sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Meia Noite em Paris

Apaixonante do começo ao fim, longa se mostra um dos melhores trabalhos de Woody Allen nos últimos anos

Imagine se você, quase que num passe de mágica, pudesse encontrar todos os seus grandes ídolos. Pudesse, de forma inexplicável, voltar no tempo e encontrar tudo aquilo que sempre sonhou viver. Baseado nesta premissa, o diretor Woody Allen segue seu tour pela Europa e nos apresenta o nostálgico Meia Noite em Paris. Apostando nas belas paisagens parisienses, o longa tem como grande mérito o clima apaixonante que consegue criar, não só pela original trama, mas também pelas ótimas atuações. O resultado é uma obra genuinamente romântica, no mais pleno sentido da palavra, que alia ficção à realidade criando uma atmosfera mágica.

O curioso é que apesar de premissa um tanto quanto futurista, o novo trabalho de Woody Allen não pretende ser em nenhum momento uma obra Sci-Fi. Pelo contrário, apesar da trama ter momentos que não deixem a desejar a nenhum filme do gênero, Allen não se prende a estas questões e nos apresenta uma trama envolvente sobre a complexidade de um relacionamento amoroso. Com roteiro assinado pelo próprio Allen, o longa apresenta a história de Gil (Owen Wilson), um bem sucedido roteirista hollywoodiano que deseja escrever o seu primeiro livro. Noivo de Inez (Rachel McAdams), Gil aproveita uma viagem familiar e embarca para Paris na tentativa de encontrar a inspiração necessária para finalizar a sua obra. Ele não sabia, no entanto, que lá iria achar algo bem mais interessante, incluindo uma paixão parisiense chamada Adriana (Marion Cottilard) e toda a inspiração para não só terminar sua obra, como também para decidir o rumo de seu futuro. 


Explorando a nostalgia de forma incrivelmente eficiente, sem apelar para a um clima melancólico, Allen consegue criar um trabalho apaixonante, envolvente e surpreendente em todos os sentidos. É impossível não querer estar presente no filme, viver aquelas situações, tamanha é paixão que o diretor imprime na tela. Com uma linha narrativa bem resolvida, o longa apresenta um ritmo invejável para o gênero, conseguindo prender o espectador sem muito esforço. Brincando com o passado parisiense, principalmente no que tange a parte artística, a trama alia um leve ar de comédia ao romance, criando um clima praticamente irresistível.

Muito em função, é verdade, da bela fotografia parisiense, assinada por Darius Khondji. É incrível como em poucas cenas já nos sentimos dentro de Paris, vivendo todos os encantos e as belezas da cidade luz. Sabendo explorar estas paisagens, Allen mostra a categoria usual para trabalhar o aspecto visual, que aqui funciona como mais um elemento para conquistar o espectador. A missão foi muito bem cumprida e, logicamente, transforma Meia Noite em Paris num dos mais belos filmes de 2011.


Woody Allen mostra eficiência também na condução do elenco. Apesar de não dar o ar da graça no longa, Allen se mostra presente, principalmente, na atuação do comediante Owen Wilson. Mostrando ser mais do que o ator pastelão que nos acostumamos a ver, Wilson tem uma atuação acima da média, lembrando em muitas cenas o próprio diretor à frente das câmeras. Desde os trejeitos, como a fala acelerada e o estilo desajeitado, até os sempre presentes monólogos, Owen Wilson consegue criar um personagem genuinamente “Woodyalliano”. O ator, aliás, mostra ótima química com os seus dois “amores”: a sempre competente Rachel McAdams (Sherlock Holmes) e a deslumbrante Marion Cotilard (Piaf). Diferente do seu grande último trabalho, Vicki Cristina Barcelona, aqui o triangulo amoroso não se apóia em relações físicas ou apenas sexuais, mas sim, comportamentais. Com diálogos eficientes, muito bem filmados por Allen, apesar da leveza da trama o trio dá ênfase a temas que proporcionam interessantes discussões. Vale destacar ainda o excelente elenco de apoio, que preenche bem as possíveis arestas do argumento com as atuações vibrantes de Kathy Bates (Titanic), Michael Scheen (A Rainha), Adrian Brody (O Pianista), incrível como Salvador Dali, e a primeira dama Carla Bruni, numa atuação rápida, mas eficiente.

Com ótimo elenco, um roteiro original e uma fotografia incrivelmente bela, Meia Noite em Paris é acima de tudo uma preciosa homenagem à arte, em seu mais pleno sentido, sem grandes mistérios ou complicações. Um romance que foge da mesmice, e com certeza se destaca em meio ao marasmo que infelizmente insiste em atingir o gênero.


2 comentários:

Tiago Britto disse...

Lindo e Emocionante. Alguma outra palavra descreve tão bem este título?

thicarvalho disse...

Resume bem o q é o filme. Minha aposta para melhor roteiro no Oscar. Cada vez mais to aprendendo a gostar de Woody Allen. abs.

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