quarta-feira, 26 de abril de 2017

Diretor de O Silêncio dos Inocentes e Filadélfia, Jonathan Demme morre aos 73 anos


Luto no Cinema. Responsável por introduzir um dos antagonistas mais icônicos da história do Cinema, o frio Hannibal Lecter, o diretor Jonathan Demme faleceu nesta quarta-feira (26), aos 73 anos, vítima de um câncer no esôfago. A informação foi confirmada pela própria família do nova iorquino. Dono de uma filmografia singular, o diretor iniciou a sua carreira nos populares Filmes B, mais precisamente no universo do Exploitation, assinando filmes como as comédias de ação Celas em Chamas (1974) e Loucura de Mamãe (1975). Após o elogiado Nas Ondas do Rádio (1977), Demme entrou no radar das grandes premiações com a comédia dramática Melvin e Howard (1980). Vencedor do Oscar nas categorias Melhor Atriz Coadjuvante (Mary Steenburgen) e Melhor Roteiro, o longa narra a história real de um pacato operário que resolve dar carona a um homem que diz ser o inventor milionário Howard Hughes.


Demme e Hopkins nos bastidores de O Silêncio dos Inocentes
Com um novo status em sua carreira, Jonathan Demme se envolveu com o mundo da música ao dirigir o cultuado Stop Making Sense (1984), um documentário sobre a banda Talking Heads. Após comandar também alguns videoclipes do grupo New Order, o realizador voltou a se destacar no Cinema com a comédia Totalmente Selvagens (1986). Estrelado por Melanie Griffith e Jeff Daniels, o astuto longa narra as peripécias de uma mulher de espírito livre que "sequestra" um yuppie para um final de semana de aventuras. Ainda no gênero, Demme se destacou também com o irreverente De Caso com a Máfia (1988), uma divertida produção estrelada pela dupla Michele Pfeiffer e Alec Baldwin. O grande trabalho de sua carreira, entretanto, viria dois anos mais tarde com o aclamado suspense O Silêncio dos Inocentes (1990). Numa improvável mudança de gênero, Johnathan Demme escreveu seu nome na história do Cinema Americano ao narrar as desventuras de uma agente do FBI (Jodie Foster) obrigada a dialogar com um frio assassino para encontrar o paradeiro de um perigoso Serial Killer. Impulsionado pela estrondosa atuação de Anthony Hopkins, brilhante ao dar vida ao assustador Hannibal Lecter, o longa se tornou o último filme a levar o Oscar nas cinco principais categorias da premiação (Melhor Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro). Um feito ainda hoje extraordinário. 


Com o Oscar em mãos, Jonathan Demme voltou a emplacar um sucesso de público e crítica com o emocionante Filadélfia (1993). Do suspense para o drama, ele nos brindou com um relato comovente sobre um advogado portador do vírus HIV disposto a se insurgir contra a sua ex-empresa após sofrer com o preconceito. No embalo da magnífica atuação do vencedor do Oscar Tom Hanks, o longa mostrou a faceta mais sensível de Demme, um profissional versátil capaz de transitar entre os gêneros com enorme desenvoltura. Após alguns trabalhos menos relevantes, entre eles o drama Bem-Amada (1998) e o thriller O Segredo de Charlie (2002), o diretor retornou ao suspense no elogiado Sob o Domínio do Mal (2004). Com um elenco estrelado em mãos, capitaneado por Denzel Washington, Meryl Streep e Jon Voight, o thriller foi recebido com entusiasmo pela crítica ao narrar as desventuras de um militar traumatizado após sofrer uma espécie de lavagem cerebral. O filme certo na hora certa, já que os EUA estavam no ápice da Guerra do Iraque. Após dirigir o documentário Neil Young: Heart of Gold (2006), Demme se manteve em evidência com o honesto O Casamento de Rachel (2008). Recebido com entusiasmo pela crítica, o drama estrelado por Anne Hathaway se tornou um dos últimos grandes projetos cinematográficos da carreira do realizador. 

Demme nos bastidores de Ricki e The Flash
Na verdade, Jonathan Demme seguiu na ativa mesmo após a descoberta do câncer. Além de dirigir episódios da elogiada série The Killing, nos últimos anos o diretor nova-iorquino seguiu dividido entre as suas duas paixões: o Cinema e a Música. Em Ricki e The Flash: De Volta para Casa (2015), Demme equilibrou comédia, drama e Rock and Roll ao contar a história de uma cantora rebelde e decadente que se vê obrigada a se reconectar com a sua antiga família. Recebido com frieza pela crítica, o longa tem um charme especial, uma aura 'feel good' potencializada pela enérgica atuação de Meryl Streep, pela cativante presença de Kevin Kline e pelo afiado texto de Diablo Cody. No ano seguinte, Demme voltou ao universo da música ao dirigir o documentário Justin Timberlake + The Tennessee Kids (2016), comprovando a sua versatilidade após trabalhar com nomes como Talking Heads, Neil Young, Bruce Springsteen e New Order. Dono de uma filmografia autêntica e recheada de trabalhos marcantes, Jonathan Demme escreveu o seu nome em Hollywood ao entregar obras estilosas, plurais e independentes, se tornando uma referência assumida para nomes do quilate de Paul Thomas Anderson, Wes Anderson e Alexander Payne. Um fato que, diga-se de passagem, só atesta a importância deste realizador dentro do mundo da Sétima Arte.  RIP

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