sábado, 9 de setembro de 2017

Top 10 (Melhores Filmes Inspirados na Obra de Stephen King)


Um dos escritores mais adaptados por Hollywood, Stephen King construiu um selo de qualidade que tem se mantido inalterado nas últimas cinco décadas. Reconhecido pelo forte senso de humanidade das suas principais obras, pela sua impressionante criatividade e pela sua velocidade de produção, o versátil autor se tornou um mestre na arte do suspense\terror, construindo uma bibliografia recheada de clássicos instantâneos e títulos completamente universais. Transitando entre o real e o fantástico com extrema perspicácia, King procurou sempre dialogar com temas contemporâneos, questões genuinamente urbanas abordadas em obras cult recheadas de mistério e tensão. Este, aliás, é o caso de um dos seus maiores projetos, o aclamado It: A Coisa (leia a nossa crítica completa). Lançado em 1986, o livro não só lançou uma das criaturas mais assustadoras da cultura pop, o tenebroso palhaço Pennywise, como também explorou o impacto do medo na adolescência\vida adulta, nos brindando com uma publicação que, ao lado de sucessos como Os Goonies (1985), Os Garotos Perdidos (1987) e Deu a Louca nos Monstros (1987), marcou uma geração e influenciou produções como a celebrada série Stranger Things. No embalo da estreia da aguardada nova versão de It: A Coisa, neste Top 10 iremos lembrar de outras dez grandes adaptações cinematográficas dos livros de Stephen King. O que exclui títulos como os elogiados A Mansão Marsten (1979) e It: A Obra Prima do Medo (1990), produções que ganharam as telas no formato de minissérie e\ou filme para TV. Dito isso, começamos com...

10º A Maldição (1996)


E já começo com um dos filmes mais subestimados entre as adaptações inspiradas na obra de Stephen King. Baseado no livro A Maldição do Cigano (1994), A Maldição (1996) resume bem o que eu escrevi acima. Numa premissa envolvendo misticismo e magia, o longa dirigido por Tom Holland é habilidoso ao capturar o humor negro presente no original, realçando a amoralidade dos personagens ao reforçar o doloroso impacto da vingança na rotina de um grupo de homens unidos por um acidente. Com um aspecto comum que aqui funciona muito bem, o longa dirigido por Tom Holland narra as desventuras de Billy (Robert John Burke), um advogado influente que, após um descuido no volante, atropela e mata uma mulher cigana. Ele, porém, é inocentado devido aos seus "conhecimentos" legais, revoltando o misterioso pai da vítima (MIchael Constantine). Com sede de vingança, ele resolve amaldiçoar o advogado, o transformando numa figura cada vez mais magra e esquálida. À beira da morte, o ex-obeso resolve contra-atacar, iniciando uma espiral de violência capaz de revelar o pior do ser humano. Numa produção de baixo orçamento, Holland brilha ao realçar o aspecto mais inusitado da trama, ao expor os perigos em torno da figura do justiceiro, dialogando com temas bem atuais ao não se render ao charme dos filmes de vingança. Além disso, a equipe de maquiagem faz um incrível trabalho no visual do ator Robert John Burke, tornando o seu processo de deterioração naturalmente impactante aos olhos do público. Contando ainda com um desfecho corajoso e totalmente coerente com a proposta crítica da película, A Maldição instiga ao mostrar que, seguindo a "tese" do filósofo Chaves, "a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena".

9º O Sobrevivente (1987)


De longe um dos filmes mais singulares da carreira de Arnold Schwarzenneger, O Sobrevivente mostrou o visionarismo de Stephen King ao se insurgir contra a espetaculização da violência e a perda da privacidade. Com uma proposta à frente do seu tempo, o distópico longa dirigido por Paul Michael Glaser avança para um futuro em que os reality shows, hoje tão populares, eram realmente adorados pelos espectadores. No cenário totalitário proposto pelo longa, entretanto, ao invés das intrigas, do show de talentos e dos relacionamentos amoroso, o foco estava na violência, um verdadeiro jogo de vida ou morte. Na trama, o "governator" vive um homem condenado por um crime que não cometeu obrigado a participar de um reality mortal, uma espécie excêntrica de Jogos Vorazes. Com uma premissa realmente particular, personagens exóticos e inventivas sequências de ação, O Sobrevivente surge como uma inusitada e premonitória crítica à faceta mais alienatória da televisão, um filme audacioso que ainda merece uma chance. Após brilhar no mesmo ano com o popular O Predador (1987), Schwarzenneger cria mais um dos seus heróis carismáticos e corpulentos, um protagonista imponente capaz de "roubar a cena" no bizarro reality show proposto pelo longa. Curiosamente, aliás, o filme se passa no ano de 2017, uma visão de futuro que, guardada as devidas proporções, não se distancia tanto da nossa realidade cultural na atualidade, atestando a genialidade de Stephen King.

8º Na Hora da Zona Morta (1983)


Um dos filmes mais "limpinhos" do celebrado diretor David Croenenberg (A Mosca, Scanners, Videodrome), a adaptação de Na Hora da Zona Morta sintetiza a capacidade de Stephen King em equilibrar fantasia e realidade. Um dos filmes de super-heróis mais críveis do gênero, o longa estrelado pelo versátil Christopher Walken abraça a paranormalidade num suspense tenso e instigante. Recheado de questões morais acerca da consequência do uso dos superpoderes, o filme narra as desventuras de Johnny (Walken), um professor pacato e apaixonado que, após um grave acidente, fica em coma por cinco longos anos. Ao acordar ele descobre que perdeu o amor da sua vida, a bela Sarah (Brooke Adams), mas que ganhou misteriosos poderes psíquicos. Com a possibilidade de enxergar o futuro, ele logo entra na mira da mídia, principalmente quando ajuda a salvar uma criança de um incêndio. Inicialmente errático, Johnny decide usar o seu recém-descoberto dom em prol da justiça, sem saber que logo iria se deparar com as sequelas dos seus poderes. Equilibrando suspense e drama com enorme precisão, Croenenberg é sutil ao se debruçar sobre os dilemas morais do protagonista, levantando interessantes questões numa obra gradativa, envolvente e propositalmente fria. Embora transite com superficialidade por alguns temas, entre eles o impacto dos poderes na saúde de Johnny, o realizador canadense consegue acompanhar o amadurecimento do protagonista enquanto herói, realçar os seu conflitos mais íntimos, preparando o terreno para o espinhoso último ato. Um trabalho potencializado pela intensa atuação de Walken, impecável ao capturar a aura misteriosa e o peso do seu personagem.

7º O Nevoeiro (2007)


Sob a delicada batuta de Frank Daranbont, talvez o diretor que melhor tenha compreendido o espírito das obras de Stephen King, O Nevoeiro é uma daquelas porradas no estômago que ora e vez são necessárias. Assim como em A Maldição, o longa expõe o pior do ser humano acompanha a desesperadora situação de um grupo de sobreviventes isolados num supermercado após o "ataque" de uma misteriosa névoa. Num suspense psicológico de tirar o chapéu, Daranbont é incisivo ao expor a nossa ignorância numa situação desesperadora, ao realçar o egoísmo, a opressão e a violência presente na nossa sociedade. Impulsionado pelas excelentes performances de Thomas Jane, Marcia Gay Harden (odiosa) e Toby Jones, o realizador brilha ao tecer um crítico comentário sobre o fanatismo religioso, a falta de diálogos entre semelhantes e o impacto da desesperança na rotina individual, culminando num clímax corajoso e devastador. Além disso, Darabont capricha no aspecto visual, na composição da instigante atmosfera de tensão, reforçando o medo do desconhecido ao investir numa fotografia nebulosa e naturalmente claustrofóbica.

6º A Espera de Um Milagre (1999)


Num relato marcante sobre a injustiça social, A Espera de Um Milagre se revela um drama profundo e naturalmente comovente. Assim como em O Nevoeiro, Frank Daranbont captura a essência da obra original ao narrar a jornada de um homem inocente e especial condenado à morte por um crime que não cometeu. Fazendo um sensível uso do pano de fundo fantástico, o longa encanta e a revolta ao investigar a persona do condenado, ao se aprofundar na sua estreita relação com os guardas da prisão, permitindo que o público enxergasse o tamanho da covardia que estava sendo feita. Impulsionado pelas extraordinárias performances de Michael Clark Duncan, Tom Hanks, James Cromwell e Michael Jeter, Daranbont esbanja categoria ao revelar o preconceito, a ineficiência do sistema judicial americano e a desigualdade racial, preenchendo a trama com questões totalmente relevantes. Somado a isso, o realizador investe pesado na composição cênica do longa, reproduzindo a rotina numa prisão de segurança máxima dos anos 1950 sob um prisma íntimo e imersivo. Contando ainda com uma das cenas mais tristes da história do cinema, A Espera de um Milagre revela a humanidade do texto de Stephen King numa obra ao mesmo tempo mágica e desoladora.

5º O Iluminado (1980)


De longe um dos filmes mais cultuados inspirados nas obras de Stephen King, O Iluminado se tornou referência dentro do suspense psicológico. Com o cultuado Stanley Kubrick no auge da sua forma, o longa arrancou arrepios do público e da crítica ao reproduzir a desventurada jornada de uma família ameaçada por forças sobrenaturais num isolado hotel. Reconhecido pelo seu virtuosismo técnico, Kubrick deu aula criar uma atmosfera naturalmente tensa, utilizando a imponência assustadora do set ao nos brindar com momentos inesquecíveis. Como não citar, por exemplo, o plano sequência envolvendo o passeio de velocípede do pequeno Danny (Danny Loyd), uma cena imersiva finalizada com uma imagem aterrorizante. Ou então o banho de sangue no hall dos elevadores, um take grandioso que só atestou a genialidade de Kubrick. Além disso, o realizador brilha ao construir a escala de tensão, realçando a deterioração emocional do protagonista, o insano Jack Torrance, nos colocando no centro de uma trama instigante e claustrofóbica. Enquanto Jack Nicholson se afirmou como uma estrela do cinema ao traduzir a loucura do seu personagem com extrema energia, a jovem Shelley Duvall sofreu nas mãos de Kubrick, que, na ânsia de alcançar a perfeição, a submeteu a um torturante processo de filmagens. Reza a lenda, inclusive, que o diretor obrigou a atriz a rodar 127 vezes uma mesma cena, uma abordagem obsessiva que logo se tornou pública no final das filmagens.

5º It: A Coisa (2017)


Um prato cheio para os fãs das cultuadas aventuras oitentistas, o novo It: A Coisa empolga ao propor uma combinação nostálgica e ao mesmo tempo original. Numa mistura de A Hora do Espanto (1985), com os Goonies (1985) e Deu a Louca nos Monstros (1987), o talentoso diretor Andy Muschietti (Mama) esbanja categoria ao conciliar gêneros tão contrastantes, resgatando o popular 'terrir' num filme engraçado, denso e genuinamente assustador. Impecável ao absorver a essência da profunda obra original, o realizador eleva o nível da trama ao transitar entre a realidade e a fantasia com enorme espontaneidade, indo além dos sustos fáceis ao encarar o medo na sua faceta mais pura e urbana. Por mais que o jovem Bill Skarsgård impressione ao causar arrepios na pele do perverso do palhaço Pennywise, Muschietti mostra maturidade ao deixar os 'jump scares', os excelentes alívios cômicos e a violência estilizada em segundo plano na hora certa, preenchendo a desventurada jornada dos protagonistas com conflitos bem mais tenebrosos do que qualquer ameaça da ficção. Mesmo limitado pela falta de tempo, as vigorosas 2 h e 15 min de projeção não se revelam o bastante para o (melhor) desenvolvimento de todos os personagens, o diretor argentino compensa ao encontrar as brechas necessária para pintar um desesperançoso retrato da vida adulta, reforçando o viés crítico do longa ao expor a origem dos medos de cada um dos jovens. O resultado é uma obra tensa e corajosa, a melhor adaptação cinematográfica do "mestre do mistério" desde O Nevoeiro (2007).

4º Carrie: A Estranha (1976)


Numa época em que o bullying ainda estava longe de ser um tema debatido pelo grande público, o mestre do suspense Brian de Palma encontrou em Carrie: A Estranha a chance para jogar uma luz sobre o impacto da hostilidade na formação de um jovem. Um dos livros responsáveis pelo sucesso de Stephen King, o conto expôs com rara precisão a crueldade nos corredores da escola, transformando a acuada Carrie num símbolo, um alvo prestes a explodir. Uma catarse de raiva e fúria capturada sob um refinado prisma 'gore' dentro do incisivo último ato. Impulsionado pelas primorosas atuações da dupla Sissy Spacek e Piper Laurie, magníficas ao construir uma abusiva relação entre mãe e filha, De Palma instiga ao capturar a essência da obra literária, ao utilizar a paranormalidade dentro de um contexto extremamente real, realçando o círculo vicioso em torno da violência e da opressão. O resultado foi um sucesso inquestionável, um filme à frente do seu tempo que, ao seu modo, traz uma mensagem realmente urgente e crítica. Além disso, Brian de Palma exibiu a sua estilosa assinatura ao criar sequências poderosas, momentos impactantes que ainda hoje ecoam dentro da cultura pop.

3º Louca Obsessão (1990)


Inspirado num das mais celebradas obras do escritor Stephen King, Louca Obsessão encontra numa instável fã o terreno fértil para a construção de uma das mais memoráveis antagonistas da história recente do cinema. Dirigido pelo versátil Rob Reiner (Conta Comigo, A Princesa Prometida), o longa cumpre a sua missão no que diz respeito a construção da atmosfera de tensão, potencializada pela primorosa atuação de Kathy Bates, pela sufocante premissa e pela invejável dose de sarcasmo contida neste inspirado suspense. Uma produção com a cara dos anos noventa, mas com alma oitentista, Louca Obsessão esbanja acidez ao acompanhar a dolorosa relação entre uma possessiva fã e um popular escritor de uma série literária. Com a difícil missão de dar corpo a obra de Stephen King, o roteirista William Goldman brilha ao realçar o aspecto mais angustiante e cínico do texto deste mestre do suspense. Na trama, após terminar a sua nova obra em uma remota cidadezinha, o romancista Paul Sheldon (James Caan) é pego de surpresa por uma tempestade de neve e sofre um acidente. Desacordado e sem ter a quem recorrer, ele é salvo por Annie (Kathy Bates), uma ardorosa fã que "coincidentemente" estava passando pelo local da batida. Inicialmente zelosa e prestativa, a ex-enfermeira se transforma numa perigosa ameaça quando descobre que o Paul iria a matar a sua personagem predileta no próximo livro. Acuado e com as duas pernas fraturadas, o escritor se vê obrigado a escrever uma nova obra e a conviver com a instabilidade da sua "anfitriã". Que filme nervoso!

2º Conta Comigo (1986)


Nem só de histórias fantásticas, porém, vive Stephen King. O que fica bem claro em Conta Comigo, um relato marcante sobre a amizade juvenil. Indo de encontro ao viés descolado\irreverente das obras de John Hughes, o longa dirigido por Rob Reiner se voltou para o coração da América ao reproduzir a aventura de um grupo de amigos em busca do amadurecimento. Impulsionado pelas fantásticas atuações dos astros infantis River Phoenix e Corey Feldman, o talentoso realizador norte-americano traduziu os anseios de uma geração comum com extrema sensibilidade, pontuando a trama com memoráveis diálogos envolvendo a busca por reconhecimento, o medo do futuro e a difícil missão que é crescer. Na trama, cansados de serem tratados como crianças, um grupo de quatro amigos resolve mostrar a sua importância e partem numa reveladora jornada à procura do corpo de um garoto morto em um acidente. Recheado de sequências marcantes, como não lembrar, por exemplo, da cena das sanguessugas, Conta Comigo deu voz a uma geração que não queria somente se divertir.

1º Um Sonho de Liberdade (1994)



O filme de maior cotação no IMDB, o Internet Movie Database, Um Sonho de Liberdade é cinema em sua mais pura essência. Na primeira investida de Frank Daranbont na obra de Stephen King, o longa conquistou uma legião de fãs ao tratar a redenção dentro de um viés estritamente artístico. Embora ambientado num cenário naturalmente restritivo, uma prisão de segurança máxima, o drama estrelado por Tim Robbins e Morgan Freeman esbanjou sensibilidade ao acompanhar as desventuras de um homem condenado e a sua árdua jornada em busca da inocência. Com diálogos marcantes, personagens recheado de nuances e um arco dramático naturalmente envolvente, Daranbont propôs um relato íntimo acerca da natureza humana, pontuando uma emocionante trama com referências à literatura, à música e ao cinema. Além disso, Daranbont é sutil ao traduzir a transformação dos personagens, realçando o aspecto libertador da obra original numa película universal e impactante. Um filme raro que conquistou um justificável reconhecimento do grande público.

Menções Honrosas

- Christine: O Carro Assassino (1983)


Uma obra com a chancela criativa de Stephen King, Christine: O Carro Assassino ganhou um status cult nas mãos do mestre do suspense John Carpenter.

- Chamas da Vingança (1984)


Estrelado por uma pequena Drew Barrymore, Chamas da Vingança também ganhou um merecido rótulo cult ao acompanhar a jornada de uma poderosa jovem incapaz de lidar com o seu dom.

- O Cemitério Maldito (1989)


Talvez o título mais sombrio de Stephen King, O Cemitério Maldito chocou o público ao narra a obsessiva busca de um casal pela vida do seu saudoso filho. Além disso, o filme ganhou canção tema na voz dos Ramones, a clássica Pet Sematary.

- 1408 (2007)


Quem procura acha. Samuel L. Jackson e John Cusack se unem num suspense subestimado e muito bem dirigido. Um filme genuinamente nervoso e claustrofóbico.

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2 comentários:

Germano Dutra Jr disse...

Boa tarde.
Gostei seu blog e artigo sobre obras adaptadas de Stephen King.
Adoro o escritor, é uma das pessoas mais criativas que já vi na minha vida.
Só faltou mencionar um filme adaptado do livro dele: Cujo. Eu assisti há muito tempo atrás, lembro que curti muito e me deu vontade de rever.
Um abraço,
Germano Dutra Jr
youtube.com/germanodutrajr

thicarvalho disse...

Valeu pela visita Germano. Cujo não está entre os meus favoritos, mas é bastante querido pelos fãs do Srº King. Boa lembrança.

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