quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cinemaniac Indica (A Vida Secreta das Abelhas)

Já era o tempo em que os estudios começariam a pensar em papeis mais maduros para a ótima Dakota Fanning. Tudo bem que a jovem atriz se destacou por papeis infantis mais intensos, como nos ótimos Chamas da Vingança e Uma Lição de Amor. Porém, o seu primeiro trabalho mais "amadurecido" é A Vida Secreta das Abelhas, um drama extremamente eficiente, justamente por não focar apenas no talento de Fanning. Discutindo um pouco da sociedade americana sulista da década de 1960, que assistia a um extremo processo de mudanças nas questões racial no país, o longa consegue uma abordagem interessante sobre o tema. Na verdade, fica a sensação que para aqueles que esperavam "apenas" um filme na medida para Fanning cruzar a barreira da adolescência, acabam assitindo a um trabalho que vai além dos muitos clichês sobre o gênero.

Com direção eficiente de Gina Prince-Bythewood, o longa narra a história da jovem Lily Owens (Dakota Fanning), uma adolescente de 14 anos atormentada pelas poucas lembranças que tem da mãe falecida em um trágico acidente causado por ela. Sozinha, ela tem que conviver com o seu pai T. Ray (Paul Bettany), um homem amargurado pela vida, que cuida de sua filha de maneira pouco afetiva e extremamente fria. Em meio a uma sociedade sulista extremamente segregadora, Lily buscava o carinho maternal em sua babá Rosalle (a vencedora do Oscar Jennifer Hudson), uma carinhosa e engajada pessoa, que buscava ter direitos iguais aos da maioria branca da região. Apesar dos problemas, as duas levavam uma vida normal, trabalhando em uma plantação de pêssegos. Porém, as aparências enganavam e uma traumática situação vivida por Rosalee e Lily, acaba servindo de motivação para a fuga, uma buscando os seus direitos como ser humano e outra saber um pouco mais sobre sua mãe. Seguindo a única pista que levava ao passado de sua mãe, Lily acaba parando na residência de August Boatwright (Queen Latifah), uma respeitada fabricante de mel, que vive junto de suas irmãs June Boatwright (Alicia Keys) e May (Sophie Okonedo). Lá, o que seria uma simples estadia, acaba mostrando para todas, o verdadeiro sentido da amizade.

Contando com o apoio do ótimo elenco, apesar de aparentemente a trama focar na história da jovem Lily, o longa não se prende a isto. O roteiro, adaptado de obra homônima escrita por Sue Monk Kidd, cresce gradativamente e em determinado momento, deixa de lado os anseios de descoberta da jovem Lily, para fazer uma abordagem eficaz sobre problemas raciais dentro da sociedade sulista. E esta abordagem ganha ainda mais força, graças as ótimas atuações de Jeniffer Hudson, Queen Latifah, Sophie Okonoedo e da surpreendente Alicia Keys. Sob a óptica de cada personagem, estas questões são desenvolvidas de maneira eficiente, diminuindo inclusive a importancia da atriz Dakota Fanning, que mesmo com todo o seu talento, acaba ofuscada em algumas cenas. Fica a impressão que quem pagou ingresso para ver mais uma grande atuação de Fenning, acabou assistindo a, talvez, melhor interpretação de Latifah, que atua de maneira sóbria e completamente distinta de seus últimos personagens. Outro grande nome do longa, e responsável por ótimas cenas, foi Paul Bettany. Apesar do pouco tempo em cena, o ator consegue construir uma figura paterna perturbada e diferente de tudo o que já se viu.

Além da boa e instigante trama, e do elenco em boa forma, A Vida secreta das Abelhas nos brinda com uma trilha sonora cativante, composta por Mark Isham, que embala o filme com suavidade e sensibilidade. Temos que destacar, também, a ótima fotografia, viva cheia de cores, que contrastam em grande parte com a "melancolia" e o clima pesado apresentado em grande parte do longa. Enfim, uma obra tocante e delicada, que felizmente é muito mais do que um trampolim para a fase adulta de Dakota Fanning.

Por que assistir ?

- Pelo belo trabalho apresentado por todo o elenco, principalmente por Queen Latifah, Jeniffer Hudson, Sophie Okonoedo e Dakota Fanning.
- Pela ótima trilha sonora.
- Pela fotografia e edição de arte caprichada, ótima para um filme de orçamento baixo (pouco mais de 12 milhões).

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá, sou blogueiro também, (e quem não é hoje em dia?), e li algumas postagens suas, em especial sobre o filme "A vida secreta das Abelhas", filme este que eu particularmente indico. Gostei da sua abordagem sobre o filme, mas aceite a crítica, você adora a palavra EFICIENTE não é?
No seu texto aparece várias vezes.
Até mais.

thicarvalho disse...

Críticas servem sempre para ser ouvidas. Concordo que usei mto o adjetivo eficiente. Mas vc sabe porquê ?? Justamente por achar o filme eficiente. kkkkkkkkkkkkkk Realmente as vezes escrevemos um texto, e pela pressa em posta-lo, acabamos não o re-lendo com a devida atenção. Valeu pela lembrança e volte sempre. Aliás, qual o endereço do seu blog. Abraços.

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