quinta-feira, 23 de abril de 2015

James Spader, A Era de Ultron e os atores que conseguiram brilhar mesmo "escondidos" nos seus personagens


Finalmente o dia chegou. Nesta quinta-feira estreou nos cinemas brasileiros Vingadores - A Era de Ultron (confira a nossa opinião aqui), um dos lançamentos mais aguardados de 2015. Novamente dirigido por Joss Whedon, o longa vem recebendo ótimas críticas, principalmente no que diz respeito as espetaculares sequências de ação e a introdução do vilão Ultron. Recriado através da captura de movimentos (confira aqui um vídeo sobre os bastidores do longa), o antagonista interpretado por James Spader vem sendo considerado um dos grandes trunfos do longa, recebendo elogios por sua insanidade, pelo humor sarcástico e por sua incrível performance. Uma das principais novidades desta continuação, que trará também os irmãos Mercúrio e Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen e Aaron Taylor-Johnson), Spader é mais um dos atores que abriu mão da sua presença física para dar vida a um marcante personagem. Seja com as incríveis alternativas possibilitadas pelo CGI, com máscaras e fantasias, ou então com a boa e velha maquiagem prática, uma grande quantidade de atores já seguiram um caminho semelhante ao de James Spader. Aproveitando então a estreia de Vingadores - A Era de Ultron, confira abaixo alguns dos nomes que conseguiram brilhar mesmo "escondidos" dentro dos seus personagens.

- Boris Karloff (Frankenstein)


Um dos primeiros grandes astros a brilhar com um personagem completamente maquiado, Boris Karloff se tornou um dos icônicos Monstros da Universal ao dar vida ao assustador Frankenstein. Sem o mesmo charme de Bela Lugosi, que se tornou um dos antagonistas mais celebrados com o cultuado Drácula, Karloff tirou um belo proveito das suas feições mais soturnas e construiu um personagem à altura do clássico de Mary Shelley.

Lon Chaney (O Fantasma da Ópera)



Antes mesmo de Karloff dar uma roupagem icônica para a criação de Mary Shelley, no entanto, Lon Chaney causou arrepios com o assustador personagem título de O Fantasma da Ópera (1925). Indo de encontro a versão charmosa interpretada recentemente por Gerard Butler, o diretor Rupert Julian resolveu realmente causar arrepios ao criar um personagem sombrio e tragicamente desfigurado. Mesmo sob a pesada maquiagem, Chaney conseguiu adicionar uma singular expressividade ao seu personagem, que ainda hoje se revela uma figura visualmente incômoda. O ator, aliás, ficou conhecido como o "homem das mil faces", justamente pela facilidade com que interpretava tipos monstruosos. Como curiosidade, anos mais tarde o seu filho, o ator Lon Chaney Jr., se tornaria também um dos grandes nomes do gênero. Uma das estrela na popular Era dos Monstros da Universal, Chaney Jr. ficou conhecido por protagonizar o clássico O Lobisomem (1941).

- Margaret Hamilton (Bruxa Má do Oeste)


Uma das personagens mais icônicas de O Mágico de Oz (1939), Margaret Hamilton abriu completamente mão da sua vaidade ao dar vida a assustadora Bruxa Má do Oeste. Num pesado trabalho de maquiagem, Hamilton, aliás, teve que substituir a bela Gale Sondergaard, que surtou após perceber que teria que atuar completamente desfigurada.

- Kenny Baker (R2D2)



Numa época em que os efeitos digitais estavam ainda amadurecendo, Kenny Baker teve que se esconder dentro de uma grande "lata" para dar vida ao carismático R2D2. Um dos símbolos da franquia Star Wars, reconhecida pelo uso de soluções práticas, Baker impressiona ao dar vida a um pequeno e extremamente útil robô. Méritos que, logicamente, precisam ser divididos com George Lucas, a grande mente não só por trás desta saga intergalática, mas também da evolução da tecnologia dentro do cinema. 

- Anthony Daniels (C-3PO)


Parceiro de R2D2, o C-3PO vivido por Anthony Daniels é mais um dos clássicos personagens da franquia Star Wars. Juntos em todos os filmes da franquia, Daniels teve um pouco mais de espaço para se destacar, explorando toda a sua expressão corporal para compor um robô mais "maléavel", com direito a sua mobilidade toda particular e a fala robótica. Um trabalho até hoje aclamado, tanto que os dois estarão de volta ao novo longa da franquia.

- Peter Mayhew (Chewbacca)


Do alto dos seus 2 metros e 18 centímetros, Peter Mayhew foi mais um da franquia Star Wars a se destacar sem mostrar o seu rosto. Interpretado o leal e carismático Chewbacca, o ator impressionou ao criar um tipo único, com direito a uma enorme fantasia e uma máscara extremamente bem detalhada. 

- John Hurt (O Homem Elefante)


Saindo dos gêneros mais fantástico, o drama também já fez um belo uso dos recursos mais práticos. Em O Homem Elefante (1980), o aclamado diretor David Lynch encontrou na maquiagem, e no talento do ator John Hurt, dois aliados para reproduzir a história real de um homem acometido por uma grave doença. Um belo trabalho do maquiador Christopher Tucker. 


- John Matuszak (Sloth)


Num dos maiores clássicos da década de 1980, o ator John Matuszak foi o responsável por dar vida ao grandalhão e adorável fã de chocolate Sloth, em Os Goonies (1985). Num dos principais personagens deste cultuado longa, Matusak vai do assustador ao afável de maneira absolutamente impecável, se tornando o amigão do carismático grupo de crianças dirigidas por Richard Donner. 

- Vincent D'Onofrio (Edgar)


Concebido por um dos maiores símbolos da maquiagem nas últimas duas décadas, o genial Rick Baker, Vincent D'Onofrio ficou completamente irreconhecível ao dar vida ao asqueroso vilão Edgar em MIB (1997). Um dos pontos mais altos deste bem sucedido longa, estrelado pela dupla Will Smith e Tommy Lee Jones, o antagonista criado por D'Onofrio impressiona não só por sua estética nojenta, mas por sua mobilidade completamente descompassada. Confesso que se não fosse a pesquisa para esta lista, não associaria este personagem ao competente ator. 

- Jim Carrey (Grinch)


Num dos trabalhos de maquiagem mais celebrados do cinema, o astro da comédia Jim Carrey passou por um cansativo processo de preparação de quase 3 horas para dar vida ao carismático O Grinch (2000). Num personagem absolutamente carismático, Carrey - como geralmente sabe fazer - arranca genuínas gargalhadas ao interpretar um ser disposto a acabar com o Natal. Mais um Oscar de Melhor Maquiagem para Rick Backer. 

- Rebecca Romijn (Mística)


Diferente da atual Mística de Jennifer Lawrence, que ora surge com a sua forma real, ora transformada, a igualmente bela Rebecca Romijn abriu completamente mão da sua presença física para viver a primeira versão da antagonista em X-Men (2000). Com um trabalho de maquiagem absolutamente fantástico, sem dúvidas um dos mais detalhados desta lista, a Mística se tornou uma das personagens mais significativas deste que foi um dos responsáveis pela invasão dos filmes de super-heróis. Pra se ter a noção exata do trabalho, para este primeiro filme a atriz teve que passar por um processo de oito horas de maquiagem para alcançar este espetacular resultado. 

- Andy Serkis (Smeagol, King Kong, César)


Esse é um capítulo a parte dentro desta lista. Um dos pioneiros na técnica de captura de movimentos, Andy Serkis se tornou um dos mais aclamados "atores digitais" do cinema atual. Explorando o pioneirismo tecnológico do diretor Peter Jackson, criador da Weta Digital, uma das autoridades máxima dentro da produção de efeitos especiais, Serkis se dedicou de corpo e alma ao dar vida ao moralmente dúbio Smeagol em O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (2001). Num desempenho absolutamente fantástico, a possibilidade da captura de movimentos permitiu que esta criatura criada digitalmente ganhasse movimentos e expressões absolutamente humanas, potencializadas pelo talento do ator. Parte integrante da trilogia original baseada na obra de J.R.R Tolkien, Andy Serkis voltaria a emprestar o seu talento para a nova versão do King Kong (2005), e principalmente para o macaco César nos remakes de Planeta dos Macacos: A Origem (2011) e O Confronto (2014). Estes dois últimos trabalhos, inclusive, abriram espaço para a discussão envolvendo a possibilidade de uma "atuação digital" ser reconhecida pelo Oscar, vide o impressionante trabalho concebido por este realizador.

- Ray Park (Darth Mau) 


Responsável por viver o antagonista do retorno da saga Star Wars, Ray Park ganhou uma caprichada maquiagem em Ameaça Fantasma (2001). Interpretado o vilão Darth Mau, Park se mostrou um do grandes acertos do longa, principalmente por sua assustadora caracterização.

- Doug Jones (Fauno, Abe Sapien e o Surfista Prateado)


Se Andy Serkis se tornou um símbolo da tecnologia de captura de movimentos, o mimico e ator Doug Jones é um dos ícones envolvendo os efeitos práticos na atualidade. Colaborador frequente do criativo Guillermo Del Toro, Jones impressiona por sua fantástica expressividade, funcionando principalmente quando interpreta os personagens mais particulares. A começar pelo dócil Abe Sapien, parceiro aquático de Hellboy (2004), que abriu um grande espaço para as grandes produções. Com seus movimentos sempre rigorosos, e os trejeitos absolutamente únicos, Doug Jones acabou realmente impressionando no espetacular O Labirinto do Fauno (2006), onde deu vida a grande parte dos exóticos personagens criados por Del Toro. Entre eles o fantástico Fauno e a assustadora criatura com os olhos nas mãos. Um trabalho espetacular, que lhe rendeu o papel de Surfista Prateado na contestada sequência de Quarteto Fantástico (2006), e os personagens Chamberlain e Anjo da Morte em Hellboy 2 (2008). 

- Hugo Weaving (V)


Com uma missão bem mais tranquila, Hugo Weaving emprestou o seu talento e a sua expressividade para dar vida ao anárquico V em V de Vingança (2005). Portando uma roupa completamente preta e um máscara de Guy Fawkes, Weaving impressiona ao compor um culto e hábil anti-herói. 

- Edward Norton (Rei Baldwin)


Num personagem bondoso e misterioso, Edward Norton abriu mão da sua vaidade para dar vida ao imponente Rei Baldwin no subestimado Cruzada (2005). Vivendo um rei leproso, Norton constrói um tipo absolutamente fantástico, equilibrando com habilidade a condição frágil do monarca, com a sua vigorosa presença. Apesar dele geralmente surgir em cena com uma máscara metálica, que só contribui para a aura enigmática do personagem, numa única cena a equipe de maquiadores faz um belíssimo trabalho ao mostrar como a doença o consumiu. 

- Bill Nighy (Davy Jones)


Um dos atores mais versáteis da atual safra britânica, Bill Nighy construiu um vilão de respeito com o seu Davy Jones em Piratas do Caribe: O Baú da Morte (2006). Através de uma inspirada criação digital, Nighy deu vida ao temido comandante do navio Holandês Voador, construindo um antagonista à altura do anti-herói Jack Sparrow. Um pirata com cara de polvo, com direito aos tentáculos formando uma espécie de barba. 

- Toby Kebbell (Koba)


Se Andy Serkis impressiona com o seu César, Toby Kebbell roubou completamente a cena com o seu Kobe em Planeta dos Macacos: O Confronto (2014). Dando vida a um dos antagonistas mais impactantes dos últimos anos, Toby constrói um primata dissimulado, quase maquiavélico, tirando um belo proveito não só da técnica de captura de movimentos, mas também da sombria concepção visual de seu personagem. 

- Zoe Saldana (Avatar e Guardiões da Galáxia)


Uma das atrizes mais bem sucedidas da sua geração, Zoe Saldana emplacou duas poderosas personagens nos aclamados Avatar (2009) e Guardiões da Galáxia (2014). Sob a batuta do "midas" James Cameron, Saldana arrancou elogios ao interpretar a digitalizada Neytiri, uma alienígena navi que se apaixona por um soldado bem intencionado. Emprestando a sua expressividade através da técnica de captura de movimentos, a atriz absorveu os recursos técnicos com solidez e intensidade, criando uma personagem forte e marcante. A equipe de animação, aliás, fez um primoroso trabalho na manutenção de alguns traços físicos da atriz, principalmente na sua concepção facial, nos fazendo enxergar a presença dela por trás deste avatar tecnológico. Por outro lado, submetida a uma incrível maquiagem prática, Zoe Saldana retornou ao gênero com a indomável Gamora em Guardiões da Galáxia. Completamente esverdeada, a atriz utiliza os recursos mais "artesanais" em prol da sua personagem, vide a sua presença nas ágeis sequências de ação, se tornando um dos grandes trunfos da aventura dirigida por James Gunn.

- Vin Diesel (Groot)


Num dos personagens mais carismáticos do estrondoso Guardiões da Galáxia (2014), Vin Diesel emprestou a sua energia para o adorável Groot. Também utilizando a captura de movimentos, Diesel mostrou o seu talento ao compor este personagem, que expressava todas as suas emoções e ideias através de uma mesma frase: Eu sou Groot. Um herói rico em detalhes, que logo conquistou a atenção dos fãs do gênero. 

- Sharlto Copley (Chappie)


Optando por utilizar a captura de movimentos para criar um ser robótico, fato raro dentro do gênero, o diretor sul-africano Neil Blomkamp encontrou em Sharlo Copley a entrega necessária para dar vida ao inocente Chappie (2015). Demonstrando categoria ao desenvolver este elaborado personagem, um robô com inteligência artificial que parece uma criança, Copley constrói um personagem curiosamente maleável, com um estilo 'gangsta', num longa recheado de discussões morais. 

- James Spader (Ultron)


E por fim a estrela da lista. Elogiado por toda a crítica devido ao seu desempenho como Ultron, James Spader ressurge numa grande produção ao conceber um dos vilões mais imponentes da saga Vingadores. Num personagem repleto de humor, insanidade e tirania, Spader vem sendo considerado pela crítica um dos melhores elementos de Vingadores: A Era de Ultron (2015).

Menções: Robert Englund (A Hora do Pesadelo), Danny De Vitto (Batman: O Retorno), Ron Perlman (Hellboy) e Dave Bautista (Guardiões da Galáxia).

Um comentário:

Tancredo Fonseca disse...

Faltou o Paul Bettany como Jarvis e Visão!

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