sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Cinco filmes... (Futuros Distópicos)


E neste fim de semana chega aos cinemas o faroeste futurista The Rover - A Caçada, longa estrelado por Robert Pattinson e Guy Pearce, que nos apresenta uma perspectiva do futuro extremamente desoladora. O vislumbre futurístico de Hollywood, aliás, já nos mostrou uma série de clássicos alarmistas sobre o rumo da nossa civilização. Já fomos dominados por macacos, em Planeta dos Macacos (1968), pela violência, em Mad Max (1979), por grandes corporações, em O Vingador do Futuro (1990), pela poluição, em Wall-E (2008), por zumbis, em Extermínio (2002) e A Noite dos Mortos Vivos (1968), por doenças, como em 12 Macacos (1995), ou por regimes totalitários, em Jogos Vorazes (2012), V de Vingança (2006) e no clássico Metrópolis (1927). Aproveitando o lançamento de The Rover, e a recorrente temática em Hollywood, confira uma lista com cinco filmes que merecem destaque envolvendo futuros distópicos e pós-apocalípticos.

- Fahrenheit 451 (1966)



E começamos essa lista com um clássico do diretor François Truffaut. Baseado no celebrado livro de Ray Bradbury, Fahrenheit 451 é um daqueles filmes indispensáveis quando o assunto é futuro distópico. Lançado em 1966, o longa nos mostra uma Inglaterra tomada por um regime extremamente opressor, que fazia de tudo para manter os cidadãos alienados através da manipulação e de descartáveis programas de Tv. Buscando impedir que o povo incentivasse a pratica intelectual, uma lei obrigava que todo e qualquer livro seja queimado por um grupo de "bombeiros". Entre eles está Montag (Oskar Werner), soldado que durante uma visita de inspeção acaba instigado a ler um dos livros que seriam queimados. Encantado pelo poder das palavras, Montag passa a "salvar" algumas obras literárias, fato que o aproxima a um grupo da resistência. Contando com Julie Christie no elenco, Fahrenheit 451 instiga não só por sua temática, mas pela capacidade em antecipar situações e tecnologias hoje recorrentes na nossa realidade. 

- Equilibrium (2002)

Seguindo a linha do futuro opressor, Equilibrium nos apresenta uma civilização em que os sentimentos são completamente oprimidos. Após a tragédia envolvendo uma fictícia 3ª Guerra Mundial, o governo decide erradicar a capacidade de sentir dos sobreviventes para evitar um futuro novo confronto. Através de uma droga criada em laboratório, a população era submetida a uma anestesia dos sentimentos. Os que se opunham a essa pratica, eram perseguidos por um grupo de agentes treinados pelo governo. Convicto das suas ideologias, o agente John Preston (Christian Bale) persegue e captura todos os que não desistem dos seus sentimentos. Ao conhecer um grupo de "rebeldes", no entanto, Preston passa a se perguntar se as emoções são realmente as culpadas pelo fracasso da nossa civilização. Dirigido e roteirizado por Kurt Wimmer, o longa estrelado por Christian Bale, Sean Benn e Emily Watson nos mostra uma visão de futuro extremamente particular, num filme que equilibra de forma primorosa ação e boa história.

- Filhos da Esperança (2006)



Estrelado por Clive Owen, Filhos da Esperança reúne uma série de problemas em um mesmo futuro. Dirigido por Alfonso Cuarón (Gravidade), o longa se passa em um cenário onde as coisas saíram do controle. O ano é 2027, e de forma surpreendente as mulheres pararam de engravidar. Temendo a consequente extinção humana, Londres se divide entre a violência de algumas seitas nacionalistas. e o governo monopolista e ganancioso. Nesse cenário conhecemos Theodore Faron (Owen), um ex-ativista frustrado que parece ter se acomodado em meio ao caos. A vida de Theodore muda quando, a procura de sua ex-esposa (Juliane Moore), ele acaba encontrando uma jovem grávida. Tentando protege-la a qualquer custo, Theodore terá que lutar contra todos aqueles que se colocarem no seu caminho na tentativa de encontrar uma cura para humanidade. Com uma grande crítica social nas entrelinhas, Filhos da Esperança surpreende por seu ótimo ritmo e pela impecável trama, marcada por grandes atuações e pelo aspecto humanitário do longa. 

- A Estrada (2009)



Por um caminho completamente diferente chegamos em A Estrada. Baseado no best-seller escrito por Cormac McCarthy, somos apresentado a jornada de um pai, vivido pelo ótimo Viggo Mortensen, e o seu jovem filho (Kodi Smit-McPhee). Em meio a um cenário pós-apocalíptico, onde a civilização acabou dizimada pela devastação da Terra, os dois sobreviventes tentam se encaixar em meio a um cenário desolador. Sem fontes de alimentação, o pai tenta preparar o filho para sobreviver em meio a esse tenebroso cenário, marcado pela violência, o canibalismo e pela destruição. Enfatizando todo o drama deste pai, o longa dirigido por John Hillcoat é preciso ao abordar quais são os limites da sobrevivência humana. Apostando em uma expressiva fotografia, que acerta na criação de um panorama devastado, essa jornada se mostra intensa ao discutir temas como a humanidade, o senso de sobrevivência e os dilemas em meio a uma terra sem recursos. Um alerta mais do que necessário. 

- O Livro de Eli (2010)



Essa é uma escolha bem particular. Por mais que muitos tenham criticado na época do lançamento, considero O Livro de Eli uma obra extremamente diferenciada. Apostando no talento de Denzel Washington e Gary Oldman, o diretor Albert Hughes nos mostra um belo trabalho repleto de debates envolvendo o impacto da religião e a alienação social. Na trama, que se passa 30 anos após a última grande guerra, os sobreviventes tentam se reunir em meio ao caos. Sem fonte de energia e com a terra devastada pela violência, um grupo de ladrões liderados por Carnegie (Oldman) passa a procurar um livro misterioso, que poderia ser a grande salvação da humanidade. Para isso, eles terão que enfrentar Eli (Washington), um h misterioso homem responsável pela segurança da obra. Embalado pelas ótimas cenas de ação, Hughes surpreende o espectador pela sua contextualizada trama, marcada pelos simbolismos e pelo ar reflexivo. Aliás, considero a reviravolta desse filme uma das mais originais e impactantes. 

Saideira...

- Mortos que Matam (1964)


Interpretado pelo grande Vincent Price, Mortos que Matam é uma das três versões cinematográficas do livro A Última Esperança da Terra, clássico Sci-Fi escrito por Richard Matheson. Apesar da versão mais conhecida ser Eu Sou a Lenda, protagonizada por Will Smith e a brasileira Alice Braga, sem dúvidas, a versão mais fiel a obra é a dirigida por Ubaldo Ragona e Sidney Salkow. Na trama, após uma praga virológica ter devastado a população, um homem (Price) é o único sobrevivente vivo na Terra. Isso porque, os outros humanos acabaram se tornando uma espécie de vampiro. Livre para caçar, arranjar alimentação e explorar a região durante o dia, na parte da noite o sobrevivente tem que conviver com o temor de um derradeiro ataque. Capturando a essência da obra literária, não tenho dúvidas em cravar o quão melhor é Mortos que Matam. Principalmente pelo surpreendente final, que teria valorizado ainda mais se utilizado também no eficiente Eu sou a Lenda. Talvez tenha faltado coragem, ou ousadia, mas o fato é que Vincent Price e o seu Mortos que Matam merece destaque.

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