quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Peter Pan

Visualmente espetacular, longa esbarra na sua requentada premissa

Reconhecido por seus romances de época, entre eles os aclamados Orgulho e Preconceito (2005) e Desejo e Reparação (2007), Joe Wright embarca na aventura com o divertido Peter Pan. Releitura do clássico conto infantil de J. M. Barrie, o longa se volta para a origem do personagem ao narrar a construção do mito por trás do "menino que não queria crescer". Procurando pintar um cenário novo sem desrespeitar os mais icônicos elementos da história, o realizador britânico nos brinda com uma adaptação lúdica, visualmente fantástica, mas narrativamente requentada. Uma versão que se "encanta" bem mais com as maravilhosas possibilidades em torno da reconstrução da Terra do Nunca, do que propriamente com o desenrolar da jornada dos seus jovens personagens.


Explorando a reconhecida atmosfera aventureira acerca deste clássico infantil, o argumento assinado por Jason Fuchs flerta com alguns dos maiores clichês do gênero ao nos apresentar o jovem Peter Pan (Levi Miller). Abandonado por sua mãe enquanto bebê, o indomável garoto cresce em um orfanato comandado por tirânicas madres, sem qualquer tipo de luxo e afeto. No auge da Segunda Guerra, no entanto, Peter passa a desconfiar do sumiço de alguns dos seus amigos. Após descobrir que a madre superior estava envolvida nos desaparecimentos, ele é raptado por um grupo de piratas e levado para a Terra do Nunca. Lá, sob a opressiva presença do pirata Barba Negra (Hugh Jackman), o jovem é obrigado a encontrar o pixum, uma pedra preciosa que concentra o raro pó de fada. Metido em problemas logo no seu primeiro dia, Peter descobre ser o "escolhido" de uma antiga profecia, o responsável por liderar uma revolta contra o temido pirata. Contando com a ajuda de Gancho (Garrett Hedlund), um dos muitos escravos do Barba Negra, Peter foge para a floresta dos selvagens. Neste cenário exótico, a dupla é raptada pela guerreira Tigrinha (Rooney Mara), uma jovem destemida que acaba revelando o paradeiro da mãe de Pan.


Excessivamente inocente, o novo Peter Pan nitidamente esbarra no seu raso roteiro. Indo de soluções preguiçosas, como o rótulo de "escolhido" dado a Peter, a momentos mais interessantes, como a curiosa amizade entre o "menino que não queria crescer" e o futuro Capitão Gancho, o argumento é apenas correto ao desenvolver a origem da Terra do Nunca. Ainda que a premissa seja bem construída, introduzindo de maneira fluída os principais personagens, o desenrolar da trama segue um caminho extremamente previsível, se sustentando praticamente na atmosfera fantástica e nas competentes atuações. Catapultado à protagonista, o novato Levi Miller esbanja categoria ao reproduzir a aura rebelde do seu Peter Pan, não se intimidando em seu primeiro grande papel em Hollywood. Emprestando o seu reconhecido carisma a produção, o astro Hugh Jackman é outro que brilha como o performático Barba Negra. Numa atuação propositalmente caricata, o astro australiano injeta energia ao seu antagonista 'rockstar', contornando com habilidade a frágil construção deste vilão. No mesmo nível da dupla, Garrett Hedlund surpreende ao dar vida a uma versão mais humana do jovem Gancho. No melhor estilo 'Indiana Jones', o ator protagoniza algumas das inspiradas sequências mais aventureiras, explorando com perícia a dubiedade do seu personagem. Por outro lado, apesar do seu evidente esforço, Rooney Mara não encontra muito espaço para brilhar com a insossa guerreira Tigrinha. 


Se narrativamente o longa decepciona, esteticamente o novo Peter Pan oferece tudo aquilo que os fãs do conto poderiam esperar. Irretocável ao desenvolver o clima de aventura, os navios piratas voadores são impressionantes, Joe Wright demonstra estilo ao recriar este universo de magia e sonhos. Com o apoio luxuoso da fotografia de John Mathieson e Seamus McGarvey, magníficos ao capturarem as cores e formas desta nova versão de 'Neverland', o realizador britânico mistura elementos práticos e recursos digitais ao conceber 'takes' inventivos e absolutamente detalhistas. Ponto para a impecável direção de arte. Entre momentos grandiosos, como a vibrante apresentação do vilão Barba Negra, e sequências mais lúdicas, como o duelo em uma espécie de cama elástica, Wright tira um excelente proveito da profundidade do 3-D ao construir um cenário à altura das principais produções envolvendo este icônico personagem. Um trabalho que não só compensa os inegáveis clichês em torno do argumento, mas que também reproduz com enorme categoria a atmosfera maravilhosa por trás da encantadora Terra do Nunca. E esse, sem medo de errar, se revela o principal trunfo desta divertida e visualmente espetacular releitura.

Um comentário:

Camila Vázquez disse...

A história era muito diferente do que nós sabemos, mas que eu achei um positivo. Sempre tivemos a questão de como Peter Pan tinha surgido, este filme atinge resolvernos-nos que a dúvida e sonar. Eu gosto de ver Cara Delevigne como uma sereia. Ver este filme todos nós temos nostálgico relembrando a história original. O traje que foi projetado realmente nos faz acreditar que estamos em uma era de piratas. A trilha sonora do filme é muito bom.

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