quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Top 10 (Grandes Filmes de Ação Protagonizados por Mulheres)


Neste final de semana chegou aos cinemas o elogiado Atômica (leia a nossa critica aqui), filme de ação estrelado pela talentosa Charlize Theron. Sob a estilosa batuta de David Leitch, da refinada franquia De Volta ao Jogo, o longa causou um grande rebuliço durante a campanha de divulgação devido a incrível entrega física da atriz sul-africana. Sem fugir da raia, Theron usou as suas redes sociais para revelar a sua aptidão nas empolgantes sequências de ação, um fato potencializado pela direção nervosa de Leitch. Ela, porém, não foi a primeira a brilhar deste segmento majoritariamente masculino. Com a aguardada estreia de Atômica, no Cinemaniac listaremos outros dez grandes filmes de ação estrelados por mulheres. Nesta seleção, entretanto, deixarei de fora títulos como O Quinto Elemento, O Procurado e O Exterminador do Futuro 2, filmes com inesquecíveis personagens femininas, como não citar as f@%@nas Leloo (Milla Jovovich) e Sarah Connor (Linda Hamilton) mas estrelados por astros do porte de Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger. Dito isso, começamos com... 


10º Rápida e Mortal (1995)


Uma das atrizes mais populares da década de 1990, Sharon Stone liderou um elenco de peso no subestimado Rápida e Mortal. Dirigido pelo excelente Sam Raimi (Uma Noite Alucinante, Homem-Aranha, Darkman, O Dom da Premonição), este divertidíssimo longa narra a história de uma pistoleira em busca de vingança disposta a participar de um "torneio" de vida ou morte. Surfando na onda da retomada do gênero faroeste, vide o lançamento de títulos com Jovens Demais para Morrer (1990), De Volta para o Futuro 3 (1990), Os Imperdoáveis (1992), Tombstone (1994) e Maverick (1994), Raimi equilibrou ação e aventura num longa pop e recheado de personagens marcantes. Trazendo no elenco nomes como os de Russel Crowe, Gene Hackman e Leonardo DiCaprio, Rápida e Mortal surpreendeu ao colocar a musa Sharon Stone num papel realmente inédito em sua carreira, tirando o máximo da sua presença num longa que nunca ganhou o prestígio merecido.

9º Resident Evil: Retribuição (2012)


De longe o melhor filme da franquia Resident Evil, Retribuição é um espetáculo visual de tirar o fôlego. Estiloso e empolgante, o longa dirigido por Paul W.S Anderson absorveu com requinte a dinâmica dos games ao colocar a inabalável Alice no centro da Umbrella Corporation. Impulsionado pela vigorosa presença de Milla Jovovich, implacável nas engenhosas sequências de ação, o realizador ampliou o escopo da franquia ao criar uma trama ambiciosa envolvendo clones e uma gigantesca horda de zumbis. Me arrisco a dizer, inclusive, que desde então poucos realizadores conseguiram criar sequências de ação tão plásticas e empolgantes como as apresentadas em Resident Evil: Retribuição. Assim como Rápida e Mortal, porém, o longa foi "espinafrado" pela crítica especializada, o que, a meu ver, soa como um grande exagero.

8º Lucy (2014) e Ghost in The Shell (2017)


Por falar em filmes questionados, Lucy (leia a nossa crítica aqui) é o tipo de trabalho que dividiu o público e a crítica. Uns odiaram, outros amaram. Eu, obviamente, estou dentro do segundo grupo. Uma insana aula de biologia, o longa estrelado por Scarlett Johansson equilibrou Ação e Sci-Fi numa obra crítica, ambiciosa e visualmente impactante. Sob a batuta de Luc Besson, um dos primeiros grandes realizadores a dar oportunidade para às mulheres neste gênero majoritariamente masculino, o filme deu a Johansson a possibilidade de brilhar numa trama - dentre outras coisas - sobre a nossa pobre relação com as novas tecnologias. Reconhecido pela sua vigorosa assinatura, o cineasta francês realçou a imponência da sua protagonista ao transforma-la numa máquina praticamente indestrutível. Em suma, com sequências de ação agressivas e um visual elegante, Lucy se revela um longa instigante capaz de propor uma improvável reflexão sem abdicar do entretenimento.


A mesma Scarlett Johansson, aliás, voltou a brilhar num filme do gênero no subestimado Ghost in The Shell (leia a nossa crítica aqui). Embora não tenha o peso do icônico anime de Mamoru Oshii (leia a nossa crítica aqui), nem tão pouco a profundidade do mangá escrito por Masamune Shirow, o longa dirigido por Rupert Sanders é satisfatoriamente inteligente ao transitar pelos temas presentes no material original, entre eles os conflitos de identidade, o pano de fundo ético e os crescentes perigos em torno do opressivo avanço tecnológico. Impecável ao resgatar o aspecto visionário da cultuada obra nipônica, o realizador é cuidadoso ao refletir sobre a nossa existência dentro de uma realidade cada vez mais virtual, trazendo à tona pertinentes discussões filosóficas sob um prisma mais palatável aos olhos do grande público. Por mais que o argumento tente martelar alguns conceitos com dispensável didatismo, Sanders esbanja categoria ao traduzir tanto a complexidade dos marcantes personagens, entre eles a 'badass' Major, quanto o espetacular visual cyberpunk presente na versão animada, bebendo na fonte de clássicos como Blade Runner (1982) e Robocop (1987) ao construir uma película recheada de predicados técnicos e narrativos. Um blockbuster esteticamente memorável, mas que não abre mão de pensar.

7º A Espiã Que Sabia de Menos (2015)


Com Melissa McCarthy na pele de uma agente iniciante, A Espiã que Sabia de Menos (leia a nossa crítica aqui) consagrou esta carismática atriz ao misturar Ação e Comédia com rara desenvoltura.  Dirigido por Paul Feig, o longa se revelou uma sátira dos populares filmes de espionagem, uma obra irreverente, empolgante e inesperadamente bem resolvida quando o assunto são as cenas mais frenéticas. Com coreografias engenhosas e momentos impagáveis, o realizador tirou o máximo de McCarthy, dando a ela a possibilidade de brilhar não só nos momentos mais cômicos, como também nas memoráveis sequências de ação. Contando ainda com a insana presença de Jason Statham, num papel completamente distante da sua realidade, A Espiã que Sabia de Menos conquistou o público e a crítica ao funcionar tanto como um ótimo representante da comédia, quanto como um particular integrante do cinema de ação. Merece um lugar nesta lista.

6º Nikita: Criada para Matar (1990)


Antes de tirar Lucy do papel, entretanto, Luc Besson criou um dos primeiros grandes filmes de ação estrelados por uma mulher: o cult Nikita: Criada para Matar. Com Anne Parillaud na pele de uma insana delinquente treinada para se tornar uma assassina profissional, o estiloso longa se tornou referência nos anos 1990 ao exaltar a feminilidade num universo majoritariamente masculino. Ainda no início da sua carreira, Besson exibiu o seu vasto repertório estético ao nos brindar com sequências refinadas, realçando a habilidade\entrega física da protagonista numa obra vibrante e imponente. Numa época em que Mulher-Maravilha é exaltado como um grande divisor de águas, não podemos esquecer de Nikita e da influência que o título teve dentro da indústria do entretenimento nos anos seguintes.

5º Kill Bill (2003)


Um dos filmes mais populares e violentos da carreira de Quentin Tarantino, Kill Bill não figura entre os meus filmes favoritos, mas merece marcar presença nesta lista devido a marcante presença de Uma Thruman. Na pele de uma mulher em busca de vingança, a dedicada atriz abraçou a doideira visual proposta pelo realizador, exibindo uma evidente perícia nas artes marciais ao tirar do papel as fantásticas sequências de ação idealizadas por Tarantino. Com um núcleo essencialmente feminino, vide as presenças de Lucy Liu, Daryl Hannah, Vivica A. Fox e Chiaki Kuriyama, ele tirou do papel um filme extremamente autoral, uma espécie de homenagem visceral aos tradicionais filmes de artes marciais da década de 1970.

4º Mulher-Maravilha (2017)


Durante anos os executivos de Hollywood defenderam a (falaciosa) ideia que filmes de super-heróis estrelados por mulheres não eram rentáveis. As referências, porém, eram as piores possíveis. Enquanto os heróis ganhavam filmes do quilate de Superman (1978), Batman (1989) e mais recentemente Homem de Ferro (2008), as heroínas eram "lembradas" em produções pífias, obras do nível de Supergirl (1984), Mulher-Gato (2003) e Elektra (2005). A amostragem era de péssima qualidade, o que justificava os fracassos comerciais destas irrelevantes películas. Um tabu que, finalmente, parece ter chegado ao fim. E nada mais justo que das mãos (e do laço) da super-heroína mais icônica da cultura pop. De longe o melhor filme do novo Universo Cinematográfico da DC, Mulher-Maravilha (leia a nossa crítica aqui) não só abrevia as incertezas em torno desta popular franquia, como também revigora um universo majoritariamente masculino numa obra capaz de defender a representatividade feminina sem esquecer de oferecer aquilo que um filme do gênero precisa ter. Sob a batuta da talentosa Patty Jenkins (Monster), uma escolha ousada e indiscutivelmente feliz, o longa é impecável ao estabelecer a essência altruísta da independente Diana Prince, ao utilizar a sua feminilidade em prol da trama, indo além das expectativas ao entregar uma aventura igualitária e visualmente extraordinária. Em suma, com sequências de ação memoráveis, um roteiro bem resolvido e o invejável magnetismo de Gal Gadot, Mulher-Maravilha é o filme de super-herói que o cinema precisava.

3º Star Wars: O Despertar da Força (2015)


Uma epopeia espacial com cara de 'reboot', mas alma original, Star Wars: O Despertar da Força (leia a nossa crítica aqui) presta uma bela homenagem à trilogia clássica ao promover uma interessante passagem de bastão. Na verdade, além de estabelecer uma nova e diversificada geração de protagonistas, capitaneados pela indomável Rey (Daisy Ridley), pelo divertidíssimo Finn e pelo incrível BB8, esta épica aventura espacial parece encantada com a possibilidade de resgatar os integrantes da velha guarda, comprovando que Han Solo, Princesa Leia, Chewbacca e - claro - Luke Skywalker ainda tinham fôlego para mais uma grandiosa aventura. Palmas para J.J Abrams que, após revitalizar a saga Star Trek no cinema, presta mais um enorme serviço aos fãs da cultura pop ao fazer deste Episódio VII uma comovente e eufórica volta às origens. 

2º Aliens: O Resgate (1986)


Uma reinterpretação anabolizada do clássico primeiro longa, Aliens: O Resgate (leia a nossa opinião aqui) é uma continuação exemplar. Sob a batuta do midas James Cameron (O Exterminador do Futuro, Titanic, Avatar), o segundo filme da franquia trouxe um novo ar para a série, substituindo o terror Sci-Fi pelo suspense de ação sem descaracterizar o conteúdo original. Mais do que ampliar o escopo da trama, o talentoso realizador mostrou o seu reconhecido virtuosismo ao resgatar alguns dos principais ingredientes de Alien: O Oitavo Passageiro (1978), entre eles a atmosfera claustrofóbica, o imersivo cenário espacial, a diversidade de personagens e a crítica envolvendo os interesses escusos das grandes corporações, os inserindo num contexto mais frenético e escapista. Uma roupagem tipicamente oitentista. O resultado é uma sequência com aura original, um filme explosivo que transformou a 'bad-ass' Ellen Ripley numa das personagens femininas mais influentes da cultura pop.

1º Mad Max: Estrada da Fúria (2014)


O hiato de trinta anos valeu a pena. Após exatas três décadas, o setentão diretor George Miller volta a saga que o consagrou no empolgante Mad Max: Estrada da Fúria (leia a nossa crítica aqui). Num trabalho repleto de vigor, capaz de fazer inveja a qualquer grande nome do cinema de ação atual, o experiente realizador australiano traz contornos imprevisíveis ao mais novo capitulo da série, mostrando absoluta perícia ao construir uma sequência frenética, insana e brilhantemente explosiva. Se mantendo fiel a trilogia original, Miller, no entanto, não se contenta somente com as sufocantes perseguições concebidas no melhor estilo 'old school', demonstrando rara ousadia ao não só propor interessantes reflexões através deste bizarro cenário, mas também ao alterar de maneira corajosa o 'status quo' desta franquia. Trazendo um surpreendente frescor a este longa, que nem de longe se resume as magníficas sequências de ação, Miller mostra fôlego ao liderar esta trabalhosa continuação, dando uma verdadeira aula de cinema ao construir uma aventura engajada, empolgante e - acima de tudo - surtada. E numa época em que muitos executivos discutem a viabilidade de uma mulher estrelar um blockbuster de ação, o experiente diretor australiano se posiciona à frente da concorrência ao fazer do novo Mad Max - pasmem vocês - uma honesta ode ao 'girl power' e ao feminismo. Uma daquelas peças que só poderiam ser pregadas por um experiente realizador, daqueles com energia de sobra para brincar com as expectativas e produzir um material visceral e genuinamente ousado. Charlize Theron e a sua Furiosa são extraordinárias. 

Menções Honrosas

- A Toda Prova (2011)


Steven Soderbergh se reúne com a lutadora Gina Carano num filme de ação\espionagem com sequências absurdamente reais. Pena que o roteiro não acompanha o nível.

- Valente (2007)


Um thriller de ação com pedigree, Valente transformou Jodie Foster numa justiceira da noite em busca de vingança. Um filme competente. Uma espécie de Desejo de Matar (1974) feminino.

- As Bem Armadas (2013)


Segundo filme da parceria Melissa McCarthy\Paul Feig, As Bem Armadas revigorou o gênero 'buddy cop movie' ao escalar McCarthy e Sandra Bullock como duas policiais completamente distintas.

- Anjos da Noite (2003)


Não sou fã da franquia, mas é inegável que o primeiro Anjos da Noite tem o seu valor. Influenciado por títulos como Matrix, Len Wiseman foi esperto (trocadilho infame) ao reciclar a atmosfera soturna do clássico das Irmãs Wachovski num filme sobre vampiros e lobisomens. E Kate Backinsale está ótima como a vampira Selene. Os ótimos Michael Sheen e Bill Nighy, entretanto, ajudam a dar uma "sustância" ao longa. 

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Um comentário:

Mariana Torres disse...

Esses 10 filmes são ótimos! Pessoalmente eu irei ver por causo do Morgan Freeman, acho ele um ator comprometido. Adoreí files de comédia é definitivamente meu gênero favorito. Mas eu recomendo Still Getting Started é definitivamente um dos meus favoritos, o elenco formado por Morgan Freeman, Tommy Lee Jones, Rene Russo, Glenne Headly é espetacular. Eu gosto muito deste tipo de filmes, eles sempre chamam minha atenção por causa da história muito divertida. Você não pode parar de vê-la.