quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Django Livre

Vibrante, Violento, Intenso, esses são alguns dos muitos adjetivos que podem classificar o mais recente trabalho de Quentin Tarantino

Depois de trabalhar com o tema Holocausto no excelente Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino resolveu mais uma vez explorar, da sua forma sempre peculiar, mais um momento dramático de nossa história. E em Django Livre a escravidão é o pano de fundo para outra de suas peripécias. Esqueça então aquela abordagem histórica que nos acostumamos a ver nos livros. Tarantino, apesar da preocupação na contextualização, resolve criar uma história de amor em meio ao auge da escravidão nos Estados Unidos. O resultado é uma obra impactante, seja pela violência demonstrada, seja pela qualidade do conteúdo que nos é apresentado. 

Qualidade, aliás, que nos chama a atenção desde os créditos iniciais. Basta os primeiro minutos de exibição, a primeira cena do excelente Christoph Waltz, para percebermos que não estamos diante de um filme qualquer. Optando por pecar pelo excesso, do que pela omissão, Tarantino aposta na fórmula que o consagrou: roteiro afiado, ótimas atuações, trilha sonora empolgante e violência, muita violência. Estilizada, é verdade, com direito a muito sangue e algumas piadas fora de hora. No entanto, Tarantino tem a sensibilidade e a preocupação em tratar todas as mazelas da escravidão com cuidado e aquelas cenas de violência mais contextualizadas, como os "castigos" aplicados pelos "senhores" aos escravos, são conduzidas de forma mais crua e realística. Opção que deixa clara a escolha de Tarantino. Desenvolver uma história em meio a escravidão com o intuito de entreter, sem esquecer toda a realidade e a crueldade por traz deste período. Ele consegue manter aquele atmosfera vingativa "cool" de Bastardos Inglórios, mas adicionando um viés mais realista à Django. 

Com roteiro assinado pelo próprio Quentin Tarantino, o longa conta a história de Django (Jamie Foxx), um escravo que acaba se aproximando do caçador de Dr Schultz (Christoph Waltz), para caçar três criminosos, os irmãos Britlle, com a promessa da liberdade após a execução dessa captura. No entanto, o que era para ser apenas uma missão, acaba virando um laço de amizade após Dr Schultz descobrir que Django era casado e que sua esposa Broomhilda (Kerry Washington), também escrava, pertencia ao excêntrico Calvin Candie (Leonardo DiCaprio). Os dois então partem na tentativa de libertar Broomhilda, e para isso acabam assumindo identidades falsas e se envolvendo com Mandingo, uma espécie de UFC de escravos. 

Apesar da excelente trama, é na condução da história que talvez Django tenha o seu grande problema. No primeiro trabalho sem a sua parceira, a editora Sally Menke, Tarantino parece ter perdido a mão na montagem do filme, que ganha em extensão, cerca de 2 h e 40 min, e perde - ainda que pouco - em ritmo. Nada que atrapalhe o resultado final - graças principalmente - a qualidade da direção do próprio Tarantino. Além do já conhecido talento para explorar os diálogos, Tarantino mostra um aperfeiçoamento técnico na condução das cenas de ação de Django, com momentos verdadeiramente empolgantes, talvez o melhor desempenho do diretor ao longo de sua carreira.

Outro ponto positivo em Dango é a qualidade do excelente elenco. A começar por Christoph Waltz, que no segundo trabalho com Quentin Tarantino, mantém o excelente desempenho conseguido com o Coronel Hanz Landa em Bastardos Inglórios. Waltz rouba a cena com a sua atuação e mesmo com a ótima entrega de Jamie Foxx, é o grande nome do longa, na pele de um personagem metódico, culto e extremamente sarcástico. Aliás, a química entre Waltz e Foxx é muito boa, fato que só aumenta a intensidade das cenas com os dois. Vale destacar ainda o ótimo desempenho de Leonardo DiCaprio, afetado na medida certa na pele do excêntrico Calvin Candie, Kerry Washington e Samuel L. Jackson, talvez a grande surpresa de Django Livre, com uma de suas melhores atuações nos últimos anos.


Esse é Django Livre, um filme que não se incomoda com os excessos e se torna cruelmente divertido. É longo, insano e violento, acima de tudo mais um trabalho extremamente particular e criativo de Quentin Tarantino. Com trilha sonora pop, fotografia bem explorada e elenco estrelar, Tarantino consegue também promover uma grande homenagem ao "Western Spaguetti", que nos anos sessenta e setenta consagrou vários filmes do gênero, incluindo o original Django, com Franco Nero.


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