sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Top 10 (Sci-Fi Espaciais)


Um dos grandes lançamentos deste ano de 2016, o extraordinário A Chegada traz em sua essência o DNA do gênero ficção-científica. Sob a batuta autoral do arrojado Denis Villeneuve, o precioso longa transforma um tema aparentemente complexo, uma enigmática invasão alienígena, numa espécie de agente catalisador para uma mensagem humana, sentimental e reflexiva. Ao longo de sua história, aliás, o Sci-Fi se tornou o gênero favorito dos realizadores mais existencialistas, um segmento que, desde os primórdios do dispositivo Cinema, abriu a possibilidade para a discussão de temas mais complexos e\ou profundos sob um prisma absolutamente singular. Vide o inestimável Metrópoles (1927), um clássico definitivo conduzido com maestria pelo expressionista alemão Fritz Lang. Dito isso, nesta lista decidi reunir dez dos Sci-Fi Espaciais que mais "instigaram" os meus neurônios. Como critério, além do óbvio gosto pessoal e do potencial de entretenimento, resolvi selecionar apenas os filmes de cunho mais realista, portanto irei deixar de fora algumas fantásticas produções do gênero, entre elas títulos do porte de O Império Contra-Ataca (1980), E.T: O Extraterrestre (1982), O Quinto Elemento (1997), Serenity (2005), a nova trilogia Star Trek (2009-2016), Círculo de Fogo (2013) e Guardiões da Galáxia (2014). Dito isso, começamos com... 

10º Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977)


Verdade seja dita, o nosso décimo lugar não envelheceu também no decorrer dos anos. Mas, quem liga? Numa época em que a ficção-científica era geralmente um sinônimo de filmes "cabeças", vide os truncados THX (1970) e Solaris (1972), o então jovem Steven Spielberg resolveu aproximar o gênero do grande público com Contatos Imediatos de Terceiro Grau. Impulsionado pela memorável trilha sonora de John Williams e pelo reluzente visual das naves alienígenas, o aclamado diretor norte-americano abraça a boa e velha jornada do herói ao narrar as desventuras de um homem comum que, após entrar em contato com uma espantosa aparição, entra numa espiral de obsessão e loucura na tentativa de desvendar os segredos por trás da origem de OVNI. Sem tempo para as respostas fáceis, Spielberg provoca o público ao se apropriar de temas presentes no imaginário americano, entre eles o medo do desconhecido, a paranoia quanto os segredos do governo e o fascínio quando o assunto é a vida fora da Terra. Além disso, impulsionado pela soberba atuação de Richard Dryfuss, o realizador é impecável ao explorar as questões familiares em torno desta compulsiva busca, nos brindando com sequências intimistas e naturalmente tristes. É no catártico último ato, porém, que Steven Spielberg colocou de vez o seu nome no mapa de Hollywood, um desfecho imponente e esteticamente à frente do seu tempo que arremata com complexidade uma premissa genuinamente familiar. 

9º Contato (1997)


Um dos filmes mais subestimados do gênero, Contato é um Sci-Fi reflexivo, com múltiplas camadas, que explora a questão da vida extraterrestre sob um ponto de vista propositalmente ambíguo. Dirigido por Robert Zemeckis, um dos bem sucedidos pupilos de Steven Spielberg, o longa estrelado pela talentosa Jodie Foster narra a busca por respostas de uma obstinada cientista que, contra tudo e contra todos, decide seguir o rastro de um enigmático sinal oriundo de uma fonte desconhecida. Como se não bastasse o arco pessoal envolvendo a figura da cientista, uma mulher cética que se ergue contra a desconfiança (e o machismo) para ter a sua tese reconhecida, Zemeckis é habilidoso ao explorar o dualismo entre a fé e a ciência como o pano de fundo das descobertas da protagonista. O diretor, aliás, é igualmente contundente ao realçar os perigos por trás do fanatismo religioso, um tema que se torna decisivo para o desenvolvimento dos dois terços finais do longa. Além disso, inspirado nos conceitos do astrônomo Carl Sagan (Cosmos), Contato é cuidadoso ao traduzir as questões científicas em torno da trama, sustentadas através de diálogos profundos ("Se não existe vida fora da Terra, então o universo é um grande desperdício de espaço") e das excelentes atuações. O resultado é um clímax magnífico, uma experiência visual memorável marcada pelas inteligentes reflexões existenciais e pela maneira inventiva com que tenta aproximar dois polos filosoficamente distantes. 

8º Gattaca (1997)


Também lançado em 1997, Gattaca viaja ao futuro para construir um excelente duelo de classes. Dirigido por Andrew Niccol, o longa estrelado pelo trio Ethan Hawke, Jude Law e Uma Thruman leva o espectador para uma realidade onde as pessoas concebidas biologicamente são consideradas inferiores. Neste cenário, os humanos superiores eram os escolhidos geneticamente em laboratórios, desenvolvidos à perfeição por um Estado autoritário e socialmente desigual. Inserido neste contexto surge Vincent Freeman (Freeman, boa sacada), um homem "inválido" que consegue uma vaga numa grande corporação ao esconder a sua origem natural. Disposto a integrar uma equipe de astronautas que iria para a Lua, ele resolve omitir a sua verdadeira identidade e iniciar uma obstinada bateria de testes contra rivais bem mais aptos fisicamente. Através de temas essencialmente científicos, Niccol investiga com rara inspiração o lado mais resiliente da natureza humana, um tema que ganha contornos ainda mais instigante graças ao crítico pano de fundo social. Da relação entre Vincent e o paraplégico Jerome (Law), aliás, nascem alguns dos mais reflexivos diálogos do longa, principalmente quando aponta para os limites da existência humana. Contando ainda com um arco secundário naturalmente tenso, uma investigação envolvendo a morte de um figurão da corporação, Gattaca é um Sci-Fi profundo e realístico que envelheceu inegavelmente bem. 

7º Perdido em Marte (2015)


Esbanjando uma energia invejável e o seu reconhecido rigor técnico, o celebrado Ridley Scott retornou em grande estilo à ficção científica no espirituoso Perdido em Marte. Um dos grandes idealizadores por trás dos sombrios Alien - O Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner - O Caçador de Androides (1982), o realizador se reinventa ao universalizar o gênero que o consagrou, entregando um divertido Sci-Fi pop que em nenhum momento subestima a inteligência do espectador. Embalado por hits da Disco Music e pela soberba atuação de Matt Damon, Scott consegue valorizar o entretenimento sem abrir mão do pano de fundo científico, nos brindando com um longa intenso, realístico, inteligente e inesperadamente bem humorado. Uma aventura espacial autoral e visualmente magnífica, que aproveita com rara inspiração o vácuo aberto pelos recentes sucessos de Gravidade (2013) e Interestelar (2014). Fazendo um sofisticado uso do 3-D, que só amplia a sensação de angústia ao longo da turbulenta jornada de sobrevivência do protagonista no planeta vermelho, esta autoral aventura espacial empolga ao injetar uma dose de vigor à ficção científica, se distanciando quase que por completo das mais recentes e aclamadas produções do gênero. Na verdade, a critério de comparação, o metafórico Gravidade, o mirabolante Interestelar e o irreverente Perdido em Marte têm apenas em comum o fato de comprovarem que a profissão astronauta está longe de ser uma das mais confortáveis. Leia a nossa opinião completa aqui

6º A Chegada (2016)


E olha quem apareceu na lista. Trazendo na sua essência o DNA do gênero Sci-Fi, A Chegada é uma película maiúscula. Tensa, inteligente e constantemente reflexiva, o longa dirigido pelo arrojado Denis Villeneuve (Sicário, Os Suspeitos) esbanja sensibilidade ao transitar por assuntos tão complexos com extrema plenitude. Com uma premissa instigante em mãos, o realizador canadense utiliza uma enigmática invasão alienígena como o estopim para a construção de um relato humano e pacifista, um longa com múltiplas camadas capaz de abranger temas proporcionalmente contrastantes sem nunca perder o foco. Indo além dos dilemas recorrentes da ficção-científica, incluindo o medo do desconhecido e o velho dualismo razão\emoção, Villeneuve é primoroso ao apontar a sua contextualizada mira para a frágil relação entre as grandes potências globais, escancarando o distanciamento e as perigosas diferenças ideológicas com inegável sagacidade. É quando se volta para a intimista jornada da linguista interpretada com maestria por Amy Adams, porém, que o longa alcança um patamar realmente extraordinário, principalmente por dialogar com delicadas questões universais sob um ponto de vista absolutamente único. Em suma, A Chegada é um Sci-Fi raro, um longa surpreendente que consegue desafiar o cérebro do espectador sem esquecer de tocar o seu coração. Leia a nossa opinião completa aqui

5º Distrito 9 (2009)


Com um modesto orçamento em mãos e brilhantes ideias na sua mente, o sul-africano Neill Blomkamp abalou as estruturas de Hollywood com o primoroso Distrito 9. Lançado em meio a uma instigante campanha de marketing, o longa estrelado por Sharlto Copley criou uma espécie de Apartheid alienígena, escancarando as desigualdades sociais enfrentadas no seu país ao revelar a ação do governo junto aos invasores do espaço. Fazendo um primoroso uso do elemento documental, o "assistente social" interpretado por Copley se coloca no centro de um fantástico duelo de classes, um tema por si só interessante que, reproduzido sob um ponto de vista autoral, ganha contornos naturalmente contundentes. Além disso, mesmo com um limitado orçamento em mãos, cerca de US$ 30 milhões, Blomkamp entrega um Sci-Fi visualmente grandioso, vide o conceito estético por trás das gigantescas naves alienígenas, das armas futuristas e dos orgânicos alienígenas. Em suma, um visual sujo e palpável que se torna um dos inúmeros trunfos desta contextualizada ficção-científica.

4º Alien: O Oitavo Passageiro (1979)


Um dos trabalhos mais à frente do seu tempo desta lista, Alien: O Oitavo Passageiro é um Sci-Fi de horror inesgotável que brilha ao personificar o tal medo do desconhecido. Com um magnífico subtexto feminista, o arrepiante longa dirigido por Ridley Scott (olha ele aqui novamente) misturou ficção-científica e terror numa obra envolvente, instigante e ainda hoje assustadora. Num trabalho esteticamente à frente do seu tempo, o realizador britânico nos brinda com uma assinatura visual extraordinária, uma atmosfera sombria marcada pelo detalhista cenário hi-tech, pelos claustrofóbicos enquadramentos e pelo design orgânico da ameaça alienígena. Na verdade, é incrível perceber o cuidado de Scott ao tornar a incrível Nostramu habitável aos olhos do público, um lugar desgastado, com elementos cibernéticos que se tornaram uma referência para alguns dos principais produções do gênero. Além disso, o longa nos apresentou a uma das personagens femininas mais 'bad-ass' da história da sétima arte, a indomável Ripley (Sigourney Weaver), uma mulher inteligente e independente que se vê "desacreditada" diante de uma tripulação majoritariamente masculina. Ridley Scott, aliás, é perspicaz ao explorar este pano de fundo feminista, transformando Ripley no símbolo máximo desta poderosa franquia.  

3º Gravidade (2013)


Assistir Gravidade no cinema foi uma experiência cinematográfica única. Sob a batuta virtuosa do diretor Alfonso Cuarón, o imersivo longa nos "levou" para o espaço ao narrar a jornada de sobrevivência de uma astronauta à deriva. Apesar do teor fantástico da trama, o realizador mexicano procurou prezar por alguns conceitos físicos, entre eles, por exemplo, a completa ausência de som no espaço sideral, elementos utilizados com requinte ao longo da película. Além disso, como se não bastassem os espantosos efeitos visuais e o excepcional 3-D, Cuarón adota uma abordagem quase metafórica ao desenvolver os dramas pessoais da sua protagonista, permitindo que o tema se costure harmoniosamente à luta da astronauta pela sua vida. Por trás das atitudes da personagem existe uma série de questões humanas, dilemas sensíveis absorvidos com brilhantismo pela carismática Sandra Bullock e traduzidos com poesia pelas lentes de Alfonso Cuarón. Leia a nossa opinião aqui

2º Wall-E (2008)


Reconhecido por suas inteligentes produções, a Pixar alcançou o seu patamar mais elevado com o genial Wall-E. Mais do que uma lúdica animação, o longa dirigido por Andrew Stanton questionou a modo como estamos encarando o mundo através da jornada de um simpático robozinho lixeiro. Com um argumento brilhante, a película nos leva ao futuro (não muito) distante onde os humanos tiveram que abandonar o planeta Terra devido a ausência de recursos naturais. "Exilados" em gigantescas naves espaciais, os sobreviventes se adaptaram a um novo estilo de vida, uma rotina sedentária sustentada pelos avanços tecnológicos. Tudo muda, porém, quando o pequeno Wall-E, um robô coletor encontra uma pequena muda de planta, uma forma de vida que poderia significar o indício que o nosso planeta estava próximo de ser novamente habitável. Com temas tão ricos em mãos, Stanton aponta a sua mira para a nossa sociedade, nos brindando com uma fábula atual sobre a virtualização das emoções e o impacto das tecnologias na nossa existência. Além disso, numa sacada de mestre, o longa é primoroso ao se aproximar de temas mais sentimentais sob o prisma dos robôs, culminando na adorável relação entre o arcaico Wall-E e a avançada Eve. Em suma, com visual magnífico, soluções narrativas ousadas e um contexto absolutamente realístico, Wall-E é um Sci-Fi definitivo, um longa sensível capaz de dialogar com todos os públicos. 

1º Blade Runner (1982)


E o nosso primeiro lugar é desta pérola da ficção-científica. Após nos presentear com o já citado Alien: O Oitavo Passageiro, Ridley Scott abraçou de vez a estética cyberpunk no instigante Blade Runner, um suspense distópico com elementos do cinema 'noir' sobre um detetive experiente que se vê obrigado a colocar fim na existência de um grupo de replicantes. Com um visual ainda hoje singular, uma estética 'over' e suja coerente com a proposta crítica do longa, Scott nos coloca numa Los Angeles futurista decadente, um ambiente moralmente corrompido marcado pela violência, pelo consumismo e pela poluição. Neste contexto, diante do iminente colapso, parte da população mundial foi buscar um novo padrão de vida em outros planetas, um processo de colonização que abriu espaço para o desenvolvimento dos ciborgues. Com um cenário instigante em mãos, Ridley Scott levanta não só uma série de questões sócio-políticas, entre elas a desigualdade imposta aos replicantes, a degradação ambiental e os interesses escusos das grandes corporações, como também se volta para os dilemas mais humanos, a maioria deles envolvendo a complexa relação entre o turrão Deckert (Harrison Ford) e os replicantes Rachel (Sean Young) e Roy Batty (Rutger Hauer). Sem querer revelar muito, o clímax de Blade Runner é uma das coisas mais belas que eu já assisti, uma sequência poética, profunda e comovente sobre os rumos da nossa existência. Inegavelmente, uma obra à frente do seu tempo, tanto que na época do lançamento o filme foi considerado um fracasso comercial. Hoje, porém, Blade Runner se tornou um clássico cult, uma película com um visual estupendo, diálogos primorosos, temas atuais e sequências excepcionais. 

Fora da Lista (Hors Concours)

- 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968)


Quando analisado sob um ponto de vista "comercial", 2001: Uma Odisseia no Espaço pode parecer uma película enfadonha. Dirigido pelo visionário Stanley Kubrick, o longa passeia por questões existenciais com extrema profundidade, o que pode significar um problema para àqueles que enxergam o cinema apenas como um mero passatempo. Dentro da ficção científica, porém, poucos filmes ganharam um status semelhante junto aos fãs do gênero. Com um visual soberbo, um design realista que, ainda hoje, se revela espantoso aos olhos do público, o clássico de Kubrick elevou as discussões existenciais ao seu máximo potencial ao oferecer uma singular interpretação sobre a evolução humana. Inspirado no livro homônimo do escritor e co-roteirista Arthur C. Clarke, o longa transita com brilhantismo por temas complexos, entre eles os limites da ciência, os perigos por trás da inteligência artificial, o medo do desconhecido e o impacto da tecnologia na nossa existência. Reconhecido por seu pioneirismo estético, Kubrick debruçou com afinco sobre as leis da físicas e os conceitos científico, valorizando a verossimilhança ao desenvolver os engenhosos cenários, as luminosas espaço naves e o expressivo ambiente espacial. Melhor ainda, aliás, é o vasto repertório de enquadramentos e ângulos idealizados por Kubrick, soluções visuais que foram potencializadas pela vigorosa fotografia de Goeffrey Unsworth. Por fim, como não citar o inesquecível Hal-9000, uma inteligência artificial que se transformou num dos mais icônicos antagonistas da história da sétima arte. Enfim, um daqueles filmes capazes de "fritar" os nossos neurônios, 2001: Uma Odisseia no Espaço é uma experiência cinematográfica única, uma obra reflexiva com diversas interpretações que se tornou referência dentro do universo Sci-Fi.  

Menções Honrosas 

- Interestelar (2014)


Se levássemos em consideração somente os primeiros dois terços do longa, Interestelar estaria entre os dez melhores filmes desta lista. No trabalho mais sentimental de sua carreira, Christopher Nolan nos conduz por uma jornada espacial profunda e extremamente humana, pontuada por temas como a relação entre o tempo e o espaço, a escassez de recursos naturais na Terra e os mistérios científicos em torno fenômenos como o "buraco da minhoca". Com personagens bem introduzidos, conflitos substanciais, construção de mundo impecável e efeitos visuais arrebatadores, Nolan flertou com a genialidade por diversos momentos. Na hora de tirar o dez, porém, o realizador resolveu rasgar a lógica, investiu num plot twist mirabolante e quase pôs tudo a perder. Felizmente, o elenco segurou na base da emoção, o que deu um pouco mais de sentido ao comovente desfecho. Leia a nossa opinião aqui

- Sunshine: Alerta Solar (2007)


Uma mistura de ficção-científica com suspense psicológico, Sunshine: Alerta Solar é um longa visualmente magnífico sobre uma tripulação de astronautas que se torna a última esperança da Terra. Sob a batuta de Danny Boyle, o filme narra as desventuras de um grupo que precisa "reiniciar" o sol para livrar os habitantes do nosso planeta da devastação total. Com um elenco recheado de nomes talentosos, entre eles os de Cilian Murphy, Chris Evans e Hiroyuki Sanada, o realizador britânico transita com um exuberante virtuosismo estético por complexas questões científicas. Além disso, após uma bem sucedida reviravolta, o longa se volta também para questões mais existenciais, alimentadas com extrema tensão dentro do vigoroso último ato. Isso pra não falar da soberba trilha sonora de John Murphy, que andou sendo reutilizada em diversas outras produções. Outra obra frequentemente subestimada.

- Guerra dos Mundos (2005)


Remake da obra de H.G Wells, Guerra dos Mundos é um dos raros Sci-Fi de sobrevivência que alcançou. Durante muitos anos a maior bilheteria da carreira de Tom Cruise, o longa dirigido por Steven Spielberg atraiu o público ao oferecer um entretenimento pipoca com conteúdo. Ainda que algumas soluções no último ato soem convenientes, o popular realizador norte-americano nos brinda com uma obra visualmente refinada, o design dos aliens é excelente, uma ficção-científica com interessantes questões humanas que se sustenta com "dignidade" até os minutos finais. O problema é que, na ânsia de dar um desfecho mais palatável, Spielberg e os roteiristas decidem investir num pano de fundo ambiental, uma questão até interessante, mas que surge de maneira aleatória dentro da trama. Em outras palavras, faltou coragem, sobrou dinheiro. 

- Avatar (2009) 


O que falar sobre um longa que faturou US$ 2,7 bilhões ao redor do mundo. Dirigido por James Cameron, do igualmente fenomenal Titanic, Avatar leva o espectador para uma empolgante viagem ao planeta Pandora. Um marco dentro do cinema moderno, o grandioso longa elevou consideravelmente o patamar das produções do gênero, entregando um entretenimento de primeira qualidade. Com 7,9 de avaliação no IMDB e 83 pontos no Metacritic, a aventura espacial estrelada por Sam Worthington e Zoe Saldana impressionou realmente por seu fantástico aspecto visual, já que a premissa é - de longe - uma das mais simples desta lista. Ainda assim, nas entrelinhas. o filme levanta algumas interessantes questões em torno da opressão dos colonizadores e da identidade dos avatares. 

- O Vingador do Futuro (1990)


Confesso que por pouco, bem pouco, não coloquei este longa entre os dez. Também dirigido por Paul Verhoeven, O Vingador do Futuro era a ficção-científica da minha infância. Apesar do conteúdo adulto, o longa se tornou popular junto a garotada da década de 1990, principalmente por seu visual fantástico, pelos exóticos personagens e pela presença do astro Arnold Schwarzenegger. Inspirado no livro "We Can Remember It for You Wholesale", do escritor Philip K. Dick, o filme deixou as questões sobre a memória e o simulacro presentes no texto original em segundo plano para construir um empolgante duelo de classes entre os rebeldes deformados e os humanos colonizadores. Como de costume em sua filmografia, Verhoeven volta a sua mira para as grandes corporações e entrega uma ficção-científica crítica e inegavelmente divertida. 

- Destino Especial (2016)


O ano de 2016, aliás, nos presenteou com outro ótimo representante do gênero Sci-Fi. Bebendo da fonte de sucessos do quilate de Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), E.T: O Extraterrestre (1982) e o recente Super 8 (2011), o longa dirigido pelo autoral Jeff Nichols adota uma bem vinda ambiguidade ao acompanhar a jornada de um misterioso garoto com superpoderes. No embalo do talentoso elenco, o longa instiga ao proteger os segredos em torno da origem da criança, dando ao público a possibilidade de participar mais ativamente do suspense. Além disso, Nichols é inventivo ao explorar a velha dicotomia entre a religião e a ciência, um tema aqui utilizado de maneira mais crítica e reflexiva. Leia a nossa opinião completa aqui

- O Enigma de Outro Mundo (1982)


Por fim outro clássico. Apesar de flertar mais com o terror do que propriamente com o Sci-Fi, John Carpenter resgatou o medo do desconhecido no cultuado O Enigma de Outro Mundo. Recheado de assustadores efeitos práticos, o longa estrelado por Kurt Russel acompanha as desventuras da equipe de uma estação polar científica americana diante de uma perigosa ameaça extraterrestre. Um ser alienígena capaz de simular qualquer tipo de forma de vida. Apesar dos incríveis efeitos visuais e do visual 'gore', O Enigma de Outro Mundo se tornou um fracasso de público na época do seu lançamento. Pouco tempo depois, no entanto, o filme foi redescoberto no VHS, se tornando um dos trabalhos mais elogiados da filmografia deste especialista em filmes de terror\horror.

E se você gostou do tema, leia também o nosso especial sobre as invasões alienígenas mais icônicas do cinema

2 comentários:

Anônimo disse...

Cade o filme "Equilibrium" ai ?

thicarvalho disse...

Equilibrium é realmente um filmaço, mas não se passa no espaço e nem tem ligação com um contexto especial. Por isso ficou de fora. Mas é um baita Sci-Fi de ação. Uma boa lembrança. Valeu pela visita.

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