quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Minha Mãe é uma Peça

Comédia brasileira tem bom ritmo e acerta ao tratar com humor o relacionamento entre mãe e filhos


Escrito e estrelado por Paulo Gustavo, Minha Mãe é uma Peça chega aos cinemas conseguindo manter a essência do carismático personagem das peças teatrais. Inspirado na própria mãe do ator, a personagem Dona Hermínia é realmente digna de um longa, e sem grandes problemas, já garante o ingresso do espectador menos exigente. No entanto, diferente das últimas comédias nacionais de maior sucesso, Minha Mãe é uma Peça consegue um resultado surpreendente, principalmente por explorar com personalidade e bom humor a relação entre uma mãe e seus dois "complicados" filhos. 

Dirigido por André Pellenz, que já trabalhou com Paulo Gustavo na série 220 V, o longa apesar de em determinados momentos parecer despretensioso, consegue - graças a sua narrativa bem montada - abordar diversos temas importantes no processo de criação dos seus filhos. E isso, sem propriamente, apresentar uma elaborada trama. Na verdade, se não fossem as grandes doses de humor - em alguns momentos até exagerado - o filme poderia até ter um tom documental. Narrado basicamente em flashbacks, o longa conta o dia-a-dia de Dona Herminia (Paulo Gustavo), uma mãe separada que tem a dura missão de cuidar de seus filhos Marcelina (Mariana Xavier) e Juliano (Rodrigo Pandolfo), dois adolescentes no mínimo, temperamentais. Na verdade seus maiores problemas são com a filha, que além de conviver com os problemas de peso, parece não ter muito respeito à figura materna. Pra piorar a sua situação, Dona Herminia ainda tem que conviver com o ex-marido Carlos Alberto (Herson Capri) e a sua jovem esposa Soraia (Ingrid Guimarães). Tudo muda, no entanto, quando Dona Herminia, acaba ouvindo através de uma ligação de celular não encerrada que os seus filhos tinha a vontade de morar com o pai. Frustrada com a situação, a matriarca da família deixa a sua casa e vai passar uns dias com a sua tia Zélia (Sueli Franco), onde acaba desabafando e lembrando todo o processo de criação de seus filhos.

Explorando bem os recursos dos flashbacks, André Pellenz consegue dar um bom ritmo a trama, explorando este processo de criação desde os primeiros meses de vida, até a adolescência. Apostando no talento do ator e também roteirista Paulo Gustavo, o longa é extremamente divertido e consegue construir boas gags, algumas delas até politicamente incorretas. Além disso, o longa apresenta algumas sub-tramas interessantes, que dão até um pouco mais de densidade a história. No entanto, justamente no momento em que o roteiro tenta apelar para um lado mais emocional, ele se perde, e as soluções encontradas no clímax do filme deixam um pouco a desejar. Tudo soa muito artificial.

Vale destacar também o bom elenco do filme, principalmente, o núcleo familiar constituído por Paulo Gustavo, Mariana Xavier e Rodrigo Pandolfo. O trio de protagonistas demonstra uma ótima química na tela, e são verdadeiramente engraçados. Já o elenco de apoio não consegue manter o nível do trio de protagonistas, e quem acaba se destacando é a competente Alexandra Richter (Divã) e a também comediante Samanta Schmutz, vivendo a engraçada empregada Valdeia. De ponto negativo, a presença de Ingrid Guimaraes, que, apesar de já ser mais experimentada no gênero, tem um desempenho caricato e destoa do restante do elenco.


Dos filmes brasileiros com maior apoio em 2013, até o momento, Minha Mãe é uma Peça se torna um dos destaques. Isso porque, ainda que de forma sútil, o longa tenta nadar contra a corrente que paira as comédias nacionais. Até por isso, o longa já levou mais de 4 milhões e 500 mil pessoas aos cinemas de todo o Brasil, estando em cartaz há dez semanas nas grandes salas de cinema de todo território nacional. 

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