jenkins cruzou a barreira dos US$ 800 milhões nas bilheterias ao redor do mundo, se transformando assim numa das quinze maiores arrecadações da história do gênero. Mais do que simplesmente revitalizar o claudicante novo universo cinematográfico da DC, a aventura estrelada por Gal Gadot, nesse momento, ocupa a 11ª posição entre as maiores bilheterias dentro deste concorrido segmento com US$ 800,1 milhões, pouco atrás do décimo colocado na lista, o igualmente importante Homem-Aranha (2002). Contrariando as expectativas dos mais pessimistas, Mulher-Maravilha destrói assim os tabus envolvendo a presença feminina no gênero, devolvendo à dobradinha DC\Warner o protagonismo esquecido em títulos como SuperMan (1978), Batman (1989), Batman: O Retorno (1992) e na trilogia Cavaleiro das Trevas (2005-2012). Leia a nossa opinião sobre o empolgante Mulher-Maravilha, confira também o nosso artigo sobre a ascensão do protagonismo feminino dentro do universo blockbuster e descubra abaixo quais são as quinze maiores bilheterias da história dos filmes de super-herói.

1º Os Vingadores (2012) - US$ 1,518 bi
2º Vingadores: Era de Ultron (2014) - US$ 1,405 bi
3º Homem de Ferro 3 (2013) - US$ 1,214 bi
4º Capitão América: Guerra Civil (2016) - US$ 1,153 bi
5º Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) - US$ 1,084 bi
6º Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) - US$ 1,004 bi
7º Homem-Aranha 3 (2007) - US$ 890 milhões
8º Batman Vs Superman: A Origem da Justiça (2016) - US$ 873 milhões
9º Guardiões da Galáxia - Vol: 2 (2017) - US$ 862 milhões
10º Homem-Aranha (2002) - US$ 821 milhões
11º Mulher-Maravilha (2017) - US$ 800 milhões
12º Homem-Aranha 2 (2004) - US$ 783,8 milhões
13º Deadpool (2016) - US$ 783,1 milhões
14º Guardiões da Galáxia (2014) - US$ 773 milhões
15º O Espetacular Homem-Aranha (2012) - US$ 757 milhões

domingo, 20 de agosto de 2017

Artistas lamentam a morte do icônico comediante Jerry Lewis


Uma verdadeira lenda da comédia americana, o icônico Jerry Lewis faleceu na manhã deste domingo (20), aos 91 anos, de causas naturais. A informação foi confirmada pela família do próprio ator. Reconhecido pelo seu humor físico, Lewis dominou o gênero nos Estados Unidos por mais de duas décadas, brilhando em títulos como o O Mensageiro Trapalhão (1960), Cinderelo sem Sapato (1960), a versão original de O Professor Aloprado (1963) e O Otário (1964). Ao lado do seu grande parceiro, o "galã" Dean Martin, ele deu vida também a uma das mais populares duplas dos anos 1950, estrelando títulos como O Biruta e o Folgado (1951), Os Malucos do Ar (1952), Morrendo de Medo (1953), O Meninão (1955). Referência para várias gerações do gênero, a notícia da morte de Jerry Lewis causou grande comoção dentro de Hollywood. Um dos "herdeiros" do humor físico, Jim Carrey não poupou elogios ao saudoso ator. "Aquele tolo não era burro. Jerry Lewis era um gênio inegável, uma benção insondável, a absoluta da comédia! Eu sou (comediante) porque ele era!", afirmou o astro de Ace Ventura via Twitter.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Cinemaniac Indica (Akira e Ghost in The Shell)

O que falar de uma produção que inspirou obras do porte de Matrix (1999), Avatar (2009) e o recente Ex-Machina (2016)? Ou então de um filme que ainda hoje influencia títulos do quilate de A Origem (2010), Lucy (2014) e a popular série Stranger Things (2016)? Dois verdadeiros fenômenos da Cultura Pop mundial, Ghost in The Shell (1994) e Akira (1988) revolucionaram a animação japonesa, os populares ‘animes’, e porque não o futuro da ficção científica no Cinema, ao estabelecerem os paradigmas do tão explorado cenário 'cyberpunk'. Adaptação do cultuado mangá de Masamune Shirow, a versão animada de Ghost in The Shell instiga ao extrair as reflexivas questões existências presentes no riquíssimo material original. Sob a batuta de Mamoru Oshii, o longa é inteligente ao se aprofundar nas questões filosóficas presentes na trama, preenchendo a imersiva película com preciosos diálogos acerca da nossa humanidade. Afinal de contas, o que define a nossa existência? 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Doutor Estranho aparece no trailer japonês de Thor: Ragnarok


Uma das presenças mais aguardadas de Thor: Ragnarok, o ótimo Doutor Estranho deu as caras no novo trailer preparado para o mercado japonês. Embora a prévia traga poucas novidades em relação aos últimos vídeos divulgados, a presença de Benedict Cumberbatch revela a importância do seu personagem. No material, Stephen Strange surge como o portador das más notícias, se tornando a possível ponte entre Thor (Chris Hemsworth) e a vilã Hela (Cate Blanchet). Com Tom Hiddlestone (Loki), Idris Elba (Heimdall), Tessa Thompson (Valquíria), Jaimie Alexander (Sif), Anthony Hopkins (Odin), Mark Ruffalo (Hulk) e Taika Waititi (O que Fazemos nas Sombras) na direção, Thor tem estreia marcada para o dia 2 de Novembro no Brasil.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Um sonho visualmente exuberante, mas extremamente caro


Dono de uma filmografia singular recheada de altos e baixos, Luc Besson se tornou um daqueles raros realizadores que, graças aos seus melhores projetos, ganhou um status que nem os seus piores trabalhos foram capaz de arranhar. Responsável por sucessos como Imensidão Azul (1988), Nikita: Criada para Matar (1991), O Profissional (1994), O Quinto Elemento (1997) e mais recentemente o ousado Lucy (2014), o diretor francês se tornou referência no cinema de ação, principalmente após a fundação do seu próprio estúdio, a Europacorp. Ao lado do produtor Pierre-Ange Le Pogam, Besson consolidou o nome de uma nova safra de diretores franceses, entre eles Louis Leterrier, Pierre Morel e Michel Gondry, tirando do papel as trilogias Carga Explosiva (2002-2008) e Busca Implacável (2008-2014), o elogiado Ong Bak: Guerreiro Sagrado (2003), o original Cão de Briga (2005), o popular B-13: 13º Distrito (2008), o cultuado Rebobine por Favor (2008), o excelente O Concerto (2010), o comovente Até a Eternidade (2010) e uma séries de outros filmes dos mais variados gêneros. Um viés eclético que, aliás, sempre se fez presente na sua carreira enquanto diretor.

domingo, 13 de agosto de 2017

15 Grandes Filmes sobre a Paternidade


Como filho, posso dizer que ser pai é uma missão dura. E alguns diretores sabem como retratar esta dificuldade. Neste Dia dos Pais, no Cinemaniac uma lista com quinze grandes filmes sobre a paternidade. Entre clássicos e sucessos recentes, no artigo passado e presente se misturam comprovando que os anos passam, a mentalidade muda, mas os problemas persistem. Dito isso, começamos com... 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Mulher-Maravilha cruza a barreira dos US$ 400 milhões nas bilheterias dos EUA


Lançado em Junho, Mulher-Maravilha segue quebrando marcas nas bilheterias. Após se tornar o filme de maior arrecadação dirigido por uma mulher, o longa estrelado por Gal Gadot, que, via Instagram, foi "flagrada" comemorando o novo triunfo com uma dancinha, cruzou nesta semana a barreira dos US$ 400 milhões nas bilheterias norte-americanas. Com isso, o filme se tornou a oitava maior bilheteria do gênero nos EUA, ficando bem perto dos US$ 403 milhões conseguidos por Homem-Aranha (2002), os US$ 408 milhões de Capitão América: Guerra Civil (2016) e US$ 409 milhões de Homem de Ferro 3 (2013). Segunda maior bilheteria do ano nos EUA até o momento, Mulher-Maravilho já pode ser considerado o primeiro grande sucesso de público e crítica do novo Universo Cinematográfico da DC. Com orçamento de US$ 150 milhões, o blockbuster dirigido por Patty Jenkins já soma expressivos US$ 794 milhões ao redor do mundo, se tornando a segunda maior abertura de um filme de origem na história do segmento, só ficando atrás dos US$ 821 milhões conseguidos por Homem-Aranha (2002). Confira abaixo a lista com as maiores bilheterias de filmes de super-heróis em solo norte-americano, leia a nossa opinião sobre a importância do empolgante Mulher-Maravilha e veja a dancinha entusiasmada de Gal Gadot após receber a notícia. 

1º Os Vingadores (2012) - US$ 623 milhões
2º Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) - US$ 534 milhões
3º Vingadores: Era de Ultron (2014) - US$ 459 milhões
4º Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) - US$ 448 milhões
5º Homem de Ferro 3 (2013) - US$ 409 milhões
6º Capitão América: Guerra Civil (2016) - US$ 408 milhões
7º Homem-Aranha (2002) - US$ 403 milhões
8º Mulher-Maravilha (2017) - US$ 400 milhões
9º Guardiões da Galáxia - Vol: 2 (2017) - US$ 388 milhões
10º Homem-Aranha 2 (2004) - US$ 373 milhões.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Andy Serkis, César a incrível evolução da atuação digital


Um mestre na arte da atuação digital, Andy Serkis se tornou uma peça chave na evolução da técnica de captura de movimento. Intrinsecamente ligado ao sucesso deste advento, ele foi um dos primeiros grandes nomes a defender a arte por trás da tecnologia, ao realçar a sensibilidade humana "escondida" pelos incríveis efeitos visuais. O que fica bem claro, por exemplo, no espetacular Planeta dos Macacos: A Guerra (leia a nossa crítica aqui), o memorável desfecho da trilogia prelúdio inspirada no clássico de 1968. Na pele do indomável César, um dos protagonistas mais humanos da história recente do cinema, Serkis alcançou o ápice da atuação digital, enchendo a tela de sentimento ao expor as nuances mais íntimas do desgastado líder símio. Um trabalho tão singular, tão expressivo que finalmente parece ter conquistado o aval até dos mais resistentes. Nos últimos dias, inclusive, ganhou força a corrente que pede o reconhecimento de Andy Serkis nas grandes premiações, uma defesa não só justa, como tardia. Já em Planeta dos Macacos: O Confronto (2014), o ator havia exibido um pleno domínio técnico\artístico sobre a captura de movimentos, revelando as inúmeras possibilidades e a extraordinária verossimilhança possibilitada pelo recurso. É bom frisar, entretanto, que a ascensão da atuação digital está diretamente ligada a evolução da tecnologia da animação. Graças a nomes como os de Peter Jackson, James Cameron, Robert Zemeckis e o próprio Andy Serkis, o 'motion capture' alcançou na atualidade um nível impensável há cinco, dez anos, um grau de realismo capaz de  realmente modificar a forma de se enxergar\fazer cinema.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Jacob Tremblay enche a tela de fofura no comovente novo trailer de Extraordinário


Foi divulgado agora a pouco o novo trailer de Extraordinário, adaptação do 'best-seller' homônimo do escritor R.J. Palacio. Com o excelente Jacob Tremblay (O Quarto de Jack) na pele do pequeno Auggie, um simpático garotinho com uma deformação facial, a prévia introduz a rotina do protagonistas no ambiente escolar, expondo o bullying, as amizades e o duro processo de adaptação do pequeno. Sob a sensível batuta de Stephen Chbosky (As Vantagens de Ser Invisível), o longa traz ainda no elenco os experientes Owen Wilson, Julia Roberts, Mandy Patinkin e a brasileira Sonia Braga. Com uma promissora vibe 'feel good', Extraordinário tem previsão de estreia para o dia 23 de Novembro no Brasil. 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

James Gunn lança o engraçadíssimo clipe da trilha sonora de Guardiões da Galáxia Vol. 2


Na última semana postei uma matéria aqui no Cinemaniac sobre as trilhas sonoras mais antenadas do Cinema. Obviamente, o excelente Guardiões da Galáxia (leia a crítica aqui) estava entre os listados, já que o eclético setlist se tornou uma das marcas dos longas dirigidos por James Gunn. O inventivo realizador, aliás, usou o seu Twitter para lançar o engraçadíssimo clipe de "Guardians Inferno", uma balada disco para anunciar o lançamento da magnífica trilha sonora de Guardiões da Galáxia Vol. 2 (leia a crítica aqui). Com o padrão Marvel de qualidade\irreverência, Gunn buscou referência nos videoclipes dos anos 70\80, brincando com as produções da época ao utilizar recursos com um ridículo Chroma Key, figurinos extravagantes e passos de dança completamente datados. Trazendo David Hasselhoff, Zoe Saldana, Dave Bautista, Pom Klementieff, Michael Rooker, Karen Gillan, os irmão James\Sean Gunn e o próprio Stan Lee, o vídeo revela não só a completa integração do elenco, como a capacidade deles em rir de si mesmo. O que, diga-se de passagem, explica o sucesso deste carismático supergrupo B do Universo Marvel



E confira abaixo os hilários erros de gravação de Guardiões da Galáxia Vol. 2. 


domingo, 6 de agosto de 2017

Top 10 (Grandes Trilogias Cinematográficas)


Neste final de semana chegou aos cinemas Planeta dos Macacos: A Guerra (leia a nossa crítica), o desfecho de uma das poucas novas trilogias realmente relevantes. Indo de encontro a maioria das franquias "pipocas", que se desenvolvem na base do lucro e dos interesses comerciais, o reboot deste clássico sessentista surpreendeu a todos ao se revelar uma poderosa história de origem, uma trilogia sólida que atinge o seu ápice neste elogiado último longa. Sem grande alarde, Planeta dos Macacos: A Origem (2011) conquistou o público e a crítica ao mostrar o começo do fim, um filme tecnicamente primoroso que tornou justificável o retorno a um universo tão explorado. Quando a franquia foi parar nas mãos do talentoso Matt Reeves, entretanto, o novo Planeta dos Macacos alcançou um novo patamar com os excepcionais O Confronto (2014) e A Guerra (2017). Mais do que um bem realizado blockbuster distópico, a saga de César voltou a dialogar com o inventivo tom crítico do longa original, culminando em duas produções épicas, emocionalmente densas e brilhantemente concebidas. Com a estreia de Planeta dos Macacos: A Guerra e o desfecho desta imponente franquia, neste Top 10 iremos listar outras dez grandes trilogias da história da Sétima Arte. Nesta seleção reunirei as sagas com começo, meio e fim, portanto deixarei de fora as franquias que se estenderam além do necessário, entre elas as Trilogias Shrek, Piratas do Caribe, Alien e Exterminador do Futuro. Além disso, irei prezar também pela qualidade individual das produções, o que explica, por exemplo, a ausência da Trilogia Matrix e da Trilogia da Vingança, dois casos em que um dos longas é muito superior ao demais títulos da saga. Sem mais explicações, começamos com...


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Planeta dos Macacos: A Guerra

O triunfante fim de uma trilogia que justificou a sua existência


Lançado sem grandes pretensões em 2011, Planeta dos Macacos: A Origem parecia ser mais um daqueles reboots caça-níquel que frequentemente brotam em Hollywood. Que engano. Mais do que elevar o patamar do advento da atuação digital, o longa dirigido por Rupert Wyatt justificou a sua existência ao se revelar uma prequel densa e instigante, um blockbuster capaz de reverenciar o filme original sem esquecer de atualizar a franquia. Indo além dos excepcionais efeitos visuais, a nova versão conseguiu oferecer uma visão mais contextualizada sobre o tema, encontrando na fábula distópica criada por Pierre Boulle o subtexto necessário para falar sobre a involução humana, a opressão das minorias e a nossa autodestrutiva relação com o meio ambiente. Um teor questionador que ecoou ainda mais alto no magnifico Planeta dos Macacos: O Confronto (2014), uma pequena obra-prima recheada de personagens tridimensionais, nuances genuinamente humanas e um inspirado viés político. Com uma forte carga dramática, o filme dirigido pelo talentoso Matt Reeves não só resgatou a aura pós-apocalíptica do clássico de 1968, como também se aprofundou no crescente clima de tensão entre os símios e os humanos, integrando o passado e o presente da saga numa poderosa continuação. O fim estava próximo. E ele chegou em grande estilo. Marcando o triunfante desfecho desta memorável trilogia, Planeta dos Macacos: A Guerra encanta ao mostrar o tão alardeado combate final sob um prisma humano e corajosamente intimista. Sem a intenção de tratar o conflito dentro de um contexto novamente belicoso, Matt Reeves esbanja sensibilidade ao se aprofundar nos conflitos do indomável César, o desconstruindo diante do público ao expor o seu lado falho e impulsivo. Na verdade, embora se preocupe em estreitar os laços com a mitologia original, o realizador norte-americano acerta ao entender que o reboot já não era mais sobre a destruição da nossa civilização. Por trás disso existia um símbolo, um arco libertário brilhantemente arquitetado, uma jornada densa e reflexiva que, ao ser pontuada com maestria, transforma César num dos protagonistas mais complexos da história recente do Cinema. E a trilogia em um dos mais reflexivos estudos sobre a natureza humana.


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Top 10 (Grandes Filmes sobre a Segunda Guerra Mundial)


Um dos temas mais tragicamente ricos da história moderna, a Segunda Guerra Mundial se tornou um assunto recorrente dentro da Sétima Arte. Antes mesmo do conflito terminar, alguns corajosos realizadores já utilizavam o cinema para retratar o impacto deste doloroso período na rotina dos inocentes. Sete décadas depois do término do embate, o conflito entre as tropas do Eixo e o exército Aliado seguiu rendendo uma enxurrada de produções, a maioria delas envolvendo grandes feitos, populares batalhas ou personalidades importantes dentro do conflito. Após Mel Gibson narrar a história de um militar antibélico no premiado Até o Último Homem, o cultuado Christopher Nolan resolveu também recriar um importante momento do conflito em Dunkirk. Com um elenco recheado de talentosos nomes e uma direção à moda antiga, com direito a inúmeros efeitos práticos, uso de película e expressivos takes aéreos, o longa reconta a história de um grupo de militares britânicos que, durante a Operação Dínamo, uma missão de resgate\evacuação das tropas inglesas em solo francês, foram encurralados pelos Nazistas. E como o assunto é a Segunda Grande Guerra, neste Top 10 iremos falar sobre alguns dos melhores filmes envolvendo o conflito. Como a lista de títulos sobre o tema é gigantesca, nessa matéria seguirei basicamente o meu gosto pessoal e tentarei fugir (ao máximo) do lugar comum. Dito isso, começamos com... 


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Dunkirk

Nolan dá voz aos esquecidos numa obra memorável

De longe o maior 'hitmaker' da sua geração, Christopher Nolan é um caso raríssimo em Hollywood. Numa ascensão meteórica, o realizador britânico (com o apoio luxuoso do seu irmão e roteirista Jonathan Nolan) precisou de menos de duas décadas para se afirmar enquanto marca, para se tornar um improvável sinônimo de sucesso junto ao grande público. Isso porque, indo de encontro a nomes como Steven Spielberg, George Lucas, Ridley Scott, James Cameron, Robert Zemeckis e J.J Abrams, Nolan nunca se guiou pelo modelo blockbuster inaugurado lá atrás com Tubarão e Star Wars. Seus projetos, embora sempre direcionados ao grande público, apontam frequentemente para temas mais espinhosos. Desde o seu primeiro grande lançamento, o cultuado Amnésia (2000), Nolan mostrou o seu apreço por "heróis" relutantes, figuras tridimensionais geralmente lidando com conflitos além do seu alcance. O que fica bem claro no divisor de águas da sua carreira, o estrondoso Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), um filme memorável capaz de transcender as barreiras do gênero ao sair em defesa do valor de um ideal e não da força de um indivíduo. O que mais me impressiona no cinema de Nolan, entretanto, é a sua sagacidade ao universalizar temas complexos. Por mais que o triunfo da Trilogia Cavaleiro das Trevas justifique parte da sua popularidade, em títulos como A Origem e Interestelar o realizador mostrou um raro poder de persuasão.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Estrela de Os Eleitos e Falcão Negro em Perigo, Sam Shepard morre aos 73 anos


Mais uma grande perda para o Cinema. Foi confirmada hoje a morte do ator e dramaturgo Sam Shepard. Segundo o site The Wrap, ele faleceu no último dia 27 de julho aos 73 anos. As causas da morte não foram divulgadas. Um dos "herdeiros" de Clint Eastwood, Shepard era um ator de aparência rígida, com uma presença cênica sempre forte, mas dotado de extrema sensibilidade. Ao longo de quatro décadas, ele construiu uma filmografia sólida e delicada, recheada de personagens marcantes em títulos como Cinzas no Paraíso (1978), Os Eleitos: Onde o Futuro Começa (1983), Minha Terra, Minha Vida (1984), Flores de Aço (1989), O Dossiê Pelicano (1993), Neve sobre Cedros (1999) e Falcão Negro em Perigo (2001). Na última década, inclusive, Sam Shepard vinha coestrelando filmes menores, mas indiscutivelmente marcantes, com destaque para O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (2007), O Homem da Máfia (2012), Amor Bandido (2012), Álbum de Família (2013), Tudo por Justiça (2013) e Destino Especial (2016). Como dramaturgo, aliás, o realizador norte-americano assinou 44 peças e ganhou o celebrado prêmio Pulitzer em 1979 por Buried Child. Seus últimos trabalhos foram a série da Netflix Bloodline e o thriller Never Here (2017). RIP. 
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