sábado, 30 de maio de 2015

Terremoto - A Falha de San Andreas

Carisma de Dwayne Johnson e espetaculares efeitos digitais salvam o longa dos inúmeros clichês

Seguindo um caminho pavimentado por longas como Terremoto (1974), Armagedom (1998), O Dia depois de Amanhã (2004) e 2012 (2009), Terremoto - A Falha de San Andreas é mais um dos filmes catástrofes a colocar o drama familiar no epicentro de um avassalador desastre natural. Usando e abusando dos clichês do gênero, que pontuam desastradamente o problemático roteiro, o longa dirigido pelo inexperiente Brad Peyton (Viagem 2 - A Ilha Misteriosa) encontra a sua força não só nos espetaculares e sufocantes efeitos especiais, mas também na entrega do elenco, capitaneado pelo carismático Dwayne "The Rock" Johnson, pelo competente Paul Giamatti (Mandando Bala) e pela estonteante Alexandra Daddario (Percy Jackson). Em meio às altas doses de tensão impostas por tamanha destruição, no entanto, este divertido e descompromissado blockbuster acaba sofrendo diante da falta de ousadia narrativa, que peca - principalmente - ao substituir o altruísmo pelo sentimentalismo.

Trabalhando habilmente a atmosfera de tensão, que permeia ferozmente o argumento em meio ao show de resgates aéreos, terremotos, tsunamis e desabamentos, Brad Peyton é preciso ao construir o aspecto estético do seu longa. Contando com sensacionais efeitos visuais, dignos de uma projeção em 3-D e se possível em IMAX, o realizador canadense se esforça para encontrar nos efeitos digitais uma forma de amenizar os equívocos presentes no claudicante roteiro. Na trama, assinada por Carlton Cuse (Bates Motel), conhecemos Ray (Johnson), um respeitado bombeiro especializado em resgates aéreos. Ainda abalado por uma tragédia familiar, ele vê a sua situação piorar quando a sua ex-esposa (Carla Gugino) resolve exigir a assinatura dos papéis do divórcio e iniciar uma nova relação com um milionário engenheiro (Ioan Gruffudd). O seu único conforto residia no carinho pela filha, a determinada universitária Blake (Daddario). Durante a viagem da jovem para São Francisco, no entanto, um terremoto de grandes proporções atinge parte dos EUA, colocando em perigo todos os grandes amores de Ray. Disposto a salvar a vida das duas mulheres de sua vida, o piloto parte então numa jornada de vida ou morte, enfrentando uma série de desastres naturais para recuperar a sua família.

Caprichando nas grandiosas sequências de ação, Califórnia e São Francisco sofrem das mais diversas maneiras nas mãos de Brad Peyton, o longa deixa uma ótima impressão no competente primeiro ato. Desde a intensa sequência de abertura, quando Ray e sua equipe agem num vertiginoso resgate nas montanhas, o argumento é envolvente ao se dividir em três linhas narrativas distintas, acompanhando de perto não só a frustração do bombeiro diante do iminente divórcio, mas também a viagem de Blake junto do padrasto e o esforço do dedicado cientista Lawrence (Giamatti) para conseguir mapear possíveis abalos sísmicos. Sem perder muito tempo com papo furado, não demora muito para que o espetáculo visual ganhe forma com o primeiro terremoto, preparando o caminho para duas sequências absolutamente fantásticas. Na verdade, tanto a comovente sequência sobre a represa Hoover, quanto o resgate aéreo em pleno terremoto são dois dos pontos mais altos do longa, rendendo momentos genuinamente angustiantes. A partir daí, porém, o roteiro parece desmoronar cena após cena. Abrindo mão do espirito altruísta em torno da equipe de resgate, que some do filme com a mesma velocidade que surge, a trama opta por se concentrar nas questões micro, utilizando a devastação como um mero instrumento de diversão visual. Pra ser bem sincero, a impressão que fica é que alguns resgates a mais não fariam mal algum ao filme.


Mesmo não se esquecendo do lado humano por trás da tragédia, que ganha contornos respeitosos quando Peyton resolve mostrar com realismo o rastro de destruição deixado pelos terremotos, o argumento parece mais interessado em se prender aos requentados dramas familiares de Ray. Em meio a diálogos frágeis e aos muitos clichês, com destaque para a descartável figura do covarde antagonista vivido por Ioan Gruffudd (Quarteto Fantástico), A Falha de San Andreas só não desanda no segundo ato graças ao carisma dos protagonistas. Um dos principais astros do cinema de ação atual, vide o upgrade que ele trouxe a franquia Velozes e Furiosos, Dwayne "The Rock" Johnson parece bem a vontade no papel de pai herói, conseguindo dar alguma profundidade ao seu personagem. Demonstrando uma ótima química com a competente Carla Gugino (Sin City), os dois se esforçam para amenizar o sentimentalismo barato em torno da história, trazendo verdade aos momentos mais exageradamente dramáticos. Por outro lado, se na condução das cenas densas Peyton deixa claro a sua inexperiência, nas sequências mais aventureiras o seu trabalho é bem mais interessante. Principalmente no arco liderado pela bela Alexandra Daddario, que vai muito bem como a simpática e exuberante Blake. Numa personagem cheia de energia, a jovem atriz é responsável por liderar a passagem mais equilibrada da trama, fugindo dos terremotos pelas ruas de São Francisco ao lado de dois irmãos ingleses, o atrapalhado Ben (Hugo Johnstone-Burt) e o esperto Ollie (Art Parkinson). Uma relação repleta de dinamismo, que foge do lugar comum ao colocar Blake como uma mocinha nada indefesa. 



Visualmente espetacular, Terremoto: A Falha de San Andreas cumpre a sua missão como filme catástrofe, oferecendo uma entretenimento satisfatório e extremamente envolvente. Ainda que oscile ao longo das sufocantes 1 h e 50 min de projeção, o "destrutivo" longa até balança diante das já vencidas fórmulas do gênero e do exagerado sentimentalismo, mas se mantém de pé graças ao talentoso elenco, a presença de Dwayne Johnson e a impressionante devastação em massa possibilitada pela equipe de efeitos digitais. Uma pena que em meio à cenas tão eletrizantes, como a assustadora invasão de um tsunami na baia de São Francisco, o canadense Brad Payton se renda a típica patriotada norte-americana, promovendo uma sequência final forçada e quase constrangedora. Uma daquelas cenas feitas para o público americano ver e o resto do mundo torcer o nariz.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Velozes e Furiosos 7 chega a US$ 1,5 bi nas bilheterias (Atualizado)


Há mais de dois meses em cartaz, Velozes e Furiosos 7 segue impressionando nas bilheterias de todo o mundo. Apesar da concorrência direta com Vingadores - A Era de Ultron, o sétimo capítulo da saga estrelada pelo saudoso Paul Walker e por Vin Diesel chegou na última quinta-feira (28) a marca de US$ 1,5 bi nas bilheterias de todo o mundo. As informações são do site Box Office Mojo. Dirigido por James Wan (Sobrenatural, Jogos Mortais), o longa soma US$1.506,249,360, se mantendo como a quarta maior bilheteria de todos os tempos, logo atrás dos US$ 1,518 bi de Os Vingadores (2012). Vale lembrar que Avatar (2009) lidera o ranking de maior bilheterias com US$ 2,7 bi, seguido por Titanic (1997) com US$ 2,1 bi. Segunda maior arrecadação do ano nos EUA, com parciais US$ 348 milhões, a continuação teve verdadeiramente um resultado impressionante nos mercados internacionais. Maior bilheteria do mundo na China, com US$ 389 milhões, o longa se destacou também no Reino Unido, com US$ 59 milhões, no Brasil, com US$ 43 milhões, na Rússia, com US$ 34 milhões, na Austrália, também com US$ 34 milhões, e na França, com US$ 30 milhões. Confira aqui a nossa opinião sobre Velozes e Furiosos 7. 


Outro estrondoso sucesso de 2015, Vingadores - A Era de Ultron segue mostrando a sua força nas bilheterias internacionais. Ainda distante dos números conseguidos pelo original, a continuação novamente dirigida por Joss Whedon já soma US$ 1,3 bi nas bilheterias internacionais, sexto melhor resultado de todos os tempos. Líder absoluto na terra do Tio Sam, onde já faturou expressivos US$ 414 milhões, o penúltimo capítulo da fase 2 da Marvel vem tendo também um ótimo desempenho em terras estrangeiras. De acordo com o site Box Office Mojo, o longa vem se saindo muito bem em mercados como a China (US$ 210 milhões), Coréia do Sul (US$ 76 milhões), Reino Unido (US$ 67 milhões) e Rússia (US$ 31 milhões). No Brasil, segundo o site Filme B, o longa é a segunda maior bilheteria do ano com US$ 136 milhões. Por outro lado, o aclamado pela crítica Mad Max - Estrada da Fúria vem tendo um resultado aquém do esperado. Apesar da censura alta ser um agente realmente complicador, o longa só conseguiu ultrapassar a barreira dos US$ 100 milhões nas bilheterias norte-americanas nesta semana. Com um orçamento alto, cerca de US$ 150 milhões, a espetacular nova aventura dirigida por George Miller soma US$ 283 milhões nas bilheterias internacionais. Confira a nossa opinião sobre Vingadores - A Era de Ultron e Mad Max - Estrada da Fúria.

(Atualizado com números do dia 31\05)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Na expectativa para a estreia de Terremoto: A Falha de San Andreas, confira algumas das catástrofes naturais mais marcantes produzidas por Hollywood


E neste final de semana chega aos cinemas o aguardado Terremoto: A Falha de San Andrea, mais um grandioso filme catástrofe a brotar nos cinemas de todo o mundo. Estrelado pelo carismático Dwayne "The Rock" Johnsson, o longa irá acompanhar a jornada de um piloto de helicóptero para salvar a sua filha em meio a um terremoto de grandes proporções em Los Angeles. Hollwyood, aliás, se acostumou a fazer dos desastres naturais um belo pano de fundo para muitos dos seus longas, levando multidões aos cinemas ao mostrar o nosso querido planeta Terra padecendo perante tornados, maremotos, vulcões, terremotos, cometas e até a explosão do sol. Aproveitando a estreia de A Falha de San Andreas, confira neste especial do Cinemaniac alguns dos longas que mostram o apreço da indústria do cinema pelas catástrofes naturais.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Cinemaniac Indica (A Malvada)

Numa época em que filmes como O Artista (2011), Birdman (2014), Acima das Nuvens (2014) e O Último Ato (2015) se destacaram ao apresentar os bastidores da indústria do entretenimento, o clássico A Malvada (1950) é um daqueles preciosos trabalhos que merecem estar sob os holofotes. Contando com as espetaculares presenças de Bette Davis (A Rainha Tirana) e Anne Baxter (Os Dez Mandamentos), o drama vencedor de seis Oscar impressiona ao narrar o envolvente jogo de interesses entre uma grande dama do teatro e uma misteriosa e devotada fã. Mostrando os perigos em torno do egocentrismo e da ambição, o diretor Joseph L. Mankiewicz (Cleópatra) promove um relato cínico e extremamente atual sobre as questões morais envolvendo a incansável busca e manutenção do estrelato.

domingo, 24 de maio de 2015

Longa francês se sagra o grande vencedor do Festival de Cannes


Presidido pelos irmãos Ethan e Joel Coen (Onde os Fracos Não tem Vez), o juri do Festival de Cannes elegeu o longa francês Dheepan, do diretor Jacques Audiard (O Profeta), como o vencedor da Palma de Ouro em 2015. Num ano em que o evento abriu as portas para filmes mais populares, com destaque para os ovacionados 'Mad Max - Estrada da Fúria' e a nova animação da Pixar 'Divertida Mente', Dheepan arrancou elogios ao apresentar uma trama extremamente universal, que segundo a crítica internacional se equilibra habilmente entre a ação e o drama. Na trama, recheada de temáticas sociais, um soldado desertor do Sri Lanka (vivido pelo escritor Jesuthasan Antonythasan) deixa para trás um passado de mortes acumuladas. Para imigrar para a Europa, ele precisa levar uma jovem e uma criança com ele, fazendo-se passar por esposo e pai. Mas ao se mudar para a França, vai ter que pegar em armas de novo para proteger suas "agregadas". 


Além de Dheepan, a 68ª edição do Festival de Cannes deu ao longa húngaro 'Saul's Son', do diretor László Nemes, o Grande Prêmio com a láurea da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica. Narrando o sofrimento dos Sonderkommando, um grupo de judeus forçados a ser mão de obra para os nazistas em Auschwitz, o longa foi um dos trabalhos mais celebrados da mostra competitiva, atraindo as atenções ao lado de títulos como 'Mon Roi', da eleita Melhor Atriz Emmanuelle Bercot (Ela Vai), 'Carol,' da também Melhor Atriz Rooney Mara, 'Youth', do diretor Paolo Sorrentino (A Grande Beleza), e 'Mia Madre', do ator John Turturro (Amante à Domicílio). Já o prêmio do Juri ficou para o sci-fi existencial 'The Lobster', que causou grande burburinho por sua original premissa. Estrelado pelo trio Rachel Weisz (A Múmia), Colin Farrel (Por um Fio) e Léa Seydoux (Azul é a Cor mais Quente), o longa nos apresenta a um futuro que proíbe as pessoas de ficarem solteiras. Nesta realidade distópica, qualquer um é obrigado a encontrar um parceiro dentro de 45 dias. Caso não encontrem ninguém, eles são transformados em um animal de sua preferência e soltos no meio da Floresta. Que viagem! 


Já fora da competição, o novo longa do diretor Woody Allen teve uma recepção inicialmente morna. Estrelado pela dupla Joaquin Phoenix e Emma Stone, 'O Homem Irracional' não chamou tanto a atenção da crítica, que pareceu dividida quanto a qualidade da película. As vaias, no entanto, marcaram realmente presença em "The Sea of Trees", novo longa do ator Matthew McConaughey. Após brilhar em títulos como 'Amor Bandido' e 'Clube de Compras Dallas', o vencedor do Oscar em 2014 não conseguiu salvar o drama do diretor Gus Van Sant, que foi vaiado impiedosamente durante a sessão de estreia. Por outro lado, longas como 'Sicario' parecem ter agradado ao público e a crítica. Dirigido por Dennis Villenauve, do ótimo 'Suspeitos', o thriller de espionagem estrelado por Emily Blunt (foto acima), Benicio Del Toro e Josh Brolin arrancou aplausos da imprensa ao acompanhar uma missão da CIA contra o grande líder de um cartel de drogas mexicano. Assim como 'Sicario', títulos como o documentário 'Amy', sobre a cantora Amy Winehouse, e 'Macbeth', versão do clássico "Shakesperiano" estrelada por Marion Cotillard e Michael Fassbender, também foram bem recebidos durante o cultuado festival francês. Confira abaixo a lista com os principais vencedores da 68º edição do Festival de Cannes. 

PRÊMIOS PRINCIPAIS

Palma de Ouro

Dheepan, de Jacques Audiard (França)

Grande Prêmio do Júri

Son of Saul (O filho de Saul), de László Nemes

Melhor diretor

Hou Hsiao Hsien, por "The Assassin" (A assassina) (Taiwan)

Prêmio do Júri

The Lobster, de Yorgos Lanthimos

Melhor atriz (Empate)
Rooney Mara, por Carol (EUA)
Emmanuelle Bercot, por Mon Roi (Meu rei) (França)

Melhor ator

Vincent Lindon, por La Loi du Marché (A lei do mercado) (França)

Melhor roteiro

Michel Franco, por Chronic (México)

Caméra d´Or (melhor longa de diretor estreante)

La Tierra y la Sombra, de Cesar Augusto Acevedo (Colômbia, Brasil, Chile, França, Holanda)

Palma de Ouro - curta-metragem

Waves ´98, de Ely Dagher (Líbano, Qatar)

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Conheça Shaun - O Carneiro, a mais nova animação do criativo estúdio Aardman


Foi divulgado agora a pouco o mais novo trailer de Shaun - O Carneiro, a nova aposta da Aardman Animation. Reconhecido por seus particulares trabalhos em stop motion, como os elogiados 'Piratas Pirados' e 'Wallace e Gromit', a nova produção do estúdio de animação irá adaptar a sua popular série de TV britânica, que é exibida no Brasil pela TV Cultura. Dirigido por Richard Starzak e Mark Burton, o longa irá narrar as trapalhadas de Shaun, que após um dia de folga terá que ir a cidade grande para trazer o seu dono de volta ao campo.  Shaun, O Carneiro estreia no Brasil no dia 3 de setembro. Confira abaixo a divertida nova prévia.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

James Brown

Vibrante cinebiografia opta por destacar o lado mais icônico do "Padrinho do Soul"

Produzido por Mick Jager, líder da banda Rolling Stones, James Brown se mostra um retrato repleto de energia sobre uma das mais lendárias figuras da música soul. Dirigido pelo competente Tate Taylor, que ganhou destaque através do drama inter-racial Historias Cruzadas, a cinebiografia é honesta e pouco condescendente ao reproduzir o lado mais arrogante, autoritário e complexo da personalidade do "padrinho do soul". Contando com a vigorosa atuação de Chadwick Boseman, que impressiona com um desempenho magnético, o longa opta por focar no processo de construção desta icônica figuras pop, deixando a vida pessoal do cantor e as suas relações políticas\sociais em segundo plano.


Colocando o tradicional ritmo do Funk como o grande elo da trama, sempre guiando a vida do músico nos piores e melhores momentos, o roteiro assinado por Jez Butterworth e Steven Baigelman demonstra grande leveza ao conduzir o processo de formação da centralizadora e auto confiante personalidade de JB. Narrado de forma não linear, com direito a saltos temporais muito bem aplicados pela equipe de montagem, a história viaja organicamente pelas contrastantes fases da vida do ícone pop. Evitando se prender ao melodrama, o roteiro é preciso ao mostrar como a miserável criação de Brown foi responsável pela construção desta elaborada personalidade. Na verdade, as adversidades de sua juventude são mostradas como um aprendizado, uma espécie de etapa bem sucedida para um bem maior. Utilizando a própria figura de James Brown como um interlocutor, o argumento demonstra criatividade ao colocar o músico em contato direto com os espectadores. Por diversas vezes, ele interage de forma bem performática com a câmera, com direito a piscadas, sorrisos e mensagens de auto ajuda, explicando como o abandono de seus pais (os intensos Lennie James e Viola Davis) o tornou uma figura mais forte, mais decidida, mas não menos solitária.


O mais legal, no entanto, é que enquanto destaca esta postura quase egocêntrica, capaz de ameaçar por motivos banais, o diretor Tate Taylor demonstra sensibilidade ao descortinar as fragilidades de James Brown. Contando com a expressiva interpretação de Chadwick Boseman, elétrico não só na fiel reprodução das mais emblemáticas apresentações do cantor, como também na recriação deste instável temperamento, o argumento foge do lugar comum ao ressaltar a complicada ligação entre Brown e os parceiros de banda. Com destaque para a tocante relação com o braço direito Bobby Byrd, que ganha um status ainda maior devido a contida atuação de Nelson Ellis (Histórias Cruzadas). Único a acreditar no talento de Brown, e tolerar as suas crises de estrelismo e arrogância, o pianista dá um grande peso a trama ao ser mostrado como mais do que um simples parceiro da música. Explorando as nuances desta amizade ao longo de quase cinco décadas, incluindo a dependência que um tinha do outro, essa relação diminui, até mesmo, a má impressão deixada pela falta de profundidade envolvendo o processo de decadência do músico. Um grande pecado, diga-se de passagem, já que o estupendo trabalho de maquiagem impressiona - especialmente - na caracterização desta fase mais envelhecida do cantor.


Essa, no entanto, parece ser a verdadeira intenção de Tate Taylor em James Brown. Ao se concentrar no lado mais icônico do "rei da música soul", a envolvente cinebiografia opta por exaltar a figura lendária, o mito por trás do homem, destacando a genialidade e o tamanho do legado deixado pelo cantor. Em meio a admirável direção de arte, que reproduz de forma impecável os shows, figurinos e os contrastes da vida do cantor, aos consistentes coadjuvantes, com destaque para os desempenhos de Viola Davis, Dan Akroyd e Craig Robinson, e as incríveis performances musicais, o longa se diferencia ao mostrar de forma contundente o lado mais humano e imperfeito da icônica personalidade de JB.

terça-feira, 19 de maio de 2015

De 'Mad Max' à 'Happy Feet', conheça a versátil trajetória do diretor George Miller


Responsável por um dos mais espetaculares lançamentos deste ano, o insano, engajado e explosivo Estrada da Fúria (confira a nossa opinião aqui), George Miller é um daqueles realizadores difíceis de definir. Idealizador da agora quadrilogia Mad Max, o experiente diretor, produtor e roteirista australiano ficou reconhecido não só por apresentar para o mundo o astro Mel Gibson (Coração Valente), como também por fazer desta franquia um exemplo a ser seguido junto aos filmes pós-apocalípticos. O que muitos não sabem, no entanto, é que apesar de ter se destacado dentro do cinema de ação, Miller nunca gostou de se manter no que chamamos de "zona de conforto". Ao longo de uma carreira seleta e bem sucedida, o profissional evitou se prender a rótulos, demonstrando versatilidade ao dialogar com todos os públicos. Prova disso é que a mesma mente por trás da violenta jornada de redenção do anti-herói Max Rockatansky foi capaz de conquistar prêmios com os inocentes 'Babe - O Porquinho Atrapalhado' e 'Happy Feet - O Pinguim'. Conheça então um pouco mais sobre a trajetória de George Miller, que, hoje aos setenta anos, conseguiu impressionar a crítica especializada pelo seu vigor ao conduzir um extraordinário e indiscutivelmente ousado filme de ação.

Adam Sandler vs Pac-Man no novo trailer de Pixels


Foi divulgado agora a pouco o novo trailer de Pixel, longa estrelado por Adam Sandler, Michelle Monaghan e Peter Dinklage. Inspirado no curta homônimo dirigido por Patrick Jean, o longa narrará a história de três experts (Sandler, Dinklage e Josh Gad) em videogames recrutados pelo governo recruta para combater a ameaça dos jogos que ganham vida. Trazendo no elenco nomes como Kevin James e Brian Cox, Pixels terá direção do ótimo Chris Columbus (Harry Potter e a Pedra Filosofal e Esqueceram de Mim. Confira abaixo a divertida nova prévia, com astros dos games da década de 1980 invadindo o mundo real ao som de "We will Rock You", do Quenn. Pixels chega aos cinemas brasileiros no dia 30 de julho.

sábado, 16 de maio de 2015

Agora líder nos EUA, Vingadores - A Era de Ultron ultrapassa a barreira de US$ 1 bilhão nas bilheterias internacionais (Atualizado)


A Era de Ultron se tornou o terceiro longa da Marvel a ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão nas bilheterias internacionais. Repetindo os sucessos de Os Vingadores, que conseguiu US$ 1,5 bi, e de Homem de Ferro 3, que faturou US$ 1,2 bi, a nova aventura dirigida por Joss Whedon soma - no momento - US$ 1,14 bi ao redor do mundo. Os números são do site Box Office Mojo. Empurrado pelo bom desempenho inicial neste final de semana, só na sexta-feira o filme faturou cerca de US$ 10 milhões nos EUA, A Era de Ultron se tornou também a maior bilheteria do ano em solo norte-americano. Com US$ 372 milhões parciais na terra do Tio Sam, o penúltimo capítulo da fase 2 da Marvel não só superou os US$ 343 milhões conseguidos por Velozes e Furiosos 7, mas também se tornou o oitavo titulo da Disney a alcançar esta marca.


Ainda inédito em países como o Japão, a nova jornada de Tony Stark e a sua turma de vingadores também vem impressionando no cenário internacional, somando US$ 770 milhões parciais no restante do mundo. Entre os mercados de maior destaque, chama a atenção o desempenho do filme em países como a Coreia do Sul (US$ 72 milhões), o Reino Unido (US$ 61 milhões), a Rússia (US$ 31 milhões) e a França (US$ 28 milhões). No Brasil, segundo o site Filme B, o longa faturou mais R$ 127 milhões até o dia 17 de maio, se mantendo assim como a segunda maior bilheteria do ano no país. Neste momento, o ranking brasileiro é liderado por Velozes e Furiosos 7, com R$ 138 milhões de reais. Confira as nossas opiniões sobre Vingadores - A Era de Ultron e Velozes e Furiosos 7

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Mad Max - Estrada da Fúria

Imprevisível em todos os sentidos

O hiato de trinta anos valeu a pena. Após exatas três décadas, o setentão diretor George Miller volta a saga que o consagrou no empolgante Mad Max: Estrada da Fúria. Num trabalho repleto de vigor, capaz de fazer inveja a qualquer grande nome do cinema de ação atual, o experiente realizador australiano traz contornos imprevisíveis ao mais novo capitulo da série, mostrando absoluta perícia ao construir uma sequência frenética, insana e brilhantemente explosiva. Se mantendo fiel a trilogia original, Miller, no entanto, não se contenta somente com as sufocantes perseguições concebidas no melhor estilo 'old school', demonstrando rara ousadia ao não só propor interessantes reflexões através deste bizarro cenário, mas também ao alterar de maneira corajosa o 'status quo' desta franquia. E em meio ao (justo) frenesi em torno de sucessos como Vingadores: A Era de Ultron e Velozes e Furiosos 7, Max, Furiosa e sua turma transformam um aparentemente descartável remake num espetáculo de pura intensidade visual e narrativa.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Cinemaniac Indica (A Busca)


Uma família prestes a ruir. Um casamento destruído. Um filho solitário. Tirando um belo proveito deste cenário extremamente recorrente, A Busca promove uma tocante reflexão ao narrar a jornada de um pai à procura do seu filho. Contando com a espetacular performance de Wagner Moura, brilhante ao passear pelas nuances do seu personagem, o longa dirigido por Luciano Moura foge do lugar comum ao dar contornos simbólicos e visualmente irrepreensíveis a um road-movie pelo interior do Brasil. Uma visão original e envolvente sobre um tema muitas vezes explorando dentro da sétima arte: a capacidade do ser humano em se redescobrir.

domingo, 10 de maio de 2015

Vingadores - A Era de Ultron cruza a barreira dos US$ 800 milhões nas bilheterias internacionais (Atualizado)


Mesmo sem repetir o espetacular desempenho inicial de Os Vingadores (2012), A Era de Ultron liderou pelo segundo fim de semana consecutivo as bilheterias nos EUA. Empurrado pelos US$ 77 milhões de dólares conseguidos nos últimos três dias, o longa dirigido por Joss Whedon chegou a marca dos US$ 313 milhões na terra do 'Tio Sam'. Os números são do site Box Office Mojo. Apesar deste bom resultado, no entanto, esta nova aventura vem tendo um desempenho aquém do original, já que nesse mesmo período em 2012 o primeiro filme já havia conseguido cerca de US$ 373 milhões. Por outro lado, ainda inédito em mercados fortes como a China e o Japão, o penúltimo capítulo da fase 2 da Marvel precisou de 18 dias para somar US$ 562 milhões nas bilheterias internacionais. Se destacando em países como a Coréia do Sul, o Reino Unido, a Rússia e a França, o longa - até o momento - faturou US$ 875 milhões mundialmente. (Atualizado 13\05: Embalado pelo ótimo desempenho nos mercados internacionais, Vingadores 2 já alcançou a marca dos US$ 932 milhões em todo mundo.) No Brasil, segundo o site Filme B, A Era de Ultron já é a segunda maior bilheteria do ano com a marca parcial de R$ 110 milhões até o dia 10 de maio. Confira a nossa opinião sobre Vingadores - A Era de Ultron

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O Franco-Atirador

Talentos desperdiçados

Procurando repetir as fórmulas que o consagraram com o envolvente Busca Implacável (2008), o competente diretor Pierre Morel atesta em O Franco-Atirador que um raio dificilmente cai duas vezes num mesmo lugar. Voltando a atividade após um hiato de quase quatro anos, tempo em que se dedicou a produção e direção na TV, o realizador francês se esforça para fazer com o astro Sean Penn (Milk) o exitoso caminho que já havia trilhado com Liam Neeson, introduzindo um experiente ator dramático no vigoroso universo do cinema de ação. Enquanto Neeson aproveitou como poucos a (ótima) chance que teve, se tornando um dos principais nomes do gênero na atualidade, Penn parece não ter tido a mesma sorte e vê o seu bom desempenho ficar comprometido neste problemático thriller. Por mais que Morel mostre mais uma vez categoria ao construir intensas cenas de ação, dando ao ator americano a chance de surpreender com uma impecável entrega física, o oscilante argumento realmente não funciona como deveria, pecando ao abrir mão de uma interessante premissa para se concentrar numa condescendente jornada de redenção em meio a um insosso triângulo amoroso.


Se distanciando da simplicidade de 'Busca Implacável', que conquistou o público ao narrar a desesperada busca de um pai pelo paradeiro de sua filha sequestrada, Pierre Morel trabalha aqui com uma trama aparentemente mais elaborada. Inspirado no romance policial "The Prone Gunman", do escritor Jean-Patrick Manchette, o roteiro assinado por Don MacPherson, Pete Travis e Sean Penn tenta criar um promissor clima de conspiração envolvendo as grandes corporações, e a influência voraz das mineradoras na violenta realidade do Congo. Na trama, após se envolver num assassinato de um governante local, o mercenário Terrier (Sean Penn) é obrigado a deixar o país às pressas sem se despedir de sua namorada, a médica humanitária Annie (Jasmine Trinca). Contando com o duvidoso apoio de Felix (Javier Badem), um dos seus superiores em solo africano, o atirador viaja à Inglaterra acreditando que ele poderia dar total apoio a sua mulher. Oito anos se passam e Terrier volta ao Congo com a intenção de se redimir. Sem qualquer tipo de contato com Annie, ele se torna uma espécie de supervisor de obras, gerenciando uma escavação que poderia levar água para as regiões mais secas. Ainda abalado pelas trágicas consequências do seu crime, Terrier entra novamente em contato com o seu nefasto passado quando um grupo rebelde tenta assassina-lo. Acreditando que esta seria um morte encomendada, ele parte para a Europa para encontrar o verdadeiro mandante, entrando assim num feroz jogo de gato e rato envolvendo um traidor e a empresa para qual prestava os seus "serviços".


Ainda que as primeiras cenas deixem uma impressão realmente positiva, acompanhando os dilemas de Terrier neste cenário marcado pela violência e pelo conflito civil, pouco a pouco o roteiro abre mão deste contexto sócio-político para se concentrar numa requentada e convencional jornada de redenção. Por mais que Sean Penn se esforce para dar alguma intensidade ao seu personagem, o argumento não parece muito disposto em explorar os seus traumas, pecando pela forma superficial com que destaca os reflexos do assassinato na vida do atirador. Em meio a soluções completamente ilógicas, vai entender porque em oito anos ele não deu sequer um telefonema para o seu grande amor, um dos primeiros pecados do longa fica pela falta de empatia do protagonista. Na verdade, mesmo sabendo que Terrier não tinha a exata noção do seu alvo na fatídica missão, fica difícil se identificar com um mercenário enviado para a África para treinar os sanguinários rebeldes e matar em nome das grandes mineradoras. Pra piorar, na tentativa de humaniza-lo, a trama se escora em clichês absolutamente baratos, apostando numa misteriosa doença que - sem querer revelar muito - acaba sendo utilizada de maneira extremamente conveniente dentro da trama. Nenhum destes problemas, no entanto, incomoda tanto quanto a subserviência da protagonista vivida por Jasmine Trinca. Dando vida ao tipo "donzela indefesa", a atriz não tem lá grande função na trama, rendendo alguns momentos difíceis de digerir. O diálogo em que a sua personagem explica o que a levou a se casar com Felix, por exemplo, chega a ser constrangedor. Para uma humanitária, aliás, Annie aceita surpreendentemente bem a "profissão" do seu amor.


Por falar nela, apesar do aparente senso de urgência envolvendo a busca pelo mandante desta "queima de arquivo", o argumento abre generosas brechas para explorar o forçado triângulo amoroso entre Terrier, Annie e Felix. Ainda que esta relação culmine num dos melhores momentos do longa, a impressão que fica é que o trio não funciona, quebrando em muitos momentos o ritmo da história. Menos mal que a atuação de Javier Badem é um dos pontos altos da película, principalmente pela forma como o ator consegue capturar a aura ambígua deste personagem. Por outro lado, apesar dos altos e baixos da trama, Pierre Morel mostra categoria ao conceber as impactantes cenas de ação, realizando um longa tecnicamente bem resolvido. Tirando um belo proveito da entrega física de Penn, que oscila habilmente entre o fragilizado e o letal, as sequências são ágeis, brutais e muito bem filmadas, evidenciando a competência do realizador francês no gênero. Méritos que, diga-se de passagem, precisam ser divididos com a bela fotografia do espanhol Flavio Martínez Labiano (Desconhecido), que capricha nas cores ao acompanhar as viagens de Terrier pela Europa. Tendo em mãos um problemático roteiro, Morel faz o possível para tirar o máximo de seus atores, o que se torna evidente no tenso clímax. Ainda assim, mesmo com este nítido esforço, ele não consegue impedir que nomes como os de Idris Elba e Ray Winstone sejam subaproveitados pela trama.


Falhando na tentativa de criar um novo anti-herói, que aqui ganha contornos excessivamente indulgentes e um senso de justiça questionável, O Franco-Atirador peca pela completa falta de ousadia. Abrindo mão das engajadas discussões politicas e da dramaticidade sugerida nas primeiras cenas, o longa prefere seguir por um lugar comum, se mantendo fiel aos mais incoerentes clichês do gênero. Mesmo não sendo uma perda de tempo, já que as boas cenas de ação e o competente time de atores funcionam a contento, a impressão que fica com o subir dos créditos é que o talento de nomes como os de Sean Penn, Idris Elba, Javier Badem e do próprio Pierre Morel acabam desperdiçados num thriller de ação previsível, desequilibrado e, acima de tudo, sem alma.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Meryl Streep vive rockstar no trailer de 'Ricki and the Flash'


Foi divulgado agora a pouco o trailer de 'Ricki and the Flash', longa que trará Meryl Streep como uma estrela do rock. No drama, roteirizado por Diablo Cody (Juno), Streep será uma mulher que abandonou sua família na juventude para alcançar a fama no mundo artístico, como uma roqueira. Décadas depois de conquistar seus sonhos, ela se cansa da fama, e do desregrado estilo de vida, e decide se aproximar dos filhos. Contracenando com a filha Mammie Gummer (Terapia de Risco), que no longa irá viver uma das filhas da cantora de rock, Streep teve que aprender a tocar guitarra e terá números musicais no longa. Essa, porém, não será a primeira vez que a atriz irá soltar a sua voz em um filme, fato que já aconteceu no interessante A Última Noite (2006) e no musical Mamma Mia! (2008). Recentemente, aliás, Al Pacino também se arriscou no universo do rock, ao viver um astro decadente em Não Olhe para Trás (confira a nossa crítica aqui). Trazendo no elenco nomes como os de Kevin Kline (Será que ele é?), Sebastian Stan (Capitão América - O Soldado Invernal) e Charlotte Rae (da série Arnold), 'Ricki and the Flash' terá direção do ótimo Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes). Confira abaixo o trailer deste drama musical, que chega aos cinemas brasileiros no dia 10 de setembro.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Noite sem Fim

Nem os clichês atrapalham este intenso thriller de ação


Trazendo no currículo os elogiados 'A Órfã' (2009), 'Desconhecido' (2011) e 'Sem Escalas' (2015), Jaume Collet-Serra comprova a sua competência no envolvente Noite sem Fim. Novamente impecável ao potencializar a tensão em torno de um eficiente argumento, o realizador mostra pleno domínio criativo ao conceber uma atmosfera naturalmente sufocante, trazendo contornos particulares a uma aparentemente previsível jornada de redenção. Tendo em mãos um elenco extremamente afiado, liderado outra vez pelo sessentão Liam Neeson (Busca Implacável), o diretor espanhol é absolutamente maduro ao lidar com os recorrentes clichês do gênero, construindo assim um thriller de ação vigoroso, denso e surpreendentemente sentimental. Mesmo se rendendo a algumas forçadas de barra, daquelas que só os mais rigorosos vão se incomodar, o longa encontra nas caprichadas sequências de ação, nos humanos personagens, e no latente clima de suspense um bem resolvido caminho para narrar a impactante rixa entre duas famílias unidas pelo crime.

Utilizando a véspera de Natal como um perspicaz pano de fundo, justamente uma data símbolo dos encontros familiares, o roteiro assinado por Brad Ingelsby é habilidoso ao colocar em cheque as relações afetivas entre pais e filhos. Trazendo estas diferenças para um cenário mais violento, o submundo do crime organizado em Nova Iorque, o longa conta a história de Jimmy Conlon (Liam Neeson), um assassino profissional que dedicou a sua vida aos "serviços" do mafioso local Shawn Maguire (Ed Harris). Apesar da nítida lealdade entre os dois, que cresceram e fizeram as suas carreiras juntos, Jimmy e Shawn enfrentaram de maneira diferente os reflexos desta incursão ao universo da ilegalidade. Enquanto o líder prosperou, construindo uma família estável e se esforçando para limpar o seu nome, o atirador abriu mão de tudo o que sempre amou, incluindo o seu único filho Mike (Joel Kinaman). Completamente diferente do beberrão e solitário pai, o motorista de luxo nunca quis se envolver com a bandidagem, encontrando um rumo ao lado da esposa (Genesis Rodriguez) e de suas duas filhas. As coisas, no entanto, saem do controle quando ele leva dois traficantes à casa de Danny (Boyd Holbrook), único filho de Shawn. Disposto a se ver livre de uma dívida, Danny mata os dois homens e passa a perseguir Mike, que vira a única testemunha do crime. Acuado com a situação, o motorista é salvo por Jimmy, que se vê obrigado a matar o filho do seu único amigo. Irado e com desejo de vingança, Shawn coloca toda a cidade no rastro dos dois, fazendo com que pai e filho coloquem as diferenças de lado e se unam para evitar o extermínio da família Conlon.


Por mais que o estopim da história se dê através de coincidências exageradamente convenientes, o argumento procura fugir do lugar comum ao se aprofundar nas nuances de cada um dos protagonistas. Embalado pela aura sombria da película, potencializada pela expressiva fotografia noturna de Martin Ruhe (Um Homem Misterioso), o roteiro abre espaço para o desenvolvimento dos humanos personagens, mostrando que esta espiral de vingança e violência é liderada por homens vulneráveis, repletos de medos e aflições, que precisam esquecer o passado para defender as suas respectivas famílias. Em meio às intensas sequências de ação propostas por Collet-Serra, a trama não parece ter pressa para explorar os dilemas entre Mike e Jimmy, apresentando de maneira natural e gradativa os motivos que acabaram os separando. Se esquivando das reviravoltas mirabolantes, a dinâmica relação entre pais e filho traz um interessante peso ao longa, se tornando um precioso complemento para as fulminantes trocas de tiros e as imprevisíveis perseguições. Chama a atenção, aliás, a forma como o diretor espanhol alimenta o senso de urgência a cerca das desventuras dos Conlon's, mantendo o clima de apreensão em alta ao apostar em criativas transições de cena, onde a câmera parece flutuar aceleradamente de um local ao outro, e na inegável sensação de perigo iminente, que acaba incrementada pela fluidez com que os fatos se desenrolam ao longo de uma única noite. Méritos que, diga-se de passagem, precisam ser divididos com o primorosos efeitos sonoros, em muitos momentos os tiros chegam a assustar, e com a fantástica trilha sonora de Junkie XL (300 - A Ascensão do Império), que pontua inspiradamente tanto as sequências frenéticas, como também as mais intimas.


É na capacidade do elenco, porém, que Noite sem Fim acaba se diferenciando dos demais. Considerado a principal estrela do cinema de ação atual, Liam Neeson mais uma vez impressiona ao criar um complexo 'bad-ass', capturando com destreza os problemas de Jimmy. Dando vida a um tipo inicialmente bêbado, com direito a uma hilária representação como Papai Noel, Neeson novamente é certeiro ao dar naturalidade ao seu personagem, tornando evidente que por trás da letalidade dele existe um homem devastado e fragilizado. Assim como o astro de Busca Implacável, Joel Kinnaman (Robocop) tem um desempenho igualmente satisfatório. Uma das principais caras novas do cinema europeu, o ator mostra o seu talento ao dar contornos únicos a um personagem nitidamente convencional. Apesar do seu Mike não possuir tantas camadas, a dinâmica do sueco com Neeson é um dos pontos altos da história, culminando com uma jornada de reaproximação orgânica e livre dos sentimentalismos baratos. A grande performance deste thriller, no entanto, fica pelo sempre competente Ed Harris (O Show de Thruman). Interpretando um intrincado antagonista, Harris ganha o personagem mais interessante da trama, criando uma respeitosa relação de contrastes com o Jimmy de Neeson. Responsável pelas reações mais intempestivas, a dinâmica entre os dois é o maior trunfo deste filme, rendendo cenas ora singelas, ora explosivas. Com destaque para a rara sutileza envolvendo a última cena entre os dois.


Contando ainda com as competentes atuações de Vincent D'Onofrio (O Juiz), certeiro como o policial ávido por justiça, e do rapper Common (Selma), que dá vida a um eficiente assassino profissional, Noite sem Fim repete o efeito Sem Escalas e já é uma das gratas surpresas de 2015. Apesar das pequenas falhas do roteiro, a maioria delas referentes as soluções forçadas e aos exageros típicos do gênero, Jaume Collet-Serra mostra novamente o seu talento ao conduzir o clima de tensão do início ao fim, mantendo o espectador angustiado com a inusitada e violenta noite de Natal da família Conlon. Sem renegar as principais fórmulas do cinema de ação, o diretor espanhol se esquiva das previsibilidades ao trabalhar com alguns elementos particulares, adicionando a esta requentada premissa não só vistosas sequências de ação, mas também bem aplicadas doses de suspense e drama.

Drama apocalíptico estrelado por Schwarzenegger ganha data de estreia no Brasil


O drama zumbi 'Maggie - A Transformação' chegará aos cinemas brasileiros no próximo dia 9 de julho. Estrelado por Arnold Schwarzenegger (O Exterminador do Futuro) e Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine), o longa pós-apocalíptico narrará a história de um pai que terá de conviver com a contaminação da filha, mordida por um zumbi. Mesmo sabendo da condição da jovem, que terá somente mais seis meses de vida, ele decide continuar ao seu lado enquanto ela deve se acostumar à sua nova personalidade monstruosa. Oriundo da Black List, uma lista com os melhores roteiros não produzidos, o longa escrito por John Scott 3 terá direção do britânico Henry Hobson (Professora sem Classe). Confira abaixo o trailer legendado.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Cinemaniac Indica (Refém da Paixão)


Uma mulher depressiva, um filho solitário, um fugitivo misterioso. Em torno deste trio de personagens nasce Refém da Paixão, um romance com toques de suspense que envolve pela forma sutil e inocente com que constrói esta improvável história de amor. Narrado sob o ponto de vista de um afetuoso jovem, o diretor Jason Reitman (Juno) deixa as suas tramas 'indie' de lado e mostra maturidade ao desenvolver uma trama recheada de questões mais profundas. Demonstrando habilidade ao manter o clima de mistério em torno desta relação, com direito a reviravoltas bem construídas e personagens multidimensionais, o longa encontra nas naturais atuações de Josh Brolin, de Kate Winslet e do jovem Gattlin Griffith a força necessária para trazer veracidade a uma trama naturalmente reflexiva e sentimental.

domingo, 3 de maio de 2015

A Era de Ultron tem a segunda maior abertura da história nos EUA (Atualizado)


Mesmo sem ultrapassar a marca dos US$ 200 milhões no seu primeiro fim de semana, Vingadores: A Era de Ultron mostrou a força da parceria entre a Marvel e a Disney e se tornou a segunda maior estreia na história dos EUA. Em apenas um fim de semana, o longa dirigido por Joss Whedon faturou US$ 187 milhões, sendo US$ 84 milhões somente na sexta-feira. Os números são do site Box Office Mojo. Apesar deste grande resultado, A Era de Ultron não conseguiu bater a abertura de Vingadores (2012), que no mesmo período faturou US$ 207 milhões. Este grande desempenho inicial no mercado doméstico, aliás, já vem se repetindo no exterior. Com a estreia antecipada em alguns grandes mercados, como o Brasil, a Coréia do Sul, a Russia e o Reino Unido, o longa já conseguiu US$ 439 milhões nas bilheterias internacionais, somando US$ 626 milhões em todo mundo. Os números, no entanto, são parciais, e a expectativa agora fica pela velocidade com que Vingadores: A Era de Ultron vai cruzar a barreira de US$ 1 bilhão. Vale lembrar que em território brasileiro o longa também conseguiu um resultado expressivo, se tornando a segunda maior abertura da nossa história com R$ 37 milhões. (Atualizado) Até o momento, em territórios nacional, o longa já faturou US$ 89 milhões. Confira aqui a nossa opinião sobre A Era de Ultron. 

Velozes e Furiosos 7 já é a quarta maior bilheteria da história



Ainda que em menor proporção, principalmente pela estreia de Vingadores 2, Velozes e Furiosos 7 seguiu faturando ao longo da última semana. Último trabalho do saudoso ator Paul Walker, que faleceu durante as filmagens em 2013, o longa se tornou a quarta maior bilheteria da história* deixando para trás o super sucesso Harry Potter e as Relíquias da Morte (parte 2). Com um grande desempenho nos EUA, onde já faturou US$ 326 milhões, o mais novo capítulo da franquia chegou a marca de US$ 1,4 bi nas bilheterias. Neste momento, a aventura dirigida por James Wan só perde para os US$ 1,5 bi de Os Vingadores (2012), para os US$ 2,1 bi de Titanic (1997), e para os US$ 2,7 bi de Avatar (2009). Confira abaixo a lista completa com as bilheterias dos sete filmes da série e não deixe de ler a nossa opinião (clique aqui) sobre o mais novo lançamento desta franquia.

1º Velozes e Furiosos 7 (2015)** - $1,428,539,000
2º Velozes e Furiosos 6 (2013) - $788,679,850
3º Velozes e Furiosos 5: Operação Rio (2011) - $626,137,675
4º Velozes e Furiosos 4 (2009) - $363,164,265
5º Mais Velozes e Mais Furiosos (2003) - $236,350,661
6º Velozes e Furiosos (2001) - $207,283,925
7º Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio (2006) - $158,468,292

* Sem a correção monetária. 
** Números parciais.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Entre Abelhas

Os reflexos de uma dolorosa separação

Abrindo mão do humor ácido e escrachado da trupe Porta dos Fundos, o diretor Ian SBF (Teste de Elenco) faz de Entre Abelhas uma das obras mais particulares dentro da nova safra de filmes nacionais. Um dos idealizadores por trás deste fenômeno 'viral' da comédia brasileira, o realizador mostra nesta nova empreitada um rigor estético absolutamente atraente, fugindo das amarras do cinema comercial ao dar contornos extremamente ousados a uma trama inesperadamente convencional. Contando com o impecável desempenho de Fábio Porchat (Meu Passado me Condena), que surpreende ao conceber um personagem intenso e completamente distante da sua zona de conforto, Ian encontra um caminho original e ligeiramente esquisito para narrar o impacto da depressão na rotina de um homem acometido pela dor da separação. Construindo uma espécie de drama com toques de suspense e comédia, o longa se aprofunda na complexidade humana ao contar a absurda história de um sujeito que deixou de enxergar as pessoas. 

Apostando numa atmosfera propositalmente cinzenta, Ian SBF demonstra inspiração ao traduzir visualmente esta angustiante e inusitada jornada. Utilizando a cidade do Rio de Janeiro como um belo pano de fundo, já que a nebulosa fotografia de Alexandre Ramos renega por completo as maravilhas que cercam este cenário, o argumento assinado pelo próprio SBF, ao lado de Fábio Porchat, acompanha a curiosa situação de Bruno (Porchat). Obrigado a deixar o seu apartamento após o fim do casamento com a bela Regina (Giovanna Lancellotti), o ainda apaixonado homem reluta em aceitar o fim desta relação. Apesar do esforço do mulherengo e melhor amigo Davi (Marcos Veras), Bruno parece não querer encontrar um novo rumo, alimentando uma vontade cega de ter o seu amor de volta. Após uma noite de bebedeira na sua "despedida de casado", Bruno entra de vez numa espiral de confusão e sofrimento ao perceber que não está mais vendo as pessoas. À beira de um colapso nervoso, ele então passa a tentar entender os motivos deste improvável problema, lutando para não perder a sua sanidade. Contando com a ajuda de sua zelosa mãe (Irene Ravache), este desiludido homem terá que correr contra o tempo para encontrar uma resposta para o seu problema, impedindo assim que ele deixe de enxergar todas as pessoas ao seu redor.


Trabalhando habilmente com as questões psicológicas a cerca desta envolvente premissa, Ian SBF se distancia das explicações baratas ao se aprofundar nos dilemas em torno da figura Bruno. Fazendo desta "cegueira" uma bela e contundente metáfora sobre a depressão, pouco a pouco a aparente complexidade do argumento vai se diluindo, revelando que escondidos nesta insólita situação estão sintomas completamente inerentes a esta desordem mental. Sem querer revelar muito, é interessante ver como o roteiro explora com sagacidade alguns dos episódios mais comuns ao quadro depressivo, fazendo um baita uso dos simbolismos ao expor a apatia social, a baixa estima, o sentimento de culpa e a agonizante sensação de solidão do personagem após o traumático rompimento. É na relação de Bruno com o seu psicólogo (Marcelo Valle), aliás, que nascem os mais profundos e expressivos diálogos, evidenciando que o problema não está no que ele deixa de ver, mas sim naquilo que ele não quer enxergar. Assim como o bem resolvido argumento, o realizador é inteligente ao desenvolver o gradativo clima de tensão, demonstrando maturidade ao construir versáteis sequências. Toda a desconstrução emocional de Bruno é naturalmente orquestrada, rendendo momentos ao mesmo tempo hilários, como o exótico "tratamento" desenvolvido por sua mãe, e desesperadores, como a destruidora cena da chuva em que o personagem padece de vez diante de sua fragilidade.


O mais legal, no entanto, é que em meio à atmosfera comedida, Ian SBF desfila o seu talento ao tirar proveito do humor por trás desta 'non-sense' situação. Com diálogos sempre ágeis, que ganham ritmo graças ao ótimo tempo de comédia do elenco, o diretor é sutil ao brincar com a "loucura" de Bruno, pontuando o dramático arco com bem sucedidas doses de comédia. Fato que, logicamente, acaba potencializado pela presença de Fábio Porchat. Uma das principais revelações do Porta dos Fundos, o ator ostenta aqui uma veia completamente desconhecida, impressionando ao capturar as nuances surtadas do seu personagem. Numa atuação contida, Porchat traz peso a torturante condição do seu Bruno, evidenciando através do olhar ora perdido, ora desesperançoso, a vulnerabilidade deste homem despedaçado pela separação. Se Porchat é o grande trunfo deste longa, segurando com tranquilidade os enxutos 82 minutos de projeção, Irene Ravache mostra uma surpreendente veia cômica. Numa das personagens mais carismáticas, a experiente atriz traz peso a história, dando vida a divertida e super protetora mãe de Bruno. Por outro lado, num tipo bem menos inspirado, Marcos Veras garante boas risadas como o malandro Davi. No personagem mais convencional da trama, o Davi de Veras vai de encontro ao Bruno de Porchat, se mostrando um homem desapegado à fidelidade e a sua relação. Vale destacar ainda as boas atuações de Giovanna Lancellotti, muito bem como a humana esposa, e do comediante Luis Lobianco (Tim Maia), no personagem que se torna pivô dos momentos mais engraçados do filme.


Promovendo a reflexão através desta metafórica cegueira, Entre Abelhas trata a depressão de maneira fantasiosa ao narrar as desventuras de um homem machucado pelo amor. Abrindo mão da lógica no que diz respeito aos aparentes sumiços, que acabam culminando com uma resposta positivamente óbvia, o diretor Ian SBF é perspicaz ao compor esta alegoria sobre o medo da solidão, sobre o vazio existencial, sobre a misteriosa dor da perda. Tirando um belo proveito da expressão popular, aqui o pior cego é aquele que não quer ver um caminho, uma solução para as suas aflições. Ainda que peque pela falta de cuidado com a superficialidade de algumas passagens, os problemas que ocasionaram a separação do casal poderiam ter sido mais bem lapidados, este pitoresco drama encontra a sua verdadeira força na autêntica instabilidade de Bruno. Um homem que, em meio aos cada vez mais efêmeros e\ou virtuais relacionamentos atuais, se desespera com a possibilidade de não ter com quem manter uma simples e mútua relação afetiva.

Ted 2 ganha um hilário trailer legendado para maiores


Foi divulgado o novo trailer de Ted 2, a ácida continuação da comédia estrelada por Mark Wahlberg e por Seth MacFarlane. Na prévia para maiores, acompanhamos a tentativa de Ted em encontrar um pai para o seu filho. Na trama, novamente dirigida por MacFarlane, Ted terá que enfrentar a lei e desafiar as leis das lógica para fazer a inseminação artificial na sua esposa (Jessica Barth). Contando com a ajuda de uma jovem advogada, que será vivida por Amanda Seyfried (Os Miseráveis), ele terá que provar para a justiça que é um ser humano. Trazendo no elenco nomes como Liam Neeson e Morgan Freeman, Ted 2 chega aos cinemas brasileiros no dia 27 de agosto. Confira abaixo a politicamente incorreta prévia, que inclui uma hilária piada com o marido da modelo brasileira Gisele Bundchen.