domingo, 20 de novembro de 2016

Top 10 (Grandes Personagens Negros do Cinema)


Mais do que um simples feriado nacional, o Dia da Consciência Negra é uma data importante para refletirmos sobre os dilemas raciais ainda hoje presentes na nossa sociedade. Um tema constante na indústria do cinema, a questão étnica dentro de Hollywood tem sido bastante discutida, principalmente após a completa ausência de atores negros entre os indicados à última edição do Oscar. Após muitas críticas e um urgente debate, a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Cheryl Boone Isaac, decidiu reformular o esquema de votação e a lista de votantes. Em busca da diversidade étnica e cultural, a Academia se viu obrigada a lançar uma ambiciosa campanha global buscando identificar e recrutar novos membros, realizadores plurais que tenham a capacidade de reinventar o 'status quo' da mais cobiçada premiação do mundo da sétima arte. Aproveitando então a chegada desta importante data, neste Top 10 resolvi fazer uma lista com dez dos mais relevantes personagens negros do cinema. Para fugir da obviedade, porém, vou excluir os filmes biográficos, por isso nomes como o Ray Charles de Jamie Foxx, o Nelson Mandela de Morgan Freeman, o Malcom X de Denzel Washington e o Chris Gardner de Will Smith não estarão na lista. A ideia, na verdade, é destacar os tipos criados pelos roteiristas, personagens fictícios que se tornaram referência dentro da cultura pop. Dito isso, começamos com... 

10º - Ben (Duane Jones) - A Noite dos Mortos Vivos (1968)


Numa época em que os atores negros ainda lutavam pelo protagonismo nas produções Hollywoodianas, o visionário George Romero revolucionou o gênero do horror com o precioso A Noite dos Mortos Vivos. Mesmo limitado pelo baixo orçamento, o realizador construiu uma verdadeira pérola do gênero, um clássico que, dentre os seus muitos predicados, chamou atenção por escalar um protagonista negro, o intenso Duane Jones, como o herói da película. Lançado em meio às tensões raciais nos EUA, um cenário potencializado pelo assassinato do líder Martin Luther King, o longa transformou o altruísta Ben na voz da razão num cenário caótico, uma figura sábia e conciliadora que naturalmente assume as rédeas desta obra prima do horror. Apesar do seu êxito na audaciosa película, Duane Jones não teve uma carreira muito prolífera, encurtada pela sua precoce morte no ano de 1988. O conciliador Ben, porém, voltaria aos holofotes anos mais tarde no remake A Noite dos Mortos Vivos (1990), desta vez interpretado pelo então promissor Tony Todd (O Mistério de Candyman). 

9º Blade (Wesley Snipes) - Blade (1998)


Primeiro personagem negro dos quadrinhos à ganhar uma adaptação digna nos cinemas, o anti-herói Eric Brooks, o popular Blade, se tornou uma peça chave para a diversificação étnica dentro deste concorrido segmento. Numa época em que o universo super-heroico passava por uma entressafra cinematográfica, vide o retumbante fracasso de Batman e Robin (1997), o vampírico Blade (1998) adicionou novos elementos ao gênero ao defender uma pegada mais madura, adulta e sombria. Sob a batuta do astro de ação Wesley Snipes, o personagem criado por Marv Wolfman e Gene Coleman "saiu das sombras" e conquistou a atenção dos fãs do cinema de ação, muito em função da sua aura 'bad-ass' e do seu senso de justiça. Impulsionado pelo sucesso do elogiado primeiro longa, o 'daywalker' voltaria a se destacar anos mais tarde no excelente Blade II (2002). Nas mãos do virtuoso Guillermo Del Toro (O Labirínto do Fauno), o caçador de vampiros ganhou uma sequência ainda mais impactante, um longa recheado de figuras exóticas, empolgantes cenas de ação e um padrão técnico capaz de elevar o patamar da franquia. Em suma, apesar do tenebroso Blade Trinity (2004), o anti-herói se tornou uma espécie de símbolo de diversidade no gênero, um protagonista respeitado que abriu as portas para a adaptação de outros personagens negros dos quadrinhos, entre eles a popular Tempestade (X-Men), o nobre Pantera Negra (Capitão América: Guerra Cívil) e o promissor Ciborgue (Batman Vs Superman: A Origem da Justiça). 

8º Morpheus (Lawrence Fishburne) - Matrix (1999)


Um fenômeno 'cult' de altas proporções, Matrix é um daqueles clássicos instantâneos capazes de marcar uma geração. Lançado no final do século XX, mais precisamente em 1999, o longa dirigido pelos então irmãos Wachovwski abraçou a atmosfera 'ciberpunk' e a ascensão das plataformas virtuais ao narrar a jornada de um programador de internet que descobre a oportunidade de revelar a verdade para todos que o cercam. Dentro deste cenário 'hi-tech' surge o misterioso Morpheus, um homem sábio e convincente que se torna o líder de uma revolução tecnológica contra àqueles que procuram escravizar a raça humana. Porta voz de algumas das mais interessantes metáforas defendidas pela trama, Morpheus se revela um persgonagem fascinante, um tipo instigante que logo conquistou o seu merecido espaço dentro da cultura pop. O líder rebelde, aliás, voltaria a ganhar destaque nos dois longas seguintes, Matrix: Reloaded (2003) e Matrix: Revolutions (2003), mas as duas continuações não alcançaram o nível de qualidade e de brilhantismo filosófico apresentado no vigoroso primeiro longa. Laurence Fishburne, aliás, traz outro grande personagem em sua carreira, o sábio Furious Styles de Os Donos da Rua (1991). 

7º Celie (Whoppi Goldberg) - A Cor Púrpura (1985)


Ela poderia estar aqui como a inesquecível vidente Oda Mae Brown, de Ghost: Do Outro Lado da Vida (1990), ou então como a entusiasmada cantora Deloris Van Cartier, de Mudança de Hábito (1992). Eu escolhi, porém, fugir do lugar comum. Não que A Cor Púrpura seja um filme desconhecido. A questão é que, sob a batuta de Steven Spielberg, Whoopi Goldberg ganhou a oportunidade de mostrar a sua faceta mais dramática, um lado sensível que se tornou raro em sua carreira após o sucesso em Ghost. Na pele da resiliente Celie, Goldberg tem talvez a interpretação de sua carreira ao retratar o sofrimento da mulher negra no início do século XX. Através do olhar desta incrível personagem, Spielberg é primoroso ao acompanhar as transformações sociais durante quatro décadas, permitindo que Celie se torne a porta voz de uma mensagem contundente e igualitária. Ainda que o longa flerte por diversas vezes com o tom melodramático, Whoopi Goldberg traduz o misto de dor e esperança da sua personagem com extremo afinco, se tornando a peça chave desta realística e dolorosa película.

6º Django (Jamie Foxx) - Django Livre (2012)



Como de costume em sua filmografia, Quentin Tarantino nos brindou com alguns grandes personagens negros. O mais óbvio, de fato, seria escolher o verborrágico Jules Winnfield de Pulp Fiction (1994), o assassino de aluguel interpretado com sagacidade por Samuel L. Jackson. Na minha lista, porém, o Django de Jamie Foxx é uma das grandes criações de Tarantino. Fã declarado do Western Spaghetti, o realizador norte-americano resolveu reinterpretar um dos mais clássicos personagens do gênero, o popular Django (Franco Nero). Numa sacada de gênio, Tarantino resolveu transformar o pistoleiro num escravo alforriado disposto a recuperar o amor de sua vida. No auge do movimento escravocrata, o novo Django se revelou um dos maiores acertos da corrida deste cultuado realizador, um personagem inteligente e obstinado interpretado com afinco pelo carismático Jamie Foxx. Além disso, graças a genialidade de Tarantino, o protagonista ganhou uma bem vinda pegada pop, uma opção que se tornou decisiva para o sucesso do longa.

5º Apollo Creed (Carl Weathers) - Rocky: Um Lutador (1978)



Muito mais do que um mero oponente, o autoconfiante Apollo Creed é um dos símbolos de uma das mais duradouras franquias esportivas do cinema. Uma espécie de nêmesis do icônico Rocky Balboa, o midiático lutador interpretado por Carl Weathers se tornou um dos inúmeros trunfos do aclamado Rocky: Um Lutador (1978), principalmente por contrastar com a personalidade rústica do personagem título. Com humor, energia e muito carisma, Weathers transformou o "Doutrinador" num tipo simpático aos olhos do público, um campeão multifacetado que se mostra à altura do desafiante ao título. Impulsionado pelo sucesso do longa, uma produção pequena que surpreendeu o mundo ao levar o Oscar de Melhor Filme, Apollo assumiria um papel ainda maior nas próximas continuações, protagonizando uma história de amizade desenvolvida com maestria ao longo dos quatro primeiros longas da saga. Prova disso é que, numa daquelas sacadas de mestre, Stallone e os produtores resolveram dar um novo gás à franquia no excepcional Creed: Nascido para Lutar (2015). Estrelado pelo talentoso Michael B. Jordan, o longa narra a trajetória do filho de Apollo, Adonis Creed, um jovem criado em berço de ouro que resolve seguir os passos do seu saudoso pai e se arriscar no perigoso mundo do boxe. Assim como Apollo, aliás, Adonis é mais um excelente personagem, um tipo extrovertido e inteligente que cria uma sincera relação com o seu novo mentor, o agora envelhecido Rocky Balboa.

4º Reggie Hamond (Eddie Murphy) - 48 Horas (1982)



Além de apresentar o comediante Eddie Murphy para o grande público, 48 Horas (1982) popularizou um formato que viria a se tornar um grande sucesso nas décadas de 1980 e 1990: o bem sucedido 'buddy cop movie'. Na pele do estiloso Reggie Hammond, um detento carismático que se torna a peça chave para a resolução de um crime, o então jovem ator adicionou uma generosa dose de humor ao cinema de ação na agressiva produção do diretor Walter Hill (Os Selvagens da Noite). Na boa, a cena da batida num bar caipira é sensacional, principalmente por colocar o dedo na ferida ao abordar os conflitos raciais ainda presentes na sociedade americana. Além disso, a parceria entre Reggie e o policial turrão Jack Cates (Nick Nolte) é um dos pontos altos do longa e rende uma série de impagáveis diálogos. Esta relação interracial, inclusive, serviu de modelo para alguns outros clássicos do gênero, entre eles os bem sucedidos Máquina Mortífera (1987), Duro de Matar 3 (1995) e A Hora do Rush (1998). O próprio Eddie Murphy, aliás, poderia marcar presença nesta lista com outros inesquecíveis personagens, entre eles o detetive Axl Foley de Um Tira da Pesada (1984) e o príncipe Akeem de Um Príncipe em Nova Iorque (1988).

3º Alonzo Harris (Denzel Washington) - Dia de Treinamento (2001)



Num dos personagens mais marcantes de sua relevante filmografia, Denzel Washington elevou a sua carreira a outro patamar com o ardiloso detetive Alonzo Harris de Dia de Treinamento. Vencedor do Oscar por este papel, o ator norte-americano absorveu o comportamento corrosivo do seu personagem com extrema perícia, criando um tipo complexo e absolutamente memorável. Muito mais do que um simples antagonista, Alonzo se torna um reflexo do meio em que vive, uma figura corrompida, inteligente e ameaçadora que tem o seu "status" colocado em cheque no momento em que precisa lidar com o seu ingenuo novo parceiro (Ethan Hawke). Através desta fascinante figura, o diretor Antoine Fuqua traça um inspirado relato sobre a nossa sociedade, realçando elementos como a corrupção policial, a violência e a desordem urbana. Em sua carreira, aliás, Denzel Washington se acostumou a interpretar grandes personagens. A maioria deles, porém, inspirado em figuras históricas, entre eles o soldado Trip de Tempo de Glória (1989), o ativista Steve Biko de Um Grito de Liberdade (1987), o lutador Rubin Carter em Hurricane: O Furacão (1999), o resiliente Herman Boone em Duelo de Titãs (2000) e o mafioso Frank Lucas em O Gangster (2007). Já entre os personagens autorais, precisamos destacar o advogado Joe Miller de Filadélfia (1993), o complexo John Creasy de Chamas da Vingança (2004) e o viciado Whip Whitaker de O Voo (2012).

2º Virgil Tibbs (Sidney Poitier) - No Calor da Noite (1967)



Primeiro astro negro de Hollywood, Sidney Poitier "inaugurou" o gênero 'buddy cop movie' no afiado No Calor da Noite. Sob a batuta de Norman Jewinson (Os Russos Estão Chegando!), o longa escancarou os mais enraizados conflitos raciais americanos ao narrar as desventuras do detetive Virgil Tibbs, um policial íntegro e inteligente que se vê em apuros ao ser "confudido" com o suspeito de um crime numa cidade do interior. Após esclarecer a sua situação, ele é pego de surpresa ao ser convocado para ajudar no caso, enfrentando o preconceito e as barreiras raciais ao desvendar os mistérios por trás deste assassinato. Com contundência e sagacidade, Jewinson transforma Virgil Tibbs num personagem símbolo, um homem obstinado que se vê obrigado a construir uma curiosa parceria com o debochado Xerife Gilespie (Rod Steiger). Inserido num contexto na época raríssimo em Hollywood, No Calor da Noite nos brindou com um dos primeiros grandes heróis negros do cinema, um homem que impõe diante da maioria branca ao tomar as rédeas de um complexo caso.  Sem querer revelar muito, inicialmente ríspida e problemática, a relação entre Virgil e Gilespie é sensacional, principalmente por expor o quão estúpido pode ser o preconceito. Além disso, o longa nos brinda com algumas sequências corajosas. A cena em que Virgil retribui um tapa na cara de um figurão branco é quase libertadora, um dos pontos altos deste excelente filme. No Calor da Noite levou cinco estatuetas do Oscar, incluindo o prêmio de Melhor Filme. Ao longo de sua carreira, aliás, Sidney Potier encarnou outros grandes personagens, entre eles o prisioneiro Noah Culles de Acorrentados (1958), o viajante Homer Smith de Uma Voz nas Sombras (1963), o professor Mark Thackeray do inesquecível Ao Mestre com Carinho (1967) e o noivo John Prentice de Adivinhe quem Vem para Jantar (1967).

1º Ellis 'Red' (Morgan Freeman) - Um Sonho de Liberdade (1994)



Maior cotação do IMDB, o Internet Movie Data Base, Um Sonho de Liberdade chega ao topo desta lista com o incrível Ellis 'Red'. Adaptação do aclamado drama do escritor Stephen King, o longa dirigido por Frank Daranbont nos apresentou a esta carismática figura, um detento veterano e influente que se torna o porto seguro do recém chegado Andy Dufresne (Tim Robins). Numa das grandes atuações de sua expressiva carreira, Morgan Freeman absorve com extrema naturalidade a presença de espírito deste memorável personagem, além protagonizar uma daquelas sinceras e inesquecíveis histórias de amizade. Freeman que, aliás, poderia estar presente nesta lista com outros tantos personagens, entre eles o diretor Joe Clark de Meu Mestre, Minha Vida (1989), o veterano Ned Logand de Os Imperdoáveis (1992), o detetive Somerset de Seven: Sete Crimes Capitais (1997), o Presidente Beck de Impacto Profundo (1998), o Deus de Todo Poderoso (2003) e o assistente Scrap de Menino de Ouro (2004). Isso pra não falar dos personagens inspirados em fatos...

Incontestável 

- Mammy (Hattie McDaniel) ...E o Vento Levou (1939)



A grande pioneira desta lista, porém, é a zelosa Mammy do clássico ...E o Vento Levou (1932). Numa época em que os personagens negros ainda eram escassos em Hollywood, a carismática Hattie McDaniel rompeu algumas das mais enraizadas barreiras raciais da indústria ao conquistar a então inédita estatueta do Oscar na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. Na pele de uma carismática empregada, a atriz colocou o seu nome na história, mas não pode compartilhar da mesma "experiência" do restante do elenco. Numa decisão absurda, seguindo as leis de Jim Crow, um conjunto de regras que institucionalizava a segregação racial no Sul dos EUA, Hattie McDaniel foi impedida de dividir o espaço com os atores brancos. Entre os indignados, o astro Clark Gable ameaçou não participar do evento, mas foi demovido da ideia pela própria atriz. McDaniel assistiu a premiação do fundo da sala e, na hora de receber o prêmio, subiu ao palco e disse as seguintes palavras: "Este é um dos momentos mais felizes da minha vida. Espero sinceramente ser sempre motivo de orgulho para a minha raça e para a indústria do cinema”. Infelizmente, o fato de ter recebido o Oscar não trouxe grandes mudanças para a carreira da atriz, que se viu quase sempre presa ao rótulo de criada nas produções Hollywoodianas. Aproveitando a menção, leia aqui a nossa matéria especial (uma das mais populares do blog) sobre os filmes que conduziram os atores negros à estatueta do Oscar.

Não podemos esquecer

- Tre Styles (Cuba Gooding Jr.) 



Indo de encontro aos clichês sociais frequentemente retratados em Hollywood, Cuba Gooding Jr. surgiu com um personagem maduro e estudioso em Os Donos da Rua (1991). Sob a batuta de John Singleton, o longa tece um precioso relato sobre a realidade do negro num subúrbio norte-americano, dando a este talentoso ator a possibilidade de compor um personagem íntegro e marcante.

- J (Will Smith) - MIB: Homens de Preto (1997)



Impulsionado pelos sucessos de Bad Boys (1995) e Independence Day (1996), o astro Will Smith encarou um dos personagens mais memoráveis de sua carreira em MIB: Homens de Preto. Na pele de um jovem falastrão que acaba recrutado por uma organização galática ultra secreta, o ator fez de J um dos tipos mais bem sucedidos de sua carreira, uma figura popular e comercial que protagonizou as duas continuações seguintes, os divertidos MIB II (2002) e MIB III (2012).

- DJay (Terrence Howard) e Shug (Taraji P. Henson) 


Num baita drama musical, a dupla Terrence Howard e Taraji P. Henson esbanjou o seu reconhecido talento no excelente Ritmo de um Sonho (2005). Na pele de cafetão aspirante à rapper e de uma resignada garota de programa, os dois atores se tornaram  um dos muitos pontos altos desta excelente película, vencedora do Oscar de Melhor Canção Original com o Hit "It's Hard Out Here for a Pimp". Num performance enérgica e magnética, Howard e Henson criaram uma "parceria" única e marcante, uma relação coerente com a proposta suja defendida pela película.

- Hushpuppy (Quvenzhané Wallis)


Confesso que quase me esqueci desta pequena pérola do cinema independente norte-americano. Mostrando um cenário frequentemente esnobado por Hollywood, a situação daqueles que vivem à margem da sociedade, Indomável Sonhadora nos brindou com a incrível Hushpuppy, uma garotinha corajosa e fantasiosa que faz da sua fértil imaginação uma refúgio para a sua complicada realidade. Impulsionada pela assombrosa atuação Quvenzhané Wallis, a mais jovem atriz indicada ao Oscar, o longa é uma espécie de fábula realística, uma obra marcada pela força da pequena protagonista.

- Malcolm (Shameik Moore) - Dope (2015)



Um mistura de Os Donos da Rua com O Clube dos Cinco, Dope: Um Deslize Perigoso tem marcado uma constante presença nos Top 10 aqui do blog. Colocando o dedo na ferida ao escancarar a realidade de um adolescente negro nos EUA, o longa dirigido por Rick Famuyiwa nos apresentou ao incrível Malcom, um jovem nerd e talentoso que, contrariando as expectativas impostas pelo meio em que vive, decide tentar uma vaga para a concorrida universidade de Harvard. Crítico, irônico e obstinado, o personagem se torna o porta voz de um discurso absolutamente necessário, uma mensagem urgente e revigorante que merece ser descoberta pelo grande público.

- Finn (John Boyega) - Star Wars: O Despertar da Força (2015)



Após apresentar o inesquecível Lando Calrissian no icônico O Império Contra Ataca (1980),  a franquia Star Wars arrebatou o público e a crítica com o empolgante O Despertar da Força. Disposto a abraçar a diversidade, o longa dirigido por J.J Abrams apostou em uma protagonista feminina, a excelente Rey (Daisy Ridley), e num coprotagonista negro, o ótimo Finn (John Boyega). Na pele de um desertor do Império que cruza o caminho de um grupo de rebeldes, o divertido personagem se tornou um dos inúmeros acertos desta continuação\reboot. Uma figura bem humorada, atrapalhada e empolgada que oferece uma espécie de contraponto à indomável Rey. Boyega, aliás, poderia estar nesta lista com o corajoso Moses de Ataque ao Prédio (2011), um Sci-Fi pequeno e afiado sobre um grupo de desajustados adolescentes que se torna a primeira linha de defesa diante de uma repentina invasão alienígena.

Filmes inspirados em fatos que merecem destaque

- Hotel Ruanda (2004)



Considerado por muitos uma espécie de A Lista de Schindler africano, Hotel Ruanda fascina ao acompanhar a jornada de Paul Rusesabagina, um gerente de hotel que, no auge do conflito étnicos em Ruanda, resolve abrigar no resort milhares de perseguidos políticos durante o genocídio imposto pela maioria Hutu. Um filmaço marcado pela intensa atuação do ótimo Don Cheadle (Homem de Ferro 2).

- Histórias Cruzadas (2011)



Adorado por uns, criticado por outros, Histórias Cruzadas é um drama precioso sobre a realidade de um grupo de mulheres negras numa preconceituosa cidade sulista. Inspirado nos relatos de uma série de empregadas durante a década de 1960, o longa dirigido por Tate Taylor passeou por temas espinhosos com um misto de contundência e bom humor, escancarando os conflitos raciais presentes na pequena cidade de Jackson. Além disso, a película nos brinda com algumas excelentes personagens, entre elas a obstinada Aibileen Clark (Viola Davis) e a irreverente Minny Jackson (Octavia Spencer). Esta última, aliás, levou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por esta fantástica personagem.

- Fruitvale Station (2013)



Denso e doloroso, Fruitvale Station expõe o impacto da violência policial nos EUA ao reproduzir a trágica história do jovem negro Oscar Grant. No embalo da estrondosa atuação de Michael B. Jordan, o longa acompanha as últimas horas deste pai de família simpático e esperançoso com extrema humanidade, realçando as suas características mais marcantes ao longo da trama. Ainda que o argumento dê uma ligeira carregada sentimental ao compor a personalidade de Oscar, criando alguns momentos fictícios na ânsia de ampliar a conexão do público com o protagonista, o diretor Ryan Coogler é impecável ao abordar a questão racial, principalmente no angustiante e desolador clímax. Na verdade, poucas vezes vi um subir de créditos tão silencioso e fúnebre em uma sessão de cinema.

- Selma (2015)



Pivô de uma das principais polêmicas do Oscar 2015, quando foi completamente esnobado nas principais categorias individuais, Selma é um daqueles relatos preciosos sobre uma decisiva batalha na luta pela igualdade racial em solo norte-americano. Indicado ao Oscar nas categorias Melhor Filme e Melhor Canção Original, com a vencedora 'Glory', o longa dirigido por Ava DuVernay é contundente ao mostrar a marcha liderada por Martin Luther King Jr. da cidade de Selma a Montgomery. Utilizando as chocantes imagens como uma espécie de aliado narrativo, a diretora se esforça para promover uma poderosa e - ainda hoje - necessária reflexão a partir das memórias de um passado não muito distante.

- Raça (2016)



Dono de um dos mais extraordinários feitos olímpicos da história do atletismo, o lendário Jesse Owens finalmente tem a sua trajetória contada para o grande público em Raça (2016), uma cinebiografia reveladora que não se contenta em acompanhar as conquistas esportivas do velocista americano. Mesmo limitado pelo baixo orçamento, modestos US$ 5 milhões, o diretor jamaicano Stephen Hopkins é habilidoso ao reproduzir os bastidores dos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936, incluindo a perseguição aos judeus, a ameaça de boicote norte-americano, as controversas negociações políticas envolvendo as duas nações e os simbolismos por trás desta grandiosa competição. Uma grata surpresa.

- O Aluno (2010)



Que história meus amigos. Inspirado em fatos, O Aluno é um drama comovente sobre um senhor de 84 anos que decidiu finalmente se alfabetizar. Impulsionado pela excelente atuação de Oliver Litondo, o longa dirigido por Justin Chadwick (Mandela: O Caminho para Liberdade) é sutil ao traduzir os obstáculos enfrentados pelo veterano e a sua incrível jornada até a Casa Branca. Um belo filme. 

Veja mais listas cinematográficas clicando aqui

Um comentário:

Peixe disse...

Um principe em nova york

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