sábado, 4 de março de 2017

O pior e o melhor da franquia X-Men nos Cinemas


Neste final de semana chegou aos cinemas brasileiros o aguardado Logan (confira a nossa opinião completa aqui), o último filme do astro Hugh Jackman como o popular Wolverine. Um dos pilares da franquia, o herói das garras da adamantium finalmente ganhou um filme solo à sua altura, um desfecho marcante capaz de transpor as barreiras deste escapista gênero. Aproveitando a estreia do excelente Logan, nesta matéria especial confira uma lista com o melhor e pior do universo X-Men nos Cinemas. Dito isso, começamos com...

10º) X-Men Origens: Wolverine (2009)


Disparado o pior filme da franquia, X-Men Origem: Wolverine é um erro de cálculo imperdoável. Sob a batuta do diretor Gavin Hood, o longa falhou grosseiramente ao introduzir alguns dos mais queridos mutantes da Marvel, descaracterizando tipos como o debochado Deadpool e o ardiloso Gambit. Além disso, o longa se escorou numa premissa absolutamente problemática, marcada pela bagunçada mistura de personagens e pela desastrosa tentativa de transformar o mercenário falastrão numa espécie de Nêmesis para o Wolverine. E isso sem falar das sequências de ação genéricas e do artificial CGI, que se tornaram a cereja do bolo dento deste calamitoso projeto. Nem o carismático Hugh Jackman conseguiu "salvar" este projeto. 

9º) X-Men: O Confronto Final (2006)


Marcando o desfecho da trilogia original, X-Men: O Confronto Final sofre diante dos inúmeros problemas narrativos. Longe de ser ruim, o filme dirigido por Brett Ratner esbarrou nas suas próprias pretensões, investindo em soluções arriscadas que trouxeram uma série de problemas para o futuro da franquia. Sem o mesmo tato dos dois filmes anteriores, o argumento não consegue explorar a pluralidade dos seus personagens, se resumindo basicamente a batalha do bem contra o mal. A exceção, aliás, fica para a ascensão da Fênix Negra e a relação de Jean Grey com Wolverine. De longe um dos pontos altos da película. Além disso, O Confronto Final entrega algumas das mais memoráveis sequências de ação da franquia, cujo ápice é atingido na grandiosa batalha final e no duelo entre a Fênix e o Professor Xavier. Um bom filme, mas que nitidamente não soube aproveitar o potencial dramático do elenco e da própria trama como um todo. 

8º) Wolverine: Imortal (2013)



Ao contrário do seu antecessor, Wolverine: Imortal finalmente soube tirar proveito do seu protagonista. Inspirado no arco Wolverine, de Chris Claremont e Frank Miller, o longa dirigido por James Mangold mostrou inspiração ao levar a franquia para um outro cenário, se apropriando das tradições nipônicas ao dar corpo a uma interessante premissa. Dialogando com os episódios de O Confronto Final (2006), o argumento é habilidoso ao revelar o passado de Logan e a relação dele com um oficial da 2ª Guerra Mundial chamado Yashida. Tirando um excelente proveito do talentoso elenco de apoio, a relação do mutante com a destemida Yukio (Rila Fukushima) e a recatada Mariko (Tao Okamoto) é habilmente desenvolvida pelo roteiro, assim como os motivos que colocaram Wolverine na mira de uma perigosa organização criminosa. Na hora de tirar o dez, no entanto, Mangold e os roteiristas pisaram na bola ao introduzir o popular Samurai de Prata. Apesar do visual imponente, o antagonista ganha uma versão nada inspirada, reduzindo o peso do tão aguardado clímax. Ainda assim, mais intimista e maduro, Wolverine: Imortal merece elogios pela maneira sutil com que resgata a essência deste popular mutante após o fracassado X-Men Origens: Wolverine.

7º) X-Men: Apocalipse (2016)


Na contramão dos dois últimos longas da franquia, o contextualizado Primeira Classe (2011) e o urgente Dias de um Futuro Esquecido (2014), X-Men: Apocalipse abdica do tradicional pano de fundo politizado ao investir numa abordagem mais irresponsável e espetaculosa. Ainda que nas entrelinhas a Guerra Fria esteja no radar dos roteiristas, o diretor Bryan Singer resolve apostar basicamente no potencial dos seus personagens, introduzindo a vigorosa nova geração de mutantes com absoluta categoria. Mesmo diante dos evidentes equívocos narrativos, a maioria deles envolvendo os confusos planos do antagonista e os pontuais problemas de tom, o realizador é habilidoso ao arquitetar as variadas subtramas, fazendo um excelente uso do talentoso elenco ao adicionar uma inovadora dose de escapismo à franquia. Na verdade, Singer surpreende ao valorizar pura e simplesmente a diversão, contornando a trivialidade da premissa ao dar prioridade as empolgantes sequências de ação e ao 'fan-service', sem abrir mão do drama e da tensão por trás desta épica batalha.

6º) Deadpool (2016)



Um dos inúmeros equívocos do imperdoável X-Men Origens: Wolverine (2009), Deadpool se transformou numa das maiores "vítimas" desta sofrível adaptação. Completamente descaracterizado, o mercenário tagarela teve um destino trágico nas mãos dos roteiristas, se tornando uma espécie genérica de antagonista. Seria este o fim para Deadpool nos cinemas? Não, Ryan Reynolds não pensava assim. Disposto a apagar esta "mancha" dentro do universo mutante da Marvel, o ator canadense não se deu por vencido. Fã declarado do personagem, ele assumiu este arriscado projeto com a intenção de resgatar a essência ácida das HQ's. Na contramão das principais produções do gênero, Reynolds "peitou" a Fox ao exigir liberdade criativa, classificação etária elevada e uma inventiva campanha de marketing. E o esforço foi recompensado. Sob a batuta do promissor Tim Miller, o longa, um escrachada comédia de ação, esbanja energia ao abraçar a irreverência do seu protagonista, introduzindo de maneira ágil e politicamente incorreta o debochado anti-herói. Através de uma narrativa não linear, fato raro dentro do gênero, o realizador é brilhante ao introduzir novamente o cativante mercenário, explorando não só a jornada de vingança do personagem, mas também a sua adorável relação com a sensual CopyCat (Morena Baccarin). E apesar do orçamento modesto, Deadpool nos brinda ainda com criativas sequências de ação, valorizadas pelo ótimo CGI e pelas excelentes coreografias. 

5º) X-Men (2000)



Um dos principais responsáveis pela invasão das HQ's na indústria do cinema, X-Men (2000) ditou o tom da franquia ao respeitar a essência engajada destes populares personagens da Marvel. Nas mãos de Bryan Singer, a adaptação repaginou o visual dos mutantes, mas conseguiu manter intacta as características de cada um dos seus personagens. Com um talentoso elenco em mãos, capitaneado pelos experientes Ian McKellen e Patrick Stewart, pelo carismático Hugh Jackman e pelas então promissoras Anna Paquin e Halle Berry, Singer mostrou categoria ao construir a rivalidade entre os dois grupos, uma rixa potencializada pelo pano de fundo político envolvendo o ato de registro dos mutantes. Permitindo que cada um dos seus personagens tenha um lugar ao sol, o realizador é cuidadoso ao dar liga a este importante supergrupo da Marvel, preparando o terreno para esta promissora franquia. Além disso, o primeiro X-Men impressionou ao trazer efeitos visuais à frente do seu tempo, fazendo um excelente uso de personagens como o Magneto, a Tempestade, o Ciclope e a Mistica. Essa última, aliás, ganhou um visual absolutamente primoroso, uma das melhores adaptações de uma personagem dos quadrinhos. Em suma, mais do que um ótimo entretenimento, X-Men representa um divisor de águas dentro do gênero. 

4º) X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014)



Pioneira na invasão dos heróis Marvel no cinema, a franquia X-Men voltou de vez aos trilhos com Dias de um Futuro Esquecido. Após o sucesso de público e crítica de X-Men: Primeira Classe (2011), Bryan Singer reassumiu a direção com a missão de corrigir as falhas do trabalho que optou não dirigir, o precipitado X-Men: O Confronto Final (2006). Ciente que o rumo da saga ganhou novas perspectivas para a FOX, principalmente em virtude do estrondoso sucesso do universo Os Vingadores, Singer mostrou precisão ao retornar ao passado para unir estas duas gerações de mutantes. Conseguindo respeitar o clima da célebre história assinada por Chris Claremont e John Byrne, o roteirista Simon Kinberg nos apresenta a uma obra extremamente sóbria e consistente. Mesmo diante das grandes mudanças envolvendo a HQ de 1981, as alterações apresentadas se mostram extremamente funcionais, permitindo que a essência da publicação fosse mantida. Além disso, o argumento é impecável ao costurar o passado e o presente da franquia, dando um novo rumo para a franquia sem abrir mão do pano de fundo político e das inventivas sequências de ação. O resultado é um blockbuster intenso e empolgante, um longa que cumpriu a sua missão ao aparar as arestas deixadas no desfecho da trilogia original. 

3º) X-Men II (2003)



Um degrau acima do seu antecessor, X-Men II correspondeu as elevadas expectativas ao introduzir uma série de novos mutantes. Com efeitos visuais ainda mais inventivos, vide a presença do incrível Noturno, o longa dirigido por Bryan Singer apresentou um dos melhores antagonista da série, o general genocida William Stryker (Brian Cox). Ampliando as questões sociais em torno do direito mutante, o longa é habilidoso ao aproximar os lados liderados por Magneto e pelo Professor Xavier, os unindo numa batalha ainda mais séria e grandiosa. Dialogando coesamente com os episódios do primeiro X-Men, Singer construiu uma sequência intensa e empolgante, permitindo novamente que cada um dos personagens adicione um pouco da sua essência a este envolvente arco. Além disso, o pano de fundo político é novamente explorado com absoluta inspiração, dialogando com questões envolvendo as minorias e a intolerância ao "diferente".

2º) Logan (2017)


De longe a obra mais corajosa dentro do universo X-Men nos cinemas, Logan é o filme solo que Wolverine e Hugh Jackman sempre mereceram. Magnífico enquanto estudo de personagem, o longa dirigido por James Mangold (Wolverine: Imortal) se livra das amarras do gênero ao investigar, sob um prisma denso e visceral, o impacto da violência na rotina de um herói atingido pelo tempo e pelo passado. Fazendo um subversivo uso do recurso da metalinguagem, o realizador esbanja originalidade ao contestar os mitos construídos ao longo da franquia, ao expor as sequelas impostas pelos antes exaltados superpoderes, indo a fundo nos dramas do protagonista ao se encantar pelo lado humano por trás das garras de adamantium. Entre diálogos fortes e cenas brutais, o diretor é incisivo ao revelar as consequências de uma vida dedicada à sobrevivência, equilibrando ação, drama e um nervoso senso de humor ao resgatar a faceta anti-heroica do personagem. É quando se volta para a sincera relação entre Wolverine, Xavier e a feroz X-23, porém, que a película alcança o seu viés mais intimista, se esquivado dos clichês redentores ao realçar a natureza, os anseios e os medos mais enraizados do trio de mutantes. Em suma, Logan não é "mais um" filme de super-heróis. Na verdade, estamos diante de uma obra particular, uma produção envolvente e tecnicamente refinada que, mesmo nos seus momentos convencionais, traz consigo a força necessária para transpor as barreiras deste escapista gênero.

1º) X-Men: Primeira Classe (2011)



E quando tudo parecia perdido, principalmente após o problemático O Confronto Final e o fracasso de X-Men Origens: Wolverine, a franquia renasceu das cinzas com o primoroso X-Men: Primeira Classe. Disposto a corrigir as lambanças apresentadas nos seus dois últimos projetos, os executivos da Fox apostaram as suas fichar no talentoso Mathew Vaughn, do politicamente incorreto Kick-Ass (2010), na expectativa que ele fosse o nome certo para dar reinício ao popular universo mutante da Marvel nos cinemas. Apesar da "inexpressiva" campanha de marketing e dos temores em torno deste arriscado projeto, o realizador comprovou o seu talento ao nos brindar com um trabalho à altura dos dois primeiros longas da trilogia original. Sem contar com a presença do elenco original, Vaughn e os produtores fizeram um excelente trabalho na escolha da nova geração de protagonistas, apostando num casting jovem, carismático e acima de tudo talentoso. Capitaneado por Jeniffer Lawrence, Michael Fassbender, James McAvoy, Nicholas Houth e Rose Byrne, o timaço de atores deu corpo a uma premissa absolutamente envolvente, marcada novamente pela contextualização política, pelo tom intimista e pela ágil introdução dos personagens. Numa sacada de mestre, a Guerra Fria se transformou num primoroso pano de fundo dentro deste equilibrado reboot, que viajou para a década de 1960 ao apresentar o início da amizade\rivalidade entre Xavier e Magneto. Uma relação desenvolvida com absoluta humanidade, dialogando de maneira sutil com a trilogia original. Trazendo ainda uma impecável direção de arte impecável e inspiradas sequências de ação, X-Men: Primeira Classe se revela um entretenimento completo. Uma continuação empolgante, perspicaz e brilhantemente contextualizada.  

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