segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A Mulher de Preto

Suspense à moda antiga, longa mostra que carreira de Daniel Radcliffe não vai se resumir ao bruxo Harry Potter

Primeiro trabalho de Daniel Radcliffe após o sucesso da franquia Harry Potter, o suspense A Mulher de Preto é muito mais do que um simples trampolim para a carreira do jovem ator britânico. Apostando na atmosfera do medo o suspense dirigido por James Watkins é eficiente na arte de causar arrepios. Mesmo explorando fórmulas já conhecidas do gênero, o longa é horror à moda antiga e tem como grande mérito o clima tenebroso que consegue criar, com direito a fotografia pálida, muita névoa e trilha sonora sinistra.

Após um longo jejum de filmes do gênero, que ultimamente tem se resumido a falsos documentários e a banalização do medo, A Mulher de Preto entretêm justamente pela atmosfera que consegue criar. Sem grandes recursos, o longa aposta nos já conhecidos pequenos detalhes para promover uma série de sustos ao espectador. Desde a trilha sonora que sobe rapidamente à fantasmas que cismam em surgir nas costas dos personagens, tudo aqui é explorado de forma crescente e gradativa, contribuindo para o envolvente clímax final. Apesar de explorar alguns poucos clichês, o roteiro assinado por Jane Goldman, baseado no livro de Susan Hill, é eficiente na arte de prender a atenção do espectador.


Na trama, passada no início do século XX, Daniel Radcliffe é Artur Kipps, um jovem advogado pai de família, que após passar por uma grande tragédia familiar, tenta voltar a sua rotina de trabalho. Com a missão de reunir a papelada de uma falecida senhora para vender uma mansão em um pequeno vilarejo, Artur embarca nesta viagem na tentativa de manter o seu emprego. Lá, no entanto, ele acaba descobrindo que o seu trabalho será mais complicado do que parece, principalmente, quando misteriosas mortes de crianças começam a assombrar a população local. Sem recursos e contando apenas com a ajuda de Mr Daily (Ciarán Hinds), Artur começa a perceber que sua missão não será tão simples e que, além de papeis, o jovem advogado terá que conviver com visões assustadoras.


Se tecnicamente o trabalho do diretor James Watkins é convincente, na condução do elenco a direção também mostra êxito. Contando com boas atuações, Watkins consegue tirar o máximo de cada um dos personagens, contribuindo para esta atmosfera intrigante do longa. A começar pela segura atuação de Daniel Radcliffe, que após a saga Harry Potter, mostra talento num gênero totalmente novo. Segurando praticamente o filme sozinho, Radcliffe não decepciona e nos apresenta um personagem sóbrio e equilibrado, diferente, em meio aos filmes de terror. Para dividir a responsabilidade com o ex-bruxo, o elenco ainda traz a experiência de Ciarán Hinds (O Espião que Sabia demais) e Janet McTeer, que preenchem bem as brechas da trama, contribuindo com eficientes atuações para o bom ritmo do filme.

Lidando bem com as questões da espiritualidade, A Mulher de Preto surpreende e se mostra um suspense acima da média. Eficiente no que se propõe, o trabalho do diretor James Watkins é mais uma prova que a atmosfera do terror e muito mais assustadora do que a banalização do gênero. Com bons sustos e uma trama convincente, o longa surge como uma boa opção para os ávidos fãs do terror, reféns de trabalhos cada vez mais genéricos e pouco atrativos.


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