quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Cinemaniac Indica (Milk - A Voz da Igualdade)

Inspirado na fantástica história do ativista gay Harvey Milk, Milk - A Voz da Igualdade vai bem além da sua função como cinebiografia. Promovendo um ágil e contundente relato sobre as lutas pelos direitos civis dos homossexuais na década de 1970, o experiente diretor Gus Van Sant não se contenta em ressaltar os feitos políticos deste homem. Nitidamente encantado por esta carismática figura, o realizador brilha ao equilibrar as questões micro com as macro, expondo de maneira extremamente honesta o lado mais humano deste grande representante da causa gay nos EUA. Adotando uma fluida narrativa em primeira pessoa, que tira proveito da psicodelia dos anos 70 ao contextualizar os espectador através de espertos e coloridos gráficos, este comovente drama encontra a sua força motora no talentoso elenco, capitaneado pela magnífica performance - vencedora do Oscar - de Sean Penn.



Brilhante ao capturar as nuances deste importante personagem, Penn se entrega de corpo e alma a complexidade de Harvey Milk, se distanciando por completo do tom caricato ao reproduzir o misto de afetação e tenacidade que parecia mover este importante cidadão norte-americano. Tirando proveito desta magistral atuação e do afiado roteiro de Dustin Lance Black, Van Sant nos envolve ao se concentrar não só na luta ideológica do protagonista, mas também em algumas de suas relações mais intimas. Achando um generoso espaço para algumas importantes figuras de sua vida, o argumento flerta com assuntos pessoais e profissionais com extrema naturalidade, construindo robustas subtramas que só acrescentam ritmo a esta película. Ainda que ora e vez alguns personagens brotem em cena de maneira repentina, vide o problemático namorado vivido por um incrível Diego Luna, a trama é mais cuidadosa ao desenvolve-los, explorando com a profundidade necessária as relações de Milk com o grande amor de sua vida (James Franco), com o seu sagaz braço direito politico (Emile Hirsch) e até mesmo com o seu principal rival político (vivido com inspiração pelo competente Josh Brolin).


Esmiuçando a luta pelos direitos civis homossexuais nos EUA, Gus Van Sant vai bem além da atmosfera reverente ao fazer de A Voz da Igualdade uma poderosa, comovente e ainda hoje necessária mensagem de integração e respeito a liberdade individual. 

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