sábado, 1 de fevereiro de 2014

Top 10 (Curiosidades sobre O Mágico de Oz)


Durante esta semana a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos anunciou que irá homenagear o clássico O Mágico de Oz na 86ª cerimônia do Oscar, que será realizada no próximo dia 2 de Março. Dirigido por Victor Flemyng, o longa completa 75 anos em 2014 e por isso será lembrado na principal cerimônia envolvendo a sétima arte. Considerado até hoje um dos mais icônicos filmes já realizados, O Mágico de Oz traz uma série de curiosidades envolvendo todo o seu grandioso processo de criação. Nesta edição do Top 10 Cinemaniac, vamos então lembrar os fatos mais inusitados que cercaram este grande - e pioneiro - clássico do cinema mundial.

10º Lugar - O excesso de Diretores e roteiristas


"Diferente do que muitos sabem, Victor Flemyng não foi o único a comandar O Mágico de Oz, que teve cinco diretores. Apesar de ter grande importância na construção do filme, tanto que ele assinou o longa, Flemyng não chegou nem a concluir as gravações. Na verdade, coube a Richard Torpe a missão de ser o primeiro comandante da obra, mas após duas semanas de trabalho, a MGM achou o material produzido insatisfatório e acabou o demitindo. Com isso, George Cukor foi indicado para o posto, mas também não chegou a dirigir um take sequer. Victor Fleming então assumiu o posto, rodando boa parte das grandes cenas. No entanto, após ser convidado para dirigir E o Vento Levou, Fleming acabou abandonando o barco antes da conclusão. Assim, King Vidor foi o quarto a assumir o controle do filme, trabalhando nas sequências restantes, principalmente nas cenas envolvendo Kansas. Vale destacar, porém, que o produtor Mervyn LeRoy também dirigiu algumas cenas, sendo assim o quinto responsável pela condução do longa, um recorde em Hollywood. Por mais que não exista uma explicação plausível, estas mudanças se deveram ao longo processo de filmagens. O Mágico de Oz começou a ser rodado no dia 13 de Outubro de 1938 e foi concluído somente em 16 de Março de 1939. No fina das contas, apesar de cinco diretores, e dos 14 roteiristas, reza a lenda que o real comando partiu dos produtores da MGM, que acabaram sendo a voz ativa nas principais decisões envolvendo a adaptação cinematográfica."

9º Lugar - Dúvidas no elenco


"O Mágico de Oz acabou consagrando o ator Frank Morgan como o personagem Oz. No entanto, o emblemático mágico era para ter sido interpretado por outro ator. Na verdade, o papel era perfeito para o humorista W.C. Fields, o preferido do estúdio MGM. O problema é que os 75 mil dólares oferecidos pelo estúdio, na época valores astronômicos, não foram suficientes para o ator que pedia 100 mil dólares. A MGM chegou a cogitar a possibilidade de ofertar o valor pedido, mas ao tomar conhecimento do papel, Fields acabou o descartando por ser pequeno. Sorte de Morgan, que, além de viver Oz, atuou também como o professor Marvel, o porteiro da cidade de Esmeralda, o motorista da carruagem e também um guarda. Vale destacar ainda que, apesar da bem sucedida carreira, Frank Morgan é até hoje lembrado pelo seu desempenho como o Mágico de Oz."

8º - A complicada escolha de Judy Garland


"Classificada como uma das personagens mais icônicas da história do cinema, o processo por traz da escolha da intérprete da pequena Dorothy é um capítulo a parte. No dia 24 de fevereiro de 1938 a promissora Judy Garland foi escolhida para viver a personagem principal. Com uma carreira já construída em Hollywood, no entanto, a atriz quase foi substituída por uma estrela em ascensão. Na verdade, a MGM fez um proposta para que a pequena Shirley Temple vivesse Doroty. Temple começou muito cedo no cinema, e foi responsável por grandes sucessos do estúdio Fox, se tornando um símbolo infantil norte-americano durante a época da grande depressão. E esse sucesso, logicamente, chamou a atenção da MGM. Porém, com medo de perder a sua estrela mirim, a Fox acabou não liberando Shirley Temple. Coube então a já crescida Judy Garland, então com 16 anos, viver um personagem infantil. E ela sofreu para isso, tendo que atuar com bandagens na altura dos seios para "segurar" o seu corpo adolescente. Apesar de Temple ter - na época - a idade ideal para a personagem, Garland construiu uma excelente Dorothy, inocente e cativante como a obra original determinava. A questão física, aliás, acabou abreviando a vida desta excelente atriz. Incomodada com as exigentes críticas dos produtores da época com relação ao seu peso, Garland se tornou viciada em remédios para emagrecimento. A atriz acabou se afundando em dívidas, tentou o suicídio por diversas vezes e morreu de uma overdose acidental aos 47 anos."

7º Lugar - Leão ou Homem de Lata


"Problemas também aconteceram na escolha do interprete dos personagens Leão e Homem de Lata. A princípio, Ray Bolger foi escalado para interpretar o carismático Homem de Lata. Bolger, no entanto, demonstrou uma certa insatisfação com o personagem, já que a sua vontade era a de dar vida ao Espantalho. Os motivos não são tão claros, mas nos bastidores especula-se que essa opção foi motivada por um sonho de infância. Isso porque na versão de 1902, o Espantalho ganhou vida através da atuação de Fred Stone, um grande ídolo de Ray Bolger. E depois de tanto conversar com os produtores ele conseguiu mudar de personagem, deixando o Homem de Lata para Buddy Ebsen, o até então responsável por viver o Espantalho."

6º Lugar - Sobrou para Ebsen


"A decisão de Bolger, no entanto, acabou atingindo diretamente Buddy Ebsen. O ator aceitou a mudança de personagem, sem qualquer tipo de reclamação, mas encontrou um sério problema. Para viver o Homem de Lata, Ebsen utilizava uma maquiagem criada a partir de pó alumínio, o que gerou uma grande reação alérgica no ator. Em função desse pó, que era tóxico, Buddy Ebsen acabou internado em estado grave. Sem tempo a perder, o estúdio demitiu Ebsen e contratou Jack Haley, omitindo os verdadeiros motivos por trás da dispensa do ator. A MGM então mudou a fórmula da maquiagem e Haley conseguiu dar vida ao carismático Homem de Lata."

5º Lugar - Pink Floyd em Oz


"Essa é uma curiosidade que acabou cercando o filme muito tempo depois do seu lançamento. Alguns lunáticos de plantão, e bota doideira nisso, perceberam uma certa sincronia entre o disco Dark Side of The Moon, do Pink Floyd, e O Mágico de Oz. Na verdade, se assistirmos o longa com o acompanhamento do disco, conseguimos identificar sim alguma conexão entre as duas obras. O Pink Floyd sempre desmentiu qualquer tipo de conexão ou inspiração no clássico longa de 1939, mas é inegável que o tom e a transição das músicas acompanha parte do filme. Na minha opinião, no entanto, apenas uma grande coincidência. Assista o vídeo acima e tire as suas próprias conclusões."

4º Lugar - Leão Verdadeiro?


"E por muito pouco, mas muito mesmo, um dos personagens mais marcantes do filme, o Leão Covarde, não passou por uma drástica mudança em O Mágico de Oz. Na verdade, ao invés de usar um ator para realizar as cenas, a intenção da MGM era usar o leão símbolo do estúdio como protagonista. Ele mesmo, aquele animal imponente que com o seu rugido abre todos os lançamentos do estúdio. A ideia do produtor Mervyn LeRoy era que o leão fosse dublado, e tivesse uma participação reduzida na narrativa. Felizmente, esta ideia estapafúrdia acabou sendo colocada de lado e o ator Bert Lahr foi contratado para viver o icônico personagem. "

3º Lugar - Bruxa Bela?


"Os produtores da MGM estavam com as mais mirabolantes ideias para O Mágico de Oz. Uma delas, e até interessante se formos parar para pensar, era a de utilizar uma bela mulher para viver o papel da Bruxa Má. Aproveitando o sucesso de Branca de Neve e os Sete Anões, o conceito original do longa era criar uma bruxa de aparência bonita, respeitosa, semelhante a cruel rainha do clássico da Disney de 1937. A bela Gale Sondergaard (acima à esquerda), inclusive, foi contratada para interpretar a personagem. A questão é que segundo o livro O Mágico de Oz, a bruxa necessariamente era feia e assustadora. Temendo contrariar a obra e o roteiro já desenvolvido, os produtores optaram por enfeiar novamente a bruxa. Para isso, abusaram da maquiagem verde, destacado em função do advento do Technicolor. Ao se ver com a carregada maquiagem, a atriz Gale Sondergaard surtou. Incomodada com a sua "feiura", Gale deixou o projeto em cima da hora, criando um grande problema para o estúdio. Coube então a substitua Margaret Hamilton o papel de Bruxa Má do Oeste, personagem que acabou marcando a carreira desta atriz. "

2º Lugar - Mudanças Icônicas


"Imagine você se os sapatos vermelhos de Dorothy fossem de outra cor. Ou então se a estrada de tijolos amarelos fosse verde. Pois bem, essas eram as ideias iniciais dos produtores da MGM para O Mágico de Oz. E o principal motivo delas não terem sido aprovadas foi - única e exclusivamente - a utilização do advento do Technicolor, que permitia o uso de cores nas películas. O curioso é que apesar da tecnologia ter sido utilizada pela primeira vez em 1935, é neste clássico de 1939 que o Technicolor foi melhor aproveitado. Sabendo do poder que as cores traziam ao cinema, os produtores então resolveram explorar o máximo do advento que tinham em mãos. Na obra literária, o sapato da Dorothy na verdade era prata. Como esta cor não seria tão contrastante, tão chamativa, a MGM optou por fazer os sapatos num vermelho rubi. Essa opção acabou virando uma das marcas registradas do longa, assim como a bruxa má com rosto verde e a estrada de tijolos amarelos. O mais curioso, no entanto, foi a opção de rodar parte do filme em sépia, quase um preto e branco, e parte à cores. Com a intenção de chamar bastante atenção para o colorido presente no longa, esse contraste funcionou muito bem. Uma cena em questão, no entanto, quase mudou os planos dos produtores: o momento em que Dorothy abre a porta e descobre o fantástico mundo de Oz. Se você perceber bem, apenas nessa cena o colorido se encontra com o sépia. A questão é que na época, ainda em função dos poucos recursos, era impossível filmar em sépia e à cores ao mesmo tempo. Muitas alternativas foram levantadas, inclusive a possibilidade de colorir o cenário manualmente na película durante a pós-produção. Infelizmente, além de demandar muito tempo, essa opção não iria trazer um resultado satisfatório. Foi ai que brilhou a genialidade dos produtores da MGM. Eles pintaram toda a parte interna da casa da Dorothy em tons de sépia, colocaram a atriz Judy Garland em um vestido desta cor, com uma maquiagem puxando para esse tom. A direção então rodou a cena à cores, explorando os tons sépia do cenário e do figurino, conseguindo o contraste ideal.


Uma truque de mestre que acabou dando vida a este trabalho, e colocou O Mágico de Oz como uma das obras mais importantes para o desenvolvimento tecnológico do cinema."

1º Lugar - Outra canção original...


"Uma das marcas registradas do longa em o Mágico de Oz, sem dúvida alguma, foi a trilha sonora. Entre elas a canção "Somewhere Over the Rainbow”, interpretada pela própria Judy Garland. Considerada pelo AFI a canção mais icônica da história do cinema, por muito pouco ela não ficou de fora do longa. Na verdade, os produtores da MGM ao ouvirem a música acharam que ela era muito lenta para um filme voltado ao público infantil. Nos bastidores, existia um temor que o tom depressivo acabasse estragando o apelo infantil da obra. Felizmente, a MGM bancou a trilha sonora e ela acabou rendendo os dois Oscar que o filme levou (Melhor Canção Original e de Melhor Trilha Sonora). Desde então Judy Garland ficou marcada por esta canção, que acabou ganhando uma série de versões. A mais conhecida delas, no entanto, é a do havaiano Israel Kamakawiwo'ole, que inclusive esteve presente na trilha sonora da comédia Como se Fosse a Primeira Vez. "

Você sabia...


- A criatividade da época era algo impensável para os dias de hoje. Para construir o furacão que leva a casa de Dorothy para Oz, a equipe de efeitos especiais usou uma meia calça para criar o efeito do tornado. Isso mesmo, uma simples meia calça. Confira acima os testes envolvendo a construção do tornando que, sinceramente, eu não consigo explicar.


- O filme custou cerca de 2,7 milhões de dólares, sem dúvidas, o mais caro produzido até a década de 1940. Apesar do sucesso da obra vigorar até os dias de hoje, na época o longa foi considerado um fracasso de público, faturando apenas 3 milhões de dólares.


- Diferente dos filmes de hoje, que usam e abusam dos cenários em CGI, O Mágico de Oz foi todo rodado num gigantesco estúdio. O set de filmagens era tão grande e detalhado que a MGM utilizou nove câmeras para rodar o longa. Muitas delas, aliás, eram escondidas em árvores, arbustos e vasos, para fazer close-ups e takes mais fechados. Enquanto isso, a câmera principal era utilizada para capturar toda a cena. 

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