terça-feira, 5 de julho de 2016

Os melhores e os piores filmes da Pixar


Décima sétima produção da Pixar a chegar aos cinemas, Procurando Dory (confira a nossa opinião) manteve o excelente padrão de qualidade deste cultuado estúdio. Longe de ser uma continuação genérica, a animação dirigida por Andrew Stanton encontrou na esquecida Dory a complexidade necessária para guiar esta adorável sequência, construindo uma aventura afirmativa e absolutamente divertida. Aproveitando o sucesso de Procurando Dory, nesta matéria especial confira um balanço envolvendo as melhores e as piores produções da Pixar Animations.


17º Carros 2 (2011)


Talvez a única produção genérica da Pixar, Carros 2 é aquela continuação que prioriza os fins mercadológicos. Indo de encontro ao primeiro longa, que trazia uma pueril mensagem familiar, s continuação preferiu apostar numa aventura genérica sobre espionagem internacional. Ainda que os carismáticos Relâmpago McQueen e Tomate segurem a animação, marcada pelos variados cenários e para as divertidas sequências de ação, o resultado final é esquecível e pouco recompensador. Um trabalho visualmente bonito, mas aquém do talento do diretor John Lasseter. (Avaliação: ** e 1\2)

16º Carros (2006)


Um projeto pessoal de John Lasseter, Carros é uma animação simática, inocente e absolutamente honesta. Trazendo uma preciosa mensagem de amizade e respeito ao próximo, a fábula acompanha a jornada do confiante Relâmpago McQueen, um carro da Nascar que se vê obrigado a permanecer numa pequena cidadezinha após causar um acidente. Inicialmente incomodado com a situação, aos poucos ele passa a redescobrir sentimentos perdidos com a fama, encontrando nos novos amigos a inspiração necessária para se tornar um carro de corrida melhor. Ainda que não tenha o brilho dos principais trabalhos do estúdio, Carros  se garante no carisma dos adoráveis personagens e nas aceleradas sequências de ação, se tornando assim um entretenimento seguro e naturalmente divertido. (Avaliação: *** e 1\2)

15º Vida de Inseto (1998)


O segundo grande trabalho da Pixar, Vida de Inseto é um daqueles títulos que fizeram parte da minha infância. Logo após o estrondoso Toy Story (1995), o estúdio resolveu investir na boa e velha "jornada do herói" ao acompanhar a luta de uma formiga para por fim a tirania dos exploradores gafanhotos. Apesar do visual não ter envelhecido tão bem com o tempo, principalmente no que diz respeito aos simples cenários, Vida de Inseto cativou o público ao se revelar uma fábula singela e comovente. Um longa sobre a bravura de tipos comuns obrigados a protagonizar feitos revolucionários. Em suma, uma animação que merece ser redescoberta pelas novas gerações. (Avaliação: *** e 1\2)

14º Valente (2012) 


Talvez o único projeto da Pixar com a cara dos estúdios Disney, Valente se diferenciou dos demais filmes do gênero ao trazer um interessante cunho feminista. Impulsionado pelo visual primoroso, o longa dirigido Brenda Chapman e Mark Andrews se esquivou dos clichês envolvendo os príncipes encantados ao narrar a jornada de uma princesa independente obrigada a enfrentar as consequências dos seus mais sinceros desejos. Ainda que o argumento caminhe por temas já utilizados dentro do gênero, vide os queridos Mulan (1998) e Irmão Urso (2003), Valente se revela uma aventura vigorosa e libertadora, uma animação marcada pela forte protagonista, pelo cenário ultra colorido e pelos carismáticos personagens apoio. Com destaque para o espevitado trio de irmãos. (Avaliação: *** e 1\2)

13º Universidade Monstros (2013)


Um baita filme de origem, Universidade Monstros arranca sinceras risadas ao nos apresentar o inicio da querida amizade entre o bonachão Sulley e o sagaz Mike. Fazendo um excelente uso das fórmulas do gênero 'high-school', o longa dirigido por Dan Scanton conquistou o público ao apresentar a rotina universitária desta carismática dupla, revelando a dificuldade dos dois em se tornar mestres na arte do susto. Como se não bastassem os divertidos testes e a hilária competição interna entre as fraternidades, o argumento prega o respeito às diferenças ao introduzir estes dois personagens, transformando uma estúpida rixa numa grande relação de amizade. Ainda que não tenha a mesma genialidade do original, Universidade Monstros é uma continuação inventiva e tecnicamente primorosa. Um filme que se sustenta isoladamente do primeiro ao último minuto. (Avaliação: ****)

12º Procurando Dory (2016)


Nadando em águas bem mais tranquilas, Procurando Dory cativa ao resgatar alguns dos principais elementos que consagram o popular primeiro longa. Novamente dirigida por Andrew Stanton (Procurando Nemo, Wall-E), a animação se revela uma aventura doce, tocante e bem humorada, uma continuação à altura do original no que diz respeito aos carismáticos personagens, ao fascinante cenário marítimo e ao visual absolutamente primoroso. Apesar da proposta narrativa mais segura, a nova aposta da Pixar se esquiva das fórmulas fáceis ao voltar os seus holofotes para a esquecida Dory, encontrando na sua incomoda deficiência o fator humano que geralmente diferenciam as produções deste aclamado estúdio. Em outras palavras, ao encarar as crises de amnésia da protagonista de maneira mais densa, Stanton transforma a nova busca de Dory numa sensível, dinâmica e reveladora jornada de autoconhecimento.  E isso, obviamente, sem deixar de entregar um espetáculo visual de primeira qualidade. (Avaliação: ****)

11º O Bom Dinossauro (2015)


Apesar dos problemas em torno da sua produção, O Bom Dinossauro é uma película com o padrão Pixar de qualidade. Sob a batuta do criativo Peter Sohn, a aventura jurássica recorre a popular cartilha Disney ao narrar a amizade entre um pacífico dinossauro e um indomável jovem neandertal. Por mais que narrativamente o longa não seja tão impactante quanto o antecessor Divertida Mente, ficando uns degraus abaixo ao requentar algumas velhas fórmulas em prol da sua edificante lição de moral familiar, visualmente o resultado é bem superior, incrementando a correta premissa com soluções criativas e expressivas. Na verdade, ao misturar os traços hiper-realísticos das incríveis paisagens com a aparência cartunesca dos protagonistas, Sohn nos brinda com uma obra lúdica e esteticamente autoral. Sem querer revelar muito, a sequência em que Arlo e Spot "explicam" o destino de suas famílias é uma das coisas mais sensíveis que a Pixar já apresentou. Numa daquelas negativas surpresas do destino, no entanto, o longa não se saiu bem nas bilheterias, se tornando a pior arrecadação da história das produções do estúdio. (Avaliação: ****)

10º Toy Story 2 (1999)


Brilhante ao ampliar o universo de personagens da franquia, Toy Story 2 é uma continuação impecável. Lúdica, colorida e esteticamente expressiva, a animação dirigida por John Lasseter não só nos apresentou a uma nova turma de personagens, entre eles a adorável Jessie, como também introduziu um dilema familiar singelo e naturalmente revelador. Na trama, após uma tentativa de resgate, o cowboy Woody é "raptado" por um colecionador de bonecos raros. O pesadelo, no entanto, se transforma em surpresa quando ele encontra os seus parceiros de coleção, a cowgirl Jessie, o fazendeiro Pete Fedido e o seu cavalo Bala no Alvo, acreditando assim estar finalmente ao lado de sua família. Desesperado com o sumiço do seu melhor amigo, Buzz resolve liderar uma missão de resgate, sem saber que Woody já estava em dúvidas sobre o retorno à casa de Andy. Recheado de sequências divertidíssimas, as cenas na loja de brinquedo e no elevador são impagáveis, Toy Story 2 é uma continuação memorável, uma obra capaz de resgatar a aura mágica do fantástico primeiro longa. (Avaliação: **** e 1\2)

9º Monstros S.A (2001)


Brilhante ao explorar os contrastes, a Pixar colocou de vez o seu nome no panteão do grandes estúdios com o fofo Monstros S.A. Assim como no percursor Toy Story, a companhia voltou a fazer um primoroso uso do tom lúdico ao acompanhar os bastidores da indústria dos pesadelos infantis. Não se engane, porém, com o aparente pano de fundo assustador. Através de uma abordagem singela e bem humorada, o inventivo diretor Pete Docter constrói uma história maravilhosa, brincando com as nossas expectativas ao revelar a intimidade dos bichos papões do imaginário infantil. Além disso, o longa introduz uma das mais cativantes personagens do estúdio, a carismática Boo, uma garotinha que consegue enxergar a humanidade por trás destas criaturas mostrengas. Indo além da mensagem integradora envolvendo o medo do desconhecido, Monstros S.A é uma obra recheada de predicados. Como se não bastasse o apurado senso estético do diretor, o longa entrega ainda uma série de hilários diálogos, uma delicada relação de amizade e algumas espetaculares sequências de ação. Vide o magnífico clímax, marcado pelo seu dinamismo e imprevisibilidade. Um filme único e tocante. (Avaliação: **** e 1\2)

8º Os Incríveis (2004)


Os Incríveis não é só uma das melhores animações da Pixar. Na verdade, o longa dirigido por Brad Bird está facilmente na minha lista dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos. Ágil, empolgante e bem humorado, o longa conquistou o público ao acompanhar as desventuras de uma família nada convencional, uma prole de super-heróis obrigados a levar uma vida comum após o governo impedir ação dos vigilantes. Em cima deste tradicional arco, Bird colocou o seu nome de vez no radar de Hollywood ao entregar uma sucessão de fantásticas sequências de ação, protagonizadas por tipos marcantes e repletos de personalidade. Além disso, o realizador dá um verdadeiro show ao trabalhar com elementos como o fogo, a água e o gelo, permitindo que a trama passeie por cenários inventivos e absolutamente ricos. Ainda que o antagonista não esteja entre os melhores, Os Incríveis é uma aventura de ação vigorosa e inesquecível. (Avaliação: **** e 1\2)

7º Ratatouile (2007)


Por falar em contrastes, só mesmo a Pixar pra fazer de um simpático rato o protagonista de uma verdadeira ode a gastronomia. Sob a batuta do criativo Brad Bird, Ratatouille brilha ao acompanhar a jornada de um personagem sonhador, um ratinho talentoso que não se contentava em comer restos. A partir de um improvável ponto de vista, o realizador constrói não só uma poderosa história de amizade, como também revela os bastidores de um concorrido restaurante de luxo, criando um cenário fértil e recheado de possibilidades. Como se não bastasse a comovente lição de igualdade defendida pelo argumento, Brad Bird esbanja o seu talento ao construir um ambiente rico e detalhista, respeitando elementos como as noções de escala e a expressão dos personagens ao dar corpo a esta curiosa premissa. Até porque, ao contrário do que geralmente acontece, o diretor opta por não utilizar a comunicação verbal entre o "mini chef" Remy e o seu desastrado "corpo" Linguni, criando uma dinâmica única e divertida. Além disso, Bird valoriza como poucos o senso de ameaça envolvendo a figura do ratinho, transformando Ratatouille num relato sensível e inteligente. Sem querer revelar muito, o último ato surpreende ao propor uma abordagem madura e inspirada sobre a crítica gastronômica.  (Avaliação: **** e 1\2)

6º Procurando Nemo (2003)


E agora começam as notas máximas. Um verdadeiro pesadelo para as equipes de animadores, elementos como a água sempre foram um grande desafio para a indústria da animação. Isso até a estreia de Procurando Nemo. Num trabalho espetacular, a dupla Andrew Stanton e Lee Unkrich esbanjou virtuosismo técnico ao fazer do oceano o pano de fundo para uma adorável fábula familiar. Traduzindo a imensidão do fundo do mar, o longa acompanha as desventuras de Nemo, um peixinho palhaço com uma pequena deficiência numa de suas nadadeiras. Superprotegido pelo pai, o neurótico Marlin, o jovem se mete numa grande confusão ao ser raptado por um grupo de pescadores, se tornando o novo integrante de um aquário em uma clínica odontológica. Desesperado, Marlin resolve deixar o pacífico coral em busca do paradeiro do filho, iniciando assim uma jornada de descobertas marcada por novas amizades, pelo perigo e pelo amor ao seu herdeiro. Recheado de carismáticos personagens coadjuvantes, Procurando Nemo fascina ao traduzir com detalhismo a fauna e a flora marinha, permitindo que estes elementos visuais acrescentem ainda mais peso a uma história por si só poderosa. (Avaliação: *****)

5º Up - Altas Aventuras (2009)


Impulsionado pela fantástica trilha sonora de Michael Giacchino, Up - Altas Aventuras já começa arrebentando o coração do espectador. Numa das sequências de abertura mais memoráveis da história do cinema, o diretor Pete Docter impressionou o público ao acompanhar o início, o meio e o fim da poderosa história de amor entre dois apaixonados sonhadores. Em cinco minutos, Docter construiu um romance mais sincero e profundo do que muitas películas que chegam aos cinemas. Não se engane, no entanto, com a aparência melancólica do longa. Up é um fantástica aventura estrelada por um velhinho ranzinza obrigado a vender a sua casa e um escoteiro persistente disposto a fazer uma boa ação para conseguir a sua tão esperada medalha de honra ao mérito. Numa vertiginosa mistura de cores, Docter constrói uma trama simples recheada de sentimento, incrementada pelo humor ingenuo, pelos adoráveis personagens e pelas espetaculares sequências de ação. Isso pra não falar da dublagem do saudoso Chico Anysio, um trabalho (me arrisco a dizer) melhor do que o apresentado no idioma original. (Avaliação: *****)

4º Toy Story (1995)


O início desta história de sucesso e grandes personagens, Toy Story revolucionou a indústria da animação. Ainda que muito atribuam ao brasileiro Cassiopeia o título de primeiro longa completamente realizando digitalmente, um feito por si só digno de aplausos, foi Toy Story o primeiro grande sucesso neste formato. Primeiro longa-metragem da Pixar, a animação dirigida por John Lasseter invadiu o imaginário infantil ao dar vida aos brinquedos de uma criativa criança. Na trama, conhecemos o caubói Woody, uma figura convencida e carismática que tinha um grande "prestígio" junto ao seu dono. Esta rotina favorável, no entanto, é drasticamente mudada quando o garoto ganha um novo brinquedo de aniversário, o astronauta espacial Buzz Lightyear. Com inveja do seu novo companheiro de quarto, Woody resolve bolar um plano para expulsar Buzz da sua vida, sem saber que desta rixa iria nascer uma poderosa e cativante história de amizade. Com um visual completamente à frente do seu tempo, Toy Story é um triunfo visual e narrativo. Uma obra capaz de agradar as crianças e os adultos com absoluta naturalidade. (Avaliação: *****)

3º Divertida Mente (2015)


Após ceder as fórmulas mais comerciais nos divertidos Carros 2 (2011) e Universidade Monstros (2013), a Pixar voltou a defender a originalidade que a consagrou com o fantástico Divertida Mente. Nos conduzindo por uma mágica viagem pelo cérebro humano, o novo trabalho do expressivo diretor Pete Docter (Up - Altas Aventuras) se apropriou com uma impressionante inocência de temas complexos, mostrando de um ponto de vista adoravelmente particular as oscilações emocionais de uma garotinha prestes a encarar a pré-adolescência. Personificando cada um dos principais e mais abstratos sentimentos humanos, que ganham corpo através de personagens cativantes e primorosamente desenvolvidos, a animação faz do cérebro infantil um criativo mundo de magia e cores, promovendo uma daquelas encantadoras viagens cada vez mais raras dentro do cinema atual. Uma jornada brilhante e impecavelmente universal, que transforma uma elaborada premissa sobre o nosso comportamento numa leve e singela brincadeira de criança. Sem medo de errar, apesar das ótimas Alegrias e Tristeza, o cativante Bing Bong protagoniza uma das cenas mais emocionantes da universo Pixar. Impossível segurar as lágrimas, tamanha poesia e profundidade. (Avaliação: *****)

2º Toy Story 3 (2010)

Uma surpresa fenomenal, a trilogia Toy Story chegou ao fim com o profundo e comovente Toy Story 3. Novamente dirigido por John Lasseter, o longa colocou uma geração pra chorar ao acompanhar a transição da adolescência para a fase adulta sob um prisma mágico. Prestes a ir para a faculdade, o agora jovem Andy resolve guardar os seus queridos brinquedos em uma caixa. Numa virada de última hora, no entanto, a mãe de Andy confunde as embalagens e os envia para uma creche recheada de pirracentas crianças. Lá, sob as ordens de um simpático urso rosa, Woody, Buzz e sua turma resolvem dar uma chance para o lugar. Não demora muito, porém, para eles perceberem os perigos do local. Mesmo sem abdicar do tom lúdico, Lasseter absorveu sentimentos mais complexos ao narrar esta poderosa história de amizade, encontrando um caminho especial para tocar o coração do espectador que cresceu acompanhando a série. Alem disso, recheado de expressivos novos personagens, o longa se revelou um retumbante triunfo visual, um espetáculo virtuoso e especial. Sem querer revelar muito, o último ato do longa é uma das coisas mais belas que já vi no cinema, um arremate capaz de provocar uma mistura de emoções tão sinceras e genuínas. Em suma, Toy Story 3 é a Pixar em sua mais pura essência. (Avaliação: *****)


1º Wall-E (2008)


E chegamos a obra prima do estúdio. Inventivo, crítico e absolutamente humano, Wall-E encanta ao colocar em cheque o destino da raça humana. Narrativamente ousado, o longa dirigido por Andrew Stanton se revela um relato inestimável sobre a degradação ambiental do nosso planeta. Com um expressivo protagonista em mãos, um robozinho simpático responsável por "higienizar" o inabitado planeta Terra, o diretor constrói uma história vigorosa e altamente questionadora. Fazendo um excelente uso da ausência de diálogos, que só surgem em cena a partir do segundo ato, Stanton explorar com rara inspiração elementos do cinema mudo, como a expressão e o gestual, transformando Wall-E num dos personagens mais particulares da Pixar. Não se engane, porém, com a aparente sisudez da trama. Por trás do forte tom crítico existe uma fascinante história de amor, um romance sincero e apaixonante. Enfim, Wall-E é uma aventura recheada de camadas. Um trabalho esteticamente magnífico, narrativamente impecável e essencialmente universal. (Avaliação: *****)

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