quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Anjos da Lei 2

Humor escrachado e hilário "bromance" elevam o nível desta continuação

Com Jonah Hill e Channing Tatum visivelmente se divertindo em cena, Anjos da Lei 2 se reinventa ao deixar que esse escrachado "bromance" se torne o grande fio condutor desta continuação. Enquanto o original surpreendeu ao brincar com os estereótipos do "high-school" norte-americano, essa continuação opta por seguir um caminho mais seguro ao infiltrar os dois policiais agora na universidade. Deixando a ação em segundo plano, o longa dirigido pela dupla Phil Lord e Christopher Miller (Uma Aventura Lego) tem como diferencial o humor "moleque", quase sem limites, que sem dúvida torna essa sequência uma das mais empolgantes comédias de 2014.


Sem se levar a sério em um momento sequer, as coisas voltam a sua ordem natural nesta continuação assinada por Rodney Rothman e Michael Bacall. Se na primeira missão da dupla o gordinho Schmidt (Jonah Hill) ganhou status de popular ao se infiltrar no grupinho nerd do Ensino Médio, desta vez é Jenko (Channing Tatum) que reassume a sua posição de descolado nesta investida agora na Universidade. Novamente liderados pelo Capitão Dickson (Ice Cube), os dois são recrutados pelos Anjos da Lei para se infiltrarem na tentativa de conter o crescimento de uma nova droga: o "Whyphy". Empolgados pela oportunidade de repetirem os seus feitos, a relação dos dois acaba estremecendo quando Jenko entra para o time de futebol americano e cria uma grande amizade com o quarterback Zook (Wyatt Russell). Incomodado com a sua situação, Schimidt vê a parceria ruir no momento em que Jenko enxerga a possibilidade de ter sucesso como atleta universitário.


Apesar de seguir a fórmula básica do original, Anjos da Lei 2 é mais uma vez certeiro ao desconstruir o clima sóbrio da série noventista. Se no primeiro longa a ação surtada e a inversão dos estereótipos ganhou mais peso, nesta sequência Lord e Miller se concentram na latente química de Hill e Tatum. Potencializando o clima de "bromance", que aqui ganha um inusitado "triângulo afetivo" com a presença do carismático Wyat Russel, filho do ator Kurt Russel, os diretores dão total liberdade para que a dupla use e abuse das hilárias improvisações. Abrindo um merecido espaço para o Capitão Dickson, num impagável desempenho de Ice Cube, o afiado e politicamente incorreto roteiro é preciso ao dar um ar ainda mais imaturo a esta inusitada parceria. Além disso, os realizadores utilizam o escrachado humor em momentos inesperados, incluindo no envolvente grande clímax, encontrando uma alternativa interessante para a falta da ação mais convencional.


Por mais que as reviravoltas desta sequência não se mostrem tão inspiradas, e que o antagonista vivido por Peter Stormare (Constantine) apareça fora do tom, Anjos da Lei 2 compensa esses deslizes com altas doses de criatividade. Apostando em surtados momentos, a viagem alucinógena de Schmidt e Jenko já vale o ingresso, os diretores Phil Lord e Christopher Miller se mostram habilidosos ao brincar não só com os clichês do gênero, mas, até mesmo, com os da própria série que o inspirou. Apesar das comédias "bromânticas" já mostrarem um certo desgaste, ao explorar o humor non-sense e as precisas referências ao universo pop, os realizadores conseguem manter o vigor desta continuação.

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