sexta-feira, 20 de junho de 2014

Cinemaniac Indica (Marcados para Morrer)


Apostando no tom documental, o drama de ação Marcados para Morrer é um daqueles trabalhos que chamam a atenção dentro do gênero. Dirigido e roteirizado por David Ayer, responsável pelo roteiro do elogiado Dia de Treinamento, o longa escancara a realidade nua e crua por trás do dia a dia de uma dupla de policiais da Califórnia. Ainda que flerte com a estética comercial em muitos momentos, o que nem sempre representa um problema, o longa surpreende pela intensidade e o eletrizante ritmo com que constrói a eficiente trama.




Contando com a excelente química dos protagonistas Jake Gyllenhaal e Michael Peña, Ayer opta por destacar a rotina dos policiais nas metrópoles norte-americanas. Deixando de lado questões como a corrupção policial, as falhas humanas e os desvios de caráter em geral, sempre recorrentes dentro do gênero, o longa, assumidamente, prefere se concentrar nas ações dos bons policiais. Somos então apresentados aos policiais Taylor (Jake Gyllenhaal) e Zavala (Michael Peña), uma dupla de competentes e dedicados oficiais que parecem gostar da adrenalina da profissão. De volta após uma suspensão em virtude de uma violenta troca de tiros, Taylor tem a ideia de documentar o seu dia a dia através de câmeras. Em meio a disputa territorial de gangues, os dois acabam se metendo nos negócios de um grande cartel Mexicano, fato que coloca não só a vida deles, como as de suas respectivas famílias em risco.


Longe de ser uma ode ao trabalho policial, Marcados para Morrer é um daqueles trabalhos em que ficção e realidade se confundem. Como se não bastasse o relato violento e realístico envolvendo a rotina policial, nitidamente inspirado na subestimada série de TV Southland, Ayer tem a certeira decisão de não esquecer as questões humanas por trás da vida desses policiais. Em meio as impactantes sequências de ação, potencializadas pelos excelentes takes em primeira pessoa, o roteiro explora com destreza as relações amorosas de Taylor e Zavala. Mesmo sem tanto espaço em cena, as competentes Anna Kendrick e Natalie Martinez só contribuem para enfatizar o lado humano dos dois policiais, realçando o drama destes homens da lei a partir do ponto de vista das esposas. Um retrato que só não é mais incisivo graças ao flerte com o "cinemão" de ação.


Ainda que Ayer mostre categoria ao solucionar algumas das forçadas de barra do seu próprio roteiro, incluindo a capacidade dos dois policiais de só se depararem com os grandes casos, o longa perde um pouco do seu impacto na tentativa de dar respostas ao espectador. Como se não bastasse o grande clímax, que me soou excessivamente concessivo, a opção de destacar o lado do crime organizado pareceu rasa e descartável. Nada que, no entanto, atrapalhe as verdadeiras intenções de Marcados para Morrer. Um longa que apesar de fictício, se destaca por reproduzir com absoluta verossimilhança a rotina de violência presente nos noticiários das principais metrópoles mundiais. 

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