quarta-feira, 15 de julho de 2015

Trazendo no sangue o DNA da atuação, Michael Douglas embarca numa nova aventura em Homem-Formiga


Filho do célebre ator Kirk Douglas (Spartacus) e da atriz britânica Diana Douglas (Acontece nas Melhores Famílias), o setentão Michael Douglas resolveu "invadir" o universo dos super-heróis ao aceitar estrelar Homem-Formiga, filme que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16). Reconhecido por seus papéis mais refinados e charmosos, Douglas causou certa surpresa ao aceitar o convite da Marvel, se tornando uma daquelas inusitadas adições que promete trazer um inegável peso a esta ousada nova aposta da "casa das ideias". Embarcando numa inesperada nova aventura em sua carreira, o veterano ator mostra que nunca é tarde para experimentar as incríveis possibilidades do cinema atual, encontrando no último longa da fase 2 do Universo Vingadores uma chance de se aproximar das novas gerações.



Seguindo os passos do pai, que se consagrou em Hollywood através de clássicos como 20.000 Léguas Submarinas (1954), Glória Feita de Sangue (1957) e Spartacus (1960), Michael começou a experimentar o mundo do cinema cedo. Se interessando pelos bastidores da sétima arte, o então jovem realizador começou trabalhando como assistente de direção em 1962, antes mesmo de se formar no curso de arte dramática na Universidade de Santa Barbara em 1968. Comprovando o seu talento já no seu primeiro papel de destaque, o ator recebeu uma indicação ao Globo de Ouro em O Protesto (1969). Nomeado ao prêmio de Estreante mais Promissor, perdendo para Jon Voight, Michael logo se tornou uma realidade, ganhando ainda mais espaço com a série de TV The Streets of San Francisco. Estrela de filmes menores como Árvore da Solidão (1971) e Napoleão e Samantha (1972), ele obteve inicialmente destaque em Hollywood como produtor, sendo um dos responsáveis por tirar do papel a versão cinematográfica de Um Estranho no Ninho (1975). Após convencer o seu pai, que era o detentor dos direitos da adaptação e já havia a estrelado no teatro, o ator liderou um aclamado trabalho vencedor de cinco Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator (Jack Nicholson), Melhor Atriz (Louise Fletcher), Melhor Direção (Milos Forman) e Melhor Roteiro. Foi através deste trabalho, aliás, que Michael Douglas levou o seu primeiro Oscar (foto acima), já que os produtores recebem a estatueta de Melhor Filme. Voltando a atuação, o então astro ascendente roubou a cena em A Síndrome da China (1979). Ao lado de Jack Lemon e Jane Fonda, ele fez parte de um longa indicado a quatro prêmios do Oscar, mostrando o seu estilo ao interpretar um persistente repórter.


Reconhecido por sua sensibilidade e estilo refinado, Michael Douglas se destacou na primeira metade da década de 1980 num gênero bem mais descompromissado, conseguindo brilhar na aventura com o divertido Tudo por uma Esmeralda (1984). No melhor estilo Indiana Jones, o ator dividiu a tela com dois parceiros recorrentes: a atriz Kathleen Turner e o seu amigo de faculdade Danny DeVitto. Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Comédia\Musical, o longa dirigido por Robert Zemeckis faturou mais de US$ 150 milhões ao redor do planeta, se tornando um dos primeiros grandes sucessos de público da carreira de Douglas. Procurando repetir a dose, no ano seguinte ele voltou ao gênero na continuação a A Joia do Nilo (1985). Novamente ao lado de Turner e DeVitto, o longa não fez o mesmo sucesso, faturando cerca de US$ 96 milhões internacionalmente. Foi no ano de 1987, porém, que Michael Douglas atingiu um novo status em sua carreira com o cultuado Wall Street - Poder e Cobiça. Dando vida ao ganancioso e frio milionário Gordon Gekko, o ator levou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atuação, voltando a estrelar a continuação O Dinheiro Nunca Dorme (2010). Neste mesmo ano, aliás, Douglas estrelou o elogiado suspense Atração Fatal (1987), dividindo tela com a atriz Glenn Close. Indicado a seis estatuetas, o longa o reaproximou ao gênero que o consagrou ao narrar a jornada de um marido infiel perseguido por sua psicopata amante.


Vivendo o auge de sua carreira entre as décadas de 1980 e 1990, Michael Douglas se tornou um dos atores mais bem pagos de Hollywood ao estrelar a comédia de humor negro A Guerra dos Roses (1989), o interessante thriller sobre a máfia japonesa Chuva Negra (1989) e o picante suspense Instinto Selvagem (1992). Novamente perdido em meio às atitudes de uma "mulher fatal", vivida pela musa noventista Sharon Stone, Douglas ganhou um dos seus papéis mais populares ao interpretar um detetive que se "encanta" por uma sexy acusada. Nesse meio tempo, aliás, Michael Douglas conviveu com problemas envolvendo as drogas e o álcool, sendo internado em uma clínica de reabilitação para se livrar do vício. Na época, no entanto, surgiu uma série de especulações envolvendo os problemas do ator, que segundo alguns tabloides seria um viciado em sexo. Essa informação, porém, sempre foi oficialmente negada por ele. Deixando as fofocas de lado, o ator voltaria a mostrar o seu talento para o humor negro no empolgante Um Dia de Fúria (1993). Dando vida a um homem traído, desempregado e falido (foto acima), Douglas chamou a atenção ao interpretar um personagem que resolveu se revoltar contra o sistema. Apesar de ter passado despercebido pelas grandes premiações, o ácido longa se tornou um elogiado cult, e ainda hoje é lembrado como um dos principais trabalhos da carreira do ator. Procurando repetir a fórmula de instinto selvagem, Michael Douglas voltaria aos filmes picantes em Assédio Sexual (1994). Dividindo a tela com a bela Demi Moore, o longa não foi tão bem recebido pela crítica, mas acabou indo muito bem ao ultrapassar a marca dos US$ 200 milhões nas bilheterias.


Num romance bem mais singelo, Douglas comprovaria a sua importância em Hollywood ao dar vida ao presidente norte-americano em Meu Querido Presidente (1995). Tendo como par romântico a atriz Annette Bening, ele conseguiu mais uma indicação ao Globo de Ouro ao viver um viúvo à procura de um novo humor. Após produzir e atuar na subestimada aventura A Sombra e a Escuridão (1996), Michael Douglas voltou ao suspense no envolvente Vidas em Jogo (1997) e no remake hitchcockiano Um Crime Perfeito (1998). Se mantendo em evidência, o veterano ator retornaria as grandes premiações com o drama sobre o tráfico de drogas Traffic - Ninguém sai Limpo (2000). Interpretando um juiz, Douglas foi apenas mais um num estrelado elenco, que trazia nomes como os de Benicio Del Toro, Don Cheadle, Dennis Quaid e sua atual esposa Catherine Zeta-Jones. Por falar em família, no ano de 2003 o clã dos Douglas (foto acima) atuou junto no bem humorado drama Acontece nas Melhores Famílias. Dividindo a tela com o seu pai Kirk, a sua mãe Diana e o seu filho Cameron, Michael estrelou um daqueles longas em que a vida imita a arte. Isso porque, após dar vida a um jovem rebelde viciado em drogas, Cameron Douglas foi condenado a 10 anos de prisão por venda de heroína. Antes deste trabalho, porém, o ator se destacou na 'dramédia' Garotos Incríveis (2000), no interessante suspense Refém do Silêncio (2001) e na comédia familiar Até que os parentes nos Separem (2003). Desfilando a sua reconhecida versatilidade, Michael Douglas seguiu flertando com uma série de gêneros, se mantendo nos holofotes hollywoodianos através do thriller de ação Sentinela (2006), da 'dramédia' O Rei da Califórnia (2007), do suspense Acima de Qualquer Suspeita, do romance O Solteirão (2009) e da comédia sobre a terceira idade Última Viagem a Vegas (2013). O homem que ficou reconhecido por seus personagens mulherengos, no entanto, voltou a arrancar elogios da crítica com o aclamado filme pra TV Minha Vida com Liberace (2013). 



Interpretando o extravagante pianista e 'showman' norte-americano, Douglas voltou a levar o Globo de Ouro como Melhor Ator de Minissérie ou Filme pra TV, mostrando ousadia ao fugir da sua vasta zona de conforto. Coragem que se repetiu com a sua entrada no universo dos super-heróis, onde irá viver o cientista Hank Pym, o responsável pela criação do uniforme que dará os poderes ao herói interpretado por Paul Rudd. Após vencer um câncer na garganta, o ator disse a Agência Efe que está "com mais energia e vontade de trabalhar do que nunca", e explicou os motivos que o levaram a embarcar nesta nova aventura. "Nunca fiz em minha carreira algo assim. Nem sequer um filme com efeitos especiais, portanto pensei que seria divertido tentar. O que a Marvel fez até agora é excelente, portanto foi uma decisão fácil." Com dois filhos na adolescência, Douglas revelou ainda que agora poderá fazer um trabalho mais voltado para eles. "Pela primeira vez sou 'cool' para eles (filhos). Não viram muitos dos meus filmes porque muitos são para maiores de idade. Mas quando ficou sabendo do 'Homem-Formiga' meu filho se tornou meu agente. Dizia que eu conquistaria um público novo, pessoas que não sabem quem sou". Por fim, fazendo referência a sua longa e aclamada carreira em Hollywood, Michael Douglas se mostra satisfeito por integrar um mercado que ainda valoriza um profissional de 70 anos. "Estou feliz de pertencer a uma indústria que ainda precisa de veteranos. Não há muitos trabalhos onde se possa ter 70 anos e ainda sentir-se querido e valorizado", garantiu o veterano, que foi apresentado através do universo Marvel as incríveis novas possibilidade do cinema atual. 

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