sexta-feira, 16 de junho de 2017

Diretor de Rocky e Karate Kid, John G. Avildsen morre aos 81 anos


Um dos primeiros a enxergar o potencial do hoje astro Sylvester Stallone, o diretor John G. Avildsen faleceu nesta sexta-feira (16), aos 81 anos, vítima de um câncer no pâncreas. A informação foi divulgada pelo também cineasta Derek Wayne Johson, que dissecou a carreira de Avildsen no documentário inédito The King Of Underdogs (O Rei dos Vira-Latas). Um título que, verdade seja dita, diz muito sobre os grandes personagens da carreira deste realizador. Após trabalhar como assistente de diretores como Otto Preminger (Êxodo) e Arthur Penn (Bonnie e Clyde), John G. Avildsen conquistou status em Hollywood com os elogiados Joe (1970) e Sonhos do Passado (1973). O grande trabalho da sua carreira, entretanto, viria anos mais tarde com o cultuado Rocky: Um Lutador (1976).


Escolhido pela United Artists para dar vida ao roteiro assinado pelo próprio Stallone, Avildsen confiou no potencial do jovem ator e o transformou num dos protagonistas mais cultuados da história da sétima arte. Com orçamento de US$ 1 milhão e uma produção realmente enxuta, o diretor transformou um pacato lutador num verdadeiro símbolo da cultura pop, um sucesso aprovado pelo público e crítica. Vencedor do Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Edição, Rocky faturou expressivos US$ 117 milhões em solo americano, se tornando assim o primeiro "capítulo" de uma aclamada franquia. Curiosamente, aliás, antes de levar o prêmio da Academia para casa, Avildsen havia sido escalado para dirigir os populares Serpico (1973) e Os Embalos de Sábado a Noite (1977), mas foi demitido das duas produções em função de disputas com os produtores Martin Bregman e Ribert Sigwood. Ou seja, tudo conspirou para o êxito de Rocky Balboa. Stallone, inclusive, usou o seu Instagram para lamentar a morte do seu primeiro grande parceiro. "Descanse em paz. Eu tenho certeza que você seguirá dirigindo sucessos do céu. Muito Obrigado", escreveu Sly numa curta manifestação. Interprete do carismático Apollo Creed, Carl Weathers também se pronunciou e ressaltou a força da filmografia de Avildsen. "John G. Avildsen descanse em paz. Seu legado cinematográfico permanece. Um talento tranquilo e generoso", afirmou o ator via Twitter

Uma publicação compartilhada por Sly Stallone (@officialslystallone) em


Após trabalhar com Marlon Brando no detonado A Fórmula (1980) e dirigir o popular John Belushi na comédia Estranhos Vizinhos (1981), John G, Avildsen voltou a emplacar um grande sucesso de público com o hit oitentista Karate Kid (1984). Novamente com um personagem "vira-lata" em mãos, o corajoso Daniel San (Ralph Macchio), o realizador voltou ao universo das lutas ao narrar as desventuras de um adolescente encrenqueiro obrigado a aprender caratê para se defender de um grupo de valentões. Com o indicado ao Oscar Pat Morita na pele do mentor de Daniel, o cativante Srº Miyagi, Karate Kid foi recebido com entusiasmo pela crítica e faturou expressivos US$ 90 milhões em solo norte-americano. Dois anos mais tarde, Avildsen voltaria a trabalhar com Macchio e Morita no lucrativo Karate Kid 2 (1986). Embora não tenha repetido o sucesso junto à mídia especializada, o longa se tornou um grande sucesso de público ao faturar elevados US$ 115 milhões nos EUA.
Assim como Sylvester Stallone, aliás, Ralph Macchio usou as redes sociais para lamentar a morte do diretor. Via Twitter, o ator revelou que John G. Avildsen modificou a sua vida. "Descanse em paz meu amigo e diretor John G. Avildsen. Ele trouxe histórias inspiradoras para todos nós e teve uma mão orientadora que mudou a minha vida", concluiu Macchio que, ao lado de Avildsen, também protagonizou o questionado Karate Kid 3: O Desafio Final (1989). Ainda no universo 'high-school', o realizador conquistou o público com o excelente Meu Mestre, Minha Vida (1989). Vagamente inspirado nos feitos do professor Joe Louis Clark, o longa estrelado por Morgan Freeman se tornou popular no mercado doméstico ao narrar a história de um educador disposto a acabar com as mazelas sociais dentro de um colégio na periferia de Nova Jersey. 

Avildsen ao lado de Elisabeth Shue e Ralph Macchio
Para a decepção dos fãs do "garanhão italiano", no entanto, John G. Avildsen deu uma das maiores "derrapadas" de sua carreira em Rocky V (1990). Após anos de expectativa, o realizador voltou a franquia para finaliza-la, mas o desfecho passou longe do nível de qualidade do original. Com uma premissa recheada de furos, um antagonista irritante e um texto pouco inspirado, o longa "finalizou" a saga de Rocky Balboa com inegável irregularidade, o que se refletiu nas críticas e nas bilheterias. Recebido de maneira morna pela mídia especializada, Rocky V faturou modestos US$ 40 milhões nos EUA, se tornando assim o filme mais contestado da franquia. Anos mais tarde, inclusive, o próprio Sylvester Stallone admitiu os problemas do filme, o que explica o bem sucedido retorno da saga com o sentimental Rocky Balboa (2006) e o apoteótico Creed: Nascido para Lutar (2016). Após anos de sucessos, John G. Avildsen se dedicou a filmes menores nos últimos anos de sua carreira, conseguindo certo destaque com o drama 8 Segundos (1994), um relato biográfico sobre a lenda dos rodeios Lane Frost (Luke Perry). Em suma, reconhecido por dar vida a vencedores da vida real, tipos comuns capazes de alcançar grandes feitos, Avildsen deixa um importante legado, uma filmografia popular consagrada por personagens humanos, grandes histórias de superação e produções queridas pelo grande público. RIP.

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