quinta-feira, 6 de julho de 2017

Tom Holland, Robert Downey Jr. e as Melhores Escalações de Elenco nos Filmes de Super-Heróis


É inegável que Tobey Maguire escreveu o seu nome no universo super-heroico ao interpretar o popular Homem-Aranha no início dos anos 2000. Sob a batuta do inventivo Sam Raimi, o ator, considerado velho demais para o papel na época, superou as incertezas ao criar um Peter Parker sensível e altruísta, se tornando um dos pilares na ascensão do gênero ao protagonizar o magnífico Homem-Aranha 2 (2004), um dos melhores filmes de super-herói de todos os tempos. Apesar da indiscutível dedicação de Maguire, entretanto, o fato é que o "amigão da vizinhança" dos quadrinhos, o adolescente nerd e deslocado, ainda não tinha pintado nas telas grandes. Até agora. De longe uma das grandes surpresas do excepcional Capitão América: Guerra Civil, a aparição do novo Homem-Aranha causou um enorme frisson nas redes sociais. Mesmo com pouco tempo de cena, o herói aracnídeo chegou para aquecer as engrenagens do Universo Cinematográfico da Marvel, uma presença potencializada pela magnética presença de Tom Holland. Enérgico, jovial e genuinamente engraçado, o ator inglês abraçou esta grande oportunidade sem titubear, entregando o Peter Parker que a maioria dos fãs de quadrinhos esperava ver. Um tiro certeiro da trinca Marvel\Disney\Sony, como podemos perceber na principal estreia deste final de semana, o aguardado Homem-Aranha: De Volta ao Lar (leia a nossa crítica aqui)Com a idade, a entrega física e o carisma necessário para dar vida a este popular super-herói, Holland vem colecionando elogios no seu primeiro filme solo na franquia, justamente por resgatar o clima descompromisso adolescente perdido nos últimos filmes baseados na criação de Stan Lee e Steve Ditko. Ele, porém, não foi o primeiro a "vestir" perfeitamente o uniforme do seu superpoderoso personagem.


E para começar nada melhor do que voltar à origem deste importante segmento. Lançado em 1978, Superman: O Filme fez história ao trazer o então desconhecido Christopher Reeve na pele de um dos heróis mais populares das HQ. Como se não bastasse a incrível semelhança física com o personagem, o dedicado ator fez jus ao arquétipo do Homem de Aço ao traduzir não só a inocência e o idealismo do membro da Liga da Justiça, como também a sua inquestionável força. Equilibrando fisicalidade e talento, Reeve se tornou o Super-Homem da Cultura Pop, um rótulo consolidado na década de 1990 quando o ator precisou lutar contra um vilão da vida real: a tetraplegia. Após sofrer um acidente e ficar paralisado do pescoço para baixo, ele encarou as suas limitações com enorme resiliência até a sua morte, no ano de 2004, aos 52 anos. Enquanto Reeve se revelou logo de imediato uma escolha certeira, Tim Burton testou a paciência dos fãs ao escalar Michael Keaton na pele do lendário Homem-Morcego. Considerado baixo e "engraçado" demais para o papel, o eterno Bettlejuice precisou lidar com a desconfiança dos críticos e com a ira dos leitores mais intransigentes. Reza a lenda, inclusive, que a Warner recebeu mais de 50 mil cartas com manifestações raivosas envolvendo a escalação de Keaton. As incertezas, no entanto, cessaram quase que instantaneamente com o lançamento de Batman (1989). Apesar das enormes diferenças entre o ator e o seu personagem, o milionário Bruce Wayne, Keaton criou um Batman intenso, inteligente e com um refinado senso de humor. O herói perfeito para a exótica releitura proposta por Burton. Mesmo limitado pelos efeitos visuais da época, vide o seu rígido traje de borracha, Keaton criou um Homem Morcego cinematográfico e moderno, um anti-herói com nuances bem próprias que só viriam a ser mais bem trabalhadas nas mãos de Christopher Nolan no fantástico Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008).


Quem também precisou conviver com os questionamentos, aliás, foi o então desconhecido Hugh Jackman. Indicado por Russel Crowe, a primeira escolha para o papel do selvagem Wolverine, o astro australiano dividiu os fãs ao ser escalado para dar vida ao desmemoriado Logan. Considerado alto e charmoso demais para o personagem, Jackman foi uma aposta de risco que deu muito certo. Embora alguns dos leitores mais exigentes, ainda hoje, lamentem as mudanças físicas e comportamentais do herói, Jackman conseguiu fazer de Wolverine o símbolo da franquia X-Men nos cinemas. Dono de um carisma inesgotável, o ator conseguiu criar uma figura mais real, com conflitos mais humanos, um herói explosivo introduzido com maestria por Bryan Singer no excelente X-Men: O Filme (2000). Responsável por alavancar a carreira de Jackman, os mutantes da Marvel se tornaram peça importante na filmografia do ator, que, mesmo no auge, nunca se distanciou da franquia. Antes tratado com desconfiança, o Wolverine de Hugh Jackman manteve a sua popularidade intacta nos 17 anos seguintes, ganhando uma despedida marcante no primoroso Logan (2017). Um dos pilares na retomada do gênero, o primeiro X-Men também acertou em cheio ao introduzir os excelentes Ian MacKellen e Patrick Stewart como os mentores Magneto e Professor Xavier. Impecável ao resgatar o teor humanista das HQ, Singer encontrou nos veteranos a experiência necessária para construir duas figuras realmente complexas, dois amigos separados pela sua ideologia. Enquanto McKellen brilhou ao criar um antagonista cerebral e imponente, Stewart "deu a cara a tapa" ao criar um líder sereno e compreensivo, um protagonista conciliador sempre preocupado com a consequência dos seus atos. Assim como o Wolverine, aliás, Magneto e Xavier permaneceram nos holofotes ao longo da saga, se mantendo em evidência mesmo na fase rejuvenescida da franquia.


Diferentemente de Keaton e Jackman, Robert Downey Jr. já contava com a aprovação do público e da crítica antes mesmo do lançamento de Homem de Ferro (2008). Com a intenção de recuperar o status da sua carreira após uma série de polêmicas pessoais, a estrela de Chaplin (1992) foi a escolha perfeita para dar vida ao bilionário Tony Stark, um fabricante de armas genial e egocêntrico que, após uma experiência nebulosa, decide usar o seu talento em prol de causas mais justas. Numa sacada genial, os produtores Kevin Feige e Avi Arad perceberam não só a nítida conexão comportamental entre Stark e Downey Jr., como também a inegável semelhança entre herói e protagonista, o transformando na pedra fundamental do hoje aclamado Universo Cinematográfico da Marvel. No auge da sua forma, o ator nos brindou com uma performance elétrica, esbanjando magnetismo ao realçar o melhor deste "esquecido" super-herói. Referência quando o assunto é a montagem dos seus elencos, a Marvel Studios voltou a acertar em cheio ao escalar a trinca Chris Hemsworth, Tom Hiddleston e Chris Evans. O mais conhecido dos três, Evans brilhou ao absorver o misto de ingenuidade e idealismo do seu Steve Rogers, entregando um Capitão América aparentemente retrô, mas com a bagagem emocional necessária para crescer nos filmes seguintes da série. Hemsworth, por outro lado, criou um herói arrogante e bem humorado, um tipo cativante capaz de abraçar a imponência do seu Thor (2011) sem deixar de carregar traços bem reconhecíveis dentro da fórmula Marvel. E isso mesmo dividindo a cena com o excelente Tom Hiddleston. Assim como Downey Jr., o ator inglês soube aproveitar a chance e transformou o seu Loki num verdadeiro trampolim para a sua carreira. Num trabalho singular, ele se revelou o melhor antagonista do UCM, um vilão inteligente, amargurado e multidimensional que conquistou um genuíno espaço nesta poderosa franquia.


Entre os vilões, aliás, outros dois nomes se tornaram referências dentro do gênero ao criarem uma estreita conexão com os seus personagens. Com uma carreira sólida em Hollywood, Alfred Molina se tornou um dos inúmeros trunfos de Homem-Aranha 2 (2004). Numa opção ousada, já que o ator tinha pouca experiência no universo blockbuster, o talentoso ator inglês causou inegável estranheza ao ser escolhido para dar vida ao instável Dr. Octopus. Um sentimento que caiu por terra logo nos primeiros minutos de projeção. Dono de uma forte veia dramática, Molina conseguiu criar um antagonista humano e obsessivo, um homem engolido pelo seu próprio experimento. O vilão que todo grande filme de super-herói merece ter. Quem realmente sacudiu a estrutura do gênero, entretanto, foi o saudoso Heath Ledger. No ápice da sua carreira, o ator foi escalado, para a surpresa de muitos, como o icônico Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008). Oriundo das comédias românticas, Ledger precisou conviver com a desconfiança dos fãs mais intransigentes que, assim como na década de 1980, se manifestaram veementemente contra a escalação de um "galã" no papel do maior vilão das histórias em quadrinhos. O diretor Christopher Nolan, porém, sabia muito bem o que estava fazendo. Com a missão de superar o trabalho de Jack Nicholson em Batman (1989), Ledger criou um método próprio para encarar uma figura tão insana. Em comum acordo com o realizador, ele resolveu realçar a faceta mais anárquica e psicopática do antagonista, se aprofundando na psique do personagem num processo árduo imortalizado numa performance transcendental. Apesar do esforço do talentoso Christian Bale, um Homem-Morcego, diga-se de passagem, bem digno, O Cavaleiro das Trevas foi engolido por um Coringa cerebral e indecifrável, uma das mais aclamadas figuras vilanescas da história da sétima arte. Infelizmente, Heath Ledger não conseguiu celebrar o tamanho do seu feito. Numa tragédia da vida real, o ator faleceu durante a fase de pós-produção, aos 28 anos, vítima de uma intoxicação acidental. A sua performance, no entanto, foi consagrada por público, crítica e pela Academia, que o premiou com o Oscar Póstumo de Melhor Ator Coadjuvante pelo seu incrível desempenho.

Michelle Pfeiffer e a ascensão feminina no universo super-heroico


Hoje uma realidade, vide o incrível sucesso de Mulher-Maravilha, o protagonismo feminino nos filmes de super-herói custou a ser reconhecido. Uma das pioneiras no gênero, a talentosa Michelle Pfeiffer exibiu a sua beleza e carisma ao se tornar a mais perfeita versão da ferina Mulher-Gato, um dos grandes trunfos do excelente Batman: O Retorno (1992). Embora não fosse a primeira escolha de Tim Burton, Annette Benning deixou o projeto em função da sua gravidez, a atriz se dedicou de corpo e alma a sua Selina Kyle, se "libertando" em cena ao criar uma 'femme fatale' sexy, indomável e um tanto quanto anárquica. Uma genuína Mulher-Gato. Assim como Pfeiffer, aliás, quem roubou a cena numa franquia até então majoritariamente masculina foi a magnética Scarlett Johansson. Com uma carreira construída longe do universoblockbuster, a estrela de Encontros e Desencontros resolveu convencer o diretor Jon Favreau que estava pronta para brilhar no cinema de ação. Antes mesmo de ser escalada para o papel, Johansson pintou o seu cabelo de vermelho para mostrar que seria a Viúva Negra perfeita, uma espiã de passado nebuloso que se tornou uma peça chave dentro da S.H.I.E.L.D. Diante da dedicação e do nítido apreço da atriz pela personagem, Favreau deu um voto de confiança. E provavelmente não se arrependeu disto. De longe o ponto alto do genérico Homem de Ferro 2 (2010), a letal Natasha Romanoff se tornou um dos pilares do então ascendente Universo Marvel, uma personagem humana com relevância potencializada pelo charme e pela impressionante entrega física de Scarlett Johansson.


Coube a dobradinha DC\Warner, entretanto, o passo que viria a modificar o status das heroínas dentro deste concorrido segmento. Na ânsia de construir uma franquia nos moldes da "concorrência", os executivos do estúdio resolveram tirar do papel o gigantesco Batman Vs Superman (2016), um épico de quase três horas que prometia ser um divisor de águas dentro do gênero. Eu disse prometia. Inchado, apressado e inegavelmente oscilante, o longa dirigido por Zack Snyder atirou para todos os lados, mas acertou bem menos que o esperado. Uma destas apostas certeiras, porém, foi a escalação de Gal Gadot para o papel da icônica Mulher-Maravilha. De longe uma das escolhas mais questionadas pelos fãs durante a pré-produção do longa, a atriz israelense precisou conviver com as incertezas durante o processo de filmagens. Considerada alta, bonita e magra demais para interpretar a amazona Diana Prince, Gadot surpreendeu a todos, me incluo nessa, ao se tornar o ponto inquestionável do tão comentado A Origem da Justiça. Com uma invejável entrega física, fruto do seu passado no exército israelense, a atriz escreveu o seu nome na história do gênero ao protagonizar o aclamado Mulher-Maravilha (2017), o primeiro filme solo estrelado por uma mulher realmente bem sucedido nas bilheterias. Imponente, carismática e genuinamente feminina, Gal Gadot fez jus ao arquétipo altruísta da sua personagem, criando uma heroína poderosa e representativa. Assim como Gadot, aliás, quem se destacou num filme "detonado" pela crítica foi a bela Margot Robbie. Um dos poucos pontos positivos do bagunçado Esquadrão Suicida, a atriz australiana encheu a tela de energia ao dar vida a transloucada Arlequina, uma figura insana e passional capaz de tudo para reencontrar o seu "pudinzinho", o afetado Coringa. Indo de encontro ao seu dedicado parceiro de elenco, o metódico Jared Leto, Robbie acertou no tom da sua Drª Harley Quinn, dando popularidade a uma figura que nasceu dos desenhos, mais precisamente do cartunesco Batman: A Série Animada.



Por falar em fiasco que "deu frutos", o terrível X-Men: Origens - Wolverine se tornou peça importantíssima no desenvolvimento de um dos mais ousados filmes de super-herói da história. Um dos projetos mais questionados quando o assunto é a adaptação das histórias em quadrinhos, o longa dirigido por Gavin Hood simplesmente distorceu a maioria dos seus personagens, entre eles o verborrágico Deadpool. Apesar do esforço de Ryan Reynolds, o roteiro decidiu seguir um caminho totalmente absurdo, tornando a ira dos fãs mais raivosos justificada. O ator canadense, porém, não aceitou o triste fim do anti-herói nos cinemas. Ciente das lambanças em torno do personagem, Reynolds resolveu assumir as rédeas da produção. Após fracassar em O Lanterna Verde, o ator enxergou no longa a sua última chance de brilhar dentro do gênero. Para isso, no entanto, ele decidiu arriscar. Exigiu liberdade criativa, classificação etária elevada e a manutenção de alguns dos mais clássicos elementos das HQ's, entre eles a quebra da quarta parede e o humor debochado do mercenário falastrão. O resultado, finalmente, correspondeu as expectativas. Após uma inventiva campanha de marketing, Deadpool (2014) se tornou um sucesso de público e crítica. Completamente à vontade no papel, Ryan Reynolds interiorizou a irreverência do personagem com enorme categoria, mostrando sagacidade ao não só rir de si mesmo, como também do gênero super-heroico. Em suma, Deadpool em sua mais pura essência. 


Menções (Muito) Honrosas: Danny DeVitto (Pinguim), J.K Simmons (J. Jonah Jameson), Chloe Moretz (Hit-Girl),  Jackie Earle Haley (Rorschach) e Chris Pratt (Senhor das Estrelas)

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