segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Dez cenas em que a Pixar resolveu emocionar e partir o coração dos espectadores


Sinônimo de qualidade dentro da indústria da animação, a Pixar se tornou uma importante fábrica de grandes filmes. Mesmo após a fusão com os estúdios Disney, a companhia fundada por John Lassenter manteve o seu elevado padrão, buscando uma sincera conexão com todos os públicos ao transitar por temas bem mais densos e complexos. Divertidamente e Viva: A Vida é uma Festa (leia a nossa opinião aqui) não me deixam mentir. Ao longo da sua história, aliás, a casa de Toy Story e Procurando Nemo não tem poupado o coração dos espectadores quando o assunto são cenas tristes e\ou emotivas. Por mais que o visual colorido das suas produções passe aquela sensação de magia e infância, ora e vez o estúdio coloca os dois pés na realidade ao dialogar com situações nem sempre comuns dentro do gênero. O que fica bem claro na nossa lista com dez das cenas mais lacrimosas da Pixar.

10º Crítico volta a sua infância - Ratatouille (2007)




Longe de ser o filme mais emotivo da Pixar, o inteligentíssimo Ratatouille encantou o público e a crítica ao narrar as desventuras de um carismático ratinho aspirante a chef. Leve, criativo e bem humorado, o longa dirigido por Brad Bird e Jan Pinkava soube tirar o máximo da inusitada história de amizade entre o desastrado Linguini e o talentoso Remy, pintando uma singela mensagem em prol da busca pelos seus sonhos. Numa daquelas quebras de expectativa bem comuns dentro das produções Pixar, entretanto, quando tudo parecia caminhar para um desfecho redondinho, Bird usou da sua reconhecida criatividade ao construir um dos momentos mais comoventes da história do estúdio. E isso sem explorar os protagonistas. Numa sacada de gênio, o realizador brilha ao explorar as memórias afetivas de um personagem, o pedante crítico culinário, desconstruindo este tipo sisudo numa sequência linda, original e naturalmente emotiva. Uma daquelas cenas que consegue transpor as barreiras do cinema, remetendo às (esquecidas) lembranças infantis que repentinamente voltam à consciência no momento em que nos deparamos com um cheiro, um sabor ou uma imagem específica. É difícil não se emocionar aqui. 

9º Marlin perde a esposa e os filhotes - Procurando Nemo (2003)



Talvez o primeiro grande 'hit' popular da Pixar, Procurando Nemo conquistou a criançada ao narrar as desventuras de um peixinho separado do seu superprotetor pai. Com personagens cativantes, um visual fantástico e uma envolvente história, o longa dirigido por Andrew Stanton e Lee Unkrich se revelou uma aventura empolgante, um 'road movie' subaquático recheado de momentos divertidos. Logo de cara, porém, a Pixar despedaça o coração dos fãs ao revelar a verdade por trás do nascimento de Nemo. Um 'background' trágico e doloroso que remeteu diretamente aos mais clássicos filmes da Disney, entre eles Bambi e O Rei Leão. Que cena triste! E isso nos créditos iniciais.

8º Sully se despede de Boo - Monstros S.A (2001)




Numa cena bem mais leve do que a sequência anterior, Monstros S.A transitou por um terreno mais agridoce ao pontuar a adorável amizade entre o bonachão Sully e a esperta Boo. Após acompanharmos a inusitada relação dos monstros com esta pequena humana, Pete Docter e David Silverman elevam o nível do "fofurômetro" ao narrar o último adeus do trio de protagonistas. Despedidas são sempre complicadas e a dupla de diretores fez questão de botar a "marmanjada" para chorar numa sequência terna, infantil e naturalmente tocante. Que belo filme e que final incrível!

7º Jessie conta a sua história - Toy Story 2 (1999)


Daqui em diante, porém, o caminho fica mais complexo. Normalmente utilizado em momentos alegres, o número musical ganhou um contexto bem mais triste no ótimo Toy Story 2. Dirigido por John Lasseter, a aguardada continuação despedaçou os corações dos fãs ao narrar a triste história da otimista Jessie, um brinquedo predileto que caiu no esquecimento após a sua dona entrar na adolescência. E isso ao som da canção When She Loved Me (Quando ela me amava, em português), da cantora Sarah McLachlan. Como se não bastasse o tom naturalmente triste da cena, esse é o tipo de momento em que a Pixar transpõe a barreira do cinema, buscando um diálogo mais sincero com o público ao mexer com lembranças e sentimentos que só ajudam a potencializar o teor emotivo presente em tela.

6º O sacrifício de Bing Bong - Divertidamente (2015)



Indiscutivelmente, Divertidamente está entre as obras mais geniais da Pixar. Num projeto complexo e narrativamente impressionante, Pete Docter e Ronnie Del Carmen se debruçam sobre a psique humana numa história lúdica e emocionante, um relato primoroso sobre a difícil missão que é amadurecer. Por mais que o último ato em si já arranque lágrimas pela forma com que explora os sentimentos humanos, a dupla de realizadores parte o coração do público ao apresentar o singelo Bing Bong, o amigo imaginário da protagonista que caiu no esquecimento após ela chegar a pré-adolescência. Ao lado da radiante Alegria e da depressiva Tristeza, ele rouba a cena dentro do aventureiro segundo ato, atingindo o seu ápice numa daquelas cenas que só um grande estúdio é capaz de tirar do papel na atualidade. Percebendo que seria um peso extra após caírem numa espécie de "poço do esquecimento", Bing Bong resolve se sacrificar para que as duas conseguissem voltar à sala de controle, culminando na frase "leva ela pra lua por mim", uma despedida inesperada de cortar o coração que merece estar entre as sequências mais lacrimosas da Pixar. E que momento corajoso.

5º Amigos se unem diante do desespero - Toy Story 3 (2010)


Quando o assunto é Toy Story, porém, as emoções falam mais alto. Uma daquelas franquias que cresceu junto de uma geração, a franquia idealizada por John Lassenter se revelou uma poderosa fábula sobre a amizade, uma história de rara beleza que atingiu o seu ápice no fantástico Toy Story 3. Num primoroso desfecho de trilogia, o diretor Lee Unkrich pontua a jornada de Woody, Buzz e o seu "dono" Andy numa película de rara beleza, uma tocante passagem de bastão. Fiel aos fãs que cresceram assistindo as aventuras deste cativante grupo de brinquedos, o realizador conseguiu fugir das soluções fáceis ao construir uma comovente história de amadurecimento, premiando os fãs com uma das melhores películas dos estúdios Pixar. Consciente do desapego dos produtores, aliás, confesso que cheguei a temer pelo pior durante a sequência que ocupa o quinto lugar da lista. Ver personagens tão queridos diante de um cenário tão desesperador, presos numa espécie de máquina incineradora, por si só, já seria o bastante para as lágrimas. Mas, no ápice da genialidade Pixar, Unkrich eleva o nível da emoção ao realçar a sincera conexão entre os personagens perante o caos, culminando numa das cenas mais impactantes desta popular trilogia. Vê-los resignados, de mãos dadas, indo na direção do fogo foi algo ao mesmo tempo tenso e comovente, uma arrepiante mistura de sentimentos que explica o fenômeno por trás da trilogia Toy Story. Isso é que é amizade.

4º Saudades da Família - O Bom Dinossauro (2016)


Talvez a animação mais subestimada da Pixar, O Bom Dinossauro revigora uma premissa familiar ao narrar a desventurada jornada de um imaturo dinossauro e um pequeno neandertal. Por mais que, num primeiro momento, a animação dirigida por Peter Sohn deixe aquela sensação de "já vi isso antes", não demora muito para percebemos a força temática da trama, principalmente quando o assunto é a densa conexão entre os personagens. Flertando com elementos do cinema mudo, um fato sempre ousado num filme infantil, o quarto lugar da lista é um dos pontos altos da película, uma sequência intensa em que descobrimos a verdade por trás do primitivo protagonista. Em poucos diálogos, Sohn arranca lágrimas sinceras ao traduzir o estado de espírito dos protagonistas, usando gravetos e a expressão da dupla para revelar o trágico 'background' dos dois. Uma cena inteligentíssima e que, tal qual o filme em si, não merece cair no esquecimento.

3º Hector revela a sua verdade - Viva: A Vida é uma Festa (2018)


A mais nova aposta da Pixar, Viva: A Vida é uma Festa surpreende ao exibir uma inesperada dose de maturidade ao falar sobre fama, família, memórias e os sacrifícios por trás da busca por um sonho. Apesar do visual colorido e da premissa aparentemente infantil, o longa dirigido por Lee Unkrich (olha ele de novo) e Adrian Molina quebra as expectativas ao investir num último ato denso e realístico. E o ponto de virada da trama está, justamente, no nosso quarto lugar, o repentino plot twist envolvendo o "esquecido" Hector. Alerta de spoilers!!!! No momento em que descobrimos que ele, na verdade, é o tão odiado patriarca da família do pequeno Miguel, Unkrich arranca sinceras lágrimas ao dar voz ao personagem, utilizando a versátil canção "Remember Me" numa sequência dolorosa e emocionante. Uma cena com o selo Pixar de coração despedaçado.

2º A singela despedida de Andy - Toy Story 3 (2010)


O responsável por algumas das cenas mais emocionantes da Pixar, Lee Unkrich pontuou a jornada de Andy, Woody e Buzz com extrema sensibilidade no já elogiado Toy Story 3. Após mais uma aventura recheada de personagens cativantes e situações perigosas, o realizador encantou os fãs da franquia ao propor uma singela passagem de bastão, uma sequência magnífica e totalmente coerente com a mensagem de amadurecimento proposta pela trama. Numa última brincadeira, Andy apresenta os seus velhos amigos a uma simpática garotinha, um adeus à altura de querida franquia. Confesso que poucas vezes vi uma reação coletiva tão emotiva, numa sala de cinema, quanto nas últimas cenas de Toy Story 3. Uma postura totalmente compreensível, principalmente diante da universalidade com que a transição da infância para a vida adulta é pintada na tela.

1º A História de Amor entre Carl e Ellie - Up: Altas Aventuras (2009)


Um espetáculo visual e narrativo, Up: Altas Aventuras encontrou o equilíbrio perfeito entre a aventura e o drama ao narrar as desventuras do ranzinza Srº Fredricksen. Sob a batuta de Pete Docter e Bob Peterson, o longa encantou o público ao acompanhar as peripércias do idoso na busca pela realização do grande sonho da sua saudosa amada. Uma relação comovente que, logo de cara, rendeu uma das melhores e mais comoventes sequências de abertura da história do cinema. E isso não é nenhum exagero. Em pouco menos de cinco minutos, a dupla de diretores fez o que muitos grandes filmes não conseguem ao construir uma sincera e estreita relação de amor, premiando os fãs do gênero com uma cena inicial emotiva, densa e absolutamente realística. Nela acompanhamos o nascer da amizade, o florescer do romance, a rotina de um adorável casal do apogeu até o seu terno crepúsculo. Uma sequência lindíssima que, ao som da mágica trilha sonora de Michael Giacchino, preparou o terreno para uma das melhores animações da Pixar. As lágrimas, porém, não pararam por ai. Em meio aos cativantes personagens e as espetaculares sequências aéreas, a dupla de realizadores encontrou uma brecha para levar o público as lágrimas numa sequência terna e delicada. Uma descoberta reveladora e brilhantemente orquestrada que só reforça a estreita conexão entre os personagens. Afinal de contas, nunca é tarde para começar uma nova aventura.

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