domingo, 16 de julho de 2017

1987 - O ano em que Hollywood resolveu se divertir


1987 não foi um ano comum em Hollywood. Tomada pelo espírito irreverente dos anos 80, a "indústria" se rendeu ao escapismo, ao puro entretenimento, nos brindando com algumas das produções mais populares desta década. Num ano em que a comédia Três Solteirões e um Bebê liderou as bilheterias americanas ao faturar expressivos US$ 167 mi, o público foi presenteado com sucessos que, anos mais tarde, viriam a se tornar referência dentro da cultura pop. Até mesmo os "filmes do Oscar" ganharam uma roupagem bem particular, vide o cultuado Os Intocáveis, o arrasa quarteirão Atração Fatal, o cativante Império do Sol, a comédia de erros Arizona Nunca Mais e cínico Nascido para Matar. Que bela safra! E como neste espaço procuramos valorizar sempre o bom e velho entretenimento, no mês que o Cinemaniac completa nove anos de existência resolvi lembrar das produções que em 2017 completam "aniversário" de trinta anos. Uma seleção original e nostálgica que sintetiza a temporada cinematográfica de 1987, o ano em que Hollywood resolveu se divertir. 


- Robocop (Dir: Paul Verhoeven)


E para começar vamos logo de Robocop: O Policial do Futuro. Sob a corajosa batuta do holandês Paul Verhoeven, o longa representa o perfeito equilíbrio entre a crítica e o entretenimento. Com a audácia necessária para construir um filme blockbuster voltado para o público adulto, o realizador fez de Robocop um clássico instantâneo, um filme agressivo e questionador sobre um policial "remodelado" obrigado a enfrentar os interesses da gigantesca corporação por trás da sua transformação. Com sequências icônicas, ação de altíssimo nível e um desfecho realmente impactante, Robocop se tornou um fenômeno pop indiscutível, ganhando duas descartáveis continuações, uma série de ‘action figures’, um desenho animado, uma série de TV e mais recentemente o subestimado remake dirigido pelo brasileiro José Padilha. Na época do lançamento, aliás, mesmo limitado pela classificação etária elevada, Robocop faturou expressivos US$ 53 milhões, superando por muito os US$ 13 milhões de orçamento.  Filmaço.

- Dirty Dancing: Ritmo Quente (Dir: Emile Ardolino)


De um clássico cult para um clássico da Sessão da Tarde. Responsável por imortalizar a canção Time Of My Life, Dirty Dancing conquistou uma legião de fãs nas sessões vespertinas da década de 1990. Uma comédia romântica com uma pitada "caliente", o longa dirigido por Emile Ardolino alavancou a carreira do astro em ascensão Patrick Swayze ao narrar o caso de amor entre um charmoso professor de dança e uma aluna completamente sem sal (Jennifer Gray). Apesar da inexperiência da atriz e da falta de "sintonia" do casal de protagonistas dentro do set de filmagens, a inexplicável química entre Swayze e Gray elevou o patamar desta simpática produção, a transformando num retumbante sucesso de público e crítica. Com um orçamento de US$ 6 milhões, o longa faturou espetaculares US$ 213 milhões ao redor do mundo e fez de Dirty Dancing uma referência dentro deste competitivo gênero. Além disso, Emile Ardolino entregou uma das cenas de danças mais populares da cultura pop, um momento singular que ainda hoje é replicado e referência.

- O Predador (Dir: John McTiernan)


Responsável por nos apresentar um dos alienígenas mais populares da cultura pop, o clássico O Predador colocou o carismático Arnold Schwarzenegger diante de uma letal ameaça espacial. Recebido de maneira negativa pela crítica norte-americana, o longa dirigido por John McTiernan (Duro de Matar) misturou ação e horror com desenvoltura, oferecendo um produto original e naturalmente tenso. Com criativos efeitos visuais, uma criatura realmente ameaçadora e o status do astro Arnold Schwarzenegger, O Predador é até hoje um filme divertidíssimo, um blockbuster com personalidade que só foi ser reconhecido pela mídia especializada anos mais tarde. Na época do lançamento, entretanto, o filme foi bem recebido pelo público e faturou ótimos US$ 98 mi ao redor do mundo. Como disse lá em cima, um valor imponente para um filme com classificação etária elevada. Além disso, o alienígena com visão de calor se tornou extremamente popular em Hollywood, tanto que voltou a aparecer no regular O Predador 2 (1990), nos caça-níquéis Alien Vs Predador (2004) e Aliens Vs Predador 2 (2007) e no esquecível Predadores (2010). Além disso, um promissor novo remake já está sendo rodado e será dirigido pelo ótimo Shane Black. A expectativa é que o novo filme chegue aos cinemas em fevereiro de 2018.

- Os Garotos Perdidos (Dir: Joel Schumacher)


O que falar deste verdadeiro clássico 'teen'. Antes de destruir a sua carreira com o péssimo Batman e Robin (1997), Joel Schumacher escreveu o seu nome em Hollywood com o magnífico Os Garotos Perdidos. Numa mistura perfeita, o realizador equilibrou comédia, ação, aventura e horror ao acompanhar as desventuras de um grupo de garotos aficionados por histórias de terror. Com dois dos maiores astros adolescentes da década de 1990, os populares Corey Haim e Corey Feldman, o longa conquistou uma legião de fãs ao coloca-los diante de uma legião de violentos vampiros. Impulsionado pelo ameaçador desempenho de Kiefer Sutherland, impecável na pele do antagonista, o cruel David, Schumacher nos brindou com um filme de horror para adolescentes, uma obra irreverente e sombria que não fez feio diante das mais icônicas produções do gênero. Com empolgantes efeitos visuais, personagens carismáticos e uma envolvente construção de mundo, Os Garotos Perdidos faturou interessantes US$ 32 milhões em solo americano. Nos anos seguintes, porém, o filme invadiu o mercado doméstico e se tornou extremamente popular nos anos 80 e 90. Isso, obviamente, sem esquecer da poderosa canção Cry Little Sister, de Gerard McMahon, uma música assustadora perfeita para embalar este verdadeiro clássico cult.

- Manequim (Dir: Michael Gottlieb)


De volta ao gênero comédia-romântica, Manequim fez sucesso ao acompanha a curiosa relação de amor entre um artista plástico e a sua criação, uma belíssima manequim. No melhor estilo romance impossível, o inusitado longa dirigido por Michael Gottlieb brinca com os clichês do gênero ao dar corpo a esta improvável e divertida história de amor. Estrelado por Andrew McCarthy (Um Morto Muito Louco), a musa oitentista Kim Cattrall (Os Aventureiros do Bairro Proíbido) e o ótimo James Spader (Vingadores - Era de Ultron), o longa equilibra comédia, romance e fantasia com perspicácia, se mostrando "acessível" a todos os públicos. Indicado ao Oscar de Melhor Canção Original, graças ao hit "Nothing's Gonna Stop Us Now", o longa faturou expressivos US$ 42 milhões nos EUA e se tornou um sucesso nas sessões vespertinas brasileiras. Definitivamente, uma produção com a cara e a irreverência dos anos 80.

- O Sobrevivente (Dir: Paul Michael Glaser)


Por falar em irreverência, como não lembrar do cult O Sobrevivente, um dos filmes mais particulares da carreira de Arnold Schwarzenneger. Com uma proposta à frente do seu tempo, o distópico longa dirigido por Paul Michael Glaser avança para um futuro em que os reality shows, hoje tão populares, eram realmente adorados pelos espectadores. No cenário totalitário proposto pelo longa, entretanto, ao invés das intrigas, do show de talentos e dos relacionamentos amoroso, o foco estava na violência, um verdadeiro jogo de vida ou morte. Na trama, o "governator" vive um homem condenado por um crime que não cometeu obrigado a participar de um reality mortal, uma espécie excêntrica de Jogos Vorazes. Com uma premissa realmente particular, personagens totalmente exóticos e inventivas sequências de ação, O Sobrevivente surge como uma inusitada e premonitória crítica à espetacularização da violência, à faceta mais alienatória da televisão, um filme audacioso que ainda merece uma chance. Como a maioria das produções distante da sua era, no entanto, O Sobrevivente não foi tão bem recebido pelo público e faturou regulares US$ 38 milhões nos EUA. Um valor até interessante, mas frustrante perto do elevado custo de produção, cerca de US$ 27 milhões. Curiosamente, aliás, o filme se passa no ano de 2017, uma visão de futuro que, guardada as devidas proporções, não se distancia tanto da nossa realidade cultural na atualidade.

- Bom Dia Vietnã (Dir: Barry Levinson)


No melhor da sua forma, Robin Williams exibiu o seu humor afiado no excelente Bom Dia Vietnã. Crítico, envolvente e naturalmente relevante, o longa dirigido por Barry Levinson expôs a realidade do soldado americano no conflito com extrema propriedade, mostrando a faceta mais incompreensível deste confronto. Indo de encontro a maioria dos filmes sobre o tema, o realizador se concentrou numa figura real e singular, o DJ Adrian Cronauer (Williams), um radialista convocado para manter o moral das tropas americanas o mais inflado possível em solo inimigo. Com um texto afiado, ótimas atuações e momentos memoráveis, o longa transita da comédia para o drama com rara desenvoltura, realçando não só a incoerência por trás do alto escalão militar, como também a insegurança e a degradação em campo de batalha. Dono do filme, o saudoso Robin William absorver as nuances do seu personagem com enorme categoria, criando um tipo verborrágico, engraçadíssimo, mas denso quando necessário. Sucesso de público e crítica, Bom Dia Vietnã faturou expressivos US$ 124 milhões nos EUA, a quarta maior bilheteria de 1987. Além disso, Williams foi indicado ao Oscar por sua atuação, uma nomeação inegavelmente justa. GOOOOD MOOOOORNING VIETNAAAAA.

- Falcão: O Campeão dos Campeões (Dir: Menahem Golan)


Depois de interpretar os lendários John Rambo, Marion Cobretti e Rocky Balboa, Sylvester Stallone adicionou mais um grande personagem a sua popular filmografia ao protagonizar o querido Falcão: O Campeão dos Campeões. Indo de encontro a maioria dos filmes de esportes da época, o longa dirigido por Menahem Golan (Comando Delta) resolveu mostrar os bastidores do mundo da Queda de Braço. Com uma proposta familiar, a película acompanha os passos do caminhoneiro Lincoln Hawk, um homem comum que decide participar de uma importante competição para se aproximar do seu mimado filho (David Mendenhall). No embalo do hit Over de Top, canção tema que dá título ao filme, Falcão conquistou os fãs ao não só descortinar a problemática relação entre pai e filho, como também ao jogar uma luz sobre esta modalidade esportiva. Num determinado momento do longa, inclusive, o diretor Menahem Golan resolve fazer uma espécie de 'mockumentary', misturando depoimentos dos atletas reais com os dos atores. Com um herói carismático e uma premissa extremamente acessível, Falcão conquistou espaço no mercado doméstico e definiu a popular virada de boné como o símbolo máximo do "agora a coisa ficou séria".

- S.O.S: Tem um Louco Solto no Espaço (Dir: Mel Brooks)


Mestre na arte de fazer rir, Mel Brooks escreveu seu nome em Hollwyood com uma série de impagáveis sátiras. Como não lembrar, por exemplo, de Banzé no Oeste e O Jovem Frankenstein. Um dos seus trabalhos mais populares junto aos fãs da cultura pop, entretanto, foi o criativo S.O.S: Tem um Louco Solto no Espaço. Uma paródia da trilogia Star Wars, o longa conseguiu rir dos elementos mais clássicos da franquia espacial, entre eles personagens, naves e populares situações, se revelando uma grande homenagem ao "filho" de George Lucas. Com Bill Pulman na pele de um aventureiro estrelar, John Candy vivendo o seu parceiro\fiel escudeiro e Rick Moranis como o tirano Dark Helmet, o filme soube explorar os arquétipos da saga, reinterpretando a "jornada do herói" dentro de um contexto mais irônico e referencial. Recheado de sacadas inteligentes, o capacete do vilão é incrível, S.O.S: Tem Um Louco Solto no Espaço pode até não ser um primor técnico, mas se revela uma aventura agradabilíssima. Um filme irreverente e inventivo que merece uma posição de destaque dentro do universo satírico.

- A Princesa Prometida (Dir: Rob Reiner)


Responsável por dar um novo sentido para o desgastado gênero capa e espada, A Princesa Prometida (1987) esbanja irreverência ao transitar por um terreno quase sagrado em Hollywood. Numa mistura de Don Juan de Marco com Monthy Phyton, o longa dirigido por Rob Reiner (Isto é Spinal Tap) não se leva a sério por um segundo sequer ao satirizar um segmento quase esquecido, absorvendo o senso de descompromisso presente nas mais cultuadas produções oitentistas ao entregar uma obra recheada de personalidade. Fazendo um uso perspicaz dos estereótipos, o realizador norte-americano subverte a popular história da donzela indefesa ao investir em personagens marcantes, num texto afiado e na capacidade de rir da faceta mais brega deste envelhecido gênero. E como se não bastasse a impagável presença de Cary Elwes (Jogos Mortais), hilário na pele de um herói desastrado e autoconfiante, A Princesa Prometida se revela ainda uma aventura tecnicamente expressiva, um filme imponente capaz de traduzir o teor mitológico presente na sua carismática premissa.

- Namorada de Aluguel (Dir: Steve Rash)


Um ótimo representante da comédia 'high-school', Namorada de Aluguel se revelou uma comédia romântica singular e realmente cativante. Estrelado pela dupla Patrick Dempsey e Amanda Peterson, o longa dirigido por Steve Rash aproximou os opostos ao narrar a história de amor entre um deslocado jovem e a princesinha do colégio. Impulsionado pela ótima química do casal de protagonistas, o longa soube explorar a questão da popularidade, arrancando sinceras risadas ao acompanhar a ascensão e a queda do astuto protagonista. Um grande representante da comédia romântica oitentista.

- Uma Noite de Aventuras (Dir: Chris Columbus)


Por falar em comédia oitentistas, Uma Noite de Aventuras é o típico filme que sintetiza os anos 80. Com a jovem Elizbeth Shue na pele de uma relapsa babá, o longa dirigido pelo popular Chris Columbus (Esqueceram de Mim, Harry Potter e a Pedra Filosofal) colocou a criançada numa grande confusão após um deles cruzar o caminho de um grupo de ladrões de carros. Com gags hilárias, um elenco entrosado e a direção sempre leve de Columbus, Uma Noite de Aventuras abraça o escapismo em sua mais pura essência, culminando num filme ágil, envolvente e naturalmente divertido. Vide as referências ao deus nórdico Thor (Vincent D'Onofrio no início da sua carreira) e a ótima protagonista mirim vivida pela jovem Maia Brewton. Vale destacar, aliás, que este foi o primeiro filme da Disney a levar uma classificação etária PG-13, o que diz muito sobre o grau de irreverência da película.

- Antes Só do que Mal Acompanhado (Dir: John Hughes)


Seguindo na linha da comédia, John Hughes monopolizou as atenções na década de 1980. Reconhecido pelas suas clássicas comédias 'high-school', entre elas Gatinhas e Gatões, Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado, o saudoso realizador se voltou para o público mais "maduro" com o excepcional Antes só do Que Mal Acompanhado. Com John Candy e Steve Martin no auge das suas carreiras, o longa é uma impagável comédia de erros, um filme genuinamente engraçado sobre um sisudo homem de negócios obrigado a dividir a sua viagem com um bonachão vendedor. Com um humor inocente, mas inegavelmente brilhante, Hughes esbanja sagacidade ao explorar o máximo da química entre os protagonistas, nos brindando com cenas como a da viagem noturna. Além disso, o realizador surpreende ao dar mais substância ao longa no último ato, tornando as atitudes do simpático personagem interpretado por Candy totalmente compreensíveis aos olhos do público. Recebido com entusiasmo pelo público e pela crítica, Antes Só do que Mal Acompanhado faturou expressivos US$ 49 milhões nos EUA, se tornando uma das maiores bilheteria da carreira de John Hughes.

- Deu a Louca nos Monstros (Dir: Fred Dekker)


Esse, indiscutivelmente, é um dos filmes da minha infância. Longe de ser um subproduto do aclamado Goonies, Deu a Louca nos Monstros colocou a criançada contra uma perigosa ameaça num filme empolgante e dono de uma luz própria. Equilibrando aventura e terror com absurda categoria, a aventura dirigida por Fred Dekker me arrancou sustos, risos e lágrimas ao narrar as desventuras de um corajoso grupo de amigos que se vê em apuros ao se deparar com um grupo de monstros liderados pelo temido Conde Drácula (Duncan Regehr). Sem medo de afugentar os mais jovens, Dekker construiu uma película levemente assustadora, uma trama fantástica marcada por personagens cativantes, pelos interessantes efeitos práticos e pela assombrosa maquiagem. Além disso, a amizade entre uma pequena garotinha e o desengonçado Frankenstein é de uma beleza ímpar e culmina num clímax que só a década de 1980 era capaz de nos oferecer. Infelizmente, porém, o filme se tornou um fracasso de público nos EUA e só foi ganhar status de cult nos anos seguintes graças ao mercado doméstico.

- O Milagre Veio do Espaço (Dir: Matthew Robbins)


Talvez o filme mais fofo desta lista, O Milagre Veio do Espaço marcou a infância de muita gente. Produzido por Steven Spielberg, roteirizado por Brad Bird (Os Incríveis) e dirigido por Matthew Robbins (Bingo), o longa comoveu o público ao narrar a singela amizade entre um grupo de moradores e um grupo de simpáticos alienígenas. Original e cativante, o filme estrelado por Jessica Tandy e Hume Cronyn equilibrou drama, aventura e comédia com enorme sensibilidade, se revelando um filme família de ótimo nível. Com efeitos práticos ainda hoje memoráveis e simpáticos personagens, O Milagre Veio do Espaço, curiosamente, era para ter sido um episódio da série Amazing Stories. A ideia pareceu tão boa, entretanto, que Spielberg, com o seu reconhecido faro, resolveu leva-la para as telonas. O resultado foi óbvio. Além do sucesso no mercado doméstico, o longa faturou sólidos US$ 65 milhões ao redor do mundo, sendo recebido de maneira positiva pelo público e pela crítica.

- Te Pego Lá Fora (Dir: Phil Joanou)


Você tem medo do Buddy Revell? Quem não teria. Uma das comédias 'high-school' mais singulares dos anos 80, Te Pego Lá Fora se insurge contra o 'bullying' ao acompanhar as desventuras de um jovem pacato ameaçado pelo novo valentão da escola. Estrelado por Casey Siemaszko e Richard Tyson, o pequeno longa se tornou uma figurinha carimbada nas sessões vespertinas da década de 1980, uma comédia recheada de momentos marcantes que ainda hoje é capaz de arrancar sinceras risadas. Assim como muito representantes desta lista, no entanto, Te Pego lá Fora se tornou 'hit' cult no mercado doméstico e segue inspirando algumas produções. Inspirado levemente no clássico Matar ou Morrer (1952), o longa serviu de modelo para títulos como o engraçadíssimo Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor (2008) e o recente Te Pego na Saída (2017).

- Viagem Insólita (Dir: Joe Dante)


Um dos realizadores mais subestimados da década de 1980 e 1990, Joe Dante ganhou status com produções bem populares, entre elas os cult Piranhas (1978), o reconhecido Grito de Horror (1981), o icônico Gremilins (1984), o inventivo Matinee: Uma Sessão Muito Louca (1993) e o lúdico Pequenos Guerreiros (1998). Um dos trabalhos mais celebrados da sua carreira, entretanto, foi o cativante Viagem Insólita. Estrelado por Denis Quaid, Martin Short e Meg Ryan, o longa esbanjou virtuosismo técnico ao dar corpo a uma criativa premissa. Com efeitos visuais realmente impactantes, Dante equilibrou a aventura, o Sci-Fi e a fantasia ao narrar as desventuras de um piloto que, após se reduzido microscopicamente, fica preso no corpo de um inseguro e hipocondríaco vendedor. Impulsionado pela inventiva premissa, totalmente coerente com os avanços nano tecnológicos da época e ascensão dos microchips, o diretor atraiu a atenção do público ao brincar com o funcionamento do nosso corpo, ao torna-lo um inusitado cenário, criando uma obra imersiva e naturalmente empolgante. Um filme engraçado recheado de momentos memoráveis. Curiosamente, porém, Viagem Insólita não fez grande sucesso na época do lançamento e somou modestos US$ 25 milhões em solo americano. Nos anos seguintes, porém, o filme ganhou um 'status' cult no mercado doméstico e até hoje é lembrado pelos fãs de uma boa aventura. Vale lembrar que Viagem Insólita levou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, atestando o excepcional trabalho de Joe Dante e da sua equipe.

- Máquina Mortífera (Dir: Richard Donner)


Começamos com um clássico, terminamos com um clássico. Responsável por revitalizar o gênero 'buddy cop movie', Máquina Mortífera é um dos maiores filmes de ação da década de 1980. Sob a batuta de Richard Donner (Superman), o longa roteirizado por Shane Black (Homem de Ferro 3) soube explorar a quintessência deste segmento ao realçar a incompatibilidade entre os protagonistas. Ao equilibrar a instabilidade do detetive Martin Higgs com o esquematismo do veterano Roger Murtaugh, o longa nos brindou com uma das mais populares duplas do segmento, uma combinação explosiva sustentada por um roteiro sólido, impactantes sequências de ação e um arco pessoal realmente denso. No embalo das enérgicas atuações de Mel Gibson e Danny Glover, Richard Donner mostrou a sua reconhecida habilidade ao transitar entre os gêneros com extrema sensibilidade, pontuando a instigante película com momentos ora dramáticos, ora cômicos. Recebido com entusiasmo pelo público e pela crítica, Máquina Mortífera somou excelentes US$ 120 milhões ao redor do mundo. Além disso, o longa ganhou outras três continuações, se tornando uma quadrilogia de ótimo nível. Fato raro dentro do gênero.

5 comentários:

The Crow disse...

...Robocop recebeu 3 continuações, e apenas 1 é descartável que é o 4, na verdade um compilado da seria de TV. O dois ficou ótimo! ao apresentar um novo Robô, e o 3 por trazer de volta um robô icônico do primeiro filme.

Deve-se dar um desconto ao Robocop 2 e 3... a critica do 3 é a melhor dos 3 filmes, o robô do 2 é o mais bacana é o 1 o mais divertido.

thicarvalho disse...

Na verdade, Robocop ganhou duas continuações e um remake. Acho que nenhuma das continuações chega sequer perto do nível do original. Mas as duas tem os seus momentos. O remake tem problemas, mas não acho esse caos todo que muita gente pinta. Valeu pela visita.

The Crow disse...

Blogger thicarvalho, vc se engana, o Remake é de agora 2014 e não entra como parte da historia (ja que não tem naaaada a ver). Existiu sim um Robocop 4, vendido como Robocop - A missão final, e tinha ainda o 5 que se chamava Uma nova batalha, de 1994.

thicarvalho disse...

Nos cinemas, o Robocop ficou na trilogia e no remake. Os demais "filmes" foram lançados na TV adaptados de uma série. Na verdade, a série virou "filme" no Brasil. O IMDB não me deixa mentir. http://www.imdb.com/title/tt0108909/?ref_=nm_flmg_act_69 Por isso que, oficialmente, só temos a trilogia e o remake.

The Crow disse...

no Brasil foi lançado a serie também. E era até razoável. Depois lançaram como filme em VHS (tinha uma edição tosca, o filme era composto por varias estorias). E o remake que é uma vergonha, nunca deveria ter existido. Mas se lançou... lançou... 4 e 5.

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