quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Top 10 Especial (Os Filmes da minha Infância)


Ao longo dos oito anos de Cinemaniac, sempre deixei claro que a tag Top 10 se baseava única e exclusivamente no meu gosto pessoal. Afinal de contas, seria muita pretensão da minha parte querer listar quais são os melhores filmes dentro de um determinado gênero, tema ou filmografia. Dito isto, neste Top 10 serei ainda mais intimista. Aproveitando a chegada deste Dia das Crianças, irei listar os filmes que marcaram a minha infância. Logicamente que, para reduzir a dificuldade, resolvi me ater aos títulos voltados ao público infanto-juvenil. Por isso deixei de fora os longas digamos mais "adultos", entre eles os populares A Lagoa Azul (1980), Flashdance (1983), Loucademia de Polícia (1984), Rocky IV (1985), Os Aventureiros do Bairro Proibido (1986), Dirty Dancing (1987), Elvira: A Rainha das Trevas (1988), Rambo III (1988), Ghost: Do Outro lado da Vida (1990), O Corvo (1994) e Titanic (1997). Além disso, como a memória afetiva sempre fala mais alto, listarei dois filmes por posição, o que tornou a minha missão ligeiramente mais fácil. Desta forma, começamos com...

10º Gremlins 2: A Nova Geração (1990) e Pequenos Guerreiros (1998)


Neste décimo lugar uma homenagem a um daqueles realizadores que não merecem cair no esquecimento. Dono de uma filmografia singular, Joe Dante nos brindou com uma série de divertidos títulos, entre eles o 'cult' Gritos de Horror (1981), o marcante Viagem ao Mundo dos Sonhos (1985) e o divertidíssimo Matinée: Uma Sessão Muito Louca (1993). O seu grande 'hit', porém, foi o icônico Gremlins (1984), uma comédia com toques de terror que introduziu o fofíssimo Guizmo e os seus "irmãos" nada amistosos. Apesar deste ser sabidamente o melhor filme da série, foi em Gremlins 2: A Nova Geração (1998) que Dante decidiu apostar numa mistura mais insana e bem humorada. Além de ampliar a escala de destruição, o realizador permitiu que as esverdeadas criaturas liderassem esta continuação, transformando um arranha-céu de última geração no cenário perfeito para a invasão dos novos Gremlins. Oito anos depois, Joe Dante decidiu seguir por um caminho mais lúdico em Pequenos Guerreiros (1998). No vácuo do 'hit' Toy Story (1995), o realizador construiu uma aventura bélica ao narrar as desventuras de um grupo de brinquedos, os simpáticos Gorgonóides, diante de uma violenta nova geração de bonecos militarizados. Apesar da aura pueril, Dante mostrou a sua reconhecida perspicácia ao apostar em explosivas sequências de ação, um fato raro dentro do gênero na década de 1990. Em suma, duas aventuras espertas, engraçadas e visualmente impecáveis. 

9º Um Tira no Jardim de Infância (1990) e Os Batutinhas (1994)



E quando o assunto é o público infantil, Um Tira no Jardim de Infância e Os Batutinhas mostraram que a criançada também sabe fazer rir. Após brilhar na excêntrica comédia Irmãos Gêmeos (1988), Arnold Schwarzenegger mostrou que sabia rir de si mesmo no popular Um Tira no Jardim de Infância. Com o seu sotaque forte e uma excelente química com o carismático elenco infantil, o astro da franquia Exterminador do Futuro arrancou generosas risadas ao interpretar um policial linha dura obrigado a se infiltrar num colégio e assumir uma agitada turma do maternal. Recheado de diálogos inocentes e sequências engraçadíssimas, o longa dirigido por Ivan Reitman (Os Caça-Fantasmas) se tornou um daqueles filmes que me faziam parar tudo para assistir. O mesmo, aliás, acontecia quando Os Batutinhas passava na TV. Com um elenco infantil entrosado e absolutamente carismático, a comédia dirigida por Penelope Spheeris conquistou uma geração ao narrar a jornada de um grupo de amigos que resolve participar de uma divertida corrida para reconstruir o local em que eles se reuniam diariamente. Impulsionado pelas impagáveis cenas, a do balé em particular é hilária, Os Batutinhas é uma comédia dócil e inofensiva que se mostra capaz de agradar crianças e adultos com a mesma facilidade. 

8º Os Goonies (1985) e Deu a Louca nos Monstros (1987)



Na boa, acho que não preciso nem escrever muito sobre Os Goonies. Dirigido por Richard Donner, o longa se tornou sinônimo de excelente aventura. Trazendo alguns dos mais marcantes personagens infantis do cinema, entre eles o esperto MIkey (Sean Astin), o hilário Gordo (Jeff Cohen), o corajoso Bocão (Corey Feldman) e o engenhoso Dado (Jonathan' Ke Huy Quan), os Goonies usou a amizade como trampolim para uma trama lúdica e singular. Um filme familiar que não subestima a inteligência do seu público. No quesito "crianças contra o mundo", no entanto, é impossível não recordar também do subestimado Deu a Louca Nos Monstros. Equilibrando aventura e terror com absurda categoria, a aventura dirigida por Fred Dekker me arrancava sustos, risos e lágrimas ao narrar as desventuras de um corajoso grupo de amigos que se vê em apuros ao se deparar com um grupo de monstros liderados pelo temido Conde Drácula (Duncan Regehr). Sem medo de afugentar os mais jovens, Dekker constrói uma película levemente assustadora, uma trama fantástica marcada por personagens cativantes, pelos interessantes efeitos práticos e pela assombrosa maquiagem. Além disso, a amizade entre uma pequena garotinha e o desengonçado Frankenstein é de uma beleza ímpar e culmina num clímax que só a década de 1980 era capaz de nos oferecer. 

7º Se Meu Fusca Falasse (1969) e Sem Licença para Dirigir (1988)



Antes dos Transformers e dos Velozes e Furiosos polarizarem as atenções dos fãs de automotivos, um pacato fusquinha conquistou uma legião de fãs. Dirigido por Robert Stevenson, Se Meu Fusca Falasse transformou um pequeno Wolksvagem num dos personagens automobilísticos mais simpáticos e queridos da cultura pop. Com Dean Jones e Buddy Hackett como protagonistas, o longa narra as peripécias de um piloto de corrida que encontra num fusca a tenacidade necessária para ganhar uma série de corridas. Embalado pela icônica trilha sonora, Se Meu Fusca Falasse ganhou ainda uma série de continuações, entre elas os ótimos As Novas Aventuras do Fusca (1974) e Herbie - O Fusca Enamorado (1977). Uma trilogia que conquistou um enorme espaço na minha infância. Por falar em automóveis, se tinha um filme que eu não perdia quando passava no saudoso Cinema em Casa era o impagável Sem Licença para Dirigir. Com a dupla Corey Haim e Corey Feldman no auge das suas carreiras, o longa conta às peripécias do jovem Les Anderson, um garoto confiante que vê a sua rotina mudar no momento em que é reprovado no exame de motorista. Contando com a bela Heather Graham como a apaixonante Mercedes, Sem Licença para Dirigir reúne alguns dos traços mais marcantes das comédias 'teen' oitentistas e ainda hoje me parece um filme um tanto quanto subestimado dentro do gênero. 

6º Uma Cilada para Roger Rabbit (1988) e Space Jam (1996)



Misturando animação e 'live action', Uma Cilada para Roger Rabbit e Space Jam definitivamente marcaram a minha infância. O primeiro, um inusitado filme 'noir' estrelado por um surtado coelho e um detetive bonachão, se tornou um dos trabalhos mais marcantes do excelente Robert Zemeckis. Visualmente primoroso, o longa é uma deliciosa brincadeira, um filme hilário e aventureiro que funciona ainda melhor quando visto sob o ponto de vista adulto. Ponto para o brilhante trabalho da equipe de animação, para o incrível vilão interpretado por Christopher Lloyd e pela impagável relação entre Roger e a 'sexy' Jessica. Por outro lado, inserido numa proposta infantil, mas não menos engraçada, a Warner nos brindou com o quase hipnótico Space Jam. Colocando a turma dos Looney Toones para dividir a tela com algumas estrelas da NBA, entre elas o lendário Michael Jordan, o longa dirigido por Joe Pytka era uma pedida quase irresistível para uma criança de dez anos. Colorido, frenético e recheado de divertidas sequências, a comédia esportiva cativou ao colocar lado a lado personagens que na época não costumavam dividir as telas dos desenhos, entre eles Taz Mania, Pernalonga, Patolino, Coyote e Piu-Piu, os colocando em ação contra um time de alienígenas dispostos a invadir o planeta Terra e escraviza-lo. 

5º Quero ser Grande (1988) e Esqueceram de Mim (1990)



Quando o assunto são crianças precoces, Quero Ser Grande e Esqueceram de Mim polarizavam as atenções nas tardes cinematográficas. Com Tom Hanks inspirado, o longa dirigido por Penny Marshall se tornou um estrondoso sucesso ao acompanhar as desventuras de um garoto que, num passe de mágica, acaba amanhecendo num corpo já adulto. Recheado de sequências memoráveis, como não citar a sequência musical protagonizada sobre um piano gigante, o filme mexia com o nosso imaginário ao mostrar que a vida adulta poderia ser lúdica e divertida. Por outro lado, se existiu um astro mirim na década de 1990, esse se chamava Macaulay Culkin. Estrela dos populares Riquinho (1994) e Pagemaster (1994), o jovem ator alcançou o estrelato com o clássico pop Esqueceram de Mim (1990). Um daqueles títulos que cismam em não envelhecer, a comédia antagonizada por Joe Pesci e Daniel Stern acompanha as desventuras do jovem Kevin McCallister, um garotinho esperto que é esquecido pela família durante uma viagem de Natal. Sozinho em casa, o jovem resolve fazer tudo aquilo que os pais não deixavam, sem saber que uma dupla de desastrados ladrões estava se preparando para invadir o seu lar. Com aura natalina e soluções naturalmente divertidas, Esqueceram de Mim é uma comédia ingenua e nostálgica que remetem diretamente à minha infância.

4º Conta Comigo (1986) e Meu Primeiro Amor (1991)



Um dos meus primeiros contatos com as produções mais dramáticas, Conta Comigo é uma daquelas pérolas atemporais que marcaram a minha infância. Adaptação do livro do popular Stephen King, o longa estrelado pelos talentosos Wil Wheaton, River Phoenix, Corey Feldman e Jerry O'Connell provoca ainda hoje um misto de emoções ao acompanhar a jornada de auto-descoberta  de quatro amigos diante uma improvável busca. Com Kiefer Sutherland como antagonista, a película dirigida por Rob Reiner é sutil ao passear por temas como a autoestima e o amadurecimento, os costurando a uma premissa intimista e recheada de momentos inesquecíveis. Quando o assunto eram as lágrimas, no entanto, nenhum filme superava o dilacerante Meu Primeiro Amor. Sob a batuta de Howard Zieff, o romance infanto-juvenil estrelado por Macaulay Culkin e Ana Chlumsky  caminha por um terreno trágico ao narrar a singela história de amizade entre Thomas e Vada. Para uma criança de dez anos, aliás, o final de Meu Primeiro Amor era inegavelmente chocante, um desfecho realístico que se distanciava por completo do clima mágico geralmente defendido nas produções do gênero. 

3º A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971) e A História sem Fim (1984) 



Sinônimos de fantasia, A Fantástica Fábrica de Chocolate e A História sem Fim me apresentaram ao mundo mágico do cinema. Sem querer parecer saudosista, ainda hoje me lembro da felicidade quando ouvia que um destes dois filmes seria exibido no Cinema em Casa. Era muita alegria, principalmente porque na época era bem complicado ter acesso aos VHS destas duas clássicas produções. Lançado em 1971, A Fantástica Fábrica de Chocolate é até hoje um filme único e especial. Com o saudoso Gene Wilder no icônico papel de Willy Wonka, o longa nos fazia querer achar o bilhete dourado, o criativo passaporte para uma fábrica de lúdica e perigosa. Trazendo uma forte parábola moral nas entrelinhas, questões que confesso ter capturado melhor já na adolescência, o longa dirigido por Mel Stuart impressiona por sua direção de arte rica e pelos inventivos cenários, se tornando uma referência no que diz respeito a construção de mundo. O mesmo, aliás, acontece no incrível A História sem Fim. Sob a batuta do aclamado Wolfgang Petersen, o filme me impressionava não só por seu impressionante apuro estético, como também por sua densa narrativa, numa mistura inteligente e naturalmente encantadora. Recheado de marcantes criaturas, como não citar o bondoso Falkor, o longa acompanha a jornada do pequeno Bastian, um jovem sonhador que encontra nos livros o refúgio para os problemas da sua rotina. Através de sequências singulares, a cena envolvendo o Pântano da Tristeza é de cortar o coração, Petersen passeia com maturidade por temas absolutamente realísticos, construindo assim uma fábula profunda e inegavelmente expressiva. Pena que as duas continuações não passaram perto de manter o nível de qualidade do original. 

2º E.T: O Extraterrestre (1982) e Edward Mãos de Tesoura (1991)



Por falar em fantasia, E.T: O Extraterrestre emocionou uma geração de crianças (e adultos) ao acompanhar a singela amizade entre um inteligente jovem e uma cativante criatura espacial. Responsável por alguns dos mais populares títulos da década de 1980, o talentoso Steven Spielberg entregou um daqueles longas que não podia faltar nas minhas férias de meio de ano, uma aventura singela marcada pela adorável relação de amizade entre os protagonistas. Como não lembrar dos icônicos diálogos (ET, Telefone, Casa), da pequena Drew Barrymore, das magníficas sequências aventureiras e da inesquecível trilha sonora. Em suma, E.T é um filme irretocável. Uma película engraçada, emocionante e acima de tudo inesquecível. Quase uma década depois, no entanto, o excêntrico Tim Burton seguiu um caminho semelhante no expressivo Edward Mãos de Tesoura. Numa proposta singular, o realizador nos brindou com um conto de fadas sombrio e improvável, uma obra marcada pelo contraste visual, pela primorosa direção de arte, pela narrativa levemente subversiva e pela performática atuação de Johnny Depp. Na época, porém, o que mais me atraia era o visual "cortante" do simpático Edward, a sua ingenuidade e bravura. Além disso, a sua história de amor "impossível" com a bela Kim (Winona Ryder) é muito bem conduzida por Burton, que se esquiva dos clichês românticos ao preferir se concentrar no processo de corrupção de uma criatura inocente diante deste cenário naturalmente urbano. Em suma, recheado de camadas, Edward Mãos de Tesoura é em sua essência um filmaço. 

1º Aladdin (1992) e O Rei Leão (1994)



Considerado o pilar da grande retomada dos estúdios Disney, Aladdin é um dos principais responsáveis pelo meu fascínio envolvendo o mundo da animação. Recheado de personagens marcantes e números musicais inesquecíveis, o longa dirigido por John Musker e Ron Clements reuniu o melhor que a Disney poderia oferecer numa trama marcada pelo afiado senso de humor, pelo visual cativante e pelas elaboradas sequências aventureiras. Como não lembrar, por exemplo, da antológica cena da fuga da caverna, um daqueles momentos que só a Disney era capaz de nos proporcionar. Até hoje, aliás, guardo com muito cuidado as versões em VHS de Aladdin e também da sua continuação, o divertido O Retorno de Jaffar (1994). No topo da minha lista de animações, no entanto, o primeiro lugar é intocável e inquestionável: O Rei Leão. Um dos maiores fenômenos pop da década de 1990, o filme dirigido por Roger Allers e Rob Minkoff nos brindou com uma das sequências de abertura mais incríveis da história da sétima da arte. Impulsionado pela fantástica trilha sonora do astro Elton John, a animação cativou e comoveu uma geração ao narrar a jornada de amadurecimento do corajoso leãozinho Simba. Se Aladdin era visualmente primoroso, em O Rei Leão a Disney ultrapassou todos os limites ao entregar uma animação vigorosa, refinada e rica em detalhes. Duas produções que, sem qualquer tipo de dúvida, marcam estimada presença na minha lista de filmes prediletos. Digo mais, graças a títulos como Aladdin, O Rei Leão e o não menos importante A Bela e a Fera (1991) eu comecei a experimentar o fantástico mundo do cinema, um dispositivo apaixonante que ainda hoje é capaz de me fazer sentir criança outra vez. 

Menções Honrosas

- Querida, Encolhi as Crianças (1989)



Com Ricky Moranis dando vida a um atrapalhado pai cientista, Querida, Encolhi as Crianças dá uma verdadeira aula no que diz respeito a construção de mundo. Seguido pelo igualmente excelente Querida, Estiquei o Bebê (1992). Moranis, aliás, estrelou um outro filme que era presença certa nas minhas Sessões da Tarde, o hilário O Pequeno Grande Time (1994)

- Um Morto Muito Louco (1989)



Não sei bem se esse pode ser considerado um filme infantil, mas Um Morto Muito Louco era um dos filmes mais engraçados da "Era Sessão da Tarde". 

- O Voo do Navegador (1986)



Uma mistura de E.T, com Viagem ao Mundo dos Sonhos e O Milagre veio do Espaço, O Voo do Navegador era um daqueles filmes menos conhecidos que eu adorava assistir. 

- Jamaica Abaixo de Zero (1993)



Inspirador e hilário, Jamaica Abaixo de Zero é uma comédia esportiva com a alma dos estúdios Disney.

- Curtindo a Vida Adoidado (1986)



Esse era figurinha carimbada. 

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