sexta-feira, 1 de abril de 2016

Casamento Grego 2

Uma continuação recheada de sentimento


Um dos grandes sucessos do gênero na virada do século, Casamento Grego (2002) surpreendeu ao se tornar um estrondoso sucesso de público nos EUA. Apesar do modesto orçamento, cerca de US$ 5 milhões, a película estrelada pela dupla Nia Vardalos e John Corbett surpreendeu ao arrecadar US$ 241 milhões somente em solo norte-americano, alcançando a marca dos US$ 368 milhões ao redor do mundo. Ao contrário do que geralmente costuma acontecer, no entanto, a tão esperada continuação demorou a sair do papel. E a espera valeu a pena. Quatorze anos após o lançamento do primeiro filme, Casamento Grego 2 consegue resgatar o frescor do original ao narrar as idas e vindas da adorável família Portokalos. Dirigido pelo pouco conhecido Kirk Jones (A Fortuna de Ned), o longa não se faz de rogado ao repetir algumas das fórmulas que consagraram o antecessor, valorizando o humor leve, a presença de carismáticos personagens e o tom inocentemente caricatural. Não se engane, porém, com a aparência requentadas do argumento. Por trás das recicladas piadas, existe uma trama sensível e bem desenvolvida, uma continuação com fôlego de sobra para cativar.



Novamente escrito por Nia Vardalos, Casamento Grego 2 vai além do matrimônio ao acompanhar o impacto desta excêntrica família na rotina de Toula (Vardalos), Ian (Corbett) e da sua jovem filha Paris (Elena Kampouris). Ao contrário da sua mãe, a adolescente não conseguia conviver com a "pressão" dos seus avós Gus (Michael Constantine) e Maria (Lainie Kazan), que, seguindo as suas tradições, desejavam que ela se casasse prematuramente com um rapaz grego. Enquanto Paris relutava a aceitar a interferência dos avós, tios e primos, Toula e Ian esbarravam em uma relação esfriada pelo tempo. Uma década após o casamento, o casal não conseguia conciliar a vida a dois com o trabalho, a criação da filha e a constante presença dos exóticos familiares, permanecendo preso a uma rotina burocrática e nada especial. Uma situação que só piora quando, na busca por respostas envolvendo o seu passado, o patriarca Gus descobre que o seu casamento com Maria nunca foi legal, causando um enorme rebuliço ao perceber que estava em dívida com as suas crenças. Sem tempo a perder, Toula precisará novamente fazer jus a sua linhagem, assumindo as rédeas desta família em prol da realização da gigantesca festa de casamento dos seus amados pais.


Reunindo grande parte do elenco original, Casamento Grego 2 supera as expectativas ao realçar a cumplicidade por trás desta extravagante família. A partir de um bem resolvido argumento, Kirk Jones se esquiva dos melodramas ao acompanhar as desventuras de Toula, Paris e Maria, promovendo um temperado feijão com arroz ao reciclar algumas das fórmulas que consagraram o primeiro longa. Ainda que o matrimônio esteja novamente no centro da trama, a continuação abre espaço para temas universais e mais intimistas, reproduzindo os dilemas familiares dos Portokalos com absoluto bom humor. Curiosamente, apesar do tom caricatural e da reconhecida extravagância dos gregos, quando necessário o realizador abre espaço para sequências mais sensíveis, uma espécie de contraponto às bem sucedidas gags. Assim como no original, aliás, Nia Vardalos investe num texto ágil, puro e naturalmente engraçado, construindo três arcos sucintos que se cruzam habilmente ao longo dos enxutos 95 minutos de projeção. Mesmo com pequenos deslizes narrativos, entre eles a dispensável presença do casal vivido por John Stamos (Três é Demais) e Rita Wilson (Um Herói de Birnquedo) e a subaproveitada reviravolta envolvendo um dos integrantes da família, o roteiro cumpre a sua missão ao preparar o terreno para que o harmonioso elenco possa brilhar, permitindo que a maioria dos atores tenha o seu lugar ao sol.


À começar pela dupla Nia Vardalos (Falando Grego) e John Corbett (Unites States of Tara), que, quase quinze anos depois, exibe o mesmo entrosamento que transformou o original num dos maiores sucessos do gênero. Novamente no centro da trama, a atriz convence ao entregar uma Toula mais madura, mas não menos insegura, uma mulher casada que parece não conseguir se livrar da "pressão" dos seus pais. No mesmo nível dos seus "pais", Elena Kampouris (Homens, Mulheres e Filhos) não faz feio e ganha um merecido destaque como a constrangida Paris. Dando vida a uma adolescente tímida e inteligente, a jovem absorve os dilemas da sua personagem com absoluta naturalidade, sendo a porta voz da sobriedade sem parecer chata ou irritanteAssim como no primeiro longa, porém, Michael Constantine (A Maldição) e Lainie Kazan (Zohan) roubam a cena como o afetuoso casal Gus e Maria. Esbanjando uma invejável química em cena, a dupla convence tanto nos momentos mais emotivos, quando nas sequências mais hilárias, tornando o novo casamento uma experiência atraente aos olhos do público. Já entre as novidades, enquanto Mark Margolis (O Lutador) adiciona peso ao último ato como o irmão distante de Gus, o novato Alex Wolff (Criando Asas), irmão do promissor Nat Wolf (Cidades de Papel), funciona como o interesse amoroso de Paris.


Investindo num humor que "literalmente" parece não ter envelhecido, vide a presença da verborrágica tia Voula (Andrea Martin) e da hilária vovó Mana (Bess Meisler), Casamento Grego 2 surpreende ao se revelar uma continuação digna e levemente nostálgica. Mesmo não sendo propriamente original, o longa é preciso ao resgatar a atmosfera revigorante e naturalmente divertida do sucesso de 2002, comprovando que os Portokalos ainda tinham muito a oferecer. Pra ser sincero, em meio as inofensivas brincadeiras culturais, Nia Vardallos cativa ao construir uma história sincera e recheada de sentimentos, nos fazendo crer no amor, no respeito e no companheirismo que uniu esta carismática família grega.


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