segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Luto - Morre Gene Wilder


A comédia norte-americana perdeu hoje um dos seus mais talentosos nomes. Reconhecido por dar vida ao icônico Willy Wonka, personagem símbolo do cultuado A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971), Gene Wilder faleceu nesta segunda-feira (29), aos 83 anos, vítima de complicações decorrentes do Mal de Alzheimer. A informação foi divulgada pela Associeted Press. Um verdadeiro mestre na arte do humor, Wilder construiu uma carreira recheada de clássicos, entre eles os inesquecíveis Banzé no Oeste (1974), O Jovem Frankenstein (1974), A Dama de Vermelho (1984) e Cegos Surdos e Loucos (1989). Dono de um inesgotável carisma, o ator estreou nos cinemas em 1967 com um papel de coadjuvante no premiado Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas. Neste mesmo ano, Gene Wilder iniciou também a sua grande parceria com o aclamado diretor Mel Brooks no irreverente Primavera para Hitler (1967). Interpretando o inseguro contador Leo Bloom, o comediante se tornou um dos grandes nomes deste elogiado longa, sendo inclusive indicado ao Globo de Ouro e ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.



Após estrelar a comédia histórica Mercenários de um Reino em Chamas (1970), Gene Wilder alcançou realmente o estrelato ao protagonizar A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971). Mesmo não sendo o sucesso comercial que a Paramount Pictures esperava, a adaptação do livro do escritor Roald Dahl se tornou um gigantesco clássico cult, um daqueles raros longas que sobreviveu ao tempo e ainda hoje é referência dentro da cultura pop. Impulsionado pela nova indicação ao Globo de Ouro, desta vez na categoria Melhor Ator em Comédia ou Musical, Wilder voltou a ganhar destaque no irônico Tudo o que Você Sempre quis Saber sobre Sexo e Tinha Medo de Perguntar (1972). Num dos primeiros trabalhos mais ácidos da carreira do diretor Woody Allen, o ator esbanjou a sua irreverência ao interpretar um médico zoófilo apaixonado por uma ovelha. Dois anos mais tarde, novamente ao lado de Mel Brooks, Gene Wilder voltaria ao terreno da sátira na corajosa comédia racial Banzé no Oeste (1974) e no impagável O Jovem Frankenstein (1974). Este último, aliás, uma paródia envolvendo os clássicos monstros da Universal, rendeu ao ator uma indicação ao Oscar de Melhor Roteirista. Neste meio tempo, Wilder brilharia também no singelo O Pequeno Príncipe (1974), roubando a cena ao interpretar a esperta raposa da popular obra do escritor Antoine de Saint-Exupéry.


Com uma carreira já consolidada, Gene Wilder se arriscou pela primeira vez na direção na comédia O Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes (1975). Um ano depois, inaugurando a sua elogiada parceria com Richard Pryor, o ator conquistou mais uma das suas indicações ao Globo de Ouro de Melhor Comédia ou Musical na comédia de ação O Expresso de Chicago (1976). Após alguns trabalhos mais "esquecidos", entre eles O Maior Amante do Mundo (1977) e O Rabino e o Pistoleiro (1979), a dupla Wilder e Pryor voltaria a se reunir no popular Loucos de dar Nó (1980). Dirigido pelo ator Sidney Poitier, a produção ultrapassou a barreira dos US$ 100 milhões nas bilheterias em solo norte-americano, números até hoje expressivos para um filme do gênero. Com um enorme sucesso de público em mãos, Gene Wilder seguiu o caminho do sucesso no afiado A Dama de Vermelho (1984). Escrito, dirigido e roteirizado por ele, esta comédia sobre um marido infiel se tornou mais um dos seus mais cultuados projetos, potencializado pela presença da musa oitentista Kelly LeBrock e da canção "I Just Called to Say I Love You", hit do Steve Wonder premiado com o Oscar de Melhor Canção Original. Ainda na década de 1980, Wilder e Pryor voltariam a se destacar juntos no hilário Cegos, Surdos e Loucos (1989). Considerado por muitos o mais engraçado filme da dupla, o longa se tornou um dos últimos grandes trabalhos do saudoso ator nos cinemas. 

Mel Brooks e Jim Carrey lamentam a morte de Gene Wilder


Após protagonizar alguns esquecíveis projetos, entre eles o fracasso comercial Um Sem Juízo, Outro sem Razão (1991), seu último trabalho com Richard Pryor, Gene Wilder voltou aos holofotes ao fazer uma participação especial na série de TV Will e Grace (2002-2003). Ele, inclusive, ganhou um Emmy na categoria Ator Convidado em Série de Comédia, um desfecho marcante para uma inspiradora carreira. E como não podia deixar de ser, as homenagens à Gene Wilder tomaram a internet ao longo desta segunda-feira. Um dos seus grandes parceiros, Mel Brooks lembrou da sua amizade e reverenciou a magia presente no trabalho de Wilder. "Um dos verdadeiros grandes talentos dos nossos tempos. Ele abençoou cada filme que fizemos com sua mágica e me abençoou com sua amizade", admitiu o realizador via Twitter. Herdeiro do legado deixado por Wilder, Jim Carrey também lamentou a morte do ator fazendo uma tocante referência ao clássico A Fantástica Fábrica de Chocolate. "Gene Wilder era uma das mais engraçadas e doces energias a tomar forma humana. Se há um paraíso, ele tem um tíquete dourado". disse Carrey. Por fim, enquanto para o humorista Billy Cristal "Gene Wilder foi um gigante da comédia. Um verdadeiro gênio", para o ator Steve Martin "ele foi um dos grandes comediantes do cinema. Sempre original e surpreendente". Palavras ternas para um ator que, mesmo nos seus papéis mais ácidos, esbanjava doçura e sensibilidade. RIP.

2 comentários:

Hugo disse...

Grande perda, mesmo ele estando aposentado do cinema há mais de vinte anos.

Abraço

thicarvalho disse...

Sem dúvidas Hugo. Abs.

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