terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Operação Big Hero 6

Visualmente empolgante, animação leva os heróis Marvel à Walt Disney Studios

Inspirado numa praticamente desconhecida franquia Marvel, mais voltada ao mercado asiático, Operação Big Hero 6 se destaca ao conseguir apresentar, numa mesma animação, elementos marcantes da Disney, da Pixar e da Marvel Studios. No vácuo do fenômeno de público e crítica Frozen - Uma Aventura Congelante, que já havia demonstrado o quão evoluída estava a parceria entre estes dois pilares da animação, o longa dirigido por Don Hall e Chris Williams empolga ao explorar com habilidade o humor infantil e o senso de aventura da Disney, o peso narrativo, a ousadia visual e os curtas-metragens de aberturas da Pixar, e o carisma sempre marcante dos personagens Marvel. Ainda que sob a chancela criativa da Disney, que nitidamente se sobressai em meio a divertida trama, o dedo do produtor executivo e midas da Pixar John Lasseter, aliado a sempre presente figura de Stan Lee, mostram que os méritos desta certeira produção merecem ser divididos. 


Baseado nos personagens do mangá criado por Steven T. Seagle e Duncan Rouleau, o supergrupo nipônico ganha uma aparência bem mais afável e original nas mãos da dupla de realizadores. Apostando num caprichado cenário futurista, inspirado em clássicos como Blade Runner, e na infantilização visual dos personagens, com destaque total para a impecável reconstrução do carismático Baymax, a equipe artística é inspirada ao atualizar as características dos personagens visando novos mercados. Por mais que os nomes e as referências sejam orientais, o roteiro assinado por Jordan Roberts, Daniel Gerson e Robert L. Baird nos apresenta à cidade futurista San Fransokyo, uma mistura de São Francisco com Tokyo localizada nos EUA. Nela mora o prodígio da robótica Hiro, um órfão que usa o seu talento para construir robôs de lutas. Após ser detido durante uma das batalhas, ele é convencido por Tadashi, seu genial irmão, a visitar o laboratório em que trabalhava. Encantado por este mundo de invenções, Hiro resolve tentar uma vaga nesta universidade. As coisas, no entanto, fogem do controle quando ele é surpreendido por uma tragédia familiar e pela perda da sua principal invenção. Deprimido, o jovem encontra amparo no carismático robô médico Baymax, uma das últimas criações de seu irmão. Contando com a ajuda deste inocente novo amigo, Hiro inicia uma busca para recuperar o seu invento, sem saber que ele foi parar nas mãos de um misterioso vilão. Disposto a impedir um mal maior, o jovem se une aos amigos geeks de Tadashi para tentar combater tecnologia com tecnologia.


Ainda que os coadjuvantes deste supergrupo não sejam tão bem aproveitados pela trama, mas extremamente funcionais como alicerce para as empolgantes sequências de ação, o argumento realmente impressiona ao traçar contornos emocionais em torno do jovem Hiro. Sem querer revelar muito da trama, o roteiro é impecável ao nos apresentar a instabilidade emocional do jovem em torno da perda, e como a relação dele com o bonachão robô se tornou um suporte para este momento difícil. Em meio ao eficiente humor infantil, que só não funciona melhor graças a problemática dublagem de alguns dos personagens secundários, a relação dos dois se torna o ponto alto tanto nas sequências mais divertidas, com o desastrado e impecavelmente texturizado Baymax se inflando e desinflando, como também nas mais aventureiras, com o robô e sua armadura voando na detalhista e multicolorida cidade de San Fransoskyo. Como se não bastasse isso, o roteiro demonstra um cuidado igual na apresentação e desenvolvimento do nada maniqueísta vilão Yokai. Embalado pelo look sombrio e pelos seus poderes "hi-tech", que rendem ótimas sequências graças ao precioso 3-D, o clima de mistério em torno do personagem é muito bem construído, motivando viradas inesperadas para um trabalho mais voltado à criançada. Opção que só contribui para o excelente ritmo da trama, que se equilibra com extrema habilidade entre a ação, a emoção e a comédia. 

Procurando agradar as crianças e também aos adultos, Operação Big Hero 6 mostra que a Disney está se aproveitando o máximo da integração da Pixar aos seus estúdios. Por mais que se concentre nas populares fórmulas do cinema mais infantil, com direito a gags físicas, as mensagens edificantes e um supergrupo de jovens nerds se divertindo na luta contra o mal, o longa não deixa de flertar com a sensibilidade narrativa popularizada pelos trabalhos de John Lasseter, trazendo profundidade e realismo aos dilemas de seus protagonistas. Elementos que aqui, diga-se de passagem, acabam potencializados pela nada descartável presença dos heróis Marvel, que muito bem atualizados pela Disney não fazem feio perante a qualquer filme da franquia Os Vingadores. Com direito a presença de Stan Lee, alguns bons easter-eggs e referências a clássicos da cultura pop como Homem Aranha, Homem de Ferro e os populares sentais japoneses. Ahh e sem contar a cena pós-crédito que esse que vos escreve não assistiu.
 

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