quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Os cinquenta anos de Bullitt, o filme que redefiniu o conceito de perseguição automobilística no Cinema


Um destemido policial bom no volante precisa invadir o submundo do crime organizado na busca da identidade do assassino de uma importante testemunha. Você já deve ter visto esta premissa em algum outro filme? E não, eu não estou falando do popular Velozes e Furiosos (2001). Responsável por consagrar a carreira do astro Steve McQueen (Crown: O Magnífico, Fugindo do Inferno), Bullit ajudou a reinventar o cinema de ação ao presar pelo realismo e pela verossimilhança em sua máxima potência. Bem antes que a franquia estrela por Vin Diesel e pelo saudoso Paul Walker se tornasse uma referência dentro do gênero, o longa dirigido por Peter Yates ousou ao “colocar” o espectador dentro do ‘cockpit’ de um veículo, nos brindando com uma das mais antológicas e engenhosas sequências de perseguição da história da Sétima Arte. Uma cena à frente do seu tempo que, contrariando o que era feito na época, capturou a sensação de velocidade e adrenalina como nenhum outro havia feito até então, mostrando que este seria o padrão a ser seguido dentro do gênero. E, de fato, foi isso que aconteceu. Nos anos seguintes o que se viu foi uma explosão de cenas automobilísticas tão realísticas quanto, o que ajudou a transformar Bullitt num dos títulos mais influentes da sua geração. 



Reduzir a obra de Peter Yates a uma só cena, entretanto, é um retumbante erro. Bullitt, na verdade, é um filme pioneiro em todos os sentidos. Lançado em outubro de 1968, num contexto em que o realístico cinema de autor da Nova Hollywood começava a ganhar a forma, o longa se antecipou a esta importante corrente cinematográfica ao desconstruir alguns dos maiores símbolos do cinema de ação da época. Antes que Easy Rider (1969) desnudasse uma América “moderna” vil, suja e preconceituosa sob a perspectiva de dois motoqueiros, Yates colocou o dedo na ferida ao mostrar a dura realidade de um policial num ambiente hostil, violento e corrompido. Embora, num primeiro momento, o tenente Bullitt soe como um típico herói do segmento, um oficial charmoso e respeitado que é recrutado para fazer a segurança de uma importante testemunha, aos poucos o roteiro assinado por Alan Trustman e Harry Kleiner é inteligente ao exibir a realidade dos fatos. Ao permitir que o público conheça a face mais errática e vulnerável de um homem obrigado a não sentir, a não reagir à violência que o cerca. Sem a intenção de contemporizar, Yates investe num protagonista sério, tenso, um tipo que nitidamente criou uma casca para sobreviver. Esqueça o arquétipo do policial corajoso e carismático. A realidade, aqui, é nua e crua, o que fica impresso na expressão daqueles que se arriscam para “servir e proteger”. Os oficiais, em nenhum momento, surgem sorrindo ou relaxados em serviço. Uma sensação de seriedade que só aumenta à medida que a trama avança e que eles começam a descobrir uma complicada verdade por trás dos fatos. 


Um clima de pressão, em primeiro lugar, potencializado pela intensa performance de Steve McQueen. Indo de encontro a alguns dos seus mais populares personagens, entre eles o nobre caubói Vin de Sete Homens e um Destino (1960), o indomável Capitão Hilts de Fugindo do Inferno (1963) e o destemido chefe de bombeiros O’Hallorhan de Inferno da Torre (1974), ele surge em cena com uma expressão geralmente fechada, um olhar cansado, um aspecto vulnerável que reflete com precisão as agruras desta profissão. O seu Bullitt é um homem comum, falível, que não tem tempo de ser sentimental demais, de se expor demais. Um remodelado arquétipo que, indiscutivelmente, se tornou comum dentro do gênero, influenciando títulos como Perseguidor Implacável (1971) e Operação França (1971). Se, visualmente, o protagonista se mostra ‘cool’ e imponente, intimamente McQueen é categórico ao expor o desconforto por trás da frieza, ao traduzir o misto de gana, raiva e rigidez que cerca o detetive durante um espinhoso caso. Um contraste, sabiamente, potencializado pelo breve arco romântico, um subplot pessoal e sensível que ajuda a desvendar a face mais conflitante do personagem. Ponto para a magnética presença da bela Jacqueline Bisset. Outro ponto que agrada, e muito, é a roupagem suja proposta por Peter Yates. Numa época em que a “grande” Hollywood ainda pisava no freio quanto a violência gráfica, o realizador inglês não titubeou em tornar as sequências de ação o mais verossímeis possíveis, realçando a violência e a sensação de caos urbano ao pintar a tela de vermelho nas pontuais trocas de tiro. Os personagens sagram, sucumbem facilmente, um senso de perigo que se torna evidente no fantástico clímax, um desfecho triste e pessimista em que fica claro que não existe glória na morte. E que as sequelas podem ser dolorosas.


Por maiores que tenham sido os predicados narrativos de Bullitt, entretanto, é inegável que um dos maiores trunfos da obra está no aspecto visual, em especial na magnífica sequência de perseguição pelas ruas de São Francisco. Esqueça os cartunescos efeitos de aceleração de cenas, ainda usados na época. Ou então o uso do ‘chroma key’, muito comum nas artificiais cenas automobilísticas nos anos 1950 e em parte dos anos 1960. Disposto a reescrever os parâmetros do gênero, Peter Yates decidiu sentir o cheiro do asfalto. Ouvir o ronco dos motores. Fazendo um inventivo uso da evolução dos dispositivos tecnológico, cada vez menores e mais móveis, o diretor decidiu levar o seu filme para as ruas, “passeando” pelas íngreme cidade num ‘mise en scene’ tenso, imersivo, dinâmico e indiscutivelmente realístico. Com uma montagem primorosa, movimentos de câmera impressionantes e um ruidoso design de som, Yates nos coloca dentro dos veículos, presenteando o fã do gênero com uma sequência estonteante de quase vinte minutos.


Numa proposta nitidamente experimental, prova disso é que a cena nem faz parte do clímax, o diretor investe em enquadramentos extremamente originais, um vai e vêm ousado marcado ora pelo uso da câmera interna\subjetiva, ora pela utilização de planos abertos e grandiosos. Além de soarem extremamente verdadeiras, as manobras de Bullitt são capturadas com enorme requinte por Yates, como se estivéssemos diante de um balé urbano e adrenalizado. Uma sequência de rara ambição que, aliás, foi “protagonizada” pelo próprio Steve McQueen. Um verdadeiro “ás” do asfalto, o ator esteve atrás do volante em toda a cena, dispensando a presença dos dublês ao se mostrar perfeitamente capaz de encarar este enorme desafio. Nem só de takes automobilísticos vive Bullitt. Com pulso narrativo, Yates esbanja propriedade ao potencializar o clima de tensão nas sequências de ação digamos convencionais, realçando a vulnerabilidade dos envolvidos em pelo menos três grandes momentos de tirar o fôlego. O que fica bem claro, em especial, no clímax no aeroporto, um desfecho nervoso e brilhantemente conduzido que, anos mais tarde, seria “reciclado” por mestres do segmento como Michael Mann em Fogo Contra Fogo (1995) e por Paul Greengrass em O Ultimato Bourne (2007).


No embalo dos insinuantes ‘riffs’ de jazz da trilha sonora do inventivo compositor argentino Lalo Schifrin (Missão: Impossível), Bullitt é o tipo de filme que, como costumo dizer, insiste em não envelhecer. Com um ‘plot’ enervante, personagens humanos, uma forte crítica a glamourização da violência e sequências de ação magistrais, o longa ainda hoje oferece uma experiência singular e empolgante seja visualmente, seja narrativamente. E para celebrar o aniversário de cinquenta anos deste clássico moderno do cinema, nada mais justo que listar doze grandes filmes influenciados pelo vanguardista Bullitt. Uma seleção de respeito que só reforça a sua importância para o mundo da Sétima Arte.

- Um Golpe à Italiana (1969)


É difícil afirmar que Um Golpe à Italiana nasceu do sucesso de Bullitt. Dirigido por Peter Collinson, o longa foi rodado no segundo semestre de 1968, ou seja, simultaneamente ao lançamento da obra de Peter Yetes. O fato, entretanto, é que o filme estrelado por Michael Caine surfou na onda de Bullitt, usando as apertadas ruas europeias na construção das suas realísticas sequências de perseguição. Representante dos ‘heist’ movies, Uma Golpe à Italiana, narrativamente, não tem nenhuma ligação com Bullitt, estamos diante um filme irônico e escapista, mas que, tal qual o thriller protagonizado por Steve McQueen, entregou uma fantástica sequência de perseguição. Uma cena empolgante e engenhosa que ficou conhecida por trocar as potentes máquinas pelos pequenos e velozes ‘mini coopers’.

- Operação França (1971)


No início da década de 1970, porém, que o impacto de Bullitt passou a ser realmente reverenciado pelo mundo do cinema. Inspirado na obra de Robin Moore, Operação França capturou a essência da obra de Pater Yates, investindo num thriller de ação tenso, enervante e violento. Com Gene Hackman na pele do icônico detetive Popeye Doyle, o longa dirigido pelo mestre William Friedkin mostrou a realidade nua e crua do submundo do tráfico de drogas, realçando a vulnerabilidade do protagonista de maneira poucas vezes vista até então em Hollywood. Somado a isso, Friedkin entregou uma das mais absurdas sequências de perseguições já feitas, principalmente porque ela foi rodada “in natura”. Sim, diferente de Bullitt, o diretor norte-americano levou a ação para o mundo real, tornando tudo (irresponsavelmente, diga-se de passagem) o mais verossímil possível. Não houve ensaio ou qualquer tipo de trucagem segundo consta. Friedkin simplesmente colocou o seu ator dentro de um carro, em alta velocidade, por quase 26 quarteirões. Num determinado momento da cena, inclusive, o carro dirigido por Doyle durante uma perseguição a um trem (sente o nível) foi realmente atingido por um veículo “civil”. Que prejuízo para esse desventurado motorista. O resultado, porém, ainda hoje impressiona, principalmente pela perícia de Friedkin em tornar a realidade o mais cinematográfica possível.

- Encurralado (1971)


Dando os seus primeiros passos em Hollywood, Steven Spielberg resolveu “brincar” com o dispositivo no experimental Encurralado. Uma espécie de Tom e Jerry automobilístico, o longa colocou um vulnerável motorista num jogo de gato e rato contra um ameaçador motorista de campeão. Se em Bullitt investiu numa grande cena de quase 20 min, Spielberg entregou uma obra de quase 1 h e 30 min de pura adrenalina automobilística, presenteando o público com um ‘mise en scene’ inimaginável para época. Spielberg decidiu posicionar a sua câmera em lugares pouco usuais até então, capturando a desoladora situação do acuado motorista sob uma perspectiva íntima e realística. E isso, diga-se de passagem, em apenas 13 dias, tempo que Spielberg precisou para tirar do papel esta obra engenhosa e enervante.

- Agarra-me se Puderes (1977)


Por falar em perseguições intermináveis, Agarra-me se Puderes (leia mais aqui) ajudou a fazer de Burt Reynolds um astro na década de 1970 e 1980 ao colocá-lo na pele de um exímio motorista obrigado a fugir de um resiliente xerife pelas estradas do interior dos EUA. No melhor estilo Bullitt, o diretor e ex-dublê Hal Needham decidiu interferir o mínimo possível nas sequências de ação automotivas, valorizando a perícia, o ronco dos motores e o dinamismo das cenas com energia e um ótimo senso de humor. O legal, aqui, é ver que, apesar da preocupação com a verossimilhança, Needham decidiu ir além, flertando com o absurdo ao investir em manobras arriscadíssimas e no aspecto cômico. O resultado é uma obra empolgante que, embora perca no quesito originalidade quando comparada com os títulos acima, compensa ao enxergar o potencial escapista deste subgênero.

- Caçada de Morte (1978)


Do humor para o ‘cult’, Caçada de Morte ajudou a redefinir o conceito dos ‘heist movies’. Sob a batuta do eclético Walter Hill (leia mais sobre ele aqui), o longa estrelado por Ryan O’Neal soube beber da fonte da obra de Peter Yates e entregar algo como uma charmosa identidade própria. Narrando a história de um discreto piloto de fuga que, após entrar na rota de mira de um corrupto policial, decide se insurgir contra aqueles que o colocaram nesta situação, Hill apostou numa história simples, mas visualmente memorável. Tal qual Bullitt, o piloto (O’Neal) se revela um cara silencioso, introspectivo, que não pensa duas vezes em agir mesmo quando as chances parecem pesar contra ele. Somado a isso, tal qual Yates, Hill é maduro o bastante para não sustentar a sua história no aspecto automobilístico, indo além da ação pela ação ao entregar um filme urbano, tenso e amoral. Quando necessário, no entanto, o realizador tira do papel pelo menos duas espetaculares cenas de perseguição, mostrando criatividade ao não se sentir preso as fórmulas exploradas até então dentro deste subgênero. O que fica bem claro, em especial, no enervante clímax no armazém, quando, num ‘mise en scene’ contido e realístico, ele consegue valorizar o clima de suspense de forma poucas vezes vista até então em cenas “motorizadas”.

- Mad Max (1979)


Da realidade do caos urbano para a insanidade de um futuro distópico, Mad Max elevou o patamar deste subgênero ao criar um dos maiores “heróis” automobilísticos do cinema. Sob a batuta do então inexperiente George Miller, um ex-dentista australiano dando os seus primeiros passos dentro da Sétima Arte, o longa estrelado por Mel Gibson conquistou plateias ao redor do mundo ao criar um mundo pós-apocalíptico em que a ordem era mantida por uma combalida força policial motorizada. Temido pelas gangues, Max se tornou um verdadeiro ícone pop, o personagem símbolo de uma franquia que seguiu se reinventado nas quatro décadas seguintes. Mais do que simplesmente levar as perseguições para um cenário novo, as inóspitas e desertas estradas do interior da Austrália, Miller pisou no acelerador com vontade ao tornar tudo o mais frenético e feroz possível, valorizando o aspecto “mad” da película em sequências genuinamente enérgicas. Somado a isso, o realizador, mesmo com o limitado orçamento, cerca de US$ 350 mil, capricha no visual “tunado” dos carros, dos personagens e dos vilões, o que fez de Mad Max um dos mais bem-sucedidos representantes do cinema ‘indie’.

- Os Irmãos Cara de Pau (1980)


Por falar em insanidade, o criativo John Landis resolveu misturar música, comédia e adrenalina com ousadia no sacana Os Irmãos Cara de Pau. Com dois dos grandes expoentes da comédia americana no elenco, Dan Akroyd e John Belushi, o longa narra a jornada de dois irmãos que, após deixarem a prisão, decidem unir a sua velha banda de blues na tentativa de arrecadar o dinheiro suficiente para quitar as dívidas do orfanato em que cresceram. Transitando entre gêneros contrastantes com enorme dinamismo, Landis tirou do papel uma obra única, um filme engraçadíssimo, com personagens cativantes, magníficos números musicais (Areta Franklin, James Brown e Ray Charles são “apenas” algumas das participações especiais) e (claro!) espetaculares sequências de perseguição. Num escapista ‘road movie’, Landis testa os limites do gênero ao se encantar pelo caos, ao criar alguns dos “acidentes” mais impossíveis da história do cinema, destruindo carros na velocidade com que uma máquina de triturar destrói um papel. Uma obra que, ao não se levar a sério por um segundo sequer, trouxe algo novo ao subgênero ao mostrar que alguns limites já podiam ser facilmente superados.

- Ronin (1998)


Só mesmo um realizador ‘old-school’ para resgatar a “credibilidade” das sequências de perseguição. Num momento em que o CGI começava a tomar conta de Hollywood, os engenhosos efeitos práticos foram “escanteados”, o que, indiscutivelmente, jogou contra os filmes de ação mais digamos tradicionais. Eis que, após algum tempo sem produzir uma grande obra, o legendário John Frankenheimer mostrou a força do seu cinema no envolvente Ronin. Reconhecido por “colocar a mão na massa”, por tentar entregar sempre a experiência mais realística possível, vide o impressionante nível de realismo conseguido do extraordinário O Trem (1964), o diretor buscou em Bullitt as referências para construir o acelerado thriller de espionagem estrelado por Robert De Niro e Jean Reno. Num engenhoso jogo de gato e rato ambientado nas ruas de Paris, Arles e Nice, Frankenheimer não titubeou em criar algumas das mais sufocantes sequências de perseguição do cinema, usando as ruas estreitas e movimentadas como o pano de fundo perfeito para a construção de uma obra intensa recheada de empolgantes cenas de perseguição. Um daqueles títulos que, sabe-se lá porque, nunca ganhou o prestígio merecido.

- Velozes e Furiosos (2001)


Sinceramente, não sou grande fã dos primeiros três Velozes e Furiosos. São filmes divertidos, com elencos multiétnicos talentosos, momentos empolgantes (em especial no primeiro), mas uma proposta que não envelheceu tão bem principalmente quanto ao universo em que a trama está inserida. É indiscutível, porém, que Velozes e Furiosos ajudou a retomar a popularidade do segmento dos ‘heist movies’ ao investir em carros tunados, numa premissa adrenalizada e em plausíveis sequências de ação. Neste primeiro momento da série, o longa dirigido por Rob Cohen manteve os pés no chão, invadindo o terreno dos “rachas” ao narrar a história de um policial (Paul Walker) obrigado a se infiltrar num grupo de assaltantes para encontrar a identidade de um assassino. Com um forte senso de família, um descolado visual colorido e uma vasta gama de máquina automotivas, Velozes e Furiosos inaugurou uma franquia que, a partir do seu quarto filme, ganhou um novo rumo, passou a flertar cada vez mais com o absurdo e se tornou uma das grandes marcas do cinema de ação.

- Drive (2011)


Moderno, refinado e genuinamente ‘cult’, Drive é uma daquelas pequenas pérolas que ora e vez brotam em Hollywood. Sob a refinada batuta de Nicolas Widing Refn, o longa transformou Ryan Gosling numa espécie de ‘cowboy’ urbano, um piloto de fuga introspectivo e silencioso que precisa encarar uma organização criminosa quando a vida da sua vizinha e colocada em risco. Esteticamente memorável, Drive é aquele tipo de filme irretocável em muitos sentidos. O visual é fascinante. A fotografia em tons de neon é expressiva. Tudo funciona brilhantemente. Em especial, claro, as sequências de perseguição. Fazendo jus ao ‘background’ proposto pelo filme, nas horas vagas o protagonista é um dublê, Refn presenteia o espectador com cenas de perseguição dinâmicas e impactantes, realçando a ferocidade de Gosling atrás do volante com rara originalidade.

- Mad Max: Estrada da Fúria (2015)


Se é fato que Bullitt, no final da década de 1960, ajudou a redefinir o cinema de ação, Mad Max: Estrada da Fúria fez o mesmo ao estabelecer um inimaginável novo patamar para o gênero. Numa experiência catártica, o setentão George Miller quebrou todas as barreiras ao criar um balé automobilístico insano, empolgante e arrebatador. Com pouquíssimos efeitos digitais, a maioria usada na composição das cenas, o realizador australiano nos presenteou com um verdadeiro espetáculo automotivo, um longa urgente e feroz capaz de desenvolver os seus personagens sem pisar no freio por um segundo sequer.

- Em Ritmo de Fuga (2017)



Por fim, uma ópera pop no asfalto, Em Ritmo de Fuga reciclou a fórmula de alguns dos filmes citados acima numa mistura original e empolgante. Sob a inventiva batuta de Edgar Wright, o longa estrelado por Ansel Egort sincronizou as batidas musicais com o ronco dos motores num filme de assalto moderno, ‘cool’ e hipnotizante. Fazendo um primoroso uso dos planos sequências, Wright se inspirou em nomes como Peter Yates e Walter Hill ao tentar o máximo de verossimilhança das sequências de perseguição, valorizando o poder das incríveis manobras e da sua engenhosa montagem na composição dos momentos mais memoráveis deste vibrante blockbuster.

2 comentários:

David Giassi disse...

Texto brilhante! Só uma pequena observação: Por incrível que pareça, Steve McQueen NÃO dirigiu o Ford Mustang na icônica cena de perseguição... Na verdade ele tentou, porém devido a alguns pequenos acidentes com Steve (aliado ao fato da esposa dele ser contra e a seguradora da produção afirmar se isentar de responsabilidade caso McQueen se machucasse)ele foi substituído pelo experiente dublê Bud Ekins.
Fonte: https://parachoquescromados.wordpress.com/2010/11/03/os-bastidores-de-bullit-parte-1/

thicarvalho disse...

Muito obrigado pelo elogio e pelo adendo David. Pelo que entendi, ele pilotou em parte da cena, mas foi substituído nos takes mais desafiadores. Informação confirmada também nesta entrevista. https://www.classiccarsforsale.co.uk/blog/advice/did-steve-mcqueen-perform-all-the-driving-in-bullitt Irei corrigir em breve o artigo. Valeu pela visita.