quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Tudo pelo Poder

Com elenco de luxo, novo longa de George Clooney apresenta envolvente suspense sobre a corrida presidencial norte-americana

Dirigido, roteirizado e estrelado por George Clooney, Tudo pelo Poder causou impacto por onde passou graças ao seu poderoso elenco. Trazendo nomes como os de Ryan Gosling (Drive), Philip Seymour Hoffman (Capote), Paul Giamati (Sideways), Evan Rachel Wood (A Dama na água) e Marisa Tomei (O Lutador), o elenco é realmente de chamar a atenção, e sob o comando de Clooney, se tornou um dos grandes diferenciais deste suspense. O grande mérito, no entanto, fica pela aparente ausência de discursos políticos no longa, que mesmo se passando em meio a corrida presidencial democrática, se preocupa "apenas" em proporcionar entretenimento - de alta qualidade - ao espectador.

Pensado para agradar aos fãs da sétima arte, Tudo pelo Poder não se trata de mais uma daqueles filmes apegados a discursos ligados ao seu respectivo partido. Mas sim, um envolvente thriller de suspense que expõe os bastidores da corrida presidencial norte-americana, pouco importando o fato dela ser democrata ou republicana. Com roteiro assinado pela dupla George Clooney, Grant Heslov, baseados na peça da Broadway de Beau Willimon, o longa narra o trabalho dos assessores de campanha do candidato Mike Morris (George Clooney), o promissor e idealista Stephen Myers (Ryan Gosling) e o experiente Paul (Philip Seymour Hoffman). Dupla que parece ter deixado bem encaminhada a campanha presidencial de Morris, tanto que com uma vitória no estado de Ohio, o candidato seria o escolhido para representar os democratas na luta pela presidência. O problema é que do outro lado, Tom Duffy (Paul Giamatti), assessor do candidato rival, parece ter uma carta na manga para frustrar os planos de Morris. A situação só piora, quando Stephen com, começa a se envolver com a estagiária da campanha Molly (Evan Rachel Wood) e passa a ser perseguido pela jornalista Ida (Marisa Tomei), que ameaça contar segredos dos bastidores desta disputa.

Com direção primorosa de Clooney, Tudo pelo Poder brinda o espectador com um show de atuações. Embalado pelo competente roteiro, repleto de intensos diálogos, o elenco desfila uma vasta gama de interpretações em quase 1 hora e 40 min de projeção. Começando pelo expressivo Ryan Gosling, que num ano de 2011 inacreditável, mostra mais uma vez uma atuação inspirada. Em um personagem que só cresce durante a trama, o ator consegue com versatilidade impressionante passar do assessor idealista e quase ingênuo à um homem movido pela busca do poder. Do outro lado temos Philip Seymour Hofman, que na pele do experiente assessor chefe Paul, interpreta um personagem intenso e contido de forma pouco vista. Quem também vai muito bem é a bela Evan Rachel Wood, personagem importante para a trama, se tornando muito mais do que um simples interesse romântico. Como se isso não bastasse, Tudo pelo Poder apresenta ainda ótimas interpretações de Paul Giamati, George Clooney e Marisa Tomei, que preenchem bem a envolvente trama, com atuações pontuais e competentes.

Por falar na trama, o roteiro assinado por George Clooney e Grant Heslov privilegia as boas atuações e sem apelar para um ritmo frenético, abre espaço para os poderosos diálogos. De forma crescente, a trama explora bem os seus personagens, guardando surpresas para o espectador e fugindo de boa parte dos clichês que permeiam os filmes do gênero. Sabendo explorar o bem amarrado roteiro, Clooney acrescenta estilo ao filme permitindo interpretações sensíveis e diálogos quase sempre empolgantes. Filmando com classe o diretor apresenta takes criativos, que tornam o filme ainda mais denso, puxando a atenção do espectador para os bastidores da politica. Vale destacar aqui, a trilha sonora composta por Alexandre Desplat, que só contribui pra toda essa atmosfera criada.

O resultado é uma aula de cinema em todos os sentidos. Tudo pelo Poder é uma daqueles filmes de cartilha, que precisam ser vistos não só por privilegiar o cinema como arte, mas também, como um grande entretenimento. Um filme apartidário, que apesar do contexto, traça uma demostração realista do verdadeiro discurso politico. O famoso "faça o que eu digo, não faça o que eu faço".


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