sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Busca Implacável 3

Previsível e mal executado, longa decepciona ao tentar se afastar das fórmulas que a consagrou

Apostando na objetividade, sequências de ação verossímeis e no talento de Liam Neeson, o primeiro Busca Implacável (2008) ficou reconhecido por trazer um importante fôlego para o então oscilante cinema de ação. Sucesso principalmente nos Estados Unidos, onde faturou mais de US$ 145 milhões, a suicida investida do ex-agente Brian Mills na Europa tornou Neeson um dos principais representantes do gênero na atualidade e possibilitou uma rentável, menos inspirada, mas competente continuação. Como Hollywood não costuma perder a oportunidade quando fareja dinheiro, o sinal da evidente queda de qualidade do segundo filme não foi o suficiente para impedir a realização de Busca Implacável 3. Novamente dirigido por Olivier Megaton (Carga Explosiva 3), que assumiu a franquia no segundo capítulo substituindo Pierre Morel, o desfecho desta trilogia opta por tentar se distanciar das fórmulas que a consagrou. Trazendo desta vez os acontecimentos para Los Angeles, ao invés de surpreender, esta previsível sequência só consegue é nos deixar com saudades da qualidade do original.


Na verdade, a impressão que fica é que Busca Implacável 3 começou errando desde a revelação das sinopses e do primeiro trailer. Optando por antecipar que a morte Lenore (Famke Janssen) seria o estopim para a nova investida do ex-agente Mills, os realizadores perderam a oportunidade de proteger um dos únicos momentos verdadeiramente impactantes desta nova trama. Por mais que a premissa se mostre inicialmente interessante, principalmente pela a ideia do caçador virar caça em solo norte-americano, o roteiro recheado de clichês e a falta de qualidade dos coadjuvantes faz do argumento assinado por Robert Mark Kamen e Luc Besson um dos grandes responsáveis pela fragilidade desta sequência. No longa, após os acontecimento dos dois primeiros filmes, Brian Mills (Neeson) tenta levar uma vida normal. Apesar dele continuar amando Lenore (Janssen), os dois seguiram separados e ela se casou novamente com um rico empresário (Dougray Scott). Frustrada com esta nova relação, ela se mostra disposta a reatar com o ex-marido. Quando os dois começavam a se reaproximar, no entanto, Lenore aparece morta na casa de Brian e ele se torna o principal suspeito. Perseguido pela policia de todo o estado, o ex-agente da CIA inicia assim uma fuga desenfreada pelas ruas de Los Angeles, tentando escapar não só da mira do detetive Franck Dotzler (Forrest Withaker), como também encontrar os verdadeiros culpados pela morte de seu grande amor.


Ainda que o roteiro opte por tentar se distanciar das fórmulas dos dois primeiros filmes, o que por si só é digno de elogios, Olivier Megaton não consegue dar a esta nova investida o peso dos capítulos anteriores. Se apoiando nas mesmas frases de efeito e na aura 'bad-ass' de Liam Neeson, um dos responsáveis pelo longa não ser um fracasso completo, o argumento se mostra previsível do início ao fim. Na verdade, enquanto o realizador tenta sugerir a todo custo possíveis responsáveis pelo crime, não precisamos de muito para encontrar os verdadeiros antagonistas e entender as ligações entre eles. Apesar da relação entre pai e filha ser novamente bem explorada, rendendo a melhor virada da trama dentro do aceitável clímax, os dois primeiros atos pecam pela previsibilidade, com direito a personagens secundários de pouca importância, atuações abaixo da média e descartáveis reviravoltas. Chega a ser frustrante ver um ator do quilate de Forest Whitaker, vencedor do Oscar por O Último Rei da Escócia, sem qualquer tipo de função dentro da história. Pra ser bem sincero, ele até se esforça para tentar dar alguma profundidade ao detetive, mas o seu personagem se mostra um mero peão dentro do simplório jogo de xadrez construído por Megaton.


Pra piorar, o diretor francês tenta abrir algumas brechas para breves e descartáveis melodramas, promovendo sequências de gosto duvidoso. Numa delas, assim como num videoclipe, o ex-agente surge em câmera lenta do esgoto iniciando a sua jornada para encontrar os culpados pela morte de sua esposa. Menos mal que, com a sua usual categoria, Liam Neeson é hábil ao interiorizar os sentimentos de seu personagem, indo do frio ao afetuoso com inspiração. Por outro lado, enquanto o ator irlandês demonstra fôlego de sobra aos 62 anos, a continuação acaba pecando justamente num dos pilares dos dois primeiros longas: a ação. Visando atingir uma censura mais baixa, o que geralmente aumenta as cifras em torno da bilheteria, Olivier Megaton aposta em cenas brandas e também genéricas. Na ânsia de ampliar o frenesi em torno dos picotados e confusos takes de ação, que em muitos momentos se tornam incompreensíveis devido a aceleradíssima edição, o longa deixa os letais e impactantes embates físicos do ex-agente em segundo plano, se concentrando em improváveis perseguições e no exagerado "blá, blá, blá". Na verdade, a impressão que fica é que o filme só realmente engrena quando (enfim) se rende ao mote que consagrou a franquia.


Por mais que duas ou três cenas ainda nos conectem com o longa original, com destaque para o fogo cruzado da cena do apartamento, Busca Implacável 3 se revela um frágil desfecho para uma trilogia que se iniciou de maneira espetacular. Embora o previsível argumento e a falta de tensão sejam realmente os principais problemas desta sequência, principalmente pelo agente se mostrar sempre à frente dos demais, é na escassez de situações genuinamente empolgantes que esta continuação parece esbarrar. E esse tipo de falha nem o talentoso Liam "Brian Mills" Neeson consegue apagar.

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