segunda-feira, 2 de julho de 2018

Top 10 (Grandes filmes dos últimos dez anos)


No dia 2 de julho de 2008, há exatos dez anos, o Cinemaniac “nascia” como um projeto despretensioso de um então estudante de Jornalismo fã da Sétima Arte. Uma janela para expor as minhas opiniões cinéfilas enquanto aprimorava o meu (problemático) texto. Sim, escrever é difícil! Mesmo com a prática conquistada após mais de 430 críticas postadas, ainda hoje peno para traduzir em palavras as minhas impressões sobre um filme. As vezes as frases vêm com extrema facilidade. Em outros casos elas custam para ganhar forma. Um esforço recompensado no momento em que aperto o botão publicar. Ao longo dos últimos dez anos, aliás, fiz questão de manter esta proposta “pessoal”, em não me preocupar muito com números, com o potencial retorno financeiro. Uma “expectativa” que, verdade seja dita, se revelou cada vez mais distante com o ‘boom’ dos vlogs, do You Tube e a crise no mercado jornalístico. Seriedade, entretanto, nunca faltou. Me orgulho em dizer que, em alguns momentos, consegui acompanhar o “ritmo” dos gigantes, oferecendo uma cobertura satisfatória sobre lançamentos, premiações e as principais novidades dentro da indústria. O nosso foco, porém, sempre foi eclético. Já escrevi sobre filmes de diversos gêneros, das mais variadas regiões do mundo, procurando dar um espaço para todo e qualquer tipo de produção. Nos últimos anos, inclusive, tenho tentado fugir do ‘hype’ dos poderosos blockbusters, deste concorrido segmento, me distanciando do considerado “conteúdo fácil” em prol de uma visão mais particular sobre o Cinema. Para celebrar uma década de Cinemaniac, portanto, nada melhor do que olhar para trás numa lista com dez dos melhores filmes lançados nos últimos dez anos. Com base no meu gosto pessoal, no Top 10 traremos os longas que receberam nota máxima aqui no blog. Dito isso, começamos com... 

10º La La Land (2017)


Revigorante, puro e apaixonante, La La Land: Cantando Estações (leia a nossa opinião aqui) se revela uma obra otimista que "nasceu" para brilhar. Um daqueles raros projetos em que a máxima dedicação dos seus realizadores, entre eles o magnético casal Ryan Gosling e Emma Stone, pode ser percebida em tela. Muito mais do que uma moderna e graciosa homenagem aos clássicos musicais, este magnífico longa comprova durante os seus envolventes 128 minutos a força, a pureza e o virtuosismo do cinema de Damien Chazelle, um jovem realizador que nos seus dois primeiros grandes trabalhos (ou outro foi Whiplash: Em Busca da Perfeição) mostrou ser capaz de enfrentar o marasmo criativo que tomou conta de Hollywood.

9º Avatar (2009)


O que falar sobre um longa que faturou US$ 2,7 bilhões ao redor do mundo. Dirigido por James Cameron, do igualmente fenomenal Titanic, Avatar leva o espectador para uma empolgante viagem ao planeta Pandora. Um marco dentro do cinema moderno, o grandioso longa elevou consideravelmente o patamar das produções do gênero, comprovando a genialidade de um realizador apaixonado pela face mais fantástica da Sétima Arte. Com pretensões elevadíssimas, Cameron “arregaçou as mangas” para dar vida a uma imponente aventura espacial, desenvolvendo novos dispositivos para tirar do papel a história de um militar paraplégico (Sam Worthington) que, durante uma missão de colonização de um planeta distante, se envolve com uma tribo de nativos e passa a conhecer o outro lado da moeda. A partir de uma premissa teoricamente “requentada”, Cameron reinventou o universo do cinema blockbuster ao nos brindar com um espetáculo visual inigualável, uma obra com coração, a simbiose perfeita entre a tecnologia e a arte.

8º Toy Story 3 (2010)


Uma surpresa fenomenal, a trilogia Toy Story chegou ao fim com o profundo e comovente Toy Story 3. Novamente dirigido por John Lasseter, o longa colocou uma geração para chorar ao acompanhar a transição da adolescência para a fase adulta sob um prisma mágico. Prestes a ir para a faculdade, o agora jovem Andy resolve guardar os seus queridos brinquedos em uma caixa. Numa virada de última hora, no entanto, a mãe de Andy confunde as embalagens e os envia para uma creche recheada de pirracentas crianças. Lá, sob as ordens de um simpático urso rosa, Woody, Buzz e sua turma resolvem dar uma chance para o lugar. Não demora muito, porém, para eles perceberem os perigos do local. Mesmo sem abdicar do tom lúdico, Lasseter absorveu sentimentos mais complexos ao narrar esta poderosa história de amizade, encontrando um caminho especial para tocar o coração do espectador que cresceu acompanhando a série. Além disso, recheado de expressivos novos personagens, o longa se revelou um retumbante triunfo visual, um espetáculo virtuoso e especial. Sem querer revelar muito, o último ato do longa é uma das coisas mais belas que já vi no cinema, um arremate capaz de provocar uma mistura de emoções tão sinceras e genuínas. Em suma, Toy Story 3 é a Pixar em sua mais pura essência.

7º A Rede Social (2010)


Elegante e imersivo, A Rede Social (leia a nossa opinião aqui) é um drama biográfico exemplar. Inspirado na trajetória do criador do Facebook, o introspectivo Mark Zuckeberg, o talentoso David Fincher enche a tela de estilo ao tentar entender o homem por trás da sua criação. Num recorte envolvente e provocador, o realizador promove um profundo estudo de personagem, indo além das polêmicas ao revelar os bastidores da consolidação desta poderosa plataforma. Impulsionado pela cínica performance de Jesse Eisenberg, magnífico ao capturar o misto de genialidade, arrogância e sagacidade de Zuckeberg, Fincher pinta um retrato intimista sobre um homem falho. Num ‘mise en scene’ repleto de ritmo, o longa costura o passado e o presente do executivo com desenvoltura, “despindo” esta incoerente figura ao mostrar como o desenvolvedor de uma das mais populares redes sociais do mundo conseguiu afastar todos que nutriam o mínimo de carinho por ele. Na verdade, o grande trunfo de A Rede Social está na maneira com que Fincher narra a jornada de Zuckeberg como se fosse um segredo proibido, como se realmente estivéssemos diante de uma verdade nunca contada, uma abordagem hipnótica que se sustenta do primeiro ao último minuto de projeção. O resultado é uma obra enérgica que fascina ao tratar esta enigmática figura com zero condescendência. Um fato raro dentro do terreno das cinebiografias.

6º Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008)


Talvez o primeiro filme de super-herói a transpor as barreiras do gênero, Batman: O Cavaleiro das Trevas é uma obra-prima do universo blockbuster. Num projeto marcado pela ousadia, Christopher Nolan diluiu as barreiras entre a ficção e a realidade ao inserir o legendário Homem-Morcego num cenário urbano e hostil. Mais do que simplesmente valorizar o elemento humano, o realizador é incisivo ao trazer o peso das consequências para o centro da trama, ao contestar o fantasioso senso de onipresença do herói. Um viés anárquico, inegavelmente, potencializado pela magnífica performance do saudoso Heath Ledger. Bancado por Nolan contra a vontade de um grupo de fãs do universo DC, o australiano conquistou o público e a crítica ao entregar uma das melhores versões do caótico Coringa. Feroz, inteligente e temido, o antagonista elevou o patamar do longa para um nível poucas vezes vista dentro do gênero, surgindo como o contraponto perfeito para o atormentado Batman de Christian Bale. Com diálogos inesquecíveis, personagens sólidos, espantosas sequências de ação e a direção elegante de Nolan, O Cavaleiro das Trevas se tornou um evento inigualável dentro do gênero.

5º Wall-E (2008)


Inventivo, crítico e absolutamente humano, Wall-E encanta ao colocar em cheque o destino da raça humana. Narrativamente ousado, o longa dirigido por Andrew Stanton se revela um relato inestimável sobre a degradação ambiental do nosso planeta. Com um expressivo protagonista em mãos, um robozinho simpático responsável por "higienizar" o inabitado planeta Terra, o diretor constrói uma história vigorosa e altamente questionadora. Fazendo um excelente uso da ausência de diálogos, que só surgem em cena a partir do segundo ato, Stanton explorar com rara inspiração elementos do cinema mudo, como a expressão e o gestual, transformando Wall-E num dos personagens mais particulares da Pixar. Não se engane, porém, com a aparente sisudez da trama. Por trás do forte tom crítico existe uma fascinante história de amor, um romance sincero e apaixonante. Enfim, Wall-E é uma aventura recheada de camadas. Um trabalho esteticamente magnífico, narrativamente impecável e essencialmente universal. 

4º Mad Max: Estrada da Fúria (2015)


Um espetáculo de pura intensidade visual e narrativa, Mad Max: Estrada da Fúria (leia a nossa opinião aqui) nada contra a corrente ao comprovar que alguns 'remakes' podem sim ser necessários. Fazendo um competente uso do 3-D, que, apesar de convertido, amplia o senso de loucura em torno da trama, e do primoroso design de som, que faz o ronco dos motores ecoar de maneira avassaladora, a eletrizante nova aventura de Max Rockatansky evidencia que em alguns poucos casos o bom gosto e o bizarro podem "acelerar" lado a lado. Trazendo um surpreendente frescor a este longa, que nem de longe se resume as magníficas sequências de ação, George Miller mostra fôlego ao liderar esta trabalhosa continuação, dando uma verdadeira aula de cinema ao construir uma aventura engajada, empolgante e - acima de tudo - surtada. E numa época em que muitos executivos discutem a viabilidade de uma mulher estrelar um blockbuster de ação, o experiente diretor australiano se posiciona à frente da concorrência ao fazer do novo Mad Max - pasmem vocês - uma honesta ode ao 'girl power' e ao feminismo. Uma daquelas peças que só poderiam ser pregadas por um experiente realizador, daqueles com energia de sobra para brincar com as expectativas e produzir um material visceral e genuinamente ousado.

3º Os Vingadores (2012)


Reunindo pela primeira vez a super equipe de heróis Marvel, Os Vingadores (2012) figura na minha lista pessoal de melhores filmes do gênero. Estupidamente divertido, o longa dirigido por Joss Whedon conquistou o público ao valorizar a dinâmica deste grupo, abrindo espaço para as rixas, as diferenças ideológicas e para a construção da tão celebrada química entre eles. Através de uma premissa bem resolvida, a película premiou o público com uma sucessão de momentos empolgantes, oferecendo muita ação, personagens bem construídos e uma premissa naturalmente envolvente. Investindo no humor e nos primorosos efeitos visuais, Whedon esbanjou categoria ao abraçar as características mais marcantes de cada um dos super-heróis, realçando a pluralidade deste carismático super grupo. O resultado não podia ser outro. Recebido com entusiasmo pela crítica, Os Vingadores se tornou um estrondoso sucesso comercial ao faturar US$ 1,5 bi ao redor do mundo.

2º A Chegada (2016)


Trazendo na sua essência o DNA do gênero Sci-Fi, A Chegada (leia a nossa opinião aqui) é uma película maiúscula. Tensa, inteligente e constantemente reflexiva, a nova produção do arrojado Denis Villeneuve (Sicario, Os Suspeitos) esbanja sensibilidade ao transitar por assuntos tão complexos com extrema plenitude. Com uma premissa instigante em mãos, o diretor canadense utiliza uma enigmática invasão alienígena como o estopim para a construção de um relato humano e pacifista, um longa com múltiplas camadas capaz de abranger temas proporcionalmente contrastantes sem nunca perder o foco. Indo além dos dilemas recorrentes da ficção-científica, incluindo o medo do desconhecido e o velho dualismo razão\emoção, Villeneuve é primoroso ao apontar a sua contextualizada mira para a frágil relação entre as grandes potências globais, escancarando o distanciamento e as perigosas diferenças ideológicas com inegável sagacidade. É quando se volta para a intimista jornada da sua magnífica protagonista, porém, que o longa alcança um patamar realmente extraordinário, principalmente por dialogar com delicadas questões universais sob um ponto de vista absolutamente único. Em suma, independente dos ligeiros percalços, A Chegada é um Sci-Fi raro, um longa surpreendente que consegue desafiar o cérebro do espectador sem esquecer de tocar o seu coração.

1º Gravidade (2013)


Um passo adiante para o cinema, Gravidade (leia a nossa opinião aqui) é uma obra completa, um grande trabalho cinematográfico que reúne tudo aquilo que o espectador busca em um filme. É uma mistura simples e ao mesmo tempo complexa, que sufoca o espectador ao longo dos seus 90 minutos. Uma experiência única, que de tão verossímil poderia até ser adotada pela NASA como um novo simulador para os seus astronautas. Me arrisco a dizer que será, daqui para frente, mais um daqueles eventos rotineiramente lembrados na história da Sétima Arte. Uma genuína obra-prima.

Menções Muito Honrosas

- A Ghost Story (2018)


Confesso que gostaria de escrever melhor para entregar um texto à altura desta pérola chamada Sombras da Vida (A Ghost Story, no original). Denso, melancólico e reflexivo, o longa dirigido por David Lowery é um daqueles títulos impossíveis de se traduzir em palavras. Um filme raro capaz de transitar por temas tão complexos com a leveza de um fantasma preso às suas memórias. Numa proposta imersiva e delicadamente imagética, o talentoso realizador norte-americano provoca uma mistura de sentimentos e emoções ao tecer um poético comentário sobre o luto, a efemeridade do tempo e a complexa experiência que é estar vivo. Sem medo de soar pretensioso, Lowery encanta ao investir numa silenciosa atmosfera contemplativa, encontrando na força das suas imagens e na poderosa performance de Casey Affleck a inquietação necessária para questionar a nossa imaturidade quanto ao fim, quanto a nossa finitude e quanto a difícil missão de dar adeus.

- Up: Altas Aventuras (2009)


Impulsionado pela memorável trilha sonora de Michael Giacchino, Up - Altas Aventuras já começa arrebentando o coração do espectador. Numa das sequências de abertura mais memoráveis da história do cinema, o diretor Pete Docter impressionou o público ao acompanhar o início, o meio e o fim da poderosa história de amor entre dois apaixonados sonhadores. Em cinco minutos, Docter construiu um romance mais sincero e profundo do que muitas películas que chegam aos cinemas. Não se engane, no entanto, com a aparência melancólica do longa. Up é uma fantástica aventura estrelada por um velhinho ranzinza obrigado a vender a sua casa e um escoteiro persistente disposto a fazer uma boa ação para conseguir a sua tão esperada medalha de honra ao mérito. Numa vertiginosa mistura de cores, Docter constrói uma trama simples recheada de sentimento, incrementada pelo humor ingênuo, pelos adoráveis personagens e pelas espetaculares sequências de ação. Isso para não falar da dublagem do saudoso Chico Anysio, um trabalho (me arrisco a dizer) melhor do que o apresentado no idioma original.

- Divertida Mente (2015)


Nos conduzindo por uma mágica e genial viagem pelo cérebro humano, Divertida Mente  é uma obra magistral, um trabalho que se orgulha em resgatar à identidade que consagrou a Pixar. Num período em que as mesmas fórmulas e personagens são requentadas em busca do necessário sucesso comercial, a empresa deixa a crise financeira de lado e volta aos trilhos com um trabalho comovente, inteligente, revigorante, ousado e acima de tudo original. Utilizando o fantástico mundo da animação para levantar preciosas questões inerentes à nossa existência, Pete Docter mais uma vez nos conduz por uma jornada repleta de situações divertidas e reflexivas, evidenciando que, tal qual a alegria e a tristeza, a inocência e a complexidade podem sim caminhar lado a lado.

- Questão de Tempo (2013)


Considerado um dos melhores filmes de 2013 pelo Cinemaniac, Questão de Tempo é um daqueles longas indispensáveis para os fãs do gênero. Dirigido por Richard Curtis, que traz no currículo trabalhos como Quatro Casamentos e um Funeral, Um Lugar Chamado Nothing Hill e O Diário de Bridget Jones, o longa nos apresenta uma inusitada e brilhante mistura de Sci-Fi com comédia-romântica. Na trama, acompanhamos a vida do tímido Tim (Domhnall Gleeson), um jovem desajeitado que sonha com a possibilidade de conseguir uma namorada. Incomodado com uma série de frustrações amorosas, Tim parecia distante do seu objetivo. Tudo muda, no entanto, quando o jovem descobre que ao completar 18 anos ganhará um dom especial: o de viajar no tempo. Ao invés de usar esse dom para ficar rico, ou para se tornar famoso, Tim passa a investir na busca pelo amor de sua vida. É ai que ele conhece a carismática Mary (Rachel McAdams) e passa a tentar conquistar a mulher de seus sonhos. Com uma narrativa tocante e sensível, Questão de Tempo conquista o espectador desde a primeira cena. Uma grande pedida para o Dia dos Namorados.

- Rush: No Limite da Emoção (2013)


Todos que acompanham a Fórmula 1, como esporte, sabem que a modalidade talvez seja uma das que mais mobilizam a paixão dos fãs mundo afora. Para se ter uma noção exata disso, na Itália, a escuderia Ferrari consegue até mais atenção do que a própria seleção nacional de futebol. Aqui no Brasil, mais um exemplo, a Fórmula 1 é presença marcante nas manhãs de domingo de todos os fãs, e a morte do grande Ayrton Senna representou um dos dias mais tristes da história recente do nosso país. Escrevo isso para destacar a principal característica de Rush - No Limite da Emoção: a forma passional como ele leva para as telonas a grande rivalidade entre o Inglês James Hunt e o austríaco Nikki Lauda. Conduzido com primor por Ron Howard, este afiado drama se revela um relato fiel, humano e tecnicamente primoroso, um longa à altura do enorme talento desses dois grandes pilotos.

- Dunkirk (2017)


Sem a pretensão de construir um complexo relato histórico sobre o episódio, Dunkirk se revela um filme de guerra à moda antiga, um relato íntegro, verossímil e incrivelmente sensorial sobre uma das manobras militares mais celebradas do conflito. No seu melhor trabalho desde Batman: O Cavaleiro das Trevas, Christopher Nolan encontra aqui a perfeita sincronia entre o virtuosismo técnico e a construção narrativa, reforçando o seu status ao revelar os bastidores desta operação sob um poderoso ponto de vista humano. Na verdade, além de ressaltar as diferenças entre heroísmo e patriotismo, o realizador britânico se preocupa em dar voz aos esquecidos, se sustentando em símbolos universais ao nos oferecer uma arrebatadora experiência cinematográfica. Uma obra em que o ato de sobreviver já é o bastante.

- Blade Runner 2049 (2017)


Denis Villeneuve conseguiu o que parecia impossível. Contrariando as compreensíveis expectativas mais pessimistas, afinal de contas a reflexiva película de Ridley Scott se tornou uma espécie de pilar da ficção-científica moderna, Blade Runner 2049 hipnotiza ao resgatar o espírito do cultuado filme original do primeiro ao último minuto. Assim como no clássico de 1982, o longa estrelado por Harrison Ford e Ryan Gosling, através de um argumento completamente acessível, levanta uma série de profundas questões filosóficas, propondo uma genial mudança no 'status quo' da trama ao refletir sobre o que é real num mundo virtualizado. Indo além do teor reverencial, Villeneuve consegue expandir a mitologia clássica sem esquecer de contextualiza-la junto às novas audiências, dialogando com conceitos já enraizados no nosso modo de vida urbano ao traçar um precioso panorama sobre a nossa relação com as novas tecnologias. Na verdade, mais do que uma simples "atualização", 2049 fascina ao subverter alguns dos paradigmas da versão original, se distanciando dos debates requentados ao se revelar uma continuação com pensamentos próprios, uma película que merece fazer parte do universo Blade Runner. O filme certo, na hora certa e feito da maneira certa, uma obra contemplativa, instigante e visualmente estonteante que faz jus ao legado deixado por Deckard, pelos replicantes e pela criação de Philip K. Dick
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- Gran Torino (2008)


Ao contrário de muitos, eu considero Gran Torino a grande despedida de Clint Eastwood do seu principal personagem: o pistoleiro sem nome. Embora o seu personagem ganhe um nome e um passado, o veterano realizador nos presenteou com uma releitura moderna e urbana do gênero que o consagrou, o tradicional western. Num drama denso e naturalmente tenso, Eastwood usa a sua reconhecida sensibilidade ao discorrer sobre o preconceito em solo norte-americano. Na pele de Walt, um veterano ranzinza e solitário que, numa surpresa do destino, passa a se afeiçoar pelos seus vizinhos asiáticos, o diretor causa empatia ao construir uma singela história de amizade, refletindo sobre a ignorância e a violência nos EUA sob uma perspectiva íntima e realística. Uma obra com a assinatura de um dos realizadores mais versáteis e multifacetados do cinema norte-americano.

- Homem de Ferro (2008)


O Abre Alas da Marvel Studios, Homem de Ferro conquistou a crítica e o público ao investir numa aventura irônica e repleta de personalidade. Responsável por ditar o tom que viria a guiar esta poderosa franquia, o longa dirigido por Jon Favreau (Chef) reuniu tudo aquilo que um filme de super-herói deveria ter. Com personagens carismáticos, espetaculares cenas de ação e um argumento impecável, a cereja do bolo caiu nas mãos do ator Robert Downey Jr. Numa performance magnífica, o ator deu a volta por cima em sua carreira ao absorver as nuances por trás do complexo Tony Stark. Além disso, Downey Jr. trouxe popularidade a este personagem do time B da Marvel, o transformando numa das peças chaves dentro do Universo Vingadores. Uma aposta de risco do estúdio que, ao contrariar todas as expectativas, começou a redefinir o gênero ao valorizar acima de tudo a diversão e o entretenimento. 

- Moana (2017)


Dois dos grandes responsáveis pelo renascimento da Disney no final da década de 1980, Ron Clements e John Musker escreveram o seu nome na história do estúdio com sucessos do quilate de A Pequena Sereia (1989), Aladdin (1992), Hércules (1997) e o subestimado A Princesa e o Sapo (2009). Reconhecidos pela exuberância estética e pela musicalidade das suas animações, a aclamada dupla de realizadores sempre procurou nos brindar com projetos únicos e vigorosos, obras marcadas pelo forte teor aventuresco, pelos carismáticos personagens e pelo seu edificante conteúdo. Como podemos perceber no extraordinário Moana: Um Mar de Aventuras, mais um exemplar memorável da sua respeitada filmografia. Através de uma narrativa familiar aparentemente requentada, Clements e Musker bebem da mais pura essência do estúdio ao construir uma película triunfante, uma fábula mágica e visualmente poderosa sobre a nossa predatória relação com a natureza. Sem nunca soar panfletária ou didática, a nova pérola da Disney esbanja sensibilidade ao propor não só esta urgente e simbólica reflexão ambiental, como também ao falar sobre o amadurecimento, o medo do desconhecido e os obstáculos em torno do empoderamento feminino. Temas variados que, abordados sob um prisma moderno e etnicamente plural, transformam a indomável Moana numa das mais relevantes protagonistas da história da companhia.

Outros filmes com avaliação máxima aqui no blog: A Grande Aposta (2016), O Artista (2011), Histórias Cruzadas (2011), A Hora Mais Escura (2012), Capitão Philips (2013). Star Wars: Rogue One (2016), Capitão América: Guerra Civil (2016).

Grato pelas visitas, pelos comentários e por aqueles que dedicaram alguns minutos do seu tempo aos textos aqui postados. 

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