quarta-feira, 29 de julho de 2015

Cinemaniac Indica (O Desafio das Águias)

Numa época em que os John's Rambo, McClane e Matrix nem sonhavam em existir, os icônicos Clint Eastwood (O Estranho sem Nome) e Richard Burton (O Manto Sagrado) se uniram numa alucinada batalha contra o nazismo no intenso O Desafio das Águias. Cultivando alguns dos absurdos que seriam popularizados pelo cinema de ação na década de 1980, principalmente com o frenesi em torno dos rentáveis "exércitos de um homem só", o envolvente thriller de espionagem conquista não só pelas impecáveis atuações destes dois grandes nomes de Hollywood, mas também pela forma inspirada com que explora esta atmosfera conspiratória envolvendo a tênue relação entre os militares. Conduzido com extrema habilidade por Brian G. Hutton (O Primeiro Pecado Mortal), o longa valoriza como poucos a tensão em torno de uma missão quase suicida, encontrando nas sufocantes sequências de ação e na marcante trilha sonora o suporte necessário para as imponentes presenças de Burton e Eastwood.

Escrito por Alistair MacLean, do igualmente ótimo Os Canhões de Navarone (1961), O Desafio das Águias saiu do papel graças a um pedido do filho de Richard Burton, que queria ver o pai atuando em um grande filme de ação. Percebendo o sucesso das adaptações dos livros deste escritor, o já consagrado ator pediu para o seu produtor Elliott Kastner encomendar uma nova história junto a Maclean, que seis semanas depois entrou o roteiro já finalizado. Narrado durante a Segunda Guerra Mundial, o longa acompanha a missão do Major Smith (Burton), um respeitado militar que é o escolhido para liderar um pequeno pelotão na tentativa de resgate de um general do alto escalão britânico. Após cair em terras inimigas, o oficial foi transferido para um intransponível quartel da SS, sendo mantido prisioneiro numa base cercada por uma gélida montanha nos Alpes da Baviera. Temendo que ele contasse sobre os planos ingleses, o coronel Turner (Patrick Wymark) resolve então tirar do papel um plano suicida, recrutando alguns dos melhores soldados britânicos e o letal militar norte-americano Schaffer (Eastwood). Já em solo alemão, no entanto, o grupo passa a conviver com uma nova e inesperada ameaça quando Smith começa a suspeitar que existe um espião entre eles.

Por mais que as quase três horas de projeção se mostrem excessivas e que o primeiro ato ganhe a tela de maneira realmente lenta, O Desafio das Águias cresce assustadoramente à medida que o complexo argumento começa a se desenrolar. Contando com o estupendo protagonismo de Burton, que repetindo o tipo que o consagrou em O Espião que veio do Frio (1965) constrói um militar absolutamente dúbio, Hutton é preciso ao explorar os mistérios em torno deste jogo de espionagem, alimentando com extremo bom gosto a tensão em torno desta incursão em solo nazista. Sem pressa ao se aprofundar nos planos deste grupo de militares, chama a atenção a forma minuciosa com que ele acompanha esta pragmática invasão, evidenciando não só cada um dos obstáculos superados pelos "aliados", mas também as armadilhas deixadas por eles para o exército alemão. Alimentando sempre este ritmo crescente, o envolvente roteiro é igualmente primoroso ao apontar as suas reviravoltas, pregando algumas peças no espectador ao elucidar as intenções dos militares e a nociva relação entre os espiões e os contraespiões. 

Guardando surpresas até a última cena, O Desafio das Águias impressiona pela forma como se equilibra entre a tensão e a ação. Contando ainda com um competente elenco de apoio, potencializado pela relação da agente dupla vivida por Mary Ure (Estranha Obsessão) com o oficial nazista interpretado por Derren Nesbitt (Crepúsculo das Águias), este magnético thriller de espionagem supera os excessos graças as estupendas atuações de Clint Eastwood e Richard Burton e a aura misteriosa brilhantemente cultivada pelo vigoroso argumento. 

2 comentários:

Hugo disse...

Realmente é um ótimo filme de ação sobre a Segunda Guerra e com a inusitada dupla Clint Eastwood e Richard Burton.

É um daqueles filmes que está esquecido, infelizmente.

Abraço

thicarvalho disse...

Completamente né Hugo, ainda bem que temos o TCM para nos apresentar a estes clássicos. Grande canal!!!!! Abs.

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