quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cinemaniac Indica (22 Balas)

Apesar de produzir uma quantidade enorme de grandes filmes anualmente, o mercado Europeu de cinema ainda não consegue ter uma grande alcance do lado de cá do oceano. Mesmo com o êxito e a qualidade comprovada, os longas produzidos por lá quase sempre acabam esbarrando na onipresença da indústria Hollywoodiana, que cada vez mais amplia os seus domínios. O resultado, em muitos casos, é triste para os fãs do cinema. Deixamos de conhecer bons trabalhos, como por exemplo, o ótimo thriller francês 22 Balas, produzido pelo "mestre da ação" Luc Besson. Lançado neste ano, direto em DVD, o longa protagonizado por Jean Reno é um dos bons filmes de ação da temporada. Explorando uma trama envolvente, um elenco competente e mais uma ótima atuação de Reno, o longa dirigido por Richard Berry tenta recuperar a autoestima dos filmes sobre a máfia.

Utilizando o ponto de vista tradicional dos filmes de máfia, ou seja, proteger a família, 22 Balas tem como grande sacada a forma como humaniza os personagens. Em um período onde quase sempre os "mocinhos" e os "bandidos" são explorados como figuras completamente opostas, o longa francês deixa claro que até mesmo os vilões tem coração. Se apoiando em um realismo extremamente eficiente, o longa narra a história de Charley Mattei (Reno), um ex-chefe de máfia que abandou os negócios para cuidar da família. No seu lugar, Mattei passa o controle de seus negócios para Tony Zacchia (Kad Merad), um grande amigo dos tempos de juventude, que o ajudou a construir sua fortuna. Três anos depois, quando Matei já acreditava que havia deixado a máfia para trás, ele sofre um covarde atentado. Após receber 22 tiros, milagrosamente Matei sobrevive. Mas sabe que não só ele, como toda sua família está em risco. Assim ele terá de voltar à ativa e buscar vingança, mesmo sabendo que com um erro todas as pessoas que ele mais ama correria risco.

Com roteiro assinado pelo próprio Richard Berry, levemente inspirado no romance escrito por Franz-Olivier Giesbert, o longa se desenvolve de maneira competente. Mesmo mostrando uma abordagem mais clássica sobre o tema, e talvez não muito inovadora, com uma edição eficaz, repleta de cortes e flashbacks, os primeiros minutos contextualizam a trama de forma atraente. Desenvolvendo os personagens de maneira rápida e interessante, sobra tempo para que os dramas de cada um deles sejam explorados, independentes de qual lado "guerra" eles estejam. Esta humanização dos personagens, muito bem utilizada em clássicos do gênero, aqui também funciona, contribuindo para dar um ar mais verídico a trama. Além disto, o filme se utiliza muito bem das subtramas, conseguindo preencher possíveis buracos que o roteiro poderia deixar. Como, por exemplo, no relacionamento entre o advogado de Matei e sua ex-esposa doente, e no arco envolvendo a vingança pessoal de uma  policial. Com isso, teoricamente é vendido como mais um thriller de ação, 22 Balas ganha uma carga emocional densa, que prende a atenção do espectador.

Apesar da eficiente carga dramática, um bom filme com Jean Reno, em parceria com Luc Besson, não poderia deixar de ter ação de qualidade. E neste caso, o resultado também é de ótimo nível. Apesar de explorar muitos clichês, o longa preza mais pela realidade, com cenas de ação rápidas e conviventes, no melhor estilo Busca Implacável, do próprio Luc Besson. A cena de execução de Charlei, por exemplo, é realmente forte e bem realizada. Num todo, porém, a opção por explorar um visual mais pesado é oscilante, se mostrando desnecessária em alguns momentos. Mesmo com os 62 anos de idade, Reno continua se saindo bem tanto nas cenas mais frenéticas, quanto naquelas que exigem uma maior carga dramática. Como 22 Balas é um filme equilibrado, os fãs do ator poderão se contentar tanto com o lado mais heroico de Reno, que já pôde ser visto nos ótimos O Profissional e Rios Vermelhos, como também o mais dramático, que é muito bem representado em filmes como O Tigre e a Neve e Hotel Ruanda. Além de Reno, 22 Balas conta com um competente elenco de apoio, incluindo Granriella Wright, Marina Fois, muito bem na pele da policial durona e Kad Merad, ótimo como o frágil e violento antagonista.

E como todo bom filme europeu, a fotografia é singular. Mostrando os belos cenários da paisagem de Marseille, a fotografia oferece toques belos, que contrastam com a trama marcada por mortes e vingança. Enfim, mesmo explorando algumas fórmulas já utilizadas, 22 balas é um thriller competente que flutua bem da ação para o drama. Sem dúvidas, melhor do que muitas das produções hollywoodianas que desembarcaram em nossas terras. Se não consegue colocar o gênero no lugar que ele já pertenceu, pelo menos o resultado é longe de ser decepcionante.

3 comentários:

Hugo disse...

Jean Reno e Luc Besson são parceiros desde "Subway" de 1985.

Os filmes de ação europeus produzidos por Besson são interessantes e diferentes do estilo hollywoodiano.

Vou procurar este para assistir.

Abraço

thicarvalho disse...

Assista sim pois se trata de um bom filme. Vale a pena. Grande abraço e volte sempre.

Tiago Britto disse...

Falamos bem deste filme lá no Blog. Uma pena que algumas produções saem direto em dvd e alguns lixos saem no cinema kkkk abs!

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