quinta-feira, 23 de março de 2017

Animação x Live Action - O Antes e Depois de A Bela e a Fera


Com um enorme reverência ao clássico de 1991, a nova versão de A Bela e a Fera (leia a nossa opinião completa) encanta ao resgatar a aura mágica da animação original. Numa abordagem extremamente respeitosa, o diretor Bill Condon evitou qualquer grande mudança em relação ao primeiro filme, nos brindando com uma refilmagem quase literal. Por diversas vezes, inclusive, o realizador é cuidadoso ao reproduzir alguns dos momentos mais icônicos, principalmente nos encantadores números musicais, entregando uma releitura capaz de dialogar com a memória afetiva da sua audiência. Na atualização visual dos personagens, entretanto, Condon exibiu uma abordagem mais autoral. Embora os traços sejam mantidos, a equipe de design de animação soube tornar os amaldiçoados objetos do castelo mais reais, mais concretos, sem necessariamente abdicar do carisma e da personalidade deles. Nesta matéria especial, confira as semelhanças e as diferenças entre as duas versões, o antes e o depois dos personagens de A Bela e a Fera.

- Bela (Emma Watson)


Talvez a personagem mais respeitada em relação ao original, a Bela de Emma Watson traz basicamente mais características da animação. Embora a princesa ganhe uma personalidade mais astuta e independente, Bill Condon resgata o misto de doçura, solidão e afetuosidade presente na animação. Um cuidado que, aliás, se reflete também na composição visual da personagem, que surge praticamente idêntica a animação. Uma excelente releitura. 

- Fera (Dan Stevens)


Assim como a Bela, a Fera ganhou uma personalidade mais atual. Mais imaturo, amargurado e incompreendido, o protagonista ganhou nuances mais profundas, um elemento potencializado pela maneira com que o roteiro se volta para o passado do personagem. Quando o assunto é o aspecto visual, no entanto, a Fera se torna o elemento mais problemático. Por mais que a expressão do monstruoso príncipe seja humana e impactante, a sua textura peluda soa artificial aos olhos do público, principalmente nos planos mais fechados. Num todo, porém, a digitalizada Fera funciona, realçando o aspecto culto\selvagem presente na animação. 

- Gastão (Luke Evans)


Com uma visual praticamente idêntico ao da animação, o antagonista Gastão também ganhou uma personalidade mais mundana. Além do seu egocentrismo e vaidade, o personagem interpretado com energia por Luke Evans ganhou uma faceta mais nefasta e instável, assumindo com mais veemência a função de vilão da refilmagem. Outra excelente releitura. 

- LeFou (Josh Gad)


Disparado o personagem mais autoral do filme, o gordinho LeFou ganhou uma versão bem mais interessante nesta refilmagem. Interpretado com extrema energia por Josh Gad, o fiel escudeiro do convencido Gastão e tornou uma figura mais apaixonada, insinuante e afetada. Com enorme sutileza, Bill Condon cativa ao estreitar a relação entre os dois, indo além da pura amizade ao realçar o interesse não correspondido e a pontinha de ciúme de LeFou. Mais do que isso, o argumento é habilidoso ao explorar as questões morais por trás desta relação, dando ao personagem um arco humano e bem desenvolvido. 

- Maurice (Kevin Kline)


Outro personagem que ganhou um arco bem mais denso, o afetuoso Maurice se tornou um dos pontos altos da refilmagem. No que diz respeito ao aspecto narrativo, Bill Condon mostrou uma preocupação maior com a relação entre pai e filha, abrindo uma comovente subtrama envolvendo o passado de Bela. Dono de um inegável carisma, Kevin Kline flutua entre a comédia e o drama com enorme desenvoltura, comprovando a perfeita sintonia do talentoso elenco. É no aspecto visual, porém, que o personagem passou pela maior transformação. Antes gordinho e bonachão, Maurice ganhou uma versão mais esbelta em 'live action', uma roupagem mais próxima ao biotipo da filha. 

- Lumière (Ewan McGregor)


Assim como na animação, o candelabro Lumiére é uma das figuras mais cativantes do novo A Bela e a Fera. Mais corajoso do que galanteador, o impagável personagem ganha uma roupagem mais real, mais verossímil. Embora não tenha a mesma expressividade, Lumiére surge mais dourado e metalizado, um visual estiloso habilmente explorado ao longo da película. Sem querer revelar muito, o colorido número musical protagonizado por ele segue como um dos pontos alto da película. 

- Horlog (Ian McKellen)


O grande parceiro de Lumiére, o relógio Horlog é outro que novamente rouba a cena. Ressabiado e sempre na defensiva, o precavido objeto se torna um dos grandes alívios cômicos da película, principalmente devido a conflitante relação com o seu amigo candelabro. Com um visual realístico, Horlog também ganha uma expressão menos cartunesca, mas ainda assim funcional. Os ponteiros em formato de bigode, aliás, seguem como um elemento importante na composição da personalidade do personagem. 

- Ms. Potts e Zip (Emma Thompson e Nathan Mack)


Novamente adorável, a singela relação materna entre a zelosa Senhora Potts e o agitado Zip segue sendo um fator decisivo dentro da trama. Com uma roupagem bem crível, as duas peças de porcelana são exploradas com sutileza por Bill Condon, principalmente dentro de uma corajosa cena dentro do clímax, se tornando uma espécie de símbolo da conexão entre os servos do amaldiçoado príncipe. Assim como a Fera, porém, o processo de atualização dos dois personagens não foi tão eficaz, reduzindo o carisma estético destes dois personagens. 

- Plumette (Gugu Mbatha-Raw)



O amor da vida de Lumiére, a espanadora Plumette funciona como o divertido interesse romântico do candelabro. Com um visual mais simples, a personagem ganhou a roupagem menos interessante entre os objetos, mas as cenas entre os dois são realmente engraçadas. Neste caso, porém, a falta de expressividade da personagem incomodou e se tornou um dos poucos pontos baixos dentro desta virtuosa refilmagem. 

- Madame Garderobe (Audra McDonald)


Por fim, uma das grandes surpresas desta refilmagem, a impagável Madame Garderobe surge como uma boa novidade. Com um espaço muito mais na versão em live action, a sonolenta guarda-roupa também rouba a cena com o seu péssimo gosto para vestidos, com o seu estilo extravagante e com a sua bela voz lírica. Numa extraordinária releitura, a personagem surge como uma armário de época francês, um objeto marcante utilizado com desenvoltura ao longo da película. A relação dela com o piano Maestro Cadenza (Stanlei Tucci), aliás, é igualmente impagável, comprovando o cuidado dos roteiristas ao dar mais espaço para cada um dos servos do castelo.

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