terça-feira, 17 de setembro de 2013

Rush: No Limite da Emoção

Ron Howard constrói um retrato passional e saudosista sobre uma das mais incríveis rivalidades dentro do esporte


Todos que acompanham a Fórmula 1, como esporte, sabem que a modalidade talvez seja uma das que mais mobilizam a paixão dos fãs mundo afora. Pra se ter uma noção exata disso, na Itália, a escuderia Ferrari consegue até mais atenção do que a própria seleção nacional de futebol. Aqui no Brasil, mais um exemplo, a Fórmula 1 é presença marcante nas manhãs de domingo de todos os fãs, e a morte do grande Ayrton Senna representou um dos dias mais tristes da história recente do nosso país. Escrevo isso para destacar a principal característica de Rush - No Limite da Emoção: a forma passional como ele leva para as telonas a grande rivalidade entre o Inglês James Hunt e o austríaco Nikki Lauda. Um relato fiel e humano conduzido por Ron Howard, à altura do talento desses dois grandes pilotos.

E por mais incrível que pareça, a trama assinada por Peter Morgan soaria clichê se não fosse baseada em fascinantes fatos reais. Na verdade, além de reprodzir de forma impecável todos os duelos dentro das pistas, o roteiro ganha ainda mais peso ao conseguir imprimir uma abordagem pessoal sobre a vida da dupla. Principalmente, ao destacar a rivalidade entre Lauda e Hunt, e como ela motivava o desempenho deles. A trama, que se apoia muito bem no recurso do flashback, começa a contar a rivalidade dos dois ainda na fórmula GP2, no início da década de 1970. James Hunt (Chris Hemsworth) era considerado um dos mais promissores da modalidade. Talentoso e ousado dentro das pistas, Hunt também tinha fama de conquistador fora delas, e seu estilo já chamava a atenção. Após um período de tranquilidade na categoria de acesso à Fórmula 1, Hunt ganha um rival a sua altura com a chegada de Nikki Lauda (Daniel Brühl), um pragmático piloto austríaco que tinha um estilo completamente oposto. Enquanto o inglês era rebelde e arrojado, Lauda era frio e extremamente técnico. Todo esse calculismo, aliás, acabou fazendo Lauda agir nos bastidores, conseguindo chegar primeiro na Fórmula 1. James Hunt, no entanto, com a ajuda de seu financiador, logo alcança a categoria máxima da modalidade, iniciando assim uma das maiores e mais impressionantes disputas na história da competição. 


Se apoiando em uma certeira trama, que explora bem toda a personalidade dos dois e o respeito entre eles, o diretor Ron Howard consegue transformar o longa em um trabalho para todos os públicos. Digo mais, num dos melhores filmes que pude assistir em 2013. Tudo funciona muito bem, desde a condução do elenco à recriação da atmosfera setentista. Visualmente, aliás, o filme é impecável. Não só por essa recriação estética, com ótimos figurinos e uma fotografia colorida, mas também pelos efeitos visuais, que transformam as corridas em momentos de grande impacto para o espectador. Vale destacar também o processo de maquiagem do filme, que acabou sendo muito bem utilizado em Daniel Bruhl, na construção do piloto Nikki Lauda. 


Por falar no elenco, com a tradicional habilidade na escolha e condução, Ron Howard consegue tirar o máximo de seus comandados. Destaque lógico para a dupla Daniel Brühl e Chris Hemsworth, que mostram uma invejável química nas telas. Na verdade, apesar do empenho e da boa atuação de Hemsworth, Brühl toma o filme de assalto e logo conquista o espectador. Mesmo com a maquiagem, é incrível como o ator alemão se mantém expressivo ao assumir a identidade de Nikki Lauda. Todos os ótimos diálogos entre os dois ganham ainda mais peso com o desempenho do ator alemão, que repete aqui as grandes atuações de Adeus Lênin! e Bastardos Inglórios. Se esforçando pra acompanhar o talentoso Brühl, Chris Hemsworth finalmente tem a possibilidade de mostrar o seu talento em um longa dramático. O resultado também é acima da média, com Hemsworth conseguindo explorar habilmente a personalidade complexa de James Hunt, que vai bem além de um playboy das pistas. Somado aos dois, o elenco de apoio também chama a atenção, com destaque para a beleza radiante de Olivia Wilde (Tron: O Legado), para o sóbrio desempenho da romena Alexandra Maria Lara (A Queda) e para a competente atuação de Pierfrancesco Favino (Guerra Mundial Z), muito bem como o piloto da Ferrari Clay Regazzoni. 


Conduzido com cuidado e ousadia por Ron Howard, Rush: No Limite da Emoção é acima de tudo um relato sincero e emocionante sobre o respeito entre dois rivais. E esse mesmo respeito acaba se refletindo ao longo das duas horas de projeção, que reproduz com fidelidade e grande apelo cinematográfico a história dessas duas lendas do automobilismo mundial. Um filme necessário não só para os fãs da Fórmula 1, como também para o grande público, afinal de contas estamos diante de um dos mais impressionantes trabalhos apresentados em 2013.


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