sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Wolverine: Imortal

Longa sobre o herói Marvel busca na essência do personagem o caminho para encontrar novas perspectivas para a lucrativa franquia

Após o fraquíssimo desempenho de X-Men Origem: Wolverine, me arrisco a dizer que qualquer trabalho feito em Wolverine: Imortal já teria sido superior ao seu antecessor. Felizmente, os profissionais envolvidos no novo longa do mutante mais famoso da Marvel não quiseram apenas limpar a imagem do personagem. Mas sim, apresentar um novo caminho, uma retomada para a franquia. Para isso, a aposta fica pela busca da verdadeira essência do personagem e num novo rumo para série, deixando boa parte dos mutantes de lado e viajando para o Japão.

Baseado nas histórias em quadrinhos de Chris Claremont e Frank Miller - do arco Eu, Wolverine - o novo longa apaga "propositalmente" o filme anterior e tem início após os episódios do terceiro capítulo da franquia original. Ainda abalado e depressivo com a perda de seu grande amor, Jean Grey (Famke Janssen), Logan decide se esconder nas florestas canadenses buscando fugir de todo o seu passado recente. Lá, no entanto, ele é encontrado por Yukio (Rila Fukushima), uma jovem japonesa que a pedido de seu mestre Yashida (Hal Yamanouchi) sai a procura de Wolverine para promover um último encontro entre os dois. Isso porque durante a Segunda Grande Guerra, em território japonês, Logan salva a vida de Yashida durante um ataque nuclear gerando uma dívida de gratidão. Apesar de relutar, Logan parte para o Japão e lá descobre que Yashida está em estado terminal e que pode acabar com a sua "imortalidade" através de uma nova tecnologia. Logan diz não, mas a contragosto, acaba infectado por Víbora (Svetlana Khodchenkova), uma mutante especializada em biologia que também é imune a venenos de todo tipo. Frágil e com o seu fato de cura abalado, Logan acaba se tornando o principal guardião de Mariko (Tao Okamoto), neta de Yashida que surge como a principal herdeira da fortuna do avô e grande alvo da Yakuza, a máfia Japonesa.


Em cima deste elaborado arco da HQ, Wolverine - Imortal não tem aquele tom épico dos filmes da franquia original, com grandes batalhas e um ritmo mais acelerado. Apostando na competente direção de James Mangold, o longa ganha em maturidade e equilíbrio, acertando principalmente na forma como explora os dilemas de Logan. Com roteiro assinado pela dupla Mark Bomback e Scott Frank, a trama tem como grande acerto a maneira como conduz essa transição do personagem para o Japão, dando ênfase nos tormentos envolvendo a morte de Jean Gray. Aliás, todas as cenas com Hugh Jackman e Famke Janssen são bem desenvolvidas e acabam funcionando. A dupla de roteiristas também acerta no andamento do longa, explorando bem todo o mistério envolvendo o futuro da família Yashida. Trabalhando com destreza a utilização dos flashbacks, a relação de Logan com Yashida é bem apresentada e se torna um dos pontos altos da película. Ainda assim, apesar desses acertos o roteiro dá as suas escorregadas, principalmente na construção do clímax. Na tentativa de surpreender o espectador o desfecho deixa a desejar, quebrando o bom ritmo do longa e mexendo de forma pouco inspirada no principal antagonista, o Samurai de Prata. O resultado incomoda não só aos fãs, por influenciar diretamente no personagem da HQ, como também não atinge o efeito esperado.


Pelo menos esse talvez seja o único problema do longa, que tem como grande acerto a forma como utiliza toda a atmosfera japonesa. O diretor James Mangold mostra um grande desempenho ao levar o Japão para as telonas, explorando não só o lado moderno e colorido do país, como também a parte mais tradicional e suas ideologias, que são bem aplicadas em muitos diálogos dentro da trama. Outro ponto de destaque fica pelo elenco. Sem a presença dos mutantes conhecidos, Hugh Jackman novamente mostra todo o seu talento e carisma na pele de Wolverine. Equilibrando o já conhecido humor à um tom mais sério, Jackman consegue mais uma interpretação de destaque. Já o núcleo japonês é a grande surpresa do longa. Tao Okamoto (Mariko), Rila Fukushima (Yukio) e Hiroyuki Sanada (Shingen Yashida) tem excelentes atuações, com destaque para o ótimo embate entre Wolverine e Shingen. Sem dúvidas, o ponto alto do clímax. 


Após os créditos de Wolverine: Imortal ficamos com a completa certeza de que o personagem terá vida longa nos cinemas. Respirando ares orientais, a franquia encontra na essência do mutante mais famoso da Marvel a fórmula certeira para abrir novas portas para a saga. Prova disso é a excelente cena pós-crédito, que, com um ar saudosista, deixa claro qual o rumo que a série vai tomar. 

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