segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Família do Bagulho

Filme escapa dos clichês para criar uma consistente comédia


Terceiro longa protagonizado pela dupla Jeniffer Aniston e Jason Sudeikis, Família do Barulho desponta como uma das melhores opções do gênero neste ano de 2013. Brincando com a tradicional instituição familiar, o longa dirigido por Rawson Marshall Thurber (Com a Bola Toda) trabalha bem com os esteriótipos dos norte-americanos. Se apoiando numa - bem vinda - crítica, o filme nos apresenta uma mescla interessante de piadas, explorando bem não só as "gags" visuais, como também um eficiente roteiro, repleto de certeiras referências à cultura pop. 

Assinado por Sean Anders e John Morris, a trama de Família do Bagulho tenta brincar com os principais clichês envolvendo a família norte-americana. Daquelas perfeitas, que normalmente são responsáveis pelos comerciais de margarina. Temos então o pai atencioso, a mãe recatada, o irmão de aparência inocente e a filha inteligente, a típica estrutura padrão. No entanto, isso tudo não passa apenas de uma grande fachada. Na verdade, o "pai" (Jason Sudeikis) é um traficante de segunda, a "mãe" (Jeniffer Aniston) é uma stripper, o "filho" (Will Pouter) é um bobalhão mesmo e a "filha" (Emma Roberts) uma liberal garota de rua. Essa reunião acaba acontecendo após David (Sudeikis) ser roubado e perder todo o seu dinheiro, incluindo, o que devia ao traficante Brad (Ed Helms). Em situação desconfortável, David acaba recebendo uma oferta para quitar a situação: buscar um carregamento de maconha no México. Cientes das dificuldades em ultrapassar a fronteira, o solteirão resolve criar uma família fictícia e busca ajuda junto a sua vizinha stripper Rose (Aniston), seu inocente vizinho Kenny (Pouter) e a misteriosa delinquente Casey (Emma Roberts). O que parecia um plano preciso, porém, ganha uma série de complicações, quando David passa a ser perseguido por um grande traficante mexicano e faz amizade com uma conservadora família norte-americana.


Com essa curiosa premissa, o diretor Rawson Marshall Thurber - do divertido Com a Bola Toda - acerta ao conduzir com eficiência essa sátira sobre a família norte-americana. Para criar esse contraste, a trama opta por abusar dos xingamentos e das ofensas, que nesse caso não soam gratuitos, associando a personalidade dos seus "verdadeiros" personagens a essa tradicional estrutura familiar. O resultado é uma série de hilários diálogos, cheios de ironia, e momentos genuinamente engraçados. As piadas envolvendo o bebê de maconha e a dificuldade com as mulheres de Kenny são o grande exemplo disso, representando bem esse contraste apresentado. A sátira maior, no entanto, fica no relacionamento dos Miller com a curiosa família Fitzegerald. Eles que, a princípio, surgem como a tradicional família norte-americana, mas acabam revelando muito mais do que o esperado. Nesse momento, a trama faz um interessante questionamento sobre a rotina familiar, destacando principalmente as dificuldades de ordem sexual. Se apoiando nessa eficiente sátira, o roteiro não apresenta grandes furos e, mesmo optando por um clímax mais convencional, acaba possibilitando uma divertida viagem ao espectador. 


Road trip que, aliás, se torna ainda mais agradável graças à ótima química entre os quatro integrantes dessa "família". Após não conseguirem um bom desempenho nos longas Caçador de Recompensas e Quero Matar meu Chefe, a dupla Aniston e Sudeikis volta a contracenar, desta vez com um interessante desempenho. Aniston, em especial, está muito bem - em todos os sentidos - na pele da stripper Rose. Já Sudeikis mostra o habitual bom trabalho dentro da comédia, construindo boas piadas e trabalhando muito bem com os improvisos. Os destaques do filme, no entanto, ficam pelos jovens Will Pouter e Emma Roberts. É muito curioso ver Roberts, que ficou marcada por filmes mais leves, fazer uma personagem completamente diferente. Uma interpretação desbocada e ousada que funciona muito bem dentro dessa sátira. Já Pouter é, sem dúvidas, o que mais chama a atenção no filme. O ator, que é britânico, consegue construir um dos tipos norte-americanos mais explorados dentro do cinema: o nerd virgem com dificuldades no relacionamento com as mulheres. Um personagem inocente e divertido, muito bem conduzido pelo jovem ator. Além deles, vale destacar as atuações de Nick Offerman e Kathryn Hann, excelentes vivendo o casal Fitzegerald. O ponto negativo, no entanto, fica pelos antagonistas do longa. O bom Ed Helms não convence como o traficante Brad e - para piorar - o ator francês Tomer Sisley, me pareceu uma péssima escolha para viver um traficante mexicano.


Não podemos esquecer, porém, que Família do Bagulho é uma grande sátira. Até por isso, a escolha de um ator francês para viver um mexicano, além de toda a estapafúrdia recriação do México, não devem ser levadas a sério - pelo bem da comédia. Apesar desses pequenos deslizes, nem mesmo o convencional clímax consegue atrapalhar o resultado final. Um trabalho que surpreende por sua tentativa de associar o absurdo ao original, e pela ousadia em ironizar a tão combalida estrutura familiar norte-americana. Ironia que, aliás, foi muito bem recebida, rendendo mais de 260 milhões de dólares. Quase três vezes mais do que o orçamento do longa. 


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