domingo, 12 de julho de 2015

Aproveitando a estreia de Cidades de Papel, confira uma lista com alguns dos bons e novos filmes sobre a juventude


E neste final de semana chegou aos cinemas o envolvente Cidades de Papel (confira a nossa opinião aqui), nova adaptação do popular escritor John Green. Indo bem além do romance adolescente apresentado no comovente A Culpa é das Estrelas, a versão estrelada por Nat Wolff e Cara Delevingne impressiona ao pintar um revigorante relato sobre as dúvidas e expectativas envolvendo as novas gerações. Buscando inspiração em clássicos oitentistas, o longa dirigido por Jake Schreier (Frank e o Robô) se esforça para atualizar essa visão sobre a juventude atual, dialogando com extrema naturalidade com o seu público alvo. Aproveitando a estreia deste interessante retrato sobre a transição da juventude pra fase adulta, neste especial do Cinemaniac vamos lembrar de alguns dos novos e bem sucedidos exemplares deste gênero. 


- SuperBad: É Hoje (2007)



Atualizando a picardia dos clássicos adolescentes da década de 1980, Superbad: É Hoje abre esta lista ao falar sobre a juventude como extremo bom humor. Acompanhando os últimos dias de colegial de um deslocado grupo de amigos, o longa dirigido Greg Mottola fez o favor de apresentar alguns dos atores mais interessantes do gênero, revelando nomes como os de Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse e a musa da nova geração Emma Stone. Na divertida trama, após viverem no ostracismo durante o ensino médio, os amigos Seth, Evan e Fogell\McLovin resolvem curtir uma última noitada antes da formatura. Na busca por bebida alcoólica, os três se metem em uma série de grandes confusões, fazendo de tudo para conquistarem o seu espaço junto aos "populares". Apostando num humor ácido, Superbad traduz como poucos o espírito impulsivo das novas gerações, valorizando a amizade em meio a muita bebedeira e ótimas piadas. 

- Juno (2007)

Recebido de maneira fantástica pela crítica internacional, Juno se antecipou ao pintar um expressivo e reflexivo relato sobre as novas gerações. Apostando na estética indie, o longa dirigido por Jason Reitman acabou indicado ao Oscar de Melhor Filme ao narrar as desventuras de uma adolescente grávida em dúvida sobre a sua gestação. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original, este bem humorado drama encontrou na talentosa Ellen Paige a força necessária para debater temas como o amadurecimento, o futuro e as expectativas para com a vida. Criando uma enorme identificação com o seu público alvo, o longa faturou espetaculares US$ 231 milhões, indo bem além dos modestos US$ 7,5 milhões do seu orçamento. 

- Alpha Dog (2007)



Inspirado numa trágica história real, Alpha Dog impressiona ao mostrar os perigos que cercam esta fase da vida. Dirigido pelo ótimo Nick Cassavetes, o longa é contundente ao abordar a nocividade das más influências e a consequência do vazio que acaba marcando a rotina de muitos jovens. Na trama, estrelada por Anton Yelchin (Star Trek) e Emile Hirsch (Speed Racer), um adolescente acaba se envolvendo com as pessoas erradas na busca por festas e diversões. Sequestrado por uma gangue de jovens traficantes de classe média alta, pouco a pouco o garoto passa a conquista-los, vivendo uma experiência completamente nova e perigosa em sua vida. Mostrando o impacto das drogas na rotina dos adolescentes, Alpha Dog se destaca ao acompanhar o lado mais nocivo das novas gerações, questionando de maneira realista a condescendência na relação entre pais e filhos. Grandes atuações de Sharon Stone, do subestimado Ben Foster e do cantor Justin Timberlake. 

- Escritores da Liberdade (2007)


Apesar de requentar fórmulas de clássicos como Ao Mestre com Carinho (1967), Meu Mestre, Minha Vida (1989) e Mentes Perigosas (1995), Escritores da Liberdade mostra através da rebeldia da juventude uma história de tolerância e amadurecimento. Utilizando a Segunda Guerra Mundial como uma perspicaz pano de fundo, o longa dirigido por Richard LaGravenese (P.S Eu Te Amo) narra a história de uma professora novata que, em meio a tensão racial e a violência entre os alunos, precisa conquistar a confiança deles. Estrelado pela ótima Hilary Swank, vencedora do Oscar por Menina de Ouro, este interessante longa é habilidoso ao mostrar os reflexos das desigualdades sociais na rotina de um grupo de jovens.  

- A Onda (2008)

Até onde o poder da manipulação pode levar uma pessoa? Essa pergunta é muito bem respondida por A Onda, longa alemão dirigido por Dennis Gansel que toca de forma visceral na principal ferida do povo alemão: os fantasmas envolvendo o Nazismo. Levando todo esse processo de discussão politica para as salas de aula, o que só torna a obra mais interessante, o drama é extremamente preciso ao mostrar como uma ideologia pode brotar dos lugares mais improváveis. Contando com ótimas atuações e uma trama envolvente, A Onda é acima de tudo um retrato cru e impactante de uma nova geração manipulável e carente de conteúdo. Confira a nossa opinião sobre o longa aqui

- Férias Frustradas de Verão (2009)


Apesar do genérico título brasileiro passar uma impressão equivocada, Férias Frustradas de Verão surpreende ao nos apresentar um bem humorado romance recheado de interessantes reflexões. Nos conduzindo pela pluralidade do final da década de 1980, o diretor Greg Mottola promove um atemporal relato sobre a juventude, destacando de maneira altamente cativante os anseios, as decepções, os romances e as incoerências desta fase da vida. Contando com um elenco absolutamente afiado, capitaneado pelos talentosos Jesse Eisenberg (A Rede Social) e Kristen Stewart (Acima das Nuvens), este caprichado longa conquista não só pela inebriante atmosfera oitentista e pela espetacular trilha sonora, mas também pela forma como questiona alguns dos enraizados dogmas envolvendo os relacionamentos. Confira a nossa opinião sobre o longa aqui.

- As Melhores Coisas do Mundo (2010)



Primeiro exemplar do cinema nacional nesta lista, As Melhores Coisas do Mundo cativa pela honestidade com que aborda os anseios da juventude. Dirigido com estilo por Laís Bodanzky (Uma História de Amor e Fúria), com direito a uma iluminada fotografia e a bela trilha sonora recheada de Beatles, o longa narra as idas e vindas do jovem Mano (Francisco Miguez), um adolescente de 15 anos envolto a temas como a iniciação sexual, o buyling e a amizade. Trazendo no elenco nomes como os de Paulo Vilhena, Gabriela Rocha, Fiuk e Caio Blat, este carismático romance adolescente chama a atenção ao abordar com leveza os dilemas em torno desta jornada de amadurecimento. 

- A Mentira (2010)



Falando sério através de uma divertida sátira sobre os clássico do 'high school', A Mentira destila uma venenosa crítica envolvendo as hipocrisias da juventude. Fazendo do clássico A Letra Escarlate um sagaz pano de fundo, o longa dirigido por Will Gluck (Amizade Colorida) questiona essa necessidade de se tornar o popular, de ascender socialmente através da sexualidade. Trazendo no elenco a sempre adorável Emma Stone, ainda por cima presta uma belíssima homenagem aos clássicos filmes de John Hughes. Sem dúvida alguma, um entretenimento de altíssima qualidade. 

- A Morte do Super Herói (2011)




Dando uma abordagem interessante para os filmes do gênero, A Morte do Super-herói acima de tudo é um belo retrato sobre como o câncer pode influenciar o modo de vida de um jovem. Um longa de linguagem atual, que contextualiza os problema através dos desenhos, refletindo muito bem todas as inseguranças e incertezas que assombram um adolescente com uma doença terminal. Um drama eficiente, que sem apelar para os melodramas baratos, consegue cativar e acima de tudo emocionar o espectador. Além da estética diferenciada, o elenco também chama a atenção. O destaque vai para Thomas Brodie-Sangster (Simplesmente Amor), que consegue interpretar um personagem repleto de sentimentos, indo dá fúria ao afeto ao longo de 1 hora e 30 min de duração. Confira aqui a nossa opinião sobre o longa

- As Vantagens de Ser Invisível (2012)



Adaptação do best-seller assinado por Stephen Chbosky, As Vantagens de Ser Invisível é um daqueles trabalhos que prometem marcar uma geração. Dirigido pelo próprio Chbosky, o longa ganhou - inicialmente - um grande destaque por ser o primeiro grande desempenho de Emma Watson fora da franquia Harry Potter. Se engana, porém, que acredita que este é o único mérito do longa. Numa incrível adaptação da obra literária, o filme estrelado por Logan Lerman (Percy Jackson) e Ezra Miller (Precisamos Falar sobre Kevin) narra a história de Charlie, um jovem introspectivo que não consegue seu espaço. Com os nervos a flor da pele, o jovem parece próximo de ter um colapso. A vida dele ganha um novo rumo, no entanto, quando ele conhece dois carismáticos amigos: o extrovertido Patrick (Ezra Miller) e a afetuosa Sam (Emma Watson). Os dois então acabam proporcionando uma série de novas experiências a vida de Charlie, incluindo ai uma complicada paixão à primeira vista. Com uma excelente trilha sonora, destaque para a marcante cena ao som Heroes, de David Bowie, As Vantagens de Ser Invisível se torna indispensável ao narrar as dificuldade envolvendo a autoafirmação durante a juventude. 

- O Maravilhoso Agora (2013)


Estrelado por dois dos maiores talentos da nova geração, os competentes Miles Teller (Whiplash) e Shailene Woodley (Divergente), O Espetacular Agora é mais um daqueles romances adolescentes que transcendem a barreira da idade. Destacando toda a imaturidade da juventude, o longa narra a história de um universitário que parece não querer largar a vida de estudante. Entre festas e bebidas, a rotina dele muda quando ele conhece a jovem Aimee Finicky, uma deslocada novata que encanta esse incorrigível rapaz. Apesar das nítidas diferenças entre os dois, o casal ganha força e começa a viver uma duradoura relação. Tudo muda, no entanto, quando ela começa a definir o seu futuro, o obrigando a colocar um ponto final na sua desregrada rotina. Recheado de interessantes diálogos, envolvendo tópicos completamente inerentes a nova geração, O Maravilhoso Agora merece todos os elogios.

- Bling Ring - A Gangue de Hollywood (2013)




Baseado em incríveis fatos reais, o novo trabalho da diretora Sofia Coppola pode causar um certo incomodo no espectador mais desatento, tamanha superficialidade demonstrada em cena. Porém, nesse caso, não por erros dos realizadores. Pelo contrário, já que este recurso acaba retratando bem o vazio existencial que uma parte da atual juventude alimenta. Em uma época onde alguns valores importantes são descaracterizados, onde o culto as grifes, ao show biz e as celebridades instantâneas cada vez mais ganha força, Bling Ring aparece como um relato preciso, moderno e extremamente interessante de uma geração. Méritos para o ótimo elenco, capitaneado pelo talento de Emma Watson, e para Sofia Coppola, uma diretora cada vez mais madura. Confira aqui a nossa opinião sobre o longa.

- O Verão da Minha Vida (2014)



O genérico título brasileiro pode assustar, mas O Verão de Minha Vida não é mais uma daqueles típicos filmes de férias concebidos para reinarem na "sessão da tarde". Dirigido e roteirizado pela dupla Jim Rash e Nat Faxon, vencedores do Oscar com a trama de Os Descendentes, a comédia dramática se apoia em interessantes personagens para debater sobre o processo de amadurecimento dentro da juventude. Contando com um inspirado desempenho de Sam Rockwell , o longa evita se levar muito a sério e, através de uma original atmosfera, mostra as consequências que um relacionamento equivocado na vida de um inseguro jovem de 14 anos. Confira aqui a nossa opinião sobre o longa.

- Hoje eu Quero Voltar Sozinho (2014)



Vencedor da Mostra Panorama do Festival de Berlim, Hoje eu quero Voltar Sozinho é uma luz no fim do túnel para o cinema brasileiro. Em meio à profusão de produções nacionais nada originais, cada vez mais sugadas diretamente da TV, o longa é uma prova de que com pouco pode se fazer muito. Acompanhando os desdobramentos do curta-metragem Hoje que Não quero Voltar Sozinho, o estreante em longas-metragens Daniel Ribeiro nos brinda com uma trama extremamente sensível, lidando de forma tocante com as descobertas da adolescência. Sem o apoio das grandes produtoras, o diretor consegue repetir o tom autoral do seu curta, ampliando toda a história do deficiente visual Leonardo e a sua busca pelo primeiro amor. Carregando uma bem vinda naturalidade, o longa aborda de forma inspirada as dúvidas, crises e a insegurança com relação a essa fase da vida. Méritos para a grande atuação do jovem Guilherme Lobo, impecável ao dar vida ao carismático deficiente visual Leonardo. Confira aqui a nossa opinião sobre o longa

- Mommy (2014)

Vencedor do prêmio do Júri no Festival de Cannes, Mommy marca a volta do jovem diretor, roteirista e produtor Xavier Dolan aos dramas familiares. Utilizando parte de sua problemática experiência na relação com a própria família, temática recorrente na já destacável filmografia do realizador de 25 anos, o canadense aposta numa fábula futurística para comover através da angustiante relação entre um adolescente de temperamento instável e a sua imatura mãe. Demonstrando grande perícia ao conduzir essa complexa relação, repleta de agressões e afeto, Dolan comprova o seu talento num longa vigoroso, marcado por intensas atuações e soluções narrativas extremamente originais. Sem dúvida alguma um dos relatos mais contundentes desta lista, que captura com brilhantismo a aura indomável da juventude atual. Confira aqui a nossa opinião sobre o longa.

- Boyhood - Da Infância à Juventude (2014)



Rodado ao longo de doze anos, Boyhood - Da Infância a Juventude é um daqueles impecáveis trabalhos que merecem ser apreciados. Acompanhando o crescimento do ator Ellar Coltrane dos 6 aos 18 anos, opção que inegavelmente atribui uma aura de raridade ao projeto, o diretor Richard Linklater foge completamente dos clichês ao narrar a jornada de amadurecimento em torno do jovem Mason. Explorando as fluidas 2 h e 40 de projeção, o realizador nos surpreende ao não só se concentrar neste retrato maduro e cativante sobre uma família norte-americana, mas por se preocupar em nos guiar através das mudanças culturais, políticas e comportamentais que também marcaram este período. Na contramão dos grandes blockbusters, produzidos em escala quase industrial por Hollywood, Linklater usa o tempo como um aliado estético e narrativo, se apropriando com primor das noções de passado, presente e futuro para se aprofundar nas ânsias, inseguranças, e dúvidas nesta árdua transição da adolescência para a fase adulta. Confira aqui a nossa opinião sobre o longa.

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