quarta-feira, 19 de maio de 2010

Cinemaniac Indica (A Garota do Rosa Shocking)

John Hughes ficou marcado por trabalhar em grandes filmes. Sabendo levar para tela os anseios da juventude, filmes como Mulher Nota 1000, O Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado e, principalmente, A Garota da Rosa Shocking, fizeram do diretor um dos grandes símbolos da década de 1980. Aliás, é, neste último que, na minha opinião, o então roteirista consegue passar com fidelidade e sobriedade o contexto jovem daquele período. Explorando o visual New Wave, a musicalidade e um ótimo elenco, Hughes fala a língua do jovem, transformando A Garota da Rosa Shocking em um dos maiores clássicos oitentista.

Dirigido por Howard Deutch, o longa não é um dos mais engraçados de Hughes. Porém, isto não chega a ser um problema, já que se o filme perde um pouco no besteirol, ganha em profundidade, em intensidade e principalmente na criatividade. Com um elenco promissor, e uma ótima história, Hughes discute temas mais sérios, como o abandono familiar, o desemprego, o preconceito, sempre de maneira leve e sem perder o bom humor. A trama conta a história de Andie, uma garota bonita, inteligente, mas pobre, que sustenta sozinha o seu pai, um bom homem que após um trauma familiar praticamente deixou de viver. Apesar da falta de popularidade, Andie desperta o interesse em Blanne, um jovem rico e popular que se encanta pela beleza da jovem. Mesmo com a paixão mutua, por serem de classes sociais completamente diferentes, os dois passam por diversos problemas para manter a relação.

Sabendo explorar muito bem a diferença entre os estilos dos dois jovens, o roteiro de Hughes destaca como o universo de cada um era igualmente complexo. Se por um lado era a garota pobre, deslocada, que nunca poderia sonhar com um namorado popular, ele era o cara legal, rico, que cada vez mais vivia de aparência. Esta tentativa de aproximar o universo dos personagens se mostra muito eficiente e torna-se uma das grandes sacadas do roteiro. Somado a este êxito, o longa consegue fazer um retrato fiel do excelente momento musical da época. Em pleno auge do New Wave, Hughes coloca Andie como um grande símbolo desta nova geração. Por falar nisto, com trilha sonora composta por grandes bandas como INXS, New Order, Echo & The Bunnymen e The Smiths, cada cena é imersa em um panorama musical muito interessante, principalmente para aqueles que não viveram este período, conduzindo o espectador de maneira leve e dando mais dinamismo a trama.

Apesar da excelente trilha sonora e do ótimo roteiro, o grande destaque do filme é o elenco. Mesmo não sendo o grande protagonista da trama, o destaque do longa fica por conta de Jon Cryer (Top Gang – Ases Indomáveis). Reconhecido atualmente por seu papel no seriado Two and a Half Man, Cryer tem uma atuação sensacional e empolgante, explorando o excelente roteiro de Hughes. Se Andie é o símbolo deste novo universo, foi o personagem de Cryer que melhor o representeou. Com um grande desempenho, ele é também responsável por grande parte dos momentos mais divertidos do filme. Já Molly Ringwald (Clube dos Cinco) mesmo não sendo o maior destaque do longa,  tem também uma ótima atuação. Brilhando do início ao fim, a atriz está muito bem como Andie, conseguindo uma atuação realmente intensa e marcante. Por falar em intensidade, apesar do pouco tempo em cena, o ator Harry Dean Stanton (O Poderoso Chefão 2) rouba a cena como o sofrido pai de Andie. Todos os diálogos com sua filha são densos e a relação dos dois é um dos pontos mais interessantes do filme. Além deles, o filme ainda conta com as seguras atuações de Andrew McCarthy (Um Morto Muito Louco), muito bem na pele de Blane, Annie Potts (Os Caça Fantasmas), que também provoca várias risadas, e James Spader (O Observador), perfeito como o grande canastrão.

Enfim, com o mérito de não subestimar a juventude, Hughes transformou A Garota de Rosa Shocking em um dos maiores filmes de sua carreira. O interessante é que mesmo sendo um dos mais cultuados, o longa não foi filmado da maneira que Hughes gostaria. Por pressão do estúdio, Deutch teve que mudar o final pensado por Hughes. Mesmo com o final alternativo, o filme se tornou uma das suas maiores obras, que mesmo com o tempo, continua sendo um dos mais cultuados do diretor. Um grande trabalho deste que foi um dos maiores realizadores da década de 80. Infelizmente, o diretor nos deixou no ano passado e recebeu um das mais belas homenagens da história do Oscar. Assista aqui a bela homenagem, e não deixe de ver ao cult A Garota de Rosa Shocking, um filme que sem dúvidas marcou uma geração.

Por que assistir ?
- Pela excelente trilha sonora.
- Pela grande atuação de Jon Cryer, que hoje rouba a cena no seriado Two and a Half Man.
- Por ser  idealizado por John Huges, um dos maiores nomes da década de 1980.

5 comentários:

Hugo disse...

John Hughes deixou um belo legado como diretor e roteirista.

Ele transformou Molly Ringwald em estrela e deu chance para vários atores ainda bem jovens, como John e Joan Cusack, Anthohy Michael Hall, Ally Sheedy e Jon Cryer, entre outros.

Por sinal poucos sabem que Jon Cryer fez boas comédias nos anos oitenta, inclusive um misto drama e comédia romântica chamada "Um Caso Muito Sério", onde seu par era Demi Moore ainda bem jovem.

Abraço

thicarvalho disse...

Sem dúvidas Hugo. Falçar de Hughes é chover no molhado. Qnto a Cryer esta é a maior apresentação deste jovem ator, que tb participou da comédia Top Gung. Grande atuação, que conquistou o próprio Hughes. Acho qdpeois de Ferris Buller, este foi o seu maior personagem. Valeu pela visita Hugo.

Amanda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Amanda Aouad disse...

Com certeza, John Hughes, é genial. Agora quanto A Garota de Rosa Shocking, acho que vou ter que assistir de novo para perceber essa profundidade que vc cita, hehe, lembro que vi muito na Sessão da Tarde, mas, tem tanto tempo que não lembro detalhes.

thicarvalho disse...

Veja sim Amanda pois tb tinha esta mesma impressão. O mais interessante é a relação dela com o seu pai. É uma ótima pedida. Grande abraço e valeu pela visita.

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